Temas Dermatológicos

Cabelo e hormônios

Setembro/Outubro 2020

Denise Steiner

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Denise Steiner

Temos cerca de 150 mil fios de cabelo no couro cabeludo que estão crescendo e caindo num ciclo constante durante toda nossa vida. Esses fios de cabelo estão localizados numa estrutura chamada folículo pilossebáceo, e dentro de cada folículo podemos ter de duas a quatro hastes capilares. Os fios de cabelo têm um ciclo caracterizado por três fases: anágena, que é a fase de crescimento; catágena, que é a fase de transição; e telógena, que é a fase de repouso.

A fase de crescimento, numa situação normal, dura cerca de quatro anos, enquanto a fase de transição dura semanas, e a fase de repouso dura cerca de dois a quatro meses.

Cerca de 85% dos cabelos localizados no couro cabeludo estão na fase anágena, e 15% estão entre as fases catágena e telógena.

O fi o de cabelo, quando entra na fase de transição e repouso, cai e volta a nascer, prosseguindo novamente na fase de crescimento. Esse ciclo persiste por toda a vida e pode ser alterado por doenças como anemia, hipertireoidismo e hipotireoidismo, regimes, remédios e também por variações hormonais e estresse.

Os hormônios mais importantes relacionados ao cabelo são os hormônios masculinos, chamados também de androgênios, conhecidos como testosterona e deidroepiandrosterona, entre outros.

Os hormônios da tireoide, quando baixos ou altos, também interferem na saúde do cabelo e no ciclo capilar.

O cortisol, que é um hormônio relacionado ao estresse, também interfere na qualidade do fio e nas mudanças do ciclo capilar.

Os hormônios androgênicos, que também chamamos de hormônios masculinos, estão envolvidos com a queda de cabelo chamada calvície.

Essa queda de cabelo é a mais prevalente, atingindo cerca de 80% dos homens e 40% das mulheres. Nos homens, a calvície tem um padrão bem conhecido, comprometendo as entradas e o vértex, enquanto nas mulheres ela é difusa, atingindo mais o topo da cabeça.

A calvície, tanto em homens quanto em mulheres, não acontecerá se não forem produzidos esses hormônios androgênicos. Os níveis de hormônios masculinos não estão aumentados na calvície, porém, quando a testosterona chega no folículo pilossebáceo, é transformada em di-hidrotestosterona e, após fazer uma ligação específi ca com receptores, entra no núcleo celular e provoca o afinamento e a queda do fio.

Há estudos que demonstram que mulheres com ovário policístico, quando os hormônios androgênicos estão aumentados, podem desenvolver a alopecia androgenética.

Outras doenças em que esses hormônios estão aumentados, como alteração congênita tardia da glândula adrenal e tumores do ovário, também podem causar alopecia androgenética.

O estresse intenso está relacionado com o aumento do hormônio denominado cortisol. Os níveis altos desse hormônio estimulam indiretamente os hormônios masculinos e a inflamação.

Quando muito estressados, a alopecia androgenética pode piorar, favorecendo também o excesso de oleosidade no couro cabeludo.

O cortisol, mantido em níveis altos por tempo prolongado, interfere na resistência e imunidade do indivíduo comprometido. Sendo assim, o organismo que tem uma gestão inteligente interrompe o ciclo capilar e ordena que fi os em fase anágena passem para a fase telógena. Por esse motivo, 2 a 3 meses depois do início do estresse, haverá uma perda capilar signifi cativa e assustadora. No entanto, é importante saber que os folículos capilares onde estão as raízes do fio de cabelo não estão caindo, mas somente a haste capilar, que depois voltará a crescer.

As mulheres, durante a gravidez, devido ao aumento dos hormônios femininos, melhoram a qualidade e a densidade do cabelo, além de apresentarem menos queda.

O cabelo fica mais cheio e brilhante e cai menos durante toda a gestação, porém cerca de 3 a 4 meses após o parto ele pode cair em grande quantidade. Isso acontece porque os hormônios femininos, que são protetores e benéficos, diminuem drasticamente no término da gestação.

Vemos, portanto, que em vários tipos de queda de cabelo a avaliação dos níveis hormonais no sangue será crucial para o diagnóstico e também a melhor escolha de tratamento.



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