Boas Prticas

Para não esquecer

Maio/Junho 2018

Carlos Alberto Trevisan

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Carlos Alberto Trevisan

Foi uma decepo quando, durante recente auditoria de qualificao de uma empresa, fui surpreendido pela existncia de procedimentos e atividades que em nada reproduziam a realidade. Isso me motivou a tratar desse assunto nesta coluna.

Voc leitor pode argumentar que, em geral, o que ocorre isso mesmo - muitas empresas praticam atos diferente do que os descritos em seus procedimentos operacionais.

Embora eu concorde com essa afirmativa, devo esclarecer que, por ter se passado muito tempo da publicao da portaria n 348/97 e da n RDC 48/13, no considero aceitvel que isso ainda acontea.

Por que cito essa portaria e essa resoluo?

Porque de se supor que, decorridos tantos anos da publicao (da portaria, so mais de vinte), as empresas j estivessem seguindo o que foi estabelecido por essas regulaes, mas, infelizmente, poucas empresas efetivamente se preocupam com essas obrigaes legais.

importante que sempre nos lembremos de um princpio bsico da qualidade: O que no se registrou, no aconteceu.

Quando me refiro ao termo registro da informao, deve-se considerar que no basta registrar a informao, mas sim ter certeza absoluta de sua veracidade e exatido.

Durante a auditoria a que me referi inicialmente, na etapa de conferncia dos procedimentos em uso e das atividades realmente executadas pela empresa, verifiquei muitas no conformidades, entre as quais destaco:

- Divergncia entre a capacidade real do equipamento e a capacidade especificada para o uso.

- Divergncia entre o equipamento citado no procedimento e o equipamento que estava efetivamente sendo usado.

- Divergncia entre as atividades descritas no procedimento e as que eram efetivamente praticadas.

- Divergncia entre as informaes constantes nos relatrios e as que realmente resultavam das atividades.

- Divergncias entre os procedimentos de higiene e os que eram praticados pelos colaboradores.

- Desconhecimento, pelos gerentes, supervisores, encarregados etc., dos procedimentos que estavam em vigor e dos que deveriam ser seguidos pelos responsveis por implant-los.

- Desconhecimento, pelos membros do controle de qualidade, de suas efetivas responsabilidades, o que, muitas vezes, resultava devido a inexistncia de procedimentos formais.

- Inexistncia de especificaes para a efetiva ao de controle de qualidade.

Repito que essas no conformidades eram apenas algumas das muitas encontradas durante minha auditoria.

Um fator que penso ser primordial para que essa situao seja aos poucos modificada para melhor que as empresas contratantes de servios passem a dar maior importncia ao processo de qualificao.

Apenas para informar, nos ltimos 25 processos de qualificao que realizei, apenas 6 foram aprovados. Os demais foram aprovados parcialmente, com reservas, ou foram simplesmente desqualificados.

Muitos podero considerar que a metodologia da qualificao foi muito restritiva nesse caso, mas devo informar que os critrios adotados, como recomendvel, foram estabelecidos pelas empresas contratantes.

A razo desse alto ndice de insucesso o completo desconhecimento, pelas empresas, dos conceitos da qualidade em todos os seus nveis.

Grande parte das atividades nas organizaes executada sem que exista preocupao com a efetiva prtica da qualidade, o que, em muitos casos, resulta do desconhecimento de seus princpios.

Existe um documento que informa sobre quais so os princpios da qualidade adotados pela empresa. Esse documento deveria ser fornecido aos novos contratados e at mesmo aos efetivos, e avaliado por eles. Essa falta a principal causa que impossibilita a obteno de produtos e servios que atendam, com qualidade, as expectativas dos clientes, os quais so a razo da existncia da empresa.



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