Tricologia

Cabelos, pelos e o bem-estar

Maio/Junho 2022

Valcinir Bedin

colunistas@tecnopress-editora.com.br

Valcinir Bedin

Para a OMS, Organizao Mundial da Sade, a sade no pode ser definida apenas como a ausncia de doenas mas sim como o bem-estar biolgico, mental e social do indivduo. Partindo deste princpio, podemos computar como doentes pessoas que tenham alteraes nos pelos corporais e que no se sintam bem
com esta condio.

Se pensarmos apenas do ponto de vista biolgico, os nossos pelos no tm nenhuma funo fisiolgica vital, isto , podemos viver sem eles, mas, se pensarmos do ponto de vista emocional, veremos que eles tm um papel muito importante nas nossas vidas.

Todo mundo deve se lembrar da passagem bblica que conta a estria de Sanso, um juiz do povo hebreu durante a guerra contra os filisteus. Acreditava-se que ele tinha uma grande fora por conta de suas madeixas volumosas. Quando, para seu infortnio, caiu nas mos de seu inimigo, entregue por uma de suas filhas, chamada Dalila, teve seus cabelos cortados e, ento, sua fora desapareceu, sendo morto em seguida.

Existem relatos de receitas para fazer os cabelos crescerem na China 400 anos antes de Cristo, assim como no Egito, onde iniciou-se o hbito social de penteados diferentes para diferentes classes sociais e religiosas, sendo proibido para os no membros a sua utilizao.

Com o passar dos tempos, os cabelos sempre representaram classe social ou econmica. O povo viking apreciava muito suas madeixas, e era quase impossvel ser um guerreiro respeitvel sendo calvo!

O uso de perucas brancas comeou na poca do Renascimento na Europa. Elas eram polvilhadas com farinha de trigo e, aps o uso, tinham que ser deixadas sobre um suporte no qual se colocava um pote de mel para atrair os insetos que l se acumulavam. O uso de perucas brancas persiste at hoje nas cortes da Frana e da Inglaterra, por exemplo.

Os cortes de cabelo e os penteados acompanham o desenvolvimento das sociedades, tanto para os homens quanto para as mulheres. Ora a moda dita cabelos compridos, ora curtos.

Nos tempos modernos, percebemos que os focos podem ter mudado, mas o princpio continua o mesmo: a valorizao do penteado como representante de uma classe social, poltica ou econmica.

Um estudo feito nos Estados Unidos queria mostrar que percepo as pessoas tm dos indivduos calvos. Para isso, os pesquisadores saram s ruas com fotos de homens carecas e perguntaram aleatoriamente qual adjetivo o consulente daria para aquela pessoa. S ouviram adjetivos positivos, como ho- nesto, srio e trabalhador. Ao mesmo tempo, observaram que, no congresso nacional e no senado norte-americanos, no havia nenhum congressista calvo, e apenas trs presidentes americanos eram levemente calvos. A explicao mais plausvel foi que a populao associa a calvcie com idade avanada ou doena, o que faria com que os votos no fossem dados aos que no tm cabelos.

Quando falamos das mulheres, o quadro no diferente. A prestigiosa Universidade de Berkeley, na Califrnia, no seu departamento de psicologia, desenvolveu dois trabalhos interessantes. O primeiro mediu a intensidade da dor na perda dos cabelos e na perda de um ente querido. A perda dos cabelos revelou uma dor muito maior do que a segunda, mostrando o quo grave esta situao.

O segundo estudo at no parece srio. Foi chamado de Por que os homens preferem as loiras, e a concluso foi que as loiras mostram mais claramente quadros de anemia, manchas na pele e outras doenas que as morenas disfaram mais, fazendo com que os homens se sintam atavicamente atrados pelas loiras, pois parecem mais sinceras.Uma reproduo desse estudo foi levada a cabo pela televiso americana. Em um programa, uma atriz aparece num bar de solteiros e se posiciona na mesma situao em trs momentos diferentes, com uma peruca morena, outra ruiva e outra loira. O pesquisador ficou cronometrando o tempo at que ela fosse abordada por um dos frequentadores. Com a peruca loira, a atriz foi abordada quase que imediatamente e, com a morena, demorou mais de uma hora para receber o primeiro cumprimento.

O fato da cancie (embranquecimento dos fios) estar associada idade compreensvel, uma vez que normalmente ocorre nos mais idosos. Isso talvez justifique as coloraes cada vez mais frequentes, mas desde a Roma Antiga este hbito j existia, sendo o dourado a cor preferida.

Para finalizar, podemos falar do processo de depilao, que um hbito social, especialmente no Ocidente, mas no s. Tirar os pelos indesejados tornou-se to importante para algumas pessoas que at laser faz isso hoje em dia.

Como o objetivo dessa coluna estimular os leitores a busca- rem mais informaes sobre tricologia, sugiro que quem estiver interessado busque artigos sobre hbitos sociais, religiosos e econmicos.

Para todos que trabalham com pelos e cabelos, fica um conselho: nenhum estilo deve ser considerado fora do contexto. Nada que seja humano deve ser considerado estranho!



Outros Colunistas:

Deixe seu comentário

código captcha

Seja o Primeiro a comentar

Novos Produtos