Gestão em P&D

Dores e desejos do P&D

Julho/Agosto 2026

Wallace Magalhães

colunistas@tecnopress-editora.com.br

Wallace Magalhães

Há muito tempo, as demandas e as necessidades são designadas pelo marketing como “dores” e “desejos”. Existem “dores” e “desejos” no P&D. Nos últimos anos, tenho conversado com muitos técnicos do setor, inclusive profissionais experientes. Esse relacionamento me permitiu listar as “dores” mais frequentes, que são as seguintes:

- Prazos curtos para um trabalho consistente
- Pressão por inovação em prazo curto e com pouco recurso
- Arquivo técnico disperso em várias pastas
- Dificuldade para localizar ou vincular documentos técnicos a formulações e processos
- Baixa possibilidade de aproveitamento das tecnologias e conhecimento já desenvolvidos
- Falta de tempo técnico para pesquisas mais profundas e consistentes
- Formulação com ingredientes incompatíveis com os claims ou custos acima do valor detectados na entrega do projeto (retrabalho e desperdício de tempo e dinheiro)

Junta-se a essa lista o alto consumo de tempo técnico com:

- Preenchimento de planilhas e realização de cálculos específicos
- Retrabalho para correção de erros em cálculos ou conteúdo
- Geração das informações para área regulatória

Praticamente todas essas “dores” nascem quando se utiliza, no P&D, uma estrutura para gestão de informação baseada em planilhas e pastas. Além do enorme consumo de tempo técnico, esse formato tem baixa eficiência e compromete a competência de todo o setor. No aspecto estratégico, é uma situação de alto risco de segurança da informação, que também é caracterizada por alta dispersão de informações e alta incidência de perda de dados. Perda de dados gera muito retrabalho. Ainda há alto risco de não conformidade regulatória causado por erros ou perda de documentação. Outra consequência é que os técnicos acabam operando mais como manipuladores de bancada do que como pesquisadores, o que pode determinar perda de competitividade dos novos produtos porque, provavelmente, serão o “mesmo do mesmo”. Técnico especializado fazendo tarefas básicas é desperdício.

A inadequação pode ser mais facilmente percebida se extrapolarmos essa situação para os setores de Faturamento e Financeiro. Imagine esses setores operando com planilhas e pastas. Talvez um dos motivos para essa diferente abordagem em relação ao P&D é que esses setores estão intimamente relacionados às metas financeiras de curtíssimo prazo, enquanto o P&D só afetará resultados no médio e longo prazo.

Com base nesse cenário, podemos criar uma lista dos desejos do P&D:

- Ter informações técnicas e regulatórias integradas em bancos de dados estruturados
- Ter acesso rápido a informações técnicas de ingredientes
- Ter, já na fase pré-bancada, rotinas automatizadas para cálculo de custo e geração da composição qualitativa e quantitativa em INCI Name, obedecendo à regra de alergênicos e regime de uso. Isso permite a verificação prévia do custo, da adequação dos ingredientes ao claims e às determinações das listas restritivas, o que reduziria muito o consumo de tempo técnico e praticamente eliminaria retrabalho causado por inadequações
- Ter a composição qualitativa automaticamente traduzida pela lista da tradução da Anvisa
- Ter acesso rápido às formulações e ao conhecimento já desenvolvidos, com possibilidade de comparação abordando avaliações, custo e composição INCI Name
- Ter recurso padronizado e unificado para gestão de testes e estudos
- Geração automática das informações regulatórias, em conformidade com as normas sanitárias vigentes

Nesta configuração, além de ganhos estratégicos e de eficiência, o P&D será um agente efetivo de inovação, ao trazer ideias e novidades tecnológicas obtidas em pesquisas, congressos, seminários e no contato com fornecedores para o marketing projetar novos produtos e formatar novas oportunidades de negócio. O reconhecimento do P&D como área estratégica, e não como área operacional, só trará vantagens para a indústria, os clientes e até para seus consumidores.

Visto isso, penso que essa lista de desejos é totalmente justificável. Você concorda?



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