Gestão em P&D

O bem-estar está no centro da identidade dos cosméticos

Maio/Junho 2022

Wallace Magalhães

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Wallace Magalhães

Se entendermos o bem-estar como sendo o estado no qual uma pessoa está saudável, bem-disposta, segura e pronta para ter uma vida proveitosa, ele seria o principal objetivo de todo produto classificado como HPPC. Temos que lembrar também que a manutenção da saúde pela prevenção do aparecimento de doenças também faz parte do compromisso funcional dos cosméticos e produtos de higiene pessoal. A pandemia mostrou isso com destaque para os produtos de higiene, mas ela é válida também para outros produtos, como os protetores solares, por exemplo. Se pensarmos bem, podemos ampliar essa mesma responsabilidade a vários outros produtos que, ao manterem a pele e os anexos em condições normais, evitam o aparecimento e o desenvolvimento de doenças oportunistas, além de manterem uma aparência que promova autoestima e aceitação nos grupos sociais. Somos uma espécie social, e essa aceitação, na grande maioria dos casos, é essencial para se ter uma vida plena. Aliás, abrir o leque da aceitação e apagar alguns preconceitos para não excluir tipos e comportamentos dessa aceitação deve ser um compromisso que todos devemos ter, seja como indivíduos ou como empresa. Felizmente, já vemos esse movimento ser feito por empresas de cosméticos em suas ações de publicidade, porém, ele deve ir além das mensagens publicitárias. Precisa haver desenvolvimento de tecnologia de produto para os casos em que isso é necessário, como, por exemplo, produtos para a pele negra.

Sabemos que o estado de espírito de uma pessoa afeta o seu desempenho fisiológico e, por consequência, o seu desem- penho físico e mental. Se o bem-estar é um estado de espírito positivo, o seu resultado na vida das pessoas será positivo em vários aspectos. Raciocínio, produtividade, capacidade de aprender, de resolver problemas e de enfrentar dificuldades ficarão potencializados. Sabemos também que haverá melhora na resposta imunológica e na capacidade de recuperação, inclusive em casos de quadros patológicos importantes. A lógica é simples. Se os produtos de HPPC têm a capacidade de promover o bem-estar, melhorar a qualidade de vida das pessoas e ainda evitar doenças, podemos dizer que são produtos indispensáveis à vida moderna. O que é estranho é que essa noção de importância e essencialidade ainda não está posta de maneira firme e clara na mentalidade de muitas pessoas, inclusive algumas da própria indústria de cosméticos. Quando se fala em consumidor, parece que o uso de cosméticos ainda acontece por instinto, vaidade ou até futilidade. Para entender melhor, faça o seguinte teste: feche os olhos e tente imaginar como seria a sua vida e a vida das pessoas que você conhece sem os cosméticos e produtos de higiene pessoal. Imaginou? Seria difícil, né? Esta é a lógica real do mercado. É aquilo que os papas do marketing chamam de “dor e desejo” e que eu, por questões pessoais, prefiro chamar de “necessidade e desejo”.

E o que o P&D tem a ver com isso? Tudo. Os cosméticos só têm todo esse valor e essa importância se cumprirem ade- quadamente aquilo que podemos chamar de tríade de ouro: “desenvolvimento-fabricação-uso”, ou seja, bem desenvol- vido, bem fabricado e bem usado, ou usado corretamente. Se o P&D falhar, não haverá conserto, toda a tríade estará comprometida. Para funcionar bem, o setor precisa estar estabelecido com estrutura adequada, abrangendo laborató- rio, pessoal e sistema de informação. Lembre-se de que tudo que as pessoas fazem no P&D começa e acaba no sistema de informação. E o que está no sistema de informação é o que será passado para os setores de Assuntos Regulatórios, Suprimentos, Produção e Qualidade. Descuidar dele é um risco enorme, uma temeridade.

Será necessário também investir no desenvolvimento de metodologias de verificação de eficácia e segurança para que as mensagens publicitárias e os textos de rotulagem não sejam somente falácias porque, se assim forem, o resultado será a desvalorização da marca. Um prejuízo e tanto. O desenvolvi- mento desses protocolos toma tempo e exige o reconhecimento do papel do P&D nos resultados do negócio pela direção da empresa e pelo próprio P&D. Para as empresas de pequeno e até de médio porte, existe uma dificuldade natural de perceber isso, o que acaba se transformando em outro fator de risco, mas isso tem que ser resolvido. Lembre-se: para o consumi- dor, o que interessa é a satisfação de suas expectativas, o que, tecnicamente, é resultado de um trabalho que começa inevi- tavelmente no P&D.



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