Fragrâncias

Fragrâncias dupe, indie e niche

Julho/Agosto 2025

Olivier Fabre

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Olivier Fabre

Recentemente uma nova palavra entrou no meu vocabulário: dupe, uma palavra proveniente do inglês duplicate e uma palavra muito em moda que também se aplica a fragrâncias. Mas, afinal, o que é um fragrância dupe? Antes de tudo, uma observação importante: Qual é a diferença entre o perfume e a fragrância? O perfume é o produto enquanto a fragrância é o resultado olfativo do perfume no ar, no ambiente. Falaremos a seguir de fragrâncias e novas nomenclaturas que recentemente entraram no vocabulário do maravilhoso mundo da perfumaria.

Nos últimos anos outras palavras entraram no vocabulário perfumístico: fragrâncias indie e fragrâncias niche. Por isso, vou começar com um pequeno léxico de palavras para nos situarmos no maravilhoso mundo da perfumaria de hoje!

- Fragrância “indie” (de independente): refere-se a uma fragrância criada por uma pequena marca, geralmente administrada por um perfumista ou uma equipe de entusiastas, que não é afiliada a um grande grupo. Essas marcas se distinguem por sua abordagem criativa, frequentemente centrada em ingredientes de alta qualidade e composições originais, em vez de em tendências de mercado. Algumas marcas indie são: Lenvie, Stora Sukuggan e Akro.

- Fragrância de “niche” (de nicho): também chamada de perfumaria confidencial ou perfumaria seletiva, a perfumaria de nicho é o resultado do desejo constante de colocar de volta no coração do perfume a qualidade das matérias-primas utilizadas. O que caracteriza o perfume de niche é a dedicação exclusiva ao perfume como uma forma de arte. Não é um perfume de designer. Algumas marcas da perfumaria niche são: Le Labo, Frederic Malle e Maison Francis Kurkdjian.

- Fragrância de “designer” (de grife): uma fragrância de designer é um perfume ou colônia criado e comercializado por uma grife ou marca de luxo renomada e que também produz outros produtos, como roupas ou acessórios. Essas fragrâncias costumam ser projetadas para incorporar a imagem e o estilo da marca, e normalmente são produzidas em massa e ficam amplamente disponíveis nas lojas. Alguma marcas de designer são: Prada, Yves Saint Laurent, Estée Lauder e Chanel.

- Fragrância “fake” (falsa): é uma copia completa de um perfume em relação a fragrância, frasco, embalagem, nome e marca, e que é comercializada a um custo muito inferior ao do perfume original. Só falta o mais valioso na fragrância fake: a criatividade. Porém, como nada é perfeito, uma imitação perfeita é simplesmente impossível de ser realizada!

- Fragrância “dupe” (de duplicado): no caso do perfume dupe, trata-se da imitação de uma fragrância já existente, uma imitação semelhante ao seu modelo de luxo, mas que é comercializada com um nome diferente do original. E esse perfume tem um preço sensivelmente inferior ao da fragrância que ele tenta imitar olfativamente. É uma imitação legalizada de uma fragrância de marca. Reproduz semelhanças olfativas dessa fragrância sem alegar ser o produto original. Algumas marcas da perfumaria dupe: Gadi’s, Ohana Kameala, Action e Parfums Star.

Uma questão crucial: Qual é a diferença entre uma fragrância dupe e a falsificação de uma fragrância ou uma fragrância “fake”? Como está indicado anteriormente, o perfume dupe (o produto) se limita a imitar o mais próximo possível o aspeto olfativo da fragrância. Já o perfume falsificado não somente copia a fragrância, em geral fazendo uma cópia de baixíssima qualidade, mas também o frasco, a embalagem, o nome, a marca, em suma, imita o produto na sua totalidade, portanto, sem nenhuma criatividade. Há outra diferença fundamental: O dupe é legalizado, enquanto a falsificação é ilegal e passível de ações judiciais em muitos países, já que afeta comercialmente as empresas legalmente estabelecidas de criação de perfumes. Com relação ao tema de falsificação de fragrâncias, ele foi abordado nesta coluna, publicada na edição nov/dez 2024, da Cosmetics & Toiletries Brasil.

Para concluir, o número de imitações de perfumes está aumentando e levantando questões cruciais de propriedade intelectual. Grandes marcas devem adotar estratégias legais e de marketing para proteger suas reputações, enquanto os consumidores devem permanecer vigilantes para evitar comprar produtos falsificados. Em última análise, o futuro da indústria de perfumes depende da coexistência harmônica entre fragrân- cias de luxo e suas imitações legais, com vigilância constante para evitar falsificações ilegais.

Mas, quando chega o momento da eleger um perfume, mais do que a qual tipo de segmento do mercado ele pertence – dupe, niche ou indie –, o que é o mais importante? Não só a fragrância, mas também a emoção que ele carrega e transmite. Mas, sem dúvida, eleger uma fragrância falsa é simplesmente um ato antiético, além de ser ilegal!



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