Tricologia

Células-tronco e tricologia

Novembro/Dezembro 2013

Valcinir Bedin

colunistas@tecnopress-editora.com.br

Valcinir Bedin

Existem dois tipos de clula-tronco: as embrionrias e as adultas.

As clulas-tronco chamadas de embrionrias surgem nos primeiros dias do desenvolvimento de um embrio e tm potencial para se diferenciar ou se especializar em cada um dos 200 tipos de tecido do corpo.

As clulas-tronco adultas so clulas no especializadas encontradas em tecidos de todo o corpo, incluindo a medula ssea, a pele e o pncreas. Elas podem reproduzir-se, assim como dar origem a todas as clulas dos tipos de tecido em que se encontram. Os cientistas esto trabalhando para aproveitar as propriedades naturais das clulas-tronco com o objetivo de desenvolver formas de reparar ou substituir as clulas dos tecidos e dos rgos danificados.

difcil localizar as clulas-tronco. Saber o nmero de clulas-tronco permite que os investigadores procurem molculas de superfcie ou marcadores que distinguem as clulas-tronco de clulas especializadas.

Usando um ensaio de clulas-tronco da pele, pesquisadores descobriram que a camada inferior da pele, chamada epiderme basal, tem o mesmo nmero das clulas-tronco encontradas na medula ssea: cerca de 1 em cada 10.000 clulas. O isolamento de clulas-tronco da pele poder permitir o tratamento de feridas, incluindo queimaduras, por meio do transplante dessas clulas diretamente para a rea danificada.

Alm disso, o isolamento das clulas-tronco da epiderme permitir que os investigadores possam compreender o processo pelo qual as clulas da pele se diferenciam e, uma vez que o cncer de pele se origina provavelmente em clulas-tronco, conhecer melhor esse problema.

Baseando-se nos dados atuais, nossa hiptese que a pele, tanto clulas epidrmicas quanto tecidos drmicos, podem servir como um reservatrio de clulas-tronco.

Dada a sua fcil acessibilidade, as clulas-tronco da pele no s podero proporcionar um modelo experimental para a biologia da pele, mas tambm fornecer um modelo experimental para estudar a interao epitlio-mesnquima de vrios outros rgos. As populaes de clulas estaminais em tecidos da pele podero ter implicaes teraputicas extensas na substituio de pele e servir como uma fonte alternativa de clulas estaminais para muitos outros rgos.

H numerosos estudos que visam determinar se melancitos (ativos ou inativos) ou clulas com potencial melanognico (melanoblastos e clulas-tronco) so residentes em leses de vitiligo. A resposta a essa questo permanece ambgua e alguns estudos relatam a completa ausncia de clulas de natureza melanoctica, enquanto outros relatam a presena de clulas que podem ser cultivadas. Uma abordagem racional desse problema seria a tentativa de estabelecer com maior preciso o grau de perda de melancitos e usar esse resultado para orientar o clnico a realizar a terapia mais adequada.

As clulas-tronco desempenham papel crtico na manuteno do tecido normal, e mutaes nessas clulas pode dar origem ao cncer. Na esttica, o futuro das clulas-tronco reside na rea de produo de novas clulas produtoras de colgeno e elastina.

Possivelmente, sero retiradas as clulas-tronco que do origem a essas fibras, e, aps essas clulas serem cultivadas, sero reimplantadas nos locais em que sejam necessrias, como rugas, sulcos e cicatrizes.

Clulas do cabelo e do folculo da pele, tanto na derme quanto na epiderme, so consideradas clulas-tronco, pois podem sofrer diferenciao para gerar linhagens de clulas mltiplas. Na anatomia do folculo piloso existe uma rea chamada bulge, na qual se acredita que residam queratincitos com capacidade de reproduzir e estimular novas clulas. Essas clulas so responsveis pelo ciclo capilar e, portanto, estruturas essenciais para a concretizao da ideia de criar um banco de folculos que podero, em um futuro prximo, ser responsveis por transplantes de cabelo em pacientes com rea doadora muito exgua.

Muito recentemente, tivemos a notcia de que, nos Estados Unidos, um grupo de tricologistas conseguiu reproduzir, em ratos, folculos pilosos humanos que antes teriam sido colocados em pele humana (entre a derme e a epiderme). O conjunto desses folculos foi enxertado nos ratos. Essa outra tcnica que poder ajudar pacientes com pouca rea doadora. Mas, infelizmente, nenhuma das tcnicas citadas so passveis de ser usadas em seres humanos.



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