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Ano novo, volta às aulas e, para comemorar, resolvi tirar do armário um tema sobre o qual há algum tempo venho pensando em escrever, que é o ensino de farmácia magistral em cursos de graduação em farmácia.
Todos nós sabemos que, ao longo da história, a profissão de farmacêutico se confunde com a arte de preparar os medicamentos. Mesmo com toda a sua importância, a arte de preparar medicamentos também se rendeu à implacável passagem do tempo e, no decorrer da história, foi dando lugar à tecnologia de manipular, principalmente à industrialização.
A farmacotécnica magistral, que antes era uma disciplina que representava a essência do curso de farmácia, hoje tem apenas uma modesta parcela da carga horária de que dispunha no passado.
Muitos dirão: será que é necessária tanta carga horária assim para ensinar a manipular medicamentos? Por que não fazer cursos de especialização em farmácia magistral para suprir as necessidades dos profissionais que desejam seguir esse caminho?
Neste artigo, pretendo lançar algumas ideias sobre o tema, para que possam servir de reflexão para todos os envolvidos no ensino farmacêutico e no segmento de manipulação de medicamentos em farmácias. Então, vamos a elas.
A maioria dos cursos de farmácia tem uma disciplina de farmacotécnica básica, com cargas horárias variáveis. Em geral, os conteúdos programáticos passam por dois blocos. No primeiro bloco são conceituadas vias de administração e liberação de fármacos a partir de formas farmacêuticas (o que modernamente é denominado de “biofarmacotécnica ou biofarmácia”). No segundo são conceituadas as formas farmacêuticas e suas técnicas de preparo.
Seria uma insanidade pensar que, somente com esses conteúdos, um aluno que mal conheça uma forma farmacêutica possa ter qualquer capacitação para manipular uma fórmula quando já estiver graduado, apesar de possuir o direito legal de fazê-lo.
Estranhamente, após o aluno aprender esses conceitos básicos de farmacotécnica, ele cursará outras disciplinas que retornarão a esse assunto, mas com uma abordagem um pouco diferente.
A maioria dos currículos tem as disciplinas “Tecnologia Farmacêutica”, “Farmacotécnica Industrial”, “Cosmetologia”, “Controle de Qualidade” e “Boas Práticas de Fabricação”, ou suas equivalentes curriculares.
Por exemplo, na Farmacotécnica Industrial, hipoteticamente, o aluno deve ser apresentado aos conceitos de preparação de formas farmacêuticas e medicamentos, em escala industrial. Na Cosmetologia, o aluno deve aprender sobre os cosméticos, os ativos cosméticos e o preparo de formas cosméticas. Geralmente, no Controle de Qualidade, o aluno deve ser capaz de compreender os princípios que regem a qualidade e os conceitos envolvidos nas análises de qualidade de medicamentos.
É importante que o aluno tenha uma sólida formação em Farmacotécnica Industrial? Sim, pois a indústria farmacêutica oferece excelentes perspectivas profissionais.
É importante que o aluno tenha uma sólida formação em Cosmetologia? Sim, visto que a cosmetologia é um dos ramos que mais cresce.
É importante que o aluno tenha uma sólida formação em Controle de Qualidade? É claro que sim, visto que o controle é uma das portas de entrada para a vida profissional de muitos recém-formados.
É importante que o aluno tenha uma sólida formação em Farmácia Magistral? Em minha modesta opinião, sim! Digo isso porque a Farmácia Magistral emprega um grande número de profissionais em todo o Brasil, principalmente nas regiões onde há menor industrialização, exigindo destes um conhecimento profundo sobre as formas farmacêuticas em todos os seus aspectos. Então, se a Farmácia Magistral é tão importante (acreditem, ela é), por que os alunos não têm essa disciplina após a Farmacotécnica Básica, como têm a Cosmetologia, a Tecnologia etc.?
Visto que em muitos currículos há disciplinas específicas para a farmácia hospitalar, para a indústria farmacêutica e para a cosmética, para a atenção farmacêutica (aplicável a drogarias também), para a farmacoterapia e para a homeopatia, por que não deveria haver uma disciplina específica de Farmácia Magistral?
Uma análise simplista da legislação mostra que as Boas Práticas de Manipulação de Medicamentos em Farmácia têm quase o dobro dos requisitos das Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos. Mesmo assim, não há uma disciplina específica de Farmácia Magistral ou de Legislação Magistral ou de Boas Práticas de Fabricação (BPF) aplicadas à farmácia magistral.
Não considerar a inclusão de uma disciplina de Farmacotécnica Magistral nos cursos de graduação em farmácia é fechar os olhos para a realidade. Postergar essa formação para os cursos de pós-graduação em farmácia é permitir que profissionais possam exercer a atividade magistral sem as devidas competências e habilidades, impossíveis de serem desenvolvidas nas cargas horárias atuais dos cursos de graduação.
É preciso que todos os farmacêuticos envolvidos na formação profissional pensem com carinho nessas ideias, para viabilizar a formação do farmacêutico em Farmácia Magistral ainda durante a graduação.
Todas as disciplinas apresentadas aqui são importantes e têm o mesmo peso na formação do futuro profissional. Só não podemos esquecer que, se a Farmácia Magistral tem o mesmo peso das outras disciplinas, há de ter a mesma medida que estas.
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