Boas Prticas

BPFeC e as Normas ISO

Maro/Abril 2010

Carlos Alberto Trevisan

colunistas@tecnopress-editora.com.br

Carlos Alberto Trevisan

Estabelecer uma sistemtica para o controle de documentos requeridos pela implantao das Boas Prticas de Fabricao e Controle (BPFeC) uma das grandes dificuldades encontradas nas empresas.

Aps a implantao (que ocorre em geral depois de muitas tentativas), verifica-se que a metodologia constante no sistema de Gesto da Qualidade das Normas ISO possibilita, com grande segurana, ganho de tempo na preparao dos documentos, numa implantao com excelentes resultados. Muitos podem argumentar que as normas ISO, em face de sua forma de estruturao rgida, delimitam a maneira e o modo de redao, e tambm pe duvida necessidade da formalizao dos documentos.

Em consequncia, obrigaria que grande nmero de documentos fossem emitidos, apenas em observncia s referidas normas, muitas vezes desnecessrios em funo da natureza das atividades da empresa.

Nossa experincia mostra que, ao seguir com bom senso as recomendaes dessas normas, os colaboradores da empresa sentiro mais confiana para preparar e controlar os documentos.

No incio da implantao, o grande volume de trabalhos a serem realizados provoca at certo temor nos colaboradores, por causa da insegurana ou do desconhecimento de como faz-los ou mesmo por no acreditarem que seja efetivamente vivel sua execuo.

Um dos fatores que colabora para essa situao, que, na maioria das vezes, a direo da empresa tambm demonstra insegurana quando se comunica com os colaboradores sobre a definio exata do propsito da implantao.

A situao mais comum, e que deve ser totalmente evitada, a liderana do processo, seja realizada pela direo da empresa ou por seu representante, demonstrar que desconhece o objetivo do que est sendo implantado ou, ainda pior, emitir opinio contrria ao projeto.

Quando observamos os processos de implantao, verificamos que o desconhecimento ao descrev-los traz insegurana ao emissor, e esta em parte tambm agravada pelo temor que ele pode ter que, ao descrev-los com exatido, estar transferindo a outros seu conhecimento e, portanto, colocando em risco sua prpria posio ou funo.

Pesquisa realizada pela ASQ (sigla em ingls para American Society for Quality), em vrias empresas que implantaram processos de BPFeC e de Certificao ISO, indicou que uma das razes pelas quais o tempo de implantao dos processos se alonga, em 60% dos casos, a relutncia dos responsveis na emisso de processos.

Outra das razes, responsvel por 25% dos casos, a duplicidade ou a triplicidade de documentos devido ausncia de uma coordenao exclusiva para tal fim.

A partir desses exemplos, podemos considerar que a sistemtica ISO para a elaborao e o controle dos documentos possibilita que algumas das causas citadas sejam eliminadas totalmente ou, pelo menos, tenham seus efeitos minimizados.

A sequncia na elaborao, reviso e aprovao dos documentos, quando so observadas as instrues das normas, se efetivamente seguida garante que nada ser esquecido nem emitido em duplicidade ou triplicidade.

Outra grande vantagem da utilizao das recomendaes das normas que quanto mais os colaboradores as praticam, mais segurana adquirem, chegando ao ponto de antecipar atividades relativas ao cronograma previamente estabelecido.

Eu gostaria, porm, de ressaltar que essa interao entre as BPFeC e as normas ISO no realizada com a excluso de uma das duas, mas sim h uma simbiose entre ambas. As BPFeC so muito mais abrangentes na prtica da qualidade, quando comparadas Certificao ISO isoladamente.



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