Gestão em P&D

A digitalização no P&D

Maio/Junho 2019

Wallace Magalhães

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Wallace Magalhães

Parece que, defi nitivamente, uma digitalização ampla está chegando à indústria brasileira de cosméticos. Talvez um pouco tardiamente, mas antes tarde do que nunca. Mesmo porque, neste caso, ‘nunca’ não é mais uma possibilidade. A digitalização é uma questão de competitividade, de viabilizar crescimento ou, no mínimo, de garantir a sobrevivência.

Esta nova realidade vai alterar o ‘modus operandi’ de todos os setores da empresa, inclusive do P&D. Por isso, os gestores e técnicos desta área devem entender bem este processo. Não fará mais sentido ter uma conduta operacional analógica como é atualmente na maioria das empresas, porque ela já é ineficiente. Esta realidade define um novo requisito para o P&D. Não basta entender só de ingredientes e formulações. Há de se conhecer e saber conduzir trabalhos em formato digital.

Para o P&D, a digitalização é uma maneira muito adequada de operação porque pesquisa e desenvolvimento são atividades essencialmente tecnológicas. Para os técnicos brasileiros, que ainda hoje podem gastar até 40% do seu precioso tempo com operações que podem ser automatizadas, será um enorme avanço de eficiência - avanço que pode trazer a área de Assuntos Regulatórios a reboque. E espera-se que esta área, que hoje é muito operacional, possa se rearranjar em uma configuração mais estratégica, agregando mais valor à capacidade competitiva das empresas.

É razoável prever que as demandas de um mercado cada vez mais digitalizado irão refletir cada vez mais decisivamente na criação de novos produtos. Haverá exigência de formulações de alto desempenho, produtos ‘inteligentes’ e de baixo impacto ambiental. A pesquisa, os ensaios, testes e estudos terão que ser mais abrangentes e intensivos, e seus protocolos, mais tecnológicos e mais consistentes. Os estudos de eficácia passarão a ser mandatórios em todos os casos, porque é o que representa o desejo do consumidor. Segurança e estabilidade são obrigações óbvias e pré-requisitos para justifi car a entrada de um produto no mercado. Uma obviedade velada. Esta é a parte interna da história. Externamente, ainda há de se mostrar tudo isto ao consumidor, da forma mais honesta possível, para que seu contato com o produto seja, no mínimo, uma experiência agradável. Melhor se for encantadora e duradoura.

A digitalização traz enormes benefícios, tais como:

- Aumentar a eficiência ao mesmo tempo em que reduz custo

- Minimizar erros, eliminando definitivamente os erros comuns e de alto impacto;

- Facilitar a tomada de decisões estratégicas;

- Proteger a tecnologia desenvolvida em formato que facilita a evolução;

- Possibilitar aos técnicos mais tempo para estudar; Ou seja, é um sonho de consumo para qualquer negócio.

Como digitalizar? O processo é amplo e deve ser bem planejado, e é importante ressaltar os seguintes tópicos:

1. A digitalização já não é mais uma tendência, e sim: uma realidade, uma exigência, já totalmente consolidada em muitos setores da economia. Quanto mais cedo for implantada, mais cedo serão colhidos os seus benefícios.

2. A digitalização é uma mudança importante. Será necessário mudar a mentalidade, a cultura e alguns processos. Implica em sair temporariamente de uma possível zona de conforto.

3. A resistência que as pessoas normalmente têm a mudanças deve ser considerada e prontamente resolvida.

4. No início, haverá trabalho extra para todos. A ajuda de especialistas aqui é muito proveitosa.

5. Será necessária uma sistematização, que deve iniciar com mapeamento e revisão dos processos e procedimentos e com reavaliação até mesmo das regras de taxonomia e formação de códigos.

6. A sistematização que fundamenta a digitalização não pode deixar o ambiente ‘menos humano’. Sistematização e digitalização não significam ‘desumanizar’. É o contrário. Significam dar aos humanos a condição de realizar as atividades que só eles são capazes de realizar, só que com mais rapidez e com uma margem de acerto muito maior.

7. A digitalização voltada só para o mercado, sem a devida digitalização interna, é um risco muito alto, porque pode gerar uma discrepância tecnológica e uma disfunção operacional tão grandes, que repercutirá negativamente no contato com o mercado e os consumidores. Isto normalmente é fatal.

E mais: não será possível viabilizar um projeto de digitalização sem o comprometimento da alta direção da empresa, porque é um processo que não nasce espontaneamente. Precisa ser provocado e dirigido. Mas não se apavore: o resultado é altamente compensador.



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