Tricologia

Conservantes e a polêmica dos parabenos

Janeiro/Fevereiro 2020

Valcinir Bedin

colunistas@tecnopress-editora.com.br

Valcinir Bedin

Como os produtos cosmticos tm gua em abundncia e outros nutrientes, so potenciais criadouros de microrganismos. Os conservantes agem como antimicrobianos para impedir o crescimento de fungos, leveduras e bactrias. Eles so essenciais para garantir estabilidade, odor, aparncia e textura e prolongar a vida til de nossos produtos. Mais ainda: so importantes para a segurana do consumidor. Estes conservantes so geralmente eficazes em nveis muito baixos (0,1-0,5% em peso).

Existem muitas opes para conservantes, sendo os sintticos os mais baratos e eficazes. Os pesquisadores esto agora buscando opes mais naturais por causa de todos os problemas de sade nos ltimos anos.

Os conservantes naturais no so to populares porque so mais caros, e qualquer um deles no eficiente por si s contra os diferentes tipos de bactrias, fungos etc. Seu escopo de proteo limitado.

Os parabenos so uma famlia de ingredientes amplamente encontrados na natureza, especialmente em frutas. Eles so steres do cido para-hidroxibenzoico e incluem o metilparabeno E218 e o propilparabeno E216. Esses compostos e seus sais tm sido utilizados desde o incio da dcada de 1920 como conservantes de amplo espectro em alimentos e produtos para a pele, pois possuem excelentes propriedades bactericidas e fungicidas. Estudos mostram que parabenos esto presentes em alimentos a um nvel de cerca de 600 ppm. Embora os conservantes parabenos sejam criados sinteticamente (seria muito caro extrair as pequenas quantidades encontradas nos alimentos), os compostos so idnticos natureza.

Ao contrrio de alguns outros sistemas conservantes, os parabenos tm longa histria de segurana estabelecida e so altamente eficazes - motivo pelo qual so to amplamente utilizados nas indstrias alimentcia, farmacutica e de beleza. Eles so considerados seguros devido sua baixa toxicidade, alm de serem rapidamente metabolizados e excretados quando ingeridos em alimentos: ou seja, no se acumulam nem so armazenados nos tecidos do corpo. Os traos dos produtos de decomposio dos parabenos so normalmente encontrados na urina de pessoas saudveis, pois so um subproduto natural do aminocido tirosina (encontrado em muitos alimentos e alguns suplementos alimentares saudveis), sendo decompostos pelo processo digestivo. Estudos mostram que a presena de parabenos e seus produtos de decomposio na urina perfeitamente normal, e os parabenos podem estar l como resultado de alimentos e no necessariamente da absoro pela pele dos produtos aplicados. Longe de ser perigoso, o principal precursor do cido 4-hidroxibenzoico dos parabenos tambm um precursor das ubiquinonas (Coenzima Q10). Na pele, os parabenos geralmente no irritam e no sensibilizam, a menos que voc tenha uma alergia especfica a parabenos.

A razo para a m reputao vem tanto da interpretao errnea quanto de estudos cientficos falhos: um estudo realizado pelo Dr. Routledge, em 1998, relatou atividade estrognica leve em alguns steres de parabenos (nenhuma atividade foi descoberta no metilparabeno). No entanto, a atividade era muito fraca, quase indetectvel, 100.000 vezes mais fraca que o estradiol (o padro de referncia contra o qual toda a atividade estrognica medida). Sabe-se que alguns estrognios aumentam o crescimento de tumores, embora esse no seja o caso aqui, pois a atividade mutagnica dos estrognios depende de diferentes qumicos dos radicais livres. No entanto, este primeiro estudo levou a trabalhos adicionais de pesquisadores que tentaram encontrar parabenos no tecido do cncer de mama. A razo para este estudo foi que os pesquisadores acreditavam que os parabenos estavam presentes na maioria dos desodorantes e antitranspirantes. De fato, os parabenos no so e nunca foram ingredientes na grande maioria dos produtos de higiene das axilas.

Esses pesquisadores descobriram traos de parabenos em um estudo de 20 tecidos de cncer de mama. No entanto, parabenos tambm foram encontrados nos controles - na verdade, um dos controles continha mais parabenos totais do que 12 das amostras de tecido, e o segundo mais alto continha mais parabenos que nove das amostras de tecido. Assim, parabenos estavam presentes nas amostras de tecido de cncer de mama e nos controles.

Revises posteriores deste estudo agora concluem que a presena de parabenos nos tecidos tumorais provavelmente veio da contaminao do aparato de laboratrio usado no estudo.

Essa a desinformao e a mitologia que cercam os parabenos como ingredientes que, em produtos para a pele, alguns rtulos informam livres de parabenos, como se isso fosse uma virtude. Isso destaca os perigos para os consumidores de algumas empresas que do suporte a informaes imprecisas.

O importante que o formulador consciente procure obter todas as informaes necessrias para criar uma massa crtica antes de escolher qual conservante vai usar no seu produto.



Outros Colunistas:

Deixe seu comentário

código captcha

Seja o Primeiro a comentar

Novos Produtos