Temas Dermatológicos

A importância do influencer na dermatologia estética

Janeiro/Fevereiro/Março 2026

Denise Steiner

colunistas@tecnopress-editora.com.br

Denise Steiner

A presença dos influencers nas redes sociais transformou a forma como o público consome informações sobre pele, beleza e procedimentos estéticos. A dermatologia, por transitar entre ciência médica e cuidados estéticos, está especialmente exposta a esse fenômeno. Para o dermatologista, compreender esse cenário é fundamental para orientar práticas seguras, éticas e baseadas em evidências.

Por que os influencers se tornaram tão relevantes na dermatologia?

- Alcance massivo e conexão emocional: influencers criam narrativas pessoais, mostram rotinas, resultados e “before/after”. Isso gera identificação e percepção de proximidade e autenticidade.

- Velocidade na disseminação de tendências: lançamentos de skincare ou técnicas estéticas podem se tornar virais em poucas horas, influenciando a busca de pacientes antes mesmo de evidências científicas estarem bem estabelecidas.

- Amplificação do interesse pelo autocuidado: a cultura do “cuidar da pele” cresceu exponencialmente com as redes, aumentando a procura por dermatologistas, mas também por soluções inadequadas ou desnecessárias.

Pontos a favor da presença de influencers na área:

- Educação em larga escala: quando bem orientados, influencers ajudam a democratizar informações sobre fotoproteção, acne, rotina de skincare, hábitos saudáveis e prevenção de danos.

- Fortalecimento da busca por especialistas: muitas pessoas chegam ao consultório após contato com conteúdos que despertaram curiosidade ou preocupação com a própria pele.

- Oportunidade de divulgação científica: dermatologistas podem colaborar com criadores sérios, elevando a qualidade do conteúdo, combatendo mitos e reforçando a importância da formação médica.

- Humanização da especialidade: a linguagem acessível aproxima o público leigo dos profissionais.

Pontos contra e riscos a serem considerados:

- Disseminação de informações incorretas: muitos influencers não têm formação médica nem domínio técnico, o que pode levar a:

• banalização de procedimentos invasivos;
• dicas perigosas, como misturas caseiras ou uso inadequado de ácidos;
• promoção de produtos “milagrosos”.

- Publicidade sem transparência: alguns posts pagos não deixam claro que se trata de publicidade, distorcendo a percepção dos seguidores.

- Normalização do excesso de procedimentos: o ideal estético nas redes pode reforçar dismorfia corporal, busca por resultados irreais e pressão estética.

- Risco à saúde do paciente: influencers podem divulgar práticas realizadas por profissionais não médicos, aumentando acidentes estéticos e complicações.

- Impacto nas expectativas do paciente: consultas chegam carregadas de referências irreais, filtros e exageros, dificultando o manejo clínico e emocional.

Como o dermatologista deve lidar com esse cenário:

- Incentivar pensamento crítico nos alunos e residentes: ensinar a diferenciar evidência científica, tendência e marketing. Formar dermatologistas também significa formar profissionais midiaticamente responsáveis.

- Orientar pacientes com empatia: muitos chegam com algo visto em um post. O ideal é:

• não desqualificar o influencer de forma agressiva;
• explicar com clareza os riscos;
• traduzir o que é verdade, exagero ou mito.

- Ter presença digital responsável: para quem deseja estar nas redes

• linguagem simples e ética;
• sem promessas irreais;
• valorizando ciência e segurança;
• destacando a medicina baseada em evidências.

- Estabelecer parcerias éticas: parcerias devem seguir critérios
fundamentais:

• conteúdo alinhado com evidências científicas;
• transparência comercial;
• influência positiva sobre hábitos de saúde;
• evitar banalização de procedimentos invasivos.

Produzir conteúdo educativo reduz o impacto de orientações incorretas que circulam online.

- Reforçar a responsabilidade legal e ética: influencers podem opinar sobre cosméticos, mas não devem prescrever, indicar tratamentos médicos ou ensinar procedimentos invasivos. Como professora, é essencial orientar futuros dermatologistas sobre limites éticos e legais.

O influencer é hoje um ator central na comunicação em dermatologia, tanto para o bem quanto para o risco.

Para o dermatologista moderno, não basta dominar técnicas e conhecimento científico; é necessário compreender como a informação circula, como o paciente é impactado e como orientar o uso responsável das redes.

A posição mais produtiva não é rejeitar nem aderir cegamente ao fenômeno, mas compreendê-lo, dialogar com ele e utilizá-lo a favor da educação, da ética e da segurança dos pacientes.



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