Tricologia

Eficácia de produtos capilares

Setembro/Outubro 2008

Valcinir Bedin

colunistas@tecnopress-editora.com.br

Valcinir Bedin

Toda vez que precisamos avaliar o resultado de algum produto em relação a sua função estética ou cosmética, nos defrontamos com questões por demais subjetivas e que nos remetem a testes nem sempre padronizáveis ou de reprodutibilidade duvidosa.

Felizmente alguns desses ensaios já foram amplamente estudados e podem ser usados na nossa rotina de trabalho, especialmente quando do confronto por dúvidas em atributos. Falaremos, de modo didático, dos testes disponíveis no mercado brasileiro e internacional, de suas vantagens e de seus pontos fracos.

Testes subjetivos

Neste grupo podemos citar o painel treinado ou grupo de voluntários para avaliar, em condições normais de uso, a eficácia de determinado produto.

Um técnico especializado pode conduzir um teste de meia cabeça cujo protocolo deve ser bastante acurado como quantidade de produto aplicado, tempo de massagem, tempo de permanência no cabelo e tempo de enxágüe.

Em seguida são avaliadas as seguintes características:

1. Espuma característica do couro cabeludo, formulação (tensoativos) e água (mole ou dura)

2. Tipo de bolhas, duração, sensação ao toque

3. Detergência e limpeza

4. Facilidade de uso

5. Espalhamento do produto

6. Facilidade de eliminação pela água fria e morna

7. Tempo de secagem a frio e com secador

8. Sensação do cabelo e condicionamento

9. Brilho

Testes objetivos

• Instrumentais: Os testes instrumentais baseiam-se em provas feitas sobre cabelos padronizados (mechas).

Como há muitos vieses, é importante tomar alguns cuidados como:

1. Considerar a resposta de vários testes na avaliação final

2. Mechas certificadas não tratadas quimicamente, orientação da raiz à ponta e com ondulação natural

3. Medir a dimensão da fibra para estudos fibra-a-fibra

4. Confiabilidade na resposta

5. Relação quantidade aplicada e produto/cabelo baseado na condição teste realista ou exagerada

6. Distribuição uniforme do produto na mecha

7. Controle do tempo de contato do produto com cabelo

8. Enxaguar o cabelo com água corrente à temperatura Ambiente

9. Teste em temperatura e umidade controladas

10. Emprego de tratamento estatístico dos dados

• Ensaios mecânicos: O cabelo é um fio resistente que tem uma carga de ruptura de 12 kg/mm2. Podemos utilizar um dinamômetro adaptado para testar a tensão de ruptura, elasticidade, penteabilidade e desembaraçamento dos cabelos antes e depois da aplicação de algum produto.

• Sensores piezoelétricos: Para mimetizar uma análise sensorial podemos utilizar este tipo de instrumental, onde um sensor no braço mecânico entra em contato com a mecha estudada e reflete dados como percepção tátil, condicionamento, limpeza e rugosidade da superfície. O senão é que os resultados são expressos em valores arbitrários.

• Goniofotômetro: Para estudar o brilho que um ativo pode fornecer aos cabelos, precisa-se entender que brilho é reflexo de luz. Assim a regularidade da superfície e o ângulo de incidência (o mais próximo da reflexão da luz) vai fornecer maior brilho. O goniofotômetro é um detector móvel da luz refletida em vários ângulos do espectro de reflexão da amostra.

• Quantificação da perda de proteína: Utiliza-se este teste para verificar quanto o cabelo perdeu de proteína antes e depois de um tratamento. Fragmentos de mechas de cabelo padronizados, previamente tratados, são colocados em água destilada e é feita agitação em shaker. Após, é feita filtração e leitura da água de lavagem e a seguir estabelecesse a reação da proteína liberada com o reagente fosfomolibídico-fosfotungístico (Reagente de Folin-Fenol) em meio alcalino. O átomo de cobre se liga a quatro resíduos de aminoácidos, produto de cor azul e a leitura se faz no espectrofotômetro.

Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) Determina a forma do material (condições morfológicas da superfície do cabelo) e tamanho das partículas. É muito empregada para se estudar as escamas da cutícula da haste. As amostras devem ser espessas e não transparentes. A amostra é recoberta com película de carbono/ouro. A condução da corrente elétrica através de um alto vácuo passa através de um feixe de elétrons. O seu espalhamento é medido por um detector de imagem. Pode ser usado para se medir o efeito condicionamento (efeito suavizante), o reforço das escamas e a adesão ao folículo piloso.

• Microscopia de Força Atômica (MFA) Visualização microscópica de amostras em condições ambientais ou solução. Aplica-se na sonda que, ao contato físico com a amostra provoca uma deflexão da sonda que é medida pelo software do computador, criando uma imagem. Esta imagem reflete a distribuição de cargas elétricas e a força do sensor para percorrer a amostra.

Utiliza-se este teste para relacionar o efeito condicionante ou antiestático do produto capilar.



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