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A base dos perfumes evoluiu ao longo do tempo. No Egito antigo, as fragrâncias ti- nham bases variadas, como resinas, óleos, unguentos, licores e até leite de jumenta, com o qual Cleópatra se banhava. Na Idade Média foi a vez das águas aromáticas. A primeira fragrância com base de álcool da história foi a famosa água da rainha de Hungria, em 1380 (veja esta coluna, na edição de maio/jun. 2021). Nos séculos XVI e XVII, havia a moda do “pomander” uma pomada perfumada que era colocada em uma elegante caixinha de ouro ou prata, delicadamente escul- pida, uma verdadeira joia, que era levada pregada à vestimenta
ou pendurada como colar.
Hoje as fragrâncias têm quase exclusivamente o álcool como base, com exceção de algumas marcas, para mercados do Oriente Médio, onde a venda de álcool é proibida.
Em contraponto ao tema “Cosméticos Waterless”, desta edição, nesta coluna vou tratar de uma nova tendência da perfumaria: as fragrâncias com base de água. É certo que existem, há muito tempo, as águas florais, como a água de rosa, que é nada menos do que a água proveniente do vapor da destilação desse óleo essencial, a qual é separada dele.
Mas o mercado das águas florais é pequeno, pois é limitado em relação às possibilidades olfativas dessas águas, pois têm pouca difusão no ar e permanecem por pouco tempo na pele.
Ultimamente aconteceram vários lançamentos de fragrâncias com base de água em vez de álcool. A vantagem de usar água como base para formular uma fragrância responde à demanda crescente por produtos totalmente naturais e sem solventes químicos. Sabe-se que o álcool tem o efeito de res- secar a pele, não sendo recomendado para peles sensíveis. O uso do álcool também implica maior risco de ocorrer irritação. Mas o álcool tem a característica de ser um excelente “difusor” da fragrância, carregando as moléculas do perfume e criando uma nuvem perfumada.
Por outro lado, o álcool permite que a fragrância fique por bastante tempo na pele.
Nos ultimos anos, várias empresas conseguiram desenvolver tecnologias para que a performance da fragrância com base de água fosse melhorada e se tornasse comparável à fragância com base alcoólica.
Na França, uma startup da perfumaria niche, a Maison Sybarite, fez a aposta de lançar uma linha completa de fragrâncias diferentes, luxuosas e ecológicas com base de água. A startup optou pela tecnologia de microemulsão (óleo em água), desenvolvida pelo laboratório AR2i.
As fragrâncias da Maison Sybarite realizam simbiose com a pele e oferecem uma experiência olfativa diferente. Para os perfumistas, essa tecnologia representa um novo desafio no desenvolvimento de fórmulas. “Foi um verdadeiro exercício para obter um resultado impactante e duradouro, já que a estabilidade e a performance dos ingredientes são diferentes”, explica o perfumista independente Antoine Lie. Outra vantagem do perfume com base de água: sua textura não é oleosa e nem pegajosa.
Outra solução são os “soft perfumes”, da empresa Sabé Masson, de Paris, que não contêm álcool, mas que nesse caso são perfumes sólidos, outro tipo de tecnologia.
Os perfumes moleculares da empresa Hermética também reivindicam a ausência de álcool nas fragrâncias baseadas na tecnologia molecular Innoscent, patente da Symrise, na qual as moléculas olfativas ocupam lugar de destaque em um suporte à base de água, revelando uma fragrância intensa e duradoura com propriedades hidratantes para a pele.
A marca americana de perfumes Nautica, da Coty, acaba de relançar uma fragrância masculina convenientemente nomeada Oceans baseada em um conceito inovador: a água. Nesse perfume é utilizada uma nova tecnologia que permite oferecer uma fragrância duradoura com base aquosa. A fragrância Oceans foi produzida em colaboração com a Mane USA, que imaginou uma microemulsão estável em meio aquoso.
A casa de perfumaria francesa Expressions Parfumées acaba de lançar no mercado uma tecnologia de fragrâncias sem álcool: Aqua Natco.
Podemos ver, por meio desses exemplos não exaustivos, que um borbulho de novas tecnologias está acontecendo e mudando o panorama da indústria da perfumaria. Isso nos permite pensar que uma alternativa às fragrâncias com base de álcool surgiu e está crescendo rapidamente.
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