Fragrâncias

Interpretações na Perfumaria

Julho/Agosto 2008

Carmita Magalhães

colunistas@tecnopress-editora.com.br

Carmita  Magalhães

Na última edição, abordamos o tema Genealogia, para explicar, entender e interpretar o mercado da Perfumaria.

Interpretar é dar um sentido às coisas, com alguma liberdade de pensamentos. A interpretação depende da intuição de cada um, mas será sempre uma aposta, que você terá que defender...

Um exemplo ligado à Perfumaria é a interpretação da palavra “colônia”. Quem ainda não ouviu falar em colônia, água-de-colônia, cologne, eau de cologne?

Para amplo entendimento do assunto, serão abordados vários tópicos, que iniciaremos nesta edição, com seqüência na seguinte.

Definição

Não há definição da palavra “cologne/colônia” no dicionário Larousse Français e, no Aurélio, solicita ver “água-decolônia” (em francês: eau de cologne).

Pelo Larousse Français: Eau de cologne: solução alcoólica de óleos essenciais (bergamota, limão...) usada como complemento da toilette diária.

Já no Aurélio: Água-de-colônia: solução alcoólica de essências de bergamota, de limão e de lavanda, usada como perfume. Também se diz colônia.

Água-de-colônia através dos tempos: suas origens e evolução

Giovanni Maria Farina, de origem italiana, nasceu em 1685, em Piemont, Itália, e morreu em 1766, em Colônia, Alemanha.

Foi ele quem lançou no mercado a água-de-colônia, inicialmente desenvolvida por seu tio, Jean-Paul Feminis. Assim criou, em 1709, “Cologne” de Farina Gegenüber, a mais antiga Casa de Perfumes, que existe até hoje.

Giovanni deu o nome de Eau de Cologne à sua criação em homenagem a sua nova cidade residencial, Colônia ou Cologne, em francês. Hoje, essa Eau de Cologne é produzida pela oitava geração de descendentes de Giovanni.

No século XVIII, a Eau de Cologne foi amplamente utilizada por reis e suas respectivas cortes.

Muitos tentaram copiar a fragrância e o nome Eau de Cologne, mas como naquela época não existia proteção de marcas, “água-de-colônia” converteu-se no nome de um tipo de perfume.

Geralmente, águas-de-colônias tem de 2 a 5% de essência, ressaltando-se que a Eau de Cologne de Giovanni Maria Farina contém mais do 5% de fragrância. Então, tecnicamente, não deveria ser uma água de colônia, certo?

A segunda água-de-colônia mais conhecida é a Eau de Cologne Original 4711; porém, como vimos anteriormente, esta não foi a primeira.

A origem data de outubro de 1792, quando o filho de um banqueiro da família Mühlens, de Colônia, celebrou seu casamento e recebeu de um monge Chartreux a fórmula de uma “Aqua Mirabilis”. Consciente do valor daquele presente, Mühlens construiu uma fábrica para a sua produção, que recebeu o nome de “4711”, em referência ao período de ocupação da cidade pelas tropas francesas de Napoleão, que renumeraram todas as casas da cidade, e a fábrica ocupou o número 4711.

As águas-de-colônia eram bastante inovadoras, pois se tratavam de fragrâncias mais frescas, em contraposição aos aromas mais fortes que se usavam naquela época. Foi graças a isso que Colônia foi reconhecida, nos séculos XVIII e XIX, como a Cidade dos Perfumes.

A água-de-colônia tinha um público cada vez maior, a ponto de se tornar, no século XIX, o perfume preferido da burguesia. Sua ação estimulante e refrescante é, de fato, incontestável.

Napoleão era um grande adepto da fragrância, tanto para perfumar-se como para ingeri-la... E, em 1810, promulgou um decreto para que fossem divulgados oficialmente os segredos da fórmula de medicamentos. Os fabricantes da água-decolônia não gostaram muito da idéia e decidiram dar ao produto
uma nova imagem, e a qualificaram de “Eau de Toilette (água-de-toilette) para uso externo”.

E, assim, com o tempo, vieram outras águas, como, por exemplo: l’Eau de Cologne Impériale de Guerlain, l’Eau de Cologne Extra-Vieille de Roger&Gallet e l’Eau de Cologne English Lavender de Yardley.

Uma coisa é certa: a água-de-colônia atravessou épocas e fronteiras. O que era uma inovação naquela época, hoje é vista como um clássico da Perfumaria!

E, agora, que você já sabe a origem água-de-colônia, aguarde as próximas edições quando serão abordadas a sua evolução no Brasil e a interpretação de uma Casa de Perfumaria sobre este tema no mundo.



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