Tricologia

Pelos e anexos em animais de estimação

Novembro/Dezembro 2014

Valcinir Bedin

colunistas@tecnopress-editora.com.br

Valcinir Bedin

A pele do ser humano tem três camadas: a epiderme (mais externa), a derme (intermediária) e a hipoderme, também chamada de adiposa, por conta das células de gordura, que são a grande maioria neste local.

Já nos cães a pele consiste em duas camadas de base: a epiderme (externa) e a derme (interna). A epiderme dos cães não é tão espessa como a dos seres humanos. Sua pelagem tem a mesma função de proteção da epiderme humana, que é mais espessa. A derme contém vasos sanguíneos, glândulas e folículos pilosos, a partir dos quais o cabelo cresce através da epiderme.

No homem, a derme e a epiderme estão ligadas por papilas (cumes), que proporcionam flexibilidade à pele. O cão tem poucos cumes, exceto sobre a pele grossa de seu nariz e as almofadas dos pés. Obviamente, um cão possui muito mais folículos pilosos que o homem, o que ajuda a fundir as duas camadas.

Quase todos os cães (exceto algumas raças “peladas”) são cobertos por uma camada espessa, feita de uma massa de cabelos individuais, sendo que cada um cresce a partir de um folículo. Na base do folículo, uma pequena papila produz queratina - a proteína fundamental do fio. Os fios crescem a partir de complexos de folículos de vários pelos, incluindo um primário, ou o cabelo “guarda”, pertencente ao revestimento exterior, mais grosso, e vários pelos secundários que constituem o sub-pelo, mais macio. A maioria dos folículos têm um pequeno músculo ligado a ele. Por causa do ângulo agudo deste músculo, sua contração faz com que o pelo do cachorro fique arrepiado. As glândulas sebáceas são geralmente ligadas a um folículo e são responsáveis pela oleosidade do pelo do cão. Elas produzem sebo, uma secreção que reveste o pelo para evitar o excesso de molhagem ou de secagem e protege o cão contra as mudanças de temperatura.

Alguns pelos sensíveis no corpo do cão têm folículos mais profundos, com um aumento de nervos e suprimento de sangue. São os seguintes: cilia (cílios), tragi (pelos da orelha externa) e vibrissae (bigodes e focinho).

Assim como no cabelo dos seres humanos, o pelo dos cães cresce o tempo todo, e a maioria deles perde pelos. Como nos homens, o ciclo básico de crescimento do cabelo é dividido em três fases: anágena, catágena e telógena.

Anágena é a fase ativa de crescimento do pelo. Uma vez que um fio atingiu o seu comprimento ideal, ele para de crescer. O cabelo ainda está ligado à papila - a fase catágena. Eventualmente, ela se contrai, soltando o fio antes que comece a crescer um novo pelo. Esta é a fase telógena, em que o fio muitas vezes é empurrado para fora por aquele que está nascendo. Estas fases de crescimento ocorrem em várias partes do corpo e em momentos diferentes. Por isso, o corpo parece estar sempre coberto de pelos.

Como pudemos observar, o que essencialmente difere pelos e cabelos é a quantidade. Podemos usar shampoos e condicionadores formulados com as mesmas bases feitas para humanos, lembrando que o nível de detergência tem de ser adequado à espécie e à sua idade. Um outro quesito importante é o odor. É preferível evitar a adição de perfumes a estes produtos, pois o olfato dos nossos pequenos amigos é muito mais apurado que o nosso, e isso pode se tornar um grande problema para eles.

Também é preciso ter sempre um cuidado especial no aparo e nos penteados dos pequenos animais. As vibrissas não devem ser cortadas, a não ser que estejam causando algum mal, pois elas ajudam no equilíbrio, e as garras devem ser lixadas com parcimônia, para que não deixem de exercer funções como a de defesa.



Outros Colunistas:

Deixe seu comentário

código captcha

Seja o Primeiro a comentar

Novos Produtos