18-12-2018

Atenção aos riscos da exposição solar

Atenção aos riscos da exposição solar
Dezembro é o mês nacional de combate ao câncer de pele. Esse tipo da doença é o mais frequente na população brasileira, representando cerca de 30% de todos os casos – são cerca de 180 mil novos casos por ano, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). O melanoma corresponde a apenas 3% desse total. No entanto, ele é considerado o mais grave e com grande potencial metastático. A boa notícia é que a chance de cura é de mais de 90% se houver diagnóstico precoce.


Esse tipo de tumor surge por conta do crescimento anormal dos chamados melanócitos, células que produzem a melanina, dando cor e pigmentação à pele. Pessoas de pele clara, cabelos claros e sardas são mais propensas a desenvolver o câncer de pele. A idade é um fator que também deve ser considerado, pois quanto mais tempo de exposição da pele ao sol, mais envelhecida ela fica.


Bernardo Garicochea, oncologista e especialista em genética do CPO, unidade do Grupo Oncoclínicas em São Paulo, ressalta a importância da avaliação frequente de um dermatologista, para o acompanhamento das lesões cutâneas. “As alterações a serem avaliadas como suspeitas são o que qualificamos como ABCD - Assimetria, Bordas irregulares, Cor e Diâmetro. A análise da mudança nas características destas lesões é de extrema importância para um diagnóstico precoce”, alerta.


Além dos cuidados gerais indicados à toda a população quando o assunto é câncer de pele, o que inclui o uso do protetor solar e a atenção ao período de exposição solar prolongada, pessoas com propensão a desenvolver o melanoma devem estar constantemente mais atentas, pois ele pode surgir em áreas difíceis de serem visualizadas.


Os cuidados em relação à exposição solar durante a estação mais quente do ano também incluem o uso de óculos de sol, uma vez que eles ajudam a prevenir o câncer ocular. O retinoblastoma é o câncer ocular mais comum em crianças pequenas. Ele atinge a retina e é visível nas fotografias, já que evidencia um brilho branco em um dos olhos da criança. Já entre os adultos, há dois tipos de câncer que merecem atenção: o melanoma e o linfoma. De acordo com o oftalmologista Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, ainda existe o câncer que tem origem em outro órgão – como mamas ou pulmão –, e depois atinge os olhos. Em todos os casos, o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura. O ideal, segundo o médico, é apostar na prevenção por meio do uso de óculos de sol.


“Os fatores de risco para o melanoma ocular incluem pele clara, olhos claros (verdes ou azuis), idade superior a 45 anos, histórico de câncer na família e excesso de exposição dos olhos ao sol. Vale ressaltar que pessoas que trabalham no campo, em alto-mar, ou nas praias também têm risco aumentado para a doença por conta da superexposição aos raios ultravioleta (UVA e UVB). Por isso, é fundamental proteger sempre bem os olhos com óculos escuros, mesmo em dias nublados. O uso de boné ou chapéu em dias ensolarados também é altamente indicado, até mesmo para quem tem olhos castanhos”, afirma o oftalmologista.


O melanoma ocular pode atingir tanto a parte interna do globo ocular (úvea), quanto a membrana que reveste e protege a córnea (conjuntiva). “O melanoma ocular costuma ser assintomático, daí a importância da prevenção. Queixas de alterações visuais constantes, ‘moscas volantes’, flashes luminosos, e até mesmo descolamento da retina geralmente surgem quando a doença se encontra num estágio com prognóstico pouco favorável. Normalmente, esse tipo de câncer ocular acomete pessoas entre 40 e 60 anos de idade, sendo necessário fazer um mapeamento da retina, bem como uma ultrassonografia, além dos exames oftalmológicos comuns”, diz o médico.


Pessoas com o sistema imunológico mais vulnerável, como pacientes em tratamento contra a Aids, são mais suscetíveis ao câncer ocular do tipo linfoma. “Embora raro, é mais facilmente percebido, já que implica no crescimento anormal de uma massa de tonalidade rósea sobre a conjuntiva. Somente a biópsia poderá dizer quando é um tumor benigno ou maligno. De todo modo, o tratamento com radioterapia logo no início da doença tem se mostrado promissor. Diante desse quadro, é muito importante que as pessoas compreendam que os óculos de sol são muito mais do que um acessório estético, sendo fundamentais para a prevenção da doença”, conclui o oftalmologista.


Nas praias, utilizamos o guarda-sol como uma das formas de proteção contra os raios UV. Contudo, o estudo norte-americano “Sun Protection by Umbrellas and Walls”, publicado em outubro deste ano pela revista Photochemical & Photobiological Sciences, aponta que a sombra traz uma falsa sensação de proteção: o guarda-sol bloqueia a luz visível e o infravermelho, gerando a impressão de frescor, mas não bloqueia os raios UVA e UVB. O estudo também destaca que a falsa proteção pode aumentar o risco de queimaduras, já que quando alguém está descansando à sombra do guarda-sol, sente menos calor. De acordo com os pesquisadores, a quantidade de proteção que uma pessoa recebe depois de se refugiar sob um grande guarda-sol é de, no melhor dos casos, FPS 7.




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