Boas Práticas

Custos da Qualidade

Setembro/Outubro 2025

Carlos Alberto Trevisan

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Carlos Alberto Trevisan

Uma das grandes dificuldades nas empresas é justificar, nos budgets, o montante a ser alocado para a realização das atividades da Qualidade, pois ainda está muito disseminado o conceito de que “qualidade somente gera despesas”. Porém, quando na Qualidade consideramos o que na realidade são custos, temos que elaborar uma seleção de espécies de custos, para facilitar o entendimento, e adotar as ações para fins de controle e análise. Uma maneira é classificar todos os itens dos custos da Qualidade em quatro tipos, conforme é descrito a seguir:

• Custos de prevenção (P): planejamento da qualidade, sistemas de gestão da qualidade, manutenção preventiva, treinamento de funcionários, etc.

• Custos de avaliação (A): equipamentos de teste, monitoramento do sistema, inspeção em processo, análise de dados, gerenciamento de fornecedores, materiais, etc.

• Custos de falhas internas (F ): sucata, desperdício, rebaixamento do produto, retrabalho/reparo, resolução de problemas, manutenção/ajuste, modificações no design do produto, etc.

• Custos de falhas externas (Fe): devoluções/substituições, ajustes de preços, taxas legais/de seguro, tratamento de reclamações, reparos em garantia, investigações, etc.

Esse modelo PAF (ou COQ = P+A+Fi+Fe) é amplamente adotado. O modelo de custo de processo (PCM) oferece uma abordagem mais simplificada, concentrando-se nas implicações de custo dentro de processos ou de sistemas específicos. O PCM concentra-se em um processo, operação ou sistema específico e categoriza todos os itens de custo, incluindo pessoal, equipamentos, materiais, atividades e ambiente operacional, em dois tipos principais:

• Custos de conformidade (COC): são os custos incorridos para garantir boa qualidade, denominados “bom COQ”;

• Custos de não conformidade (CONC): os custos incorridos devido à má qualidade, conhecidos como “COQ ruim”.

O modelo PAF fornece características específicas dos itens do COQ, que podem ser úteis para análise. Em contrapartida, o PCM (ou COQ = COC + CONC) oferece uma abordagem mais simples, sem fazer o detalhamento dos custos. Assim, o PCM pode ser mais intuitivo em sua
aplicação, em alguns casos, que o PAF.

Outros modelos de COQ, como o custeio baseado em atividades (ABC), a função de perda de Taguchi e o COQ total, podem ser considerados.

Outro ponto é a categorização eficaz de custos, essencial para a compreensão das despesas relacionadas à Qualidade e para embasar decisões estratégicas. Embora a categorização de itens de qualidade de custo (COQ) no modelo PAF seja frequentemente simples, certos itens podem parecer pouco claros ou sobrepor categorias, levando à subjetividade na sua classificação.

No PCM, cada item de QCO pode ser classificado questionando-se se ele sustenta a boa qualidade (QCO) ou se resulta da má qualidade (QCON).

Após a conclusão da categorização do COQ, pode-se iniciar a implementação de um modelo de COQ, frequentemente chamado de programa de COQ.

Para fazer uma abordagem simples, existem vários métodos e processos para implementar um programa de COQ, baseados em planilhas e adequados a organizações que estão iniciando uma jornada de COQ. Quando soluções de software comerciais (módulos) estão disponíveis no mercado, a implementação pode se tornar mais eficiente e escalável.

O processo geral de implementação consiste em cinco etapas principais, integradas a iniciativas de resolução de problemas e de melhoria contínua.

Esse processo gradual está alinhado com as metodologias de PS/CI comumente utilizadas. Modelos simples, criados com o MS Excel, podem ser usados para registro, acompanhamento e análise de COQ. As planilhas oferecem uma maneira flexível e de baixo custo de começar a capturar dados de COQ, especialmente às organizações sem software dedicado de gestão da Qualidade.



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