Sustentabilidade

As fábricas sustentáveis

Maio/Junho 2022

Joana Marto

joanamarto@omesticsonline.com.br

Joana Marto

Hoje em dia, sabemos que a susten- tabilidade já está bastante presente em muitas fábricas de cosméticos. O estado de arte das fábricas está alinhado com a filosofia e os valores ecológicos da sustentabilidade na cosmética, e pode ser um símbolo realista da verdadeira ligação entre o espaço de trabalho/produção e o meio ambiente.

As práticas sustentáveis têm crescido exponencial-
mente nos últimos anos, como uma resposta às necessi- dades ambientais e financeiras dos países. As empresas já estão a adotar estratégias de sustentabilidade (mesmo que gradualmente!) nas suas práticas de produção, tendo como principal objetivo reduzir o consumo de água e energia e a produção de resíduos, e assim atingir a neutralidade de carbono.

Refletindo sobre as possíveis estratégias a serem utili- zadas para reduzir o impacto ambiental que a produção de um cosmético tem, a necessidade de reduzir o consumo de água destaca-se. Sendo assim, como podemos reduzir o consumo de água e otimizar todo o equipamento e os processos de fabricação que utilizam esse recurso, excluindo, obviamente, a água existente nos cosméticos?

O primeiro passo é a análise do consumo atual da água. Para isso, as empresas podem utilizar uma ferramenta waterscan nas suas fábricas para categorizar os tipos de água consumidos (se a água é usada para limpeza, em sanitários, em processos de resfriamento e aquecimento, etc.), identificar a quantidade de água consumida em cada categoria e estabelecer padrões.

Posteriormente, as empresas devem adotar medidas de reciclagem e reutilização da água. O ideal é tornar a fábrica “waterloop”, ou seja, reciclar e reutilizar a água por meio de sistemas sofisticados de tratamento desse recurso, para obter água de elevada qualidade. Assim, altera-se o consumo da água de um processo linear com contaminação crescente (tornando-se efluente), para um processo circular, no qual a água é reciclada e reutilizada.

Outra estratégia possível é a captação de água da chuva, que pode economizar até 75% no uso de água potável. Em ambos os casos, os sistemas de captação coletam, filtram e estocam a água em tanques de armazenamento, depois a redirecionam para outros fins, por exemplo, para ser usada na descarga de vasos sanitários e no funcionamento de sistemas de refrigeração e irrigação de terras.

Assim, quando toda a água industrial necessária para a produção (limpeza de equipamentos, produção de vapor, utilidades, entre outros fins) é inteiramente derivada de água capturada, reciclada e reutilizada in loco, a fábrica atinge o padrão “waterloop”. Para a produção de cos- méticos que precisam de resfriamento ou aquecimento durante a sua fabricação, o ideal é reutilizar a água, mas também optar por sistemas de circulação fechados. Esses sistemas vão garantir que a água que recircula nas tubulações será sempre a mesma e não entrará em contacto com o ar, evitando assim sua evaporação (eles não requerem água adicional para substituir a perda por evaporação), sua contaminação e, consequentemente, vão precisar de menos manutenção. No que diz respeito à limpeza, todos nós sabemos que a produção de cosméticos exige condições rigorosas de higiene e limpeza, e a verdade é que a maior parte da água consumida nas fábricas é utilizada na limpeza de equipamentos e superfícies. Mas há soluções para isso! A produção de lotes em campanha ou a produção em contínuo, ou até mesmo optar por um sistema de limpeza no local da produção, como jatos de água de alta pressão, que são mais eficientes e requerem menos água, são excelentes alternativas.

Cabe à indústria investir na implementação de pro- gramas de produção sustentáveis e nós sabemos que não devemos nos esquecer de que o mais pequeno gesto pode fazer a diferença, sendo esperado que as mais diversas empresas da área (desde as micro até as macroempresas) sigam esses exemplos e comecem a expandir e a modificar suas práticas.



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