Gestão em P&D

Informação no P&D

Novembro/Dezembro 2020

Wallace Magalhães

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Wallace Magalhães

Ainda hoje, muita gente não percebeu que informação é a essência do P&D. Nenhuma empresa monta um laboratório nem contrata pessoal especializado para preparar e apresentar amostras. Seria muito caro. Obviamente, as amostras são absolutamente imprescindíveis na criação de um novo produto, mas elas formam o meio do processo. O que se espera do P&D é a geração de tecnologia suficiente para regularizar, produzir e comercializar um produto dentro das normas sanitárias, que atenda às necessidades do consumidor e que seja lucrativo para a empresa, e isto se concretiza como informação.

Assim, ao planejar um laboratório de P&D, além do espaço, do layout e dos equipamentos, é necessário incluir a estrutura da informação, que deve considerar obtenção, armazenamento, processamento, proteção, geração, hardware e software. Como em qualquer projeto, o primeiro passo é o dimensionamento. Tenho perguntado a vários profissionais de P&D: quantos documentos são gerados em uma linha com 100 produtos? As respostas não passam nem perto da realidade, sem falar da ‘cara de surpresa’ que todo mundo faz. O desconhecimento deste fato acaba criando um sistema operacional frágil, com alto risco e baixa eficiência pela grande possibilidade de perda ou alteração do conteúdo, como também desperdício de tempo técnico para gerar informação e documentos. Uma linha com 100 produtos gera mais de 4.000 documentos, sendo que aproximadamente 3.000 são obrigatórios. Em uma linha com 250 produtos, este número supera 10.000 documentos. E temos de lembrar que um documento é um bloco com vários dados. Se a estrutura não estiver bem planejada, será um caos, e um dos maiores problemas será a dispersão da informação, que acaba comprometendo boa parte do investimento no P&D. Não é possível calcular um valor modular para determinar o investimento em P&D por causa da grande variação de porte, equipamento, remuneração, custo de m2, entre outros fatores, mas para efeito de avaliação, em um cálculo rápido, um laboratório de P&D, com um técnico e um auxiliar, equipamento básico pode ter um custo anual em torno de R$ 200.000,00. O único jeito de preservar este investimento é preservando a informação gerada por ele.

Podemos dividir a execução de um projeto de P&D em três fases distintas.

Fase 1 – Planejamento: É a fase de pesquisa. É o ‘P’ do P&D. O objetivo é selecionar e avaliar ingredientes e definir os protocolos que serão usados. Deve gerar uma ou mais formulações de partida, com composição, modo de preparação e especificações, e que tenham sido submetidas à verificação de custo e adequação regulatória. Esta é uma fase só de informação, representada por livros e fichas técnicas, normas sanitárias, informações de mercado e briefing. Todos os ingredientes selecionados devem ser identificados, ter composição desdobrada e especificações registradas. Tem um alto grau de processamento de informações.

Fase 2 – Execução: É a fase de bancada. É o ‘D’ de P&D. É quando se executa o que foi planejado. Um trabalho de base tecnológica sem um planejamento bem feito não costuma dar bons resultados. Nela serão preparadas e avaliadas as amostras. Nesta fase também há geração de grande quantidade de dados. Só um estudo de estabilidade de um produto pode gerar mais de 500 resultados de análise na fase de desenvolvimento que, com os testes de prateleira, ultrapassam 600. Para 100 produtos, serão mais de 60.000 análises.

Fase 3 – Conclusão: Aqui são consolidadas todas as informações consideradas e geradas durante o trabalho. Devem estar organizadas sob a forma de dossiê, que deve ser montado à medida que o trabalho vai se desenvolvendo. A tarefa final é fazer uma última verificação.

Na realização do trabalho, a obtenção, o alinhamento e os desdobramentos das informações por processos manuais ou semiautomatizados, como é o caso das planilhas eletrônicas, consome aproximadamente 35% do tempo de cada profissional, ou seja, quase 8 dias por mês de cada um. Um percentual bem próximo foi obtido por uma empresa francesa, no mesmo tipo de estudo. Além de tornar o processo muito sujeito a erros e mais caro por causa do tempo, reduz a disponibilidade de pessoal para a realização de pesquisas mais consistentes e para o aprimoramento dos protocolos utilizados. Custo alto com baixa eficiência. E muita gente ainda acredita que o trabalho do P&D se resume quase que exclusivamente à Fase 2 e que a entrega é só a formulação. Um erro inaceitável para um especialista.



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