Boas Prticas

Acidente da Qualidade

Novembro/Dezembro 2009

Carlos Alberto Trevisan

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Carlos Alberto Trevisan

Nas atividades de consultoria, participei de uma reunio para avaliar a situao da Qualidade em empresa do setor, tendo em vista que o volume de no conformidades constatadas pelo cliente apresentava crescimento anormal. Seguindo metodologia tradicional para avaliar o processo da Qualidade, inicio o meu trabalho aplicando conhecida ferramenta grfica que o diagrama de Ishikawa, tambm conhecido como diagrama de causa e efeito ou espinha de peixe, proposto pelo engenheiro-qumico japons Kaoru Ishikawa, em 1943.

Com esse diagrama pode-se elencar, na ordem de importncia, as condies potenciais de gerar no conformidades, bem como os efeitos sobre a qualidade final dos produtos. Isso similar ao que se comenta sobre os acidentes areos, que nunca acontecem por causa nica, mas sim devido a um acmulo de causas potenciais que convergem para um mesmo efeito.

No caso em foco, pude relacionar vrias causas potencias:

a) Inexistncia de procedimentos claros e atualizados de fabricao dos produtos. Nos casos em que existiam, eles eram ostensivamente desrespeitados pelos manipuladores. Esse desrespeito se dava na alterao de documentos com anotao de ingredientes no adicionados aos lotes e/ou adio em quantidades diferentes das indicadas na formulao.

b) Inexistncia de documentao e informaes confiveis quanto s quantidades de insumos utilizados em substituies emergenciais, nas quais no era avaliada a efetiva similaridade entre os insumos, especialmente os ativos. Nesse caso verdico, confirmei os fatos entrevistando colaboradores da rea de desenvolvimento, manipuladores e inspetores do controle de qualidade.

c) Havia sobrecarga de atividade na rea da Qualidade. Por razes de reduo de custos houve diminuio do nmero de pessoas e as que permaneceram receberam mais atribuies. Trata-se do denominado efeito elstico, esticar para ver quando arrebenta.

d) Outra causa era decorrente do conceito de que produo tem prioridade sobre qualquer outro objetivo, acarretando, por exemplo, a despreocupao com o comportamento, as condies ambientais e a manuteno.

e) Completa dissociao entre os vrios setores da empresa. Imperava o axioma de que a Qualidade era de responsabilidade do departamento de Controle de Qualidade, o que servia como justificativa para a inoperncia e a irresponsabilidade dos demais setores.

f) Desconhecimento ou desinteresse por hbitos de higiene e limpeza, e ausncia de monitoramento microbiolgico.

g) Inexistncia de sistema para avaliao de reclamaes e/ ou sugestes dos clientes.

h) Controle de qualidade nominal e no efetivo.

Portanto, com todas essas condies potenciais de no conformidade houve necessidade de realizar um trabalho rduo para evitar que a empresa protagonizasse uma tragdia, como a de um grande acidente areo.



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