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Vocês nunca ouviram o comentário pronun- ciado, em geral com um toque de nostalgia: “A fragrância que uso mudou, já não é a mesma que no passado”. Sim, acontece de as características olfativas de fragrâncias mudarem ao longo do tempo. Logicamente, isso não deveria acontecer, já que a identidade olfativa de uma fragrância está na sua fórmula. E, é, teoricamente, imutável. Mas, por uma série de fatores que vamos ver a seguir, as fórmulas de fragrâncias mudam ao longo de seu ciclo comercial.
A identidade olfativa de uma fragrância está na sua fórmula, ou seja, na lista de ingredientes contidos no perfume e na dosagem de cada um deles. Para criar uma fragrância, os narizes estabelecem uma primeira fórmula que será avaliada, testada e modificada várias vezes antes de ser validada. Uma vez validada, a fórmula final é comercializada em grande escala.
A fórmula é, portanto, o que garante que a fragrância co- mercializada seja sempre a mesma. Mas, como vamos ver, perfumistas precisam alterar a fórmula de suas criações. Nesses casos, um ou mais ingredientes devem ser ajustados/excluídos/ modificados. Uma reformulação muitas vezes envolve a revisão geral do perfume, porque todos os materiais que ele contém interagem entre si. A reformulação é um passo fundamental e complexo para encontrar um novo equilíbrio olfativo.
A primeira e mais importante razão que leva os perfu- mistas a mudarem a fórmula de uma fragrância está ligada à regulamentação. Todos os atores da indústria da perfumaria, desde as grandes casas de perfumaria até o perfumista independente, seguem as normas impostas pela International Fragrance Association (IFRA). Essa organização publica regularmente as alterações necessárias, com base nos dados científicos que provêm da Research Institute for Fragrance Materials (RIFM). Assim, a IFRA publica novas normas a serem respeitadas, que vão limitar ou até mesmo proibir completamente o uso de deter- minados ingredientes em perfumes. Essas diretrizes são criadas para garantir a segurança do consumidor, limitando ou proibindo o uso de componentes alergênicos, ou preservando o uso de ingredientes naturais, por exemplo.
A IFRA proibiu o uso de ingredientes de origem animal na década de 1980. Mais recentemente, o uso do musgo-de-carvalho foi totalmente proibido em sua versão natural, considerada potencialmente alergênica. Mas, complicando esse panorama, empresas, países ou regiões do mundo ditam suas próprias normas!
A reformulação de um perfume é um verdadeiro quebra- cabeça criativo: ao contrário do que se poderia pensar, não basta retirar um ingrediente para substituí-lo por uma matéria-prima com o mesmo cheiro. Esse exercício é muito mais complexo, tanto que, recentemente, a capacidade de fazer a reformulação de fragrâncias passou a ser parte integrante da formação de um
“nariz”.
Em grandes casas de perfumaria, os chamados “perfumistas técnicos” se especializam em um novo ramo da perfumaria, que pode ser chamado de “engenharia de fórmula”. Durante minha carreira de avaliador, estimo que mais de 30% dos projetos de que tratei eram de reformulação de perfumes. O objetivo da reformulação é obter o mesmo resultado olfativo. O desafio é, portanto, mudar a fórmula sem alterar seu cheiro. Mas essa aposta é bastante arriscada, pois cada material, natural ou sintético, tem características próprias e, em particular, um tempo de evaporação específico. Se o material substituto evaporar mais rápido ou mais lentamente que o original, o equilíbrio olfativo da fragrância não será mais o mesmo. A reformulação também não deve ter impacto no custo final do concentrado. Por exemplo, substitutos para a substância lilial, a molécula com cheiro de lírio-do-vale que foi banida pela IFRA em 2015, podem custar até o dobro! Mais do que uma simples mudança, a reformulação requer, portanto, que se façam muitos ajustes e que se conheçam sua paleta de ingredientes e as propriedades de cada um deles na ponta do nariz.
Acontece, também, de ocorrer uma reformulação por faltar um ingrediente no mercado. Muitos perfumistas se lembram da crise do patchouli, no início dos anos 2000, que obrigou algumas casas de perfumaria a reformular às pressas, porque não conseguiam obter essa preciosa essência. Uma crise climática, econômica ou mesmo política também pode minar rapidamente a oferta de um ingrediente. Assim, há alguns anos, fortes chuvas no norte da África enfraqueceram a produção de laranjas azedas e uma seca no Egito teve sérias consequências para a colheita de folhas de gerânio, sem falar das geadas tardias que costumam ocorrer no Brasil, na Flórida e na Itália, afetando os cultivos de cítricos, tão usados em perfumaria. Com as mudanças climáticas que estamos testemunhando hoje, com certeza, reformulações vão ser cada vez mas necessárias. Para amenizar esse tipo de inconveniente, produtores de matérias-primas naturais estão recorrendo a uma gestão mais racional de seus cultivos e de seus estoques. Portanto, a criatividade do perfumista não é somente necessária no momento da criação de uma fragrância, mas também ao longo de toda a vida comercial da fragrância!
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