Fragrâncias

Como você se torna um perfumista ou avaliador em perfumaria?

Setembro/Outubro 2023

Olivier Fabre

colunistas@tecnopress-editora.com.br

Olivier Fabre

Hoje, o tema dessa edição é fragrâncias, e vou falar de como nasce a vocação para esses maravilhosos metiês. Uma primeira constatação é que tanto o metiê de perfumista como o de avaliador são ainda relativamente desconhecidos. Aliás, o número total de perfumistas ou avaliadores e bem pequeno. De fato, no mundo, mais astronautas foram para o espaço que existem perfumistas!

Mas como nasce a vocação para o metiê de Perfumista? Muitos pensaram que é o resultado do encontro de uma certa sensibilidade com uma sólida formação em Química. Mas, na realidade, é durante a infância que a vocação de muitos perfumista aparece.

“Eu tinha dez, doze anos” como contado pelo Olivier Pescheux (in memoriam) um dos criadores de 1 Million de Paco Rabanne. “ Foi quando assisti na televisão o excelente filme de Jean Paul Rapenneau Le sauvage con Yves Montand e Catherine Deneuve. “Numa cena do filme,Yves Montand, que faz o papel de perfumista amassa delicadamente flores de tiaré e as cheira, esse metiê me intrigou e falei para minha mãe: é esse o metiê que quero fazer mas tarde. Além disso meu pai era traiteur então cresci no universo do gosto e sabe-se quanto as papilas gustativas são ligadas ao senso olfativo. Foi assimi que Olivier Pescheux se tornou un dos melhores perfumista das últimas décadas. Infelizmente ele faleceu após uma longa doença em julho deste ano. Quero aqui render uma homenagem a esse extraordinário perfumista e maravilhosa pessoa. Descance em paz Olivier. Você contribuiu muito para que este mundo se tornasse melhor.

Para Anna Vidineeva, exitosa perfumista Russa da Givaudan, que trabalha hoje na cidade do Mexico, a vontade de ser perfumista nasceu de um episódio que ela nunca vai esquecer. Vidineeva se lembra que ainda criança na antiga União Soviética, adorava o perfume que sua mãe usava, chamado Flores de Rússia. A perfumista conta que nesse tempo tinha muito poucos perfumes na Rússia e para ela esse frasco era uma das coisas mais preciosas que sua mãe possuía e o qual ela guardava a sete chaves. Vidineeva acrescenta : “Um dia saímos de viagem, eu e minha mãe. Fiquei sozinha no quarto dela, e ela não tinha tido tempo de guardar o frasco e o achei. Foi incrível, eu o abri, me perfumei varia vezes, fiquei muito feliz. Mas alguns minutos antes dela voltar, percebi que tinha vazado a metade do frasco. Decidi encher o frasco com agua e, obviamente, a mistura de água e álcool turvou e tornou-se esbranquiçada. Tentei usar aquarela amarela para que o líquido recuperasse sua cor original. Podem imaginar a tristeza da minha mãe quando viu o resultado. O único meio para me fazer perdoar pela minha mãe foi de me tornar perfumista".

Agora contarei a minha própria experiência. Na minha infância, eu morava em São Paulo. Com minha irmã decidimos estabelecer uma vendinha na calçada de casa. Ela com jabuticabas do pé do quintal. Eu, como achava que o perfume que minha mãe vestia quando vinha me beijar, antes de sair para as alegres festas paulistanas, era maravilhoso, tive a ideia fracionar o perfume nos frasquinhos que meu pai, engenheiro químico, tinha em casa. O sucesso da venda dos fresquinhos de perfume foi extraordinário, o boato se espalhou pelo bairro, a fila em frente à nossa barraca cresceu rapidamente...até que minha mãe voltou e percebeu que o conteúdo do seu frasco de Chanel 5, tinha quase acabado. Apesar do fim brusco de nosso empreendimento nunca esqueci dessa primeira experiência no mundo da perfumaria. Até decidir trabalhar nesse maravilhoso mundo...



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