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A importância das alterações emocionais no determinismo de várias dermatoses e amplamente discutida na literatura, ha dados indicando que entre 40% e 70% dos doentes que procuram tratamento para a pele teriam significativos problemas psÃquicos.
A epiderme é o sistema nervoso central (SNC) originam-se ambos da mais externa das três camadas germinativas, a ectoderme que primordialmente envolve todo o corpo embrionário. O SNC, a partir deste folheto, reflete-se para dentro, diferenciando-se em medula espinhal, cérebro e todas as demais estruturas nervosas. A ectoderme origina também os melanócitos, nervos e os órgãos do sentido como olfato, paladar, audição e tato, onde a pele (epiderme) e seus anexos (pelas unhas e dentes) têm papel fundamental.
Especula-se, portanto, que o SNC seria a parte interna da pele e esta a porção exposta do SNC.
As relações entre o desenvolvimento da pele e o do sistema nervoso central refletem-se na correlação entre alterações dos dermatológicos e doenças neuro cutâneas, porque ambos padecem de um mesmo distúrbio na embriogênese.
A origem comum da pele e do SNC justifica o encontro de várias sÃndromes neuro-ectodérmicas como neurafibromatose, esclerose tuberosa, sÃndrome de Bloom, sÃndrome de Godin Goltz, sÃndrome de Rud, sÃndrome de Lesch Nyhan, sÃndrome de Sanctis Cacchione, entre outras.
Todas estas sÃndromes apresentariam alguma alteração de pele como tumores, fotos sensibilidade e envelhecimento alem da alteração do SNC, como retardamento, epilepsia e outras.
Através do tato, que e a sua principal função nervosa, receptando sensações de dor, frio, calor e prazer, a pele tem significado psicológico Ãmpar em todas as idades e fases da vida humana.
Nos recém-nascidos, o contato com a mãe é fundamental para sua adequada estruturação psÃquica. A estimulação cutânea na infância influencia positivamente o desenvolvimento adequado do SNC e, também, o crescimento e a diferenciação das células dos vários tecidos.
Isto significa, que crianças abandonadas, sem o contato pele a pele, principalmente, com a mãe podem adoecer e evoluir para a morte devida esta carência.
A pele destas crianças também pode tornar-se o órgão de choque ao longo de sua vida. Alguns autores consideram a dermatite atópica como manifestações somáticas de conflitos inconscientes principalmente relacionados à figura materna.
A pele e 0SNC compartilham ainda de hormônios e neurotransrnissores. A substância, o neuropeptÃdio vasoativo intestinal e as encefalinas participam do mecanismo de ruborização, prurido e sudorese.
O prurido é o sintoma freqüente e crucial em várias doenças dermatológicas como eczema, urticária e neurodermatite que sofrem significativa influência do estado psÃquico do indivÃduo.
O mecanismo fisiopatológico do prurido não está elucidado, podendo ser o mesmo da dor, embora com intensidade diferente. Tanto o prurido como a dor crônica podem estar associados a quadros depressivos graves. O prurido pode também estar ligado a desejos sexuais envolvendo culpabilidade. O prurido ano genital seria explicado pela sensação de prazer seguida da punição, que e representada pela escoriação.
São também relatadas algumas alterações dermatológicas especÃficas dos esquizofrênicos, psicóticos e oligofrenicos como: acracianose, prurido generalizado e hipertricose. Em pacientes jovens, o primeiro sinal da esquizofrenia pode ser a ilusão de parasitose ou acarofobia onde o paciente acredita que sua pele se encontra infestado por parasitas, já no paciente idoso esta manifestação pode representar sintoma de depressão profunda.
Na dermatite artefato, onde o paciente provoca a lesão consciente ou inconsciente com diversas finalidades, a lesão tem aspecto bizarro, localiza-se ao alcance das mãos e pode ser provocada por diversos tipos de objetos.
O paciente usa da auto-agressividade para indiretamente atrair a atenção, comportamento inerente a imaturidade e fragilidade da organização psÃquica.
Lesões automutilantes graves podem estar associadas à esquizofrenia ou oligofrenia.
A tricotilomania, quadro em que o paciente arranca os próprios cabelos e atualmente considerada doença obsessiva compulsiva, onde a pessoa não controla a própria compulsão gerada por problemas emocionais. Neste grupo também estão incluÃdos os "roedores" crônicos de unhas.
Estes quadros acima relacionados são pesquisados extensivamente e diagnosticados apos exclusão de causas especÃficas.
