Gestão em P&D

O Futuro do P&D

Janeiro/Fevereiro 2019

Wallace Magalhães

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Wallace Magalhães

Você já se deu conta dos produtos “essenciais” que nem existem mais? Videocassete, fax, lista telefônica, guias impressos, máquina de escrever, e por aí vai. Lembra das locadoras de vídeo? O futuro é naturalmente fatal para produtos e empresas que ficam obsoletos.

Os cosméticos estão em outra onda. Pessoas vivendo mais, mais preocupadas com o bem-estar e o meio ambiente, formam um horizonte altamente promissor para a indústria de cosméticos. Mas o fato de uma determinada classe de produtos não estar na rota da obsolescência não garante a sobrevivência de seus fabricantes. Eles também não podem se tornar obsoletos. Um futuro altamente tecnológico e multifacetado exigirá que os recursos sejam adequados a ele. Procedimentos, ferramentas e mentalidade obsoletos comprometerão definitivamente as possibilidades de sucesso.

Ao considerar a velocidade do desenvolvimento do mundo atual, é fácil perceber que um futuro não muito distante será muito diferente do presente. Melhorar processos e métodos é um pré-requisito para sobreviver a mudanças muito signifi cativas que estão por vir. Em HPPC, com a “premiumização”, haverá, forçosamente, mais tecnologia embarcada nos novos produtos. Junte-se a isto o “banimento branco” de muitas substâncias e a personalização de produtos. Uma multinacional acaba de anunciar o lançamento de cosméticos personalizados, o que era impensável há pouco tempo atrás. Os novos produtos deverão ser cada vez mais ativos, seguros e específicos. E não será permitido que sejam prejudiciais ao meio ambiente. O P&D do futuro deverá ter os métodos de desenvolvimento e avaliação aprimorados, o que demanda tempo e trabalho hoje. E não se assuste se, em breve, os smartphones medirem o brilho dos cabelos ou a hidratação da pele. Será o fim dos produtos sem efeito.

E o profissional de P&D que não estiver preparado para o futuro certamente não será um profissional de P&D no futuro. E o futuro se prepara no presente. Comece pela própria agenda. Seu tempo pode estar todo comprometido com metas de curto prazo e pode faltar tempo para se preparar para o médio e, principalmente, para o longo prazo. Na raiz desta situação, quase sempre estarão sobrecarga de tarefas, planejamento ineficaz, recursos insuficientes e até o desconhecimento do papel do P&D nos resultados, o que é uma visão equivocada, mas muito comum por aqui. Estudos mostram que os técnicos brasileiros do setor de HPPC podem consumir de 30 a 40% do seu tempo em operações facilmente automatizáveis, como a busca de literatura, que já deveria estar sistematicamente disponível. Este tempo poderia ser usado no aprimoramento de metodologias e em pesquisas mais profundas. Recursos para verificação prévia de uma formulação abordando custo e composição real, expressa em teor de ativos, deveriam estar disponíveis para evitar enormes desperdícios de tempo e dinheiro. Custo fora da meta, concentração de conservantes ultrapassando o máximo permitido ou a existência de um componente “indesejável” na composição de um blend usado são coisas que devem ser vistas antes da bancada. Sem falar na alta incidência de erros no texto da fórmula da rotulagem montado manualmente. Resolver estas questões trará economia, um enorme ganho operacional e condições de se preparar para novos tempos.

Tenho visto técnicos ávidos em conhecer ingredientes, concentração e como usá-los em uma formulação. Só isso já é pouco hoje em dia. Imagine para o futuro. Preparar um creme ou um gel não é uma tarefa difícil atualmente, mas não é só isto que está em jogo. O custo está adequado? A tríade eficácia - segurança – estabilidade foi verifi cada e está no melhor nível possível? As normas foram obedecidas? A tecnologia será corretamente replicada na produção? As características do produto serão mantidas no prazo de validade? O novo produto expressa valor? Atende às necessidades do consumidor? Responder a estas questões é o papel primordial do P&D hoje e será ainda mais no futuro. Ainda se vê uma amostra ser levada diretamente para a bancada, sem as devidas verificações e registros prévios. Isto é um erro grosseiro e comum que afronta a natureza tecnológica dos cosméticos. Quem faz isto não é um especialista.

Em um mesmo tempo, o futuro será diferente em lugares diferentes e em empresas diferentes, mas para todos será igualmente inevitável. E será implacável com aqueles que não se prepararem. Ainda bem que é assim. Caso contrário, estaríamos vivendo como na idade da pedra.



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