colunistas@tecnopress-editora.com.br
E a história vai se repetindo. Era o final do XVII, que ficou conhecido como o Ciclo do Ouro. A região também incluía Goiás. Foram 80 anos de exploração do metal, pagamento contínuo de 20% para Portugal, além do espectro da temida “derrama”, que ocorria quando a meta anual de arrecadação de 100 arrobas (aproximadamente 1,5 tonelada) não era atingida. A ocorrência da derrama passou a ser cada vez maior, visto que a disponibilidade do ouro aluvial — aquele extraído facilmente dos rios — escasseava.
O ouro não permanecia na colônia. Portugal precisava dele para pagar suas dívidas com a Inglaterra. Dívidas de quê? Na época, Portugal era um país que vivia da exportação de vinho para a Inglaterra e importava produtos industrializados, o que o levava a uma baixíssima industrialização de sua economia. Assim, enquanto o déficit econômico português aumentava geometricamente, a Inglaterra catapultava seu desenvolvimento econômico para um nível ainda não visto na Idade Média. Os teares ingleses e tudo o que se referia não apenas à sua industrialização, mas também ao seu plano estratégico naval, ultrapassavam em muito os feitos portugueses, em escala assombrosa. Os ingleses sabiam onde colocar o dinheiro e como fazê-lo trabalhar ao longo do tempo para gerar mais riqueza.
Enquanto isso, o Brasil continuava como uma colônia proibida por lei de desenvolver qualquer atividade industrial mais elaborada, atrelada a uma metrópole endividada, avessa à industrialização e que perdia o domínio dos mares. Assim, também por necessidade, havia tempo e motivação para o desenvolvimento da corrupção, que permeou toda a cadeia produtiva.
Com isso, um ciclo não tão brilhante se cristalizou — o ciclo clássico do colonialismo, que nos acompanha em nosso inconsciente coletivo até os dias de hoje: a colônia produz, a metrópole intermedeia e a potência industrial acumula e transforma a riqueza.
Tudo isso seria história morta se houvesse ficado nos idos do século XVIII, mas não ficou. A elite burguesa formada por reinóis ou brasileiros aspirantes a europeus — ou melhor, portugueses —, desprovidos de brio nacionalista, replicou a fórmula acima em proveito próprio até hoje.
O exemplo mais recente é o “ciclo das terras raras”. O Brasil, independente constitucionalmente, mas colonial em sua ideologia econômica, foi agraciado pela formação geológica da Terra com cerca de 20% das reservas desses elementos.
De raras, essas terras não têm nada. Alguns elementos são mais abundantes que minerais comuns do dia a dia. A título de exemplo, podemos mencionar o cério, que é mais abundante que o cobre (em estudo para uso em protetores solares e antioxidantes); o neodímio (usado em ímãs de alta potência, como os empregados em turbinas eólicas, com a conhecida liga NdFeB), com maior disponibilidade que o chumbo; e o túlio (um dos mais escassos do grupo), ainda assim mais abundante que o ouro em termos relativos. Foram chamadas de raras pelo químico sueco Carl Gustaf Mosander, em virtude da dificuldade técnica de separação desses elementos, geralmente encontrados associados entre si, bem como pela baixa concentração por metro cúbico de matéria-prima — dificuldade essa reduzida com o avanço tecnológico, embora ainda existente. Dessa forma, as chamadas terras raras não se apresentam em jazidas concentradas como ocorre com outros minérios, como ferro ou alumínio.
No mês de abril,o Brasil vendeu mineradora Serra Verde Group (Minaçu, norte de GO), proprietária da mina Pela Ema, a única fora da Ásia a produzir elementos de terras raras em escala comercial, para a empresa americana Rare Earth, por US$ 2,8 bilhões. Dessa mina de argila iônica são extraídos elementos utilizados em ímãs para carros elétricos, turbinas eólicas, drones e equipamentos bélicos. Com isso, o controle de parte relevante dessa riqueza mineral passa para mãos estrangeiras — norte-americanas —, que, no atual contexto, enfrentam tensões geopolíticas com sua principal rival: a China, maior produtora e transformadora desses insumos. As ações, da noite para o dia, subiram 27,4% — nada mal para os investidores norte-americanos e ingleses.
Mais uma vez, repete-se o ciclo: colônia (fonte de matéria-prima) e metrópole (destino da riqueza por transformação técnica), o que contribui para o atraso tecnológico nacional frente às potências econômicas do Norte global. A pergunta que não silencia é: por que não desenvolver a tecnologia de transformação dessa matéria-prima e assumir um protagonismo geopolítico no setor?
Ontem, o ouro; hoje, as terras raras e a biodiversidade; e amanhã, o que será?
A La Prairie amplia a coleção Pure Gold com a chegada de P...
A Pink Cheeks apresenta o Duo Stick Blush e Bronzer FPS 98 FPUVA 46 by M...
Terracotta Golden Dunes, da Guerlain, chega ao mercado em ediç&at...
A Eucerin, marca da Beiersdorf, relança a linha DermoPure Clinical, desen...
Para atender os brasileiros que desejam uma perfumação mai...
A linha Toque Seco da Garnier ganha um novo integrante: o Hidratante Fac...