Tricologia

O que a IA tem a ver com cabelos?

Setembro/Outubro 2026

Valcinir Bedin

colunistas@tecnopress-editora.com.br

Valcinir Bedin

A definição de inteligência que mais gosto é a qualidade que se tem de se sair bem diante de um fato novo. Existem várias derivações, como inteligência emocional, inteligência para números e assim por diante.

A primeira premissa que temos que ter em mente é que a chamada inteligência artificial não é algo novo. Seus primeiros passos começaram durante a segunda guerra mundial e já estava bem desenvolvida na década de 50 do século passado. O que temos de realmente novo é o advento da internet e, consequentemente, a facilidade de transmissão de informações. Hoje um resultado de uma pesquisa ou um trabalho científico pode chegar aos interessados no momento em que ele é finalizado, permitindo
assim sua disseminação imediata.

A inteligência artificial transforma a relação com os cabelos ao permitir simuladores virtuais de corte e cor em segundos, mas exige cautela por criar expectativas visuais que nem sempre correspondem à realidade física dos fios.

Há simuladores e testes virtuais como:

- Testes de visual: aplicativos e ferramentas online permitem enviar uma selfie para testar dezenas de cortes, comprimentos e cores de cabelo antes de ir ao salão.

- Análise de formato: algumas plataformas avaliam a compatibilidade do estilo com o formato do rosto e a textura aparente.

- Ferramentas populares: softwares de edição e apps específicos possibilitam alterações instantâneas de cor e penteado na tela.

Os cuidados e as limitações da IA podem estar em:

- Expectativa x realidade: a IA gera uma imagem idealizada, mas não avalia a densidade, a espessura, a curvatura ou o histórico de química do cabelo real.

- O papel do profissional: o cabeleireiro é indispensável para avaliar presencialmente a resistência dos fios, diagnosticar a saúde capilar e transformar a inspiração digital em um resultado viável.

Faz muito tempo que os tratamentos de pele e cabelo realizados por médicos dermatologistas e especialistas em medicina estética seguem a orientação, aprendida nos bancos e ambulatórios escolares, na anamnese correta, no diagnóstico preciso e na receita e conduta adequadas.

Além do instrumental auxiliar (lâmpadas, lupas etc.) e dos exames auxiliares (micológicos, biópsias, bioquímica do sangue), o médico precisa ter conhecimento técnico para diagnosticar e tratar a pele e os cabelos de seu paciente.

Na medicina em geral, mas especialmente na área de dermatologia, muitas vezes é necessário um exame físico. E, para isso, é essencial a presença do paciente no consultório. Falo isso porque está na moda a consulta virtual, feita por internet, em que médico e paciente estão cada um no seu espaço e interagem pelo computador.

Com certeza, em alguns casos essa modalidade de consulta é a única disponível, mas, sem dúvida, ela não deve substituir o contato humano que faz parte da atividade médica ou de qualquer outro profissional da área da saúde.

Mas o que podemos esperar da IA em relação aos tratamentos capilares?

Num passado recente, imaginava-se que a informática pudesse avaliar a pele do usuário e elaborar uma fórmula de produtos de tratamento exclusivos para aquela pessoa, como se faz hoje com as farmácias de manipulação. Mas teria a IA capacidade de fazer um diagnóstico e recomendar um tratamento adequado, sem riscos e sem efeitos colaterais?

Faltam instrumentos que possam captar a essência do problema, como uma câmera de altíssima resolução que pudesse encaminhar para um sistema de IA preparado para fazer o diagnóstico e sugerir o tratamento.

Com os cabelos, poderíamos pensar em uma sonda doméstica ou um scanner que pudesse enviar uma imagem o mais real possível da condição dos fios de cabelo que querermos tratar. Essa imagem seria enviada a um aplicativo, que faria o processo assessorado pela IA.

Devemos sempre ter em mente que a inteligência artificial deve ser alimentada com novas informações e que o ser humano não deve ser substituído em todos os setores da sua atividade. E devemos nos lembrar sempre da definição de saúde: bem-estar bio, psíquico e social, pois é isso que todo profissional da área da saúde e do bem-estar deve ter em mente quando executa seu trabalho.

Fazer um laudo de um exame, fazer o relatório histopatológico de uma biópsia a distância ou fazer uma sessão de psicoterapia online são atividades já corriqueiras que mostraram sua utilidade.

Vamos aguardar que o mesmo aconteça, num breve intervalo de tempo, com os tratamentos cosméticos da pele e do cabelo.

Por enquanto, penso que devemos utilizar menos a inteligência artificial e mais a inteligência natural.



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