O médico dermatologista tem muita dificuldade em avaliar as correlações do emocional com as lesões de pele, devido a sua formação mais objetiva. No entanto, muitas vezes ele é o primeiro especialista a atender este paciente sendo responsável pelo encaminhamento ou tratamento da alteração psÃquica e também dermatológica.
Quadros de acne ou acne escoriada há muito são relacionados a distúrbios psicológicos.
Em muitos casos, a alteração da pele, por acarretar distúrbios inestéticos, leva secundariamente a um problema psÃquico.
No caso da acne, que em geral compromete os adolescentes, este aspecto é fundamental pelo fato deles serem basicamente inseguros com a própria imagem.
A pele configura-se cada vez mais como importante órgão imunológico através de vários constituinte; dentre os quais se destacam a célula de Langherans e o próprio queratinocito. Experiências com animais demonstraram que a influência do estresse suprimiria a citotoxidade das células "N-Killer" e diminuiria a capacidade fagocitária do macrófago. Em estudos controlados com camundongos, houve nÃtida diminuição do volume do timo após a influência de estresse prolongado.
Ha comprovação de que indivÃduos submetidos a situação de estresse tenham resposta mais intensa ao teste de contato, que diminui quando há relaxamento.
Algumas dermatoses estão nitidamente associadas ao estresse. O herpes simples apos infectar o indivÃduo permanece incubado apresentando recidivas esporádicas. Estes surtos estão muitas vezes associados ao estresse permanente. Varias outras doen9as de pele relacionam-se aos perÃodos de estresse como: urticária crônica, rosácea, psorÃase, lÃguen plano, neurodermatite pelada e muitas outras.
Vários trabalhos também já vêm demonstrando a associação entre tumores de pele (melanoma) e produzem contÃnuos e profundos de estresse.
A atitude emocional que o paciente tem em relação a sua doença parece influenciar sobremaneira o prognóstico da mesma. Isto é particularmente evidente em relação ao câncer pois os pacientes desanimados e pessimistas evoluem muito pior do que aqueles que enfrentam a doença com mais otimismo.
Há alguns relatos de regressão do melanoma mediante tratamentos psicoterápicos onde houve mudança da atitude do paciente.
A explicação relaciona-se a melhoria da atividade imunológica do individuo, motivado por sua emoção positiva.
A psorÃase e uma das doenças dermatológicas mais estudadas na sua relação com alterações psicológicas e, tendo o estresse um papel primordial em sua patogênese.
Considerando-se o aumento da substância P (que é um neuropeptÃdio) nas lesões de psorÃase e também o seu caráter simétrico, aventam-se a hipótese de mecanismos neurogênicos.
Há também referências de melhora da psorÃase com antipsicoticos e com técnicas de relaxamento.
A alopecia areata ("pelada") freqüentemente desencadeia-se por perÃodos de tensão e exacerba-se em perÃodos de transição hormonal como no perÃodo da adolescência.
A rosácea, que se configura como um quadro similar a acne, desencadeia-se normalmente em perÃodos de grande tensão e conflitos emocionais.
A associação de tratamentos psicoterápicos ao tratamento medicamentoso otimiza o prognostico desta dermatose.
O vitiligo está freqüentemente associado a personalidades inseguras e a conflitos intensos na primeira influência.
Normalmente o tratamento medicamentoso isolado é insuficiente para a boa evolução desta doença.
As chamadas doen9as psicossomática da pele estão em evidência, existindo várias teorias para explicar o seu mecanismo de instalação.
Uma delas sugeriu que a ansiedade crônica reprimida provocaria rea90es autossômicas responsáveis, direta ou indiretamente, pela lesão tissular.
Nesse caso a personalidade, relações afetivas, conflitos crônicos, tem muita relação com o desenvolvimento das doenças psicossomáticas.
Franz Alexander, psiquiatra e professor de psiquiatria, analisam que o termo psicossomático e mal compreendido e criticado, por refletir dicotomia entre corpo e mente.
Segundo ele, os fatores psicológicos, que influenciam os processos orgânicos, devem estar sujeitos ao mesmo exame cientificamente cuidadoso e minucioso que e habitual nos processos fisiológicos.
A referência as emoções em termos gerais, como tensão, desequilÃbrio, ansiedade, já esta ultrapassado, sendo que o verdadeiro conteúdo psicológico de uma emoção deve ser estudados com métodos de psicologia dinâmica e correlacionados com as respostas corporais, nervosas, endócrinas e imunológicas.
Estes avanços vêm ocorrendo, permitindo que sejam comprovadas cientificamente as relações entre alterações emocionais e doenças orgânicas.
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