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Um farmacêutico caminhava por uma rua quando, sem querer, desequilibrou-se e caiu para frente. Ele pensou que tivesse caído em um dos infinitos buracos das calçadas de sua cidade, mas daquela vez, não.
A ponta de um obtuso objeto dourado reluzia um pouco acima do concreto rachado; um brilho cintilante e cristalino, como ele nunca vira antes.
Levantou-se retirando o pó dos joelhos e lamentou a calça esgarçada pela queda. Voltou sua atenção novamente para a calçada e, forçando um pouco, conseguiu retirar o objeto que estava enterrado no chão.
Reconheceu imediatamente aquele formato, tantas vezes imaginado em histórias infantis e tantas vezes visto em filmes das mil e uma noites: era uma lâmpada mágica. “Será uma lâmpada verdadeira ou mais umas dessas imitações chinesas baratas?”, ele indagou. A lâmpada era leve como o vento e brilhante como uma estrela.
O farmacêutico pensou então em tirar a prova dos nove. Procurou um pequeno pedaço de tecido que sempre guardava para limpar seus óculos e esfregou a lâmpada que, quase imediatamente, exalou pelo bico uma fumaça branca que se avolumou no ar, tomando uma forma conhecida.
- Pois não, amo. Eu sou Sharaf al-Mulk, gênio da lâmpada, ao seu dispor. Em gratidão à minha liberdade, posso lhe conceder um desejo. Mas lembre-se: apenas UM.
“Gênio da lâmpada! Quem diria!”, pensou o farmacêutico, quase incrédulo, mas que, diante do que via, teve de acreditar no que estava acontecendo.
- Bem gênio, como você vai me conceder a realização de apenas um desejo, preciso refletir sobre qual será esse desejo – pediu o farmacêutico.
- Pois não, amo. Tenho toda a eternidade para lhe atender, mas talvez o senhor não tenha...
“Esperto esse gênio”, pensou o farmacêutico. “Ele vai tentar me pressionar para eu escolher errado. Mas não vou me abalar.”
O farmacêutico pensou então que não poderia pedir um desejo bobo, por exemplo, a paz no mundo, ser o homem mais rico do mundo ou não ter mais de trabalhar.
“Nã-na-ni-na-não”. Se fizesse algum desses desejos, ele sabia que o gênio facilmente o enganaria. Por exemplo, se pedisse para ser o homem mais rico do mundo, o gênio seria capaz de exterminar toda a humanidade e o deixar só no mundo. Assim ele seria o homem mais rico, mas também a única pessoa na face da Terra.
O desejo teria de ser mais do que esse.
Seu primeiro impulso foi pedir o fim da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. “Sim, imagine não ter mais de fazer POP, Procedimento Operacional Padrão, não ter mais nenhuma limitação para manipular medicamentos, não ter mais de passar as madrugadas lançando dados de medicamentos no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados, SNGPC, não ter mais de fazer autoinspeção, não ter mais de ficar usando meu tempo para trabalhar tanto para atender a tantas legislações...”, pensou ele.
Mas logo esse desejo saiu de sua cabeça: “Afinal de contas, se não existisse a Anvisa, quem estabeleceria as regras tão necessárias para que meu estabelecimento funcionasse perfeitamente?
Foi o cumprimento das inúmeras regras que fez de minha farmácia um modelo de qualidade e de boas práticas de manipulação. Também sem a Anvisa, meus concorrentes poderiam fazer o que bem entendessem sem qualquer regra, e isso só me prejudicaria”, refletiu ele. Nesse ponto, pensou: “O problema não é a Anvisa”. “Já sei, vou pedir ao gênio para que me livre dos concorrentes.”
Desistiu, depois do lampejo, de fazer esse desejo. “Meus concorrentes não poderiam, num estalar de dedos, ser riscados do mapa da existência. Definitivamente, não! Eles impulsionam minha criatividade para, todos os dias, eu inovar com produtos e serviços diferenciados. Meus concorrentes me fazem acordar cedo, para cada dia tentar melhorar, não só para superá-los, mas também para que eu me supere. Meus concorrentes, na verdade, são a mola-mestra da minha motivação.”
Estava ficando difícil. “Ah, a indústria farmacêutica e a cosmética! Vou pedir ao gênio para acabar com elas! Aí poderei manipular o que eu quiser!” Outra vez, ele desistiu do desejo. “Pensando bem, a indústria farmacêutica e a cosmética não me atrapalham. Desde que minha farmácia iniciou as atividades, sempre procurei trabalhar com terapias individualizadas, que não concorram diretamente com a indústria, daí a razão do meu sucesso. Além disso, sem os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos e ingredientes cosméticos, em pouco tempo as matérias-primas de que disponho se tornariam ineficazes. Não, acabar com essas indústrias não é definitivamente uma boa ideia. Como farmacêutico, eu, e meus pacientes precisamos da inovação que só a indústria pode proporcionar.”
Tudo isso passou pela sua mente em poucos instantes. Refletindo um pouco sobre sua vida, ele percebeu que tinha tudo o que precisava para ser feliz. Uma boa farmácia, uma boa esposa, uma boa casa.
Por fim, decidiu-se e pediu então ao gênio:
- Já sei o que desejo. Desejo poder fazer melhor, com mais dedicação e com mais amor, tudo aquilo que já faço.
- Sábia decisão, meu amo. Seu desejo é uma ordem.
E, ao toque de um dedo, o desejo do farmacêutico se realizou.
“Eu sou feliz”, pensou. “Eu sou feliz!”
* * * * *
Desejo a todos, todos os seus desejos. Boas festas e até o ano que vem!
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