Boas Prticas

Qualidade assegurada e as BPFeCs

Julho/Agosto 2009

Carlos Alberto Trevisan

colunistas@tecnopress-editora.com.br

Carlos Alberto Trevisan

Na implantao de processos de Boas Prticas de Fabricao e Controle e Gesto da Qualidade, recorrente se defrontar com a ausncia de elevada quantidade de informaes, imprescindveis para a gesto de qualquer processo de qualidade. Entre essas informaes, podem ser citadas: especificaes, metodologia de anlise, critrios de aceitao, dados de fornecimento com os respectivos controles etc.

O leitor poder considerar que estas constataes so resultado de uma avaliao extremamente ortodoxa, com relao aos conceitos da Qualidade, mas gostaria de lembr-lo de que independentemente de qual seja processo da Qualidade, o que no foi registrado no aconteceu. Quando questionadas sobre este fato, as empresas argumentam que utilizam o critrio de Qualidade Assegurada para a aceitao de quase 100% dos insumos de embalagem e, na maioria delas, na totalidade das matrias-primas.

Este fato causa grande preocupao, pois, nesses casos, o conceito de Qualidade Assegurada est sendo aplicado de forma totalmente equivocada uma vez que a empresa no dispe de um dos recursos mnimos e necessrios para a sua implantao, ou seja, as metodologias de avaliao da qualidade dos materiais enviados por seus fornecedores. O regime de Qualidade Assegurada, por definio, atribudo ao fornecedor cujos materiais ou produtos j sofreram o processo de qualificao e esto aptos a serem recebidos, mediante certificao de ensaios, dispensandose a inspeo de recebimento.

Portanto, a Qualidade Assegurada resultado de qualificao prvia do fornecedor, o qual poder enviar os materiais juntamente com um documento denominado Certificado de Anlise. Esse procedimento diferente da aceitao incondicional.

Ao notar que empresa se defronta com no-conformidades de insumos, em geral no momento de sua utilizao na produo (em obedincia ao principal axioma da Lei de Murphy), proponho que se verifique as possveis causas que, em sua maioria, so decorrentes da ausncia de inspeo quando do recebimento desses materiais.

Outro comentrio que julgo procedente se refere aos procedimentos de avaliao na entrada, quando existem, pois muitos no possibilitam uma avaliao adequada, consistente e que gere um laudo analtico confivel.

Em muitos casos, a forma de avaliao totalmente incompatvel com a quantidade recebida, com a forma de coleta da amostra e com os critrios objetivos para a execuo da anlise.

Aqui, vale a pena citar, como exemplo para as matrias-primas, os parmetros cor, odor e aparncia que podem ser considerados subjetivos se no existirem padres para comparao.

Apenas como lembrete, ressalto uma frase de um dos papas da Qualidade, J. M. Juran: No existe controle sem padronizao.

Quando questiono meus clientes, alguns argumentam que o fornecedor sempre entregou com qualidade; entretanto, por no disporem de documentao vlida para que as citadas entregas possam ser consideradas na qualidade desejada, no sabem avaliar a eficincia desse sistema. O fato que, ao se realizar uma coleta de dados das noconformidades, decorrentes da ausncia de controle, o empresrio vai constatar o enorme ndice de refugo, as constantes interrupes na linha de produo, o uso intenso de mo-de-obra para retrabalho etc.

O exemplo aplicado tanto para matrias-primas como para componentes de embalagem, dos quais muitas vezes se controlam parmetros dissociados das implicaes na linha de produo ou na funcionalidade do produto acabado. Ressalto que no simples aplicar ferramentas estatsticas para assegurar a Qualidade, mas a perfeita parceria entre cliente-fornecedor, baseada no efetivo entendimento, sem dvida, muito mais eficaz.



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