Temas Dermatológicos

Hiperidrose

Novembro/Dezembro 2011

Denise Steiner

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Denise Steiner

O suor é um líquido produzido pelas glândulas sudoríparas da pele para manter a temperatura do corpo. No calor, suamos para perder calor.

Depois de tomar um remédio para a febre, por exemplo, suamos tanto que ficamos molhados e gelados para o corpo voltar à temperatura normal.

Como em animais de sangue quente, nossa temperatura deve ficar entre 36 e 42 graus Celsius. Se a temperatura descer ou subir além desses limites, as células não funcionam e morrem. Daí a importância da transpiração.

A quantidade de suor produzida por uma pessoa varia segundo a idade, o sexo, a raça e o local de moradia. Os estímulos que influenciam as glândulas sudoríparas são: calor externo, exercício físico, várias doenças e alterações emocionais.

Outro aspecto interessante é que o suor é eliminado a partir da glândula sudorípara, não apresentando nenhum odor. Contudo, à medida que ele permanece na pele, há o crescimento de bactérias, provocando
um cheiro desagradável. É importante observar, principalmente no caso dos pés, se há alguma micose associada ou um quadro de calosidade, o que certamente vai provocar o crescimento das bactérias e um odor mais forte. Se isso ocorrer, é importante que haja um tratamento tanto da calosidade como da micose, para neutralizar o problema.

É preciso secar bem as regiões do corpo onde se transpira mais e nunca é demais enfatizar que higiene é fundamental. A indicação é tomar, pelo menos, um banho por dia. Para suavizar o problema, vale a dica de evitar o uso de meias e tecidos sintéticos, ou de roupas que apertem ou machuquem a pele.

Outro aspecto importante é que na época da puberdade, quando os hormônios começam a ser produzidos, os adolescentes apresentam um cheiro forte nas axilas. Isso acontece porque o suor é liberado com a secreção sebácea, onde há uma influência muito grande da parte hormonal. Nesse local, a glândula
sudorípara é chamada de apócrina e não sai diretamente na pele, desembocando no canal do folículo pilossebáceo. É por isso que, na fase de mudanças hormonais, o odor passa a ser mais forte e ocorre crescimento bacteriano também mais descontrolado – o que pode ser resolvido com hábitos saudáveis de higiene.

O aumento excessivo do suor (hiperidrose) atrapalha a autoestima e chega a prejudicar a vida social de uma pessoa. A sudorese excessiva pode ocorrer nas axilas, deixando a roupa manchada, com cheiro mais forte, ou acontecer nos pés ou nas mãos. Neste último caso, as mãos ficam constantemente molhadas, dificultando a realização de determinados tipos de trabalho, como escrever ou digitar. Em geral, não há doenças associadas à hiperidrose. Ela está relacionada a uma tendência pessoal ou a situações de estresse e ansiedade.

Os casos de hiperidrose nas axilas podem ser revertidos com uma cirurgia específica, que consiste em um corte na pele e na retirada de determinada quantidade de glândulas. Trata-se de uma cirurgia relativamente simples, feita por dermatologistas. O resultado é bastante satisfatório, com signifi cativa diminuição da sudorese.

Já os casos de hiperidrose nas mãos ou pés são mais difíceis de ser solucionados. O tratamento local com produtos específi cos, muitas vezes, não consegue controlar o problema.

Existe ainda o recurso da iontoforese. Trata-se de um aparelho que transmite uma corrente elétrica capaz de modificar o funcionamento da glândula.

Esta se assemelha a um novelo de lã, com um pequeno ducto que desemboca na superfície da pele (alguns ductos desembocam juntamente com a glândula sebácea no folículo piloso). Ao utilizar o aparelho durante 20 minutos no local, duas vezes ao dia) ocorre o estreitamento do ducto e um estímulo para que se produza menos suor. Em dez dias, as aplicações começam a fazer efeito e a transpiração diminui, mas o paciente vai ter de fazer uso do aparelho para sempre.

Outra opção de tratamento é o uso da toxina botulínica. Essa substância, derivada de uma bactéria, é utilizada como medicação em vários tipos de doença e para fins estéticos. É uma toxina que bloqueia a ação da acetilcolina, necessária para a sudorese. A toxina botulínica é aplicada com agulha ponto a ponto, em toda a região das mãos e dos pés – e, se for o caso, nas axilas.

Com o bloqueio à acetilcolina, há suspensão de cerca de 80% da sudorese nos locais onde a toxina é aplicada. Essa redução não causa nenhum efeito colateral, uma vez que a pessoa continua suando no restante do corpo. O que acontece, portanto, é a inibição do excesso de suor. O tratamento tem duração média de oito meses.

O mais importante é procurar um serviço especializado, que possa diagnosticar cada caso e possibilite a escolha do melhor tratamento.



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