Gestão em P&D

A equação cosmética

Março/Abril 2014

Wallace Magalhães

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Wallace Magalhães

Por muito tempo, procurei uma forma de explicar, de maneira clara e prática, a importância dos cosméticos na vida das pessoas. A intenção era criar uma explicação em formato lógico, que pudesse ser usada e compreendida por todas as pessoas envolvidas no desenvolvimento, na produção e na comercialização destes produtos. Que servisse para os especialistas e para os não especialistas e, especialmente, para os não especialistas que têm posição de decisão.

A boa aparência da pele e dos cabelos é fundamental para a aceitação social, para o bem- estar e, por conseguinte, para a saúde e a felicidade das pessoas. Há muito tempo, os produtos de higiene pessoal – já são vistos como itens de primeira necessidade, absolutamente indispensáveis, principalmente por sua ação preventiva. Antitranspirantes e protetores solares já começam a ser encarados da mesma maneira. Mesmo que a definição oficial enfatize a diferença em relação aos medicamentos - o que é absolutamente correto em todos os aspectos -, não podemos ignorar que cosméticos são produtos promotores de saúde. Mesmo aqueles de categorias diferentes das citadas têm esta característica. Já existem estudos que mostram claramente a melhora de doentes promovida pelo uso de cosméticos.

É fácil imaginar que não dá para ter todas estas considerações em mente na hora de decidir sobre o briefing de um produto ou sobre a expansão do set- list do laboratório, dentre outras inúmeras situações do dia a dia. A solução que encontrei foi criar uma equação que representasse os cosméticos. Para desenvolvê-la, estabeleci uma relação entre alimentos, medicamentos, cosméticos e a qualidade de vida, conforme mostrado nos gráficos abaixo.

No gráfico 1, os alimentos são apresentados como mantenedores da qualidade de vida. Assim, temos uma equação muito simples: A=K



No gráfico 2, são mostrados os medicamentos. No ponto ‘a’ inicia-se um processo patológico, que causa uma queda na qualidade de vida até o ponto ‘c’. Assim, a reta ‘ab’ corresponde à magnitude da doença. O ponto ‘c’ é o início da ação do medicamento e, finalmente, no ‘e’, retorna-se a uma situação de normalidade e à qualidade de vida adequada. Podemos dizer que a ação do medicamento corresponde à reta ‘de’.



Pelo mesmo raciocínio, podemos demonstrar a ação dos cosméticos por meio do gráfico 3. Se considerarmos que o ponto ‘a’ é o ponto de aplicação do cosmético, podemos projetar a elevação da qualidade de vida por uso do cosmético pela elevação da reta ‘ab’, estabelecendo um novo patamar de satisfação e de autoestima.



Daí, usando o teorema de Pitágoras, podemos finalmente definir a “equação cosmética”:


C = a raiz de (eQV)2 - (Ta)2

em que ‘C’ é cosmético, ‘eQV’ é a elevação da qualidade de vida, e ‘Ta’ corresponde ao tempo de ação do cosmético.

A finalidade dessa fórmula não é calcular um número para definir o cosmético. O importante é ter um padrão de raciocínio, ficando a equação somente como um reforço - até certo ponto, dramático - da lógica utilizada.

Os gráficos apresentados permitem tirar muitas conclusões interessantes. É possível perceber que atribuir finalidades terapêuticas, específicas de medicamentos, é um grande equívoco conceitual. Se nos aprofundarmos ainda mais, veremos que a curva que o consumidor projeta antes de adquirir um cosmético deve ter perfil diferente para produtos diferentes. Os gráficos de perfumes e protetores solares certamente têm uma inclinação diferente.

Assim, espero ter demonstrado o importante papel dos cosméticos na saúde e na vida das pessoas.Até os perfumes, que podem parecer puramente sensoriais, enquadram-se neste conceito. E, se alguém disser que eles são supérfluos, você pode dizer que “supérfluo é o nariz de quem falou”.



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