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A presença dos influencers nas redes sociais transformou a forma como o público consome informações sobre pele, beleza e procedimentos estéticos. A dermatologia, por transitar entre ciência médica e cuidados estéticos, está especialmente exposta a esse fenômeno. Para o dermatologista, compreender esse cenário é fundamental para orientar práticas seguras, éticas e baseadas em evidências.
Por que os influencers se tornaram tão relevantes na dermatologia?
- Alcance massivo e conexão emocional: influencers criam narrativas pessoais, mostram rotinas, resultados e “before/after”. Isso gera identificação e percepção de proximidade e autenticidade.
- Velocidade na disseminação de tendências: lançamentos de skincare ou técnicas estéticas podem se tornar virais em poucas horas, influenciando a busca de pacientes antes mesmo de evidências científicas estarem bem estabelecidas.
- Amplificação do interesse pelo autocuidado: a cultura do “cuidar da pele” cresceu exponencialmente com as redes, aumentando a procura por dermatologistas, mas também por soluções inadequadas ou desnecessárias.
Pontos a favor da presença de influencers na área:
- Educação em larga escala: quando bem orientados, influencers ajudam a democratizar informações sobre fotoproteção, acne, rotina de skincare, hábitos saudáveis e prevenção de danos.
- Fortalecimento da busca por especialistas: muitas pessoas chegam ao consultório após contato com conteúdos que despertaram curiosidade ou preocupação com a própria pele.
- Oportunidade de divulgação científica: dermatologistas podem colaborar com criadores sérios, elevando a qualidade do conteúdo, combatendo mitos e reforçando a importância da formação médica.
- Humanização da especialidade: a linguagem acessível aproxima o público leigo dos profissionais.
Pontos contra e riscos a serem considerados:
- Disseminação de informações incorretas: muitos influencers não têm formação médica nem domínio técnico, o que pode levar a:
• banalização de procedimentos invasivos;
• dicas perigosas, como misturas caseiras ou uso inadequado de ácidos;
• promoção de produtos “milagrosos”.
- Publicidade sem transparência: alguns posts pagos não deixam claro que se trata de publicidade, distorcendo a percepção dos seguidores.
- Normalização do excesso de procedimentos: o ideal estético nas redes pode reforçar dismorfia corporal, busca por resultados irreais e pressão estética.
- Risco à saúde do paciente: influencers podem divulgar práticas realizadas por profissionais não médicos, aumentando acidentes estéticos e complicações.
- Impacto nas expectativas do paciente: consultas chegam carregadas de referências irreais, filtros e exageros, dificultando o manejo clínico e emocional.
Como o dermatologista deve lidar com esse cenário:
- Incentivar pensamento crítico nos alunos e residentes: ensinar a diferenciar evidência científica, tendência e marketing. Formar dermatologistas também significa formar profissionais midiaticamente responsáveis.
- Orientar pacientes com empatia: muitos chegam com algo visto em um post. O ideal é:
• não desqualificar o influencer de forma agressiva;
• explicar com clareza os riscos;
• traduzir o que é verdade, exagero ou mito.
- Ter presença digital responsável: para quem deseja estar nas redes
• linguagem simples e ética;
• sem promessas irreais;
• valorizando ciência e segurança;
• destacando a medicina baseada em evidências.
- Estabelecer parcerias éticas: parcerias devem seguir critérios
fundamentais:
• conteúdo alinhado com evidências científicas;
• transparência comercial;
• influência positiva sobre hábitos de saúde;
• evitar banalização de procedimentos invasivos.
Produzir conteúdo educativo reduz o impacto de orientações incorretas que circulam online.
- Reforçar a responsabilidade legal e ética: influencers podem opinar sobre cosméticos, mas não devem prescrever, indicar tratamentos médicos ou ensinar procedimentos invasivos. Como professora, é essencial orientar futuros dermatologistas sobre limites éticos e legais.
O influencer é hoje um ator central na comunicação em dermatologia, tanto para o bem quanto para o risco.
Para o dermatologista moderno, não basta dominar técnicas e conhecimento científico; é necessário compreender como a informação circula, como o paciente é impactado e como orientar o uso responsável das redes.
A posição mais produtiva não é rejeitar nem aderir cegamente ao fenômeno, mas compreendê-lo, dialogar com ele e utilizá-lo a favor da educação, da ética e da segurança dos pacientes.
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