Gestão em P&D

Cosméticos Y: oportunidades

Julho/Agosto 2020

Wallace Magalhães

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Wallace Magalhães

Na coluna da edição março/abril de 2014, apresentei os cosméticos como uma equação, a partir de uma correlação gráfi ca, mostrando o efeito de cosméticos, alimentos e medicamentos na qualidade de vida e na produtividade das pessoas.

Para quem não viu a publicação ou não se lembra dela, a ideia está resumida no gráfico* abaixo, no qual os pontos 1 e 2 representariam uma condição normal, 3 mostra a queda da qualidade e da produtividade causada por uma enfermidade, o segmento de reta 3-4 a recuperação por ação do medicamento, e do ponto 5 para 6 estaria demonstrada uma elevação promovida pelo uso de cosméticos.

A princípio, foi atribuída aos alimentos a função de manter a condição de vida normal, representada no gráfico pelos segmentos de reta 1-2 e 4-5. Foi aqui que ocorreu um equívoco importante. Na verdade, alguns produtos de HPPC, além da elevação da curva (5-6), são responsáveis pela manutenção da condição normal de saúde ao prevenirem o aparecimento de doenças, o que está sendo amplamente demonstrado na prevenção da contaminação pelo novo coronavírus.

Os sabonetes - principalmente os líquidos –, os antissépticos e até os shampoos assumiram um protagonismo que estava meio esquecido. Pode-se afi rmar, sem medo de errar, que os produtos de HPPC têm mesmo uma extensa faixa de benefícios, que vai da manutenção da saúde até a elevação da qualidade de vida das pessoas, contrariando os mal informados que ainda, no século XXI, acham que os produtos HPPC são produtos supérfl uos. E contrariando também alguns gestores da própria indústria, que ainda convivem com a ultrapassada mentalidade de que os cosméticos são vistos como itens que têm como maior, ou até único motivo de sua existência, a fi nalidade de gerar faturamento.

Assim, para reforçar sua importância, seria adequado destacar com denominação específica aqueles produtos de HPPC que têm impacto direto na saúde das pessoas. Eu os chamei de Cosméticos Y. Fazem parte deste grupo: os sabonetes e os antissépticos tópicos e, ainda, os cremes dentais, os enxaguatórios bucais e, obviamente, os protetores solares. E, se olharmos com um pouco mais de atenção, seria possível aceitar a inclusão dos hidratantes corporais – com destaque para os cremes para as mãos - dos anticaspa, dos antiacne, e até de produtos que melhoram a circulação sanguínea das pernas porque, de certa forma, podem corrigir situações que, por um possível agravamento, poderiam resultar no aparecimento de doenças.

Porém, aqui o foco está no primeiro grupo, e o objetivo é ressaltar, em todas as esferas, o caráter de essencialidade e demonstrar a importância estratégica destes produtos na saúde pública.

Espera-se que este protagonismo e esta classificação especial reforcem a absoluta necessidade de adoção de critérios científicos e mostre a toda a cadeia produtiva a inquestionável exigência de se observar todos os preceitos tecnológicos e regulatórios em seu desenvolvimento, na sua fabricação e comercialização.

Ao criar esta designação especial, lançando luz sobre estes produtos, mais do que defi nir, a ideia é destacar o momento atual como hora propícia para se questionar e até fazer evoluir a tecnologia empregada em seu desenvolvimento e na sua fabricação.

Parece ser ponto pacífico que, mesmo depois de equacionada e resolvida a atual situação de pandemia, o mercado deve manter e até criar novas demandas de produtos. As mãos devem exigir atenção especial. A lavagem constante e o uso de antisséptico à base de álcool, que devem perdurar no mercado pós-pandemia, vão exigir produtos hidratantes regeneradores de alto desempenho, que possam efetivamente recuperar a pele. Estes produtos têm muita chance de ser um grande sucesso de vendas. Mesmo que ainda não tenha se manifestado claramente, pode até ocorrer algo semelhante àquilo que foi chamado de ‘Efeito Batom’ - que provavelmente será chamado de ‘Efeito Rímel’ ou ‘Efeito Sombra’ –, que pode impulsionar a venda de produtos para os olhos.

Definições à parte, o que parece certo mesmo é que o mercado está passando por uma grande transformação envolvendo valores e expectativas, e isso deve exigir novos produtos e novas funcionalidades. Como o trabalho é demorado, melhor mesmo é ir adiantando o serviço.


*Gráfico disponível para visualização nas edições impressa e digital



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