Embale Certo

Principais análises no CQ de uma embalagem

Março/Abril 2019

Antonio Celso da Silva

colunistas@tecnopress-editora.com.br

Antonio Celso da Silva

Sempre me pergunto por que muitas empresas não fazem análise das suas embalagens no recebimento, mas não deixam de fazer nas matérias-primas.

É sabido que o preço da embalagem na maioria das vezes é maior que o produto (bulk). Os problemas de qualidade nas embalagens são maiores e mais frequentes do que nas matérias-primas. O prazo de entrega das embalagens é maior também se comparado com o das matérias-primas. Também comparativamente as embalagens ocupam maior espaço no estoque. As análises de matérias-primas são mais complexas do que as de embalagem. O custo para montagem de um laboratório químico é infinitamente maior do que para montar um laboratório para análise de embalagem.

Acho que resumidamente expressei o porquê da minha dúvida.

Na verdade, só me restam como respostas: a carência de profissionais competentes e não “paraquedistas” na área de embalagem para fazer esse trabalho; a falta de legislação específica da Anvisa para embalagens cosméticas; e a falta de fiscalização nessa área, o que não acontece num laboratório químico. Para uma empresa se estabelecer como fábrica, é obrigatório ter um laboratório químico, mas não é obrigatório ter um que seja destinado a embalagens. Finalmente, o desconhecimento por parte dos donos de empresas, principalmente de pequeno e médio porte, da importância da embalagem num produto cosmético.

Mas, então, quais são os principais testes necessários que se deve fazer numa embalagem no recebimento do lote?

Primeiramente, temos que lembrar que existem testes que são feitos no recebimento e os testes que são feitos durante a fase do desenvolvimento do produto, como, por exemplo, o teste de compatibilidade embalagem/produto. Esse teste é feito obrigatoriamente quando já se tem a fórmula do produto e o material da embalagem definidos. Ele serve para detectar possíveis problemas de incompatibilidade entre a embalagem e o produto nas diversas condições de temperatura (geladeira, estufa, ambiente, janela) e armazenamento (estoque, prateleira, gôndola, vitrine, gavetas, banheiro, etc.).

Os testes nas embalagens são divididos basicamente em duas famílias: a inspeção visual, também chamada de atributos, e a inspeção dimensional.

Na inspeção em que se avalia o dimensional, não há dúvida sobre o resultado de aprovação ou reprovação, pois se trata de medidas que, se estiverem fora do especificado, o lote estará reprovado, respeitando obviamente o NQA (nível de qualidade aceitável).

Na inspeção por atributos, isso não acontece e, muitas vezes, depende do ponto de vista do técnico com relação ao defeito encontrado.

Desta forma, podemos dividir aqui os principais testes aplicados em relação a atributos e dimensional.

- Atributos: aspecto geral, tipo do material, erro no texto, cor da embalagem, cor ou cores das gravações, sujeira, borrados, manchados, colagem, resistência ao produto, stress, teste de queda, scotch teste, pontos pretos, falhas no texto, ponto de injeção saliente/cortante, funcionamento, acoplamento etc.

Obviamente que, dependendo da família da embalagem, alguns desses testes se aplicam, outros não. Com isso, uma especificação técnica não é igual a outra em função da família à qual a embalagem pertence.

- Dimensional: altura total, altura de gargalo, largura, profundidade, diâmetro interno, espessura, peso, volume bg (base do gargalo), volume of (over flow) etc.

É importante fazer todos os testes especifi cados em cada tipo de embalagem, porém dar especial atenção ao teste que observa a finalidade principal da embalagem como, por exemplo, num rótulo, a adesividade e o corte/vinco do liner são fundamentais, sob pena do lote sofrer uma reprovação por defeitos críticos se esses parâmetros não estiverem perfeitos. Numa válvula, o fundamental é o funcionamento perfeito, pois o não funcionamento é considerado também defeito crítico. Esclarecendo que o defeito crítico reprova o lote com poucas quantidades de peças defeituosas dentro da amostragem, dependendo obviamente do NQA adotado pela empresa para esse defeito. Numa tampa, o mais importante é a vedação, o que significa que testes dimensionais tanto da tampa quanto do gargalo do frasco mandatoriamente não podem estar fora do especificado. Num estojo de blush ou de sombra, o fechamento perfeito é essencial. Num frasco plástico, a espessura das paredes é o mais importante, principalmente nos pontos críticos. E assim para outras famílias. Um técnico experiente sabe exatamente onde podem ocorrer esses problemas, numa inspeção.

É importante ressaltar que não existem normas oficiais que obriguem ou dispensem a empresa de fazer esses
testes, porém existe a necessidade da empresa ter a melhor embalagem tanto no aspecto dimensional quanto no visual.

Não adianta ter o melhor produto se a roupa que ele veste não for altamente compatível.



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