Fragrâncias

Collabs com perfumaria, uma longa história

Novembro/Dezembro 2025

Olivier Fabre

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Olivier Fabre

Na perfumaria fina ou alcoólica, as collabs remontam ao início do século XX, quando se estabeleceu a ligação entre a alta-costura e a perfumaria. O precursor dessa colaboração foi Paul Poiret, o primeiro couturier a lançar uma marca de perfumes, a Les parfums
de Rosine. Aliás, o Musée des Arts Décoratifs, em Paris, na França, exibe, até o dia 11 de janeiro de 2026, uma exposição que celebra essa união entre a alta-costura e a perfumaria, cujo precursor foi Paul Poiret (disponível em: https://expo.paris/ exposition/paul-poiret-la-mode-est-une-fete-musee-des-arts- -decoratifs-2025; acesso em: 5 nov. 2025).

Paul Poiret foi seguido nada menos que por Gabrielle Bonheur “Coco” Chanel, que, em 1921, decidiu lançar o icônico Chanel N° 5, em uma edição limitada de 500 frascos, para pre- sentear sua abastada clientela da alta-costura. “Vamos colocar tudo que tem de mais lindo” foi o “briefing” de mademoiselle Chanel para o perfumista Ernest Beaux. Diz a história, em uma nuance mais sombria, que, durante a Segunda Guerra Mundial, ela teria praticado outro tipo de colaboração, dessa vez com o inimigo alemão. De uma edição limitada, o Chanel N° 5 se tornou o maior exemplo de sucesso comercial de uma collab: o fruto dessa colaboração é simplesmente o perfume mais vendido no mundo!

Christian Dior seguiu os passos de Coco Chanel em 1947, lançando perfumes como uma extensão das suas criações de moda. Esse foi outro exemplo de grande sucesso comercial. Muitos outros couturiers adotaram essa forma de colaboração, muito rentável, entre a alta-costura e a perfumaria, como Jeanne Lanvin (Arpège), Pierre Balmain (Vent Vert), Yves Saint Laurent (Nu), Cacharel (Amor Amor), Kenzo (Flower), Jean Paul Gaultier (Jean Paul Gaultier) e o glamoroso Karl Lagerfeld (Lagerfeld). Mas no mundo luxuoso da perfumaria fina existem outros tipos de collab, por exemplo, entre a joalheria e a perfumaria: Van Cleef & Arpels (First), Boucheron (Boucheron), ou entre o fabricante de casaco de pele de luxo Revillon (Turbulences).

Na perfumaria de bens de consumo, a partir dos anos 1990, marcas começaram a vender direitos de exploração para fabricantes de variados produtos ou outras empresas, frequentemente na forma de contratos de licenciamento, em vez de estabelecerem com eles verdadeiras colaborações criativas. Isso acontece com bastante frequência entre marcas de perfumaria e de bens de consumo, como: marcas de produtos para bebês e marcas de cremes hidratantes, que usam a ternura e a suavidade como denominador comum dos produtos, em um apelo de marketing. Um exemplo disso é o contrato de licenciamento da famosa marca espanhola Nenuco, de colônia para bebês, com a marca de amaciantes do não menos famoso distribuidor Mercadona. No Brasil, recentemente, a marca Ypê iniciou uma parceria com a L’Occitane, unindo o cuidado de roupas com fragrâncias inspiradas no universo desta marca. Outra parceria recente no Brasil é a da perfumaria Lenvie com os sorvetes Bacio di Latte. A parceria une o universo de suaves fragrâncias com o doce aroma dos sorvetes.

Ultimamente, o conceito de collab evoluiu para parcerias de diferentes características e às vezes surpreendentes. Aliás, um desses exemplos surpreendentes no Brasil é a collab entre as marcas Natura e Havaianas, com a fragrância baunilha tendo sido incorporada às famosas sandálias. Outro exemplo intrigante de collab foi o lançamento da linha de hidratantes labiais Avvio com aroma do chiclete Mentos. Também houve o lançamento, pela marca O Boticário, da fragrância Bubbaloo, que tem o cheiro do chiclete homônimo! Até a marca Netflix lançou linhas exclusivas de maquiagem, cuidados pessoais e perfumaria para fãs de séries como La casa de papel, Stranger things e Sex education. Outro exemplo de collab é a marca O Boticário que lançou a linha Bob Esponja, inspirada no personagem Bob Esponja, do canal Nickelodeon, com produtos que remetem à casa desse personagem, que tem o formato de um abacaxi.
Sem jogo de palavras, a perfumaria niche é, por essência, domínio de colaboração. Essa colaboração acontece com artistas, designers e marcas, criando edições limitadas e produtos inspiradores para atrair consumidores. Essa tendência se expandiu, passando a incluir colaborações e parcerias ecologicamente conscientes que celebram a arte, como a música, e a natureza.

As collabs trazem benefícios à imagem da marca. Essas parcerias fortalecem a imagem da marca, associando-a à criatividade, ao luxo ou a outros valores específicos. Na conscientização, as collabs permitem alcançar novos públicos e gerar visibilidade. No desejo: edições limitadas criam a sensação de exclusividade e podem ser percebidas como investimentos ou itens de colecionador.

Longa vida às collabs!



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