colunistas@tecnopress-editora.com.br
A palavra “dupe” vem do inglês duplicate ou duplicate product e, no contexto do universo da moda e dos cosméticos, refere-se a um produto alternativo que imita um item famoso ou mais caro — seja em cor, textura, efeito ou resultado final — porém nunca de forma idêntica ao original. Os dupes são opções mais acessíveis, já que não faz sentido criar uma cópia que custe mais caro que o produto original. Não são concorrentes diretos; o objetivo é oferecer ao público de classe média acesso a produtos ou
marcas de luxo muitas vezes inacessíveis.
Compreender o conceito de dupe é fundamental para não o confundir com a réplica. O dupe é legal, pois não copia a identidade visual da marca original, como nome ou embalagem, embora se inspire em um produto já existente. Sua intenção é oferecer uma alternativa economicamente acessível sem enganar o consumidor. Um fabricante que decide produzir um batom com cor similar à do Ruby Woo, da MAC, por exemplo, e o comercializa pela metade do preço sob sua própria marca deixa claro que não se trata do original. Assim, farmácias de manipulação, com bom uso do marketing digital, podem atrair consumidores oferecendo bases faciais que prometem o mesmo acabamento natural e luminoso de uma base Dior ou Chanel, ou paletas de sombras inspiradas nas cores das paletas famosas da Urban Decay ou Huda Beauty.
A réplica, por outro lado, é uma imitação ilegal, que tenta se passar pelo produto original ao copiar integralmente a identidade visual. Nesse caso, a intenção é enganar o consumidor, fazendo-o acreditar que está adquirindo o item original. Essa prática configura crime contra a propriedade intelectual.
O dupe tornou-se uma tendência atraente para o mercado, de olho nos consumidores da geração Z (nascidos entre meados da década de 1990 e início dos anos 2010), estimados pela ONU em mais de 40 milhões de brasileiros e representando 27% da força de trabalho mundial. A renda global dessa geração, segundo o Bank of America, deve alcançar robustos US$ 36 trilhões já em 2025. Embora a renda individual média seja inferior à das gerações anteriores, o desejo de consumir produtos de marca permanece intenso. A projeção do poder econômico da geração Z, ainda segundo a instituição, é chegar a US$ 74 trilhões até 2040, impulsionado pela transferência de patrimônio das gerações anteriores.
Assim, as empresas especializadas em dupes introduzem esses consumidores ao universo do “luxo” sem exigir grandes investimentos. Em uma geração fortemente influenciada pela internet, o fenômeno se fortalece com o poder das redes sociais, como Instagram e TikTok, e com a atuação de influenciadores digitais que alimentam o desejo de consumo imediato. Esse ciclo retroalimenta a dificuldade de lidar com frustrações e adversidades — traço marcante dessa geração. Redes de fast fashion, como Zara, H&M, Forever 21 e Shein, bem como marketplaces como AliExpress e Amazon, fazem parte do cotidiano dessa geração nativamente digital e desempenham papel central na perpetuação desse ciclo.
Entretanto, há um problema mais profundo por trás dessa tendência: o contraste entre os ideais defendidos e as práticas efetivamente adotadas. Apesar de se declararem engajados em causas sociais e ambientais, muitos consumidores ignoram o impacto ambiental e social negativo associado ao consumo de dupes. O ciclo de compra impulsivo e a percepção distorcida de qualidade fomentam a cultura do descarte, da alta rotatividade e do consumo desmedido, acelerando o esgotamento dos recursos naturais. Preocupações com tecnologias poluentes ou condições degradantes de trabalho desaparecem rapidamente diante da promessa de glamour. Muitas vezes, os dupes são produzidos em condições análogas à escravidão, completamente distantes das bandeiras de sustentabilidade que os consumidores, em tese, defendem.
Em última análise, adquirir dupes pode ser uma forma de reduzir diferenças entre classes consumidoras no acesso à moda. Porém, essa justificativa se esvazia quando o foco está apenas na aparência e não no prazer genuíno de usar um produto original e de qualidade. Essa busca por status superficial contamina outras esferas da vida social, refletindo uma visão de consumo cada vez mais imediatista e menos consciente.
Tudo indica que teremos que conviver com essa dicotomia geracional entre frágeis bandeiras ideológicas e um consumo irracional.
Terracotta Golden Dunes, da Guerlain, chega ao mercado em ediç&at...
A Eucerin, marca da Beiersdorf, relança a linha DermoPure Clinical, desen...
Para atender os brasileiros que desejam uma perfumação mai...
A linha Toque Seco da Garnier ganha um novo integrante: o Hidratante Fac...
A Haskell Cosméticos lança a linha Acidificante Matizadora. Desenv...