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O binômio “personalização e IA” é um desafio para o P&D e para toda a empresa. Existem duas possibilidades na personalização de produtos. Na primeira, os aplicativos sugerem o uso de produtos já prontos, em ordem e número de aplicações definidas para atender às necessidades do consumidor. Ou seja, não há mistura de produtos. No segundo caso, o aplicativo sugere mistura antes da aplicação. Para o P&D, neste caso, a primeira coisa que “salta aos olhos” é o conjunto de critérios que devem ser considerados e aplicados ao desenvolvimento de produtos onde formulações com composição diferentes, em proporções muito variáveis, poderão ser misturadas no momento da aplicação. No uso doméstico, a mistura vai depender da fricção manual simples ou da mistura física realizada em dispositivo dispensador. Viscosidades muito diferentes podem dificultar a obtenção de homogeneidade. No uso de polímeros e modificadores reológicos, há de se ter o cuidado para que uma mistura não resulte em um produto pegajoso nem que haja formação de grumos insolúveis. Homogeneidade é um requisito técnico
importante.
Ainda pensando em homogeneidade, existem outros pontos a serem considerados. No caso de emulsões – que deve ser a maioria dos casos -, a adição de um aditivo ou de uma outra formulação, em qualquer proporção, não pode desestabilizar o sistema emulsionante porque alteraria o perfil de desempenho da mistura. Aditivos ácidos podem alterar a homogeneidade de composições com viscosidade promovida por polímeros sensíveis a pH. Por outro lado, interações eletrostáticas entre polímeros aniônicos e ativos ou surfactantes catiônicos podem causar precipitação com formação de complexos insolúveis, o que também pode comprometer o desempenho do produto resultante.
A preservação microbiológica também merece atenção especial. Bases ou aditivos que têm sistemas de conservantes diferentes, após a mistura, podem resultar em concentração final de conservantes abaixo da concentração inibitória mínima (CIM). Num primeiro instante, como a aplicação da mistura resultante será imediata, este evento não representa risco. Porém, se o recipiente não for adequadamente limpo, pode haver proliferação microbiana de superfície que pode contaminar a próxima preparação e ser levada para a pele na aplicação. Há de se ter ainda mais cuidado no caso de uso de dispensadores porque pode haver desenvolvimento microbiano na ponteira que pode levar a contaminação para a pele e ainda causar contaminação de produtos em seu interior.
A avaliação de eficácia e segurança é obrigatória. A personalização em tempo real pode gerar uma mistura com margem de segurança e nível de eficácia diferentes das formulações separadas; elevação do potencial irritante de algumas subs- tâncias – seja pela mistura, seja pelo pH resultante –; e, ainda, a presença de ingredientes em uma das fases que possam funcionar como “promotores de penetração” pode gerar uma situação de sinergia e comprometer os processos de defesa e assimilação da pele, o que pode causar reações indesejáveis, como irritação, por exemplo.
A verificação de segurança e eficácia deve ser criteriosa e realizada para cada formulação em separado e também para possíveis misturas. Como são inúmeras as possibilidades, além da avaliação de cada formulação, a melhor solução é avaliar misturas (1/2 + 1/2), (1/3 + 1/3 + 1/3) e assim por diante. Em todos os casos, é altamente recomendável conhecer o potencial de irritação (irritation score) de cada formulação e de cada combinação. Teste in vitro é uma boa e econômica opção. As instruções de uso são outro ponto que merece muita atenção. Elas devem ser muito claras e objetivas.
Em pesquisa recente na IA, sobre validação de informações geradas por IA, li o seguinte: “Nunca utilize respostas de IA sem revisão humana direta para áreas como medicina, direito, finanças e formulações técnicas. A validação final e a responsabilidade pelo uso das informações e recomendações cabem sempre ao usuário humano”. Isso é absolutamente fundamental.
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