Óleos Essenciais

Erica Franquilino

A essência do equilíbrio

Mercado

Pureza

Propriedades

Aromaterapia

 

Edição Temática Digital - Janeiro de 2026 - Nº 94 - Ano 21

 

 

A essência do equilíbrio

 

De remédios ancestrais a protagonistas da indústria bilionária de bem-estar, os óleos essenciais vivem um renascimento global. Essas substâncias transcendem o universo dos perfumes e se consolidam como uma resposta natural à crescente demanda por saúde e qualidade de vida, com propriedades que vão do relaxamento profundo à ação antibacteriana.

 

Os óleos essenciais são substâncias naturais, odoríferas, concentradas e altamente voláteis, extraídas de diversas partes das plantas, como flores, folhas, cascas, raízes e sementes. Eles também são conhecidos como óleos voláteis, óleos etéreos ou essências e consistem numa mistura de substâncias sólidas, líquidas e outras voláteis, quimicamente complexas e variáveis na sua composição.

 

Eles estão naturalmente presentes na maioria das plantas, em quantidades ínfimas, e são utilizados pela planta para se defender de adversidades, como as relacionadas à temperatura e ao ataque de pragas, e para atrair insetos polinizadores. Somente as plantas aromáticas produzem grandes quantidades de óleos essenciais.

 

 

Essas substâncias são constituídas em maior parte por metabólitos secundários (sintetizados pelas plantas a partir dos metabólitos primários). A maior e mais diversa classe de metabólitos secundários são os terpenos e os compostos oxigenados derivados deles. Os terpenos, ou terpenoides, são uma grande classe de compostos orgânicos encontrados em plantas.

 

Eles constituem a principal classe de componentes químicos em óleos essenciais, sendo responsáveis pelo odor e sabor característicos de uma vasta gama de plantas, incluindo pinheiros, frutas cítricas e muitas flores. A sua volatilidade é o que permite que o aroma se disperse facilmente no ar e interaja diretamente com os sensores olfativos do nariz.

 

Os tipos de compostos aromáticos voláteis presentes em um óleo essencial determinam o aroma e os benefícios que ele oferece. A composição do óleo essencial ainda pode variar de acordo com a estação, a localização geográfica, o método e a duração da destilação, o ano de cultivo e o clima, tornando cada passo do processo de produção um determinante crítico da qualidade geral do produto.

 

Os óleos essenciais são amplamente utilizados em produtos cosméticos, perfumes, produtos de limpeza, ambientadores e na indústria alimentícia, bem como recurso terapêutico na aromaterapia. São conhecidos por terem propriedades relaxantes, estimulantes, antissépticas, bactericidas, descongestionantes, calmantes, antiespasmódicas e anti-inflamatórias.

 

Plantas aromáticas e óleos essenciais são utilizados ao longo da história da humanidade para saborizar comidas e bebidas, disfarçar odores desagradáveis, favorecer a atração e influenciar o bem-estar de seres humanos e animais.

 

A crescente demanda por terapias naturais nos últimos anos é um dos fatores que explicam o avanço da popularidade dos óleos essenciais. Um estudo da Fiocruz revelou que, em 2020, 61,7% da população brasileira buscou terapias alternativas em sua rotina de autocuidado, especialmente durante a pandemia de covid-19.

 

A produção de óleos essenciais envolve uma cadeia produtiva relativamente complexa, que tem início na produção de sementes ou mudas, passa pelo cultivo das plantas aromáticas e chega à extração e comercialização dos óleos. O perfil dos produtores de plantas aromáticas no Brasil é diversificado, abrangendo desde grandes indústrias (especialmente de cítricos) até pequenos agricultores, com destaque para regiões tradicionais no Sul e no Sudeste.

 

Após a colheita, as plantas passam pelo processo de extração do óleo essencial. Dependendo do tipo de planta e do método de extração utilizado, o processo pode durar horas ou até dias. A destilação a vapor é uma das técnicas mais utilizadas.

 

 

“Os óleos essenciais são obtidos por destilação por arraste de vapor das flores, folhas e ramos, cascas e raízes das plantas. Outros métodos diferentes podem ser usados, dependendo da planta e do uso final. Dentre os óleos obtidos de raízes, temos como exemplos os de vetivert e angélica”, diz a engenheira química Caren Frizzo, doutora na área de óleos essenciais, técnicas extrativas e análises por cromatografia gasosa-espectrometria de massas.

 

 

Os principais processos de extração são:

 

 

 

Mercado

 

O Brasil exportou US$ 476,6 milhões em óleos essenciais em 2023, com destaque para os de laranja, limão e lavanda. Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, no primeiro semestre de 2024, as vendas externas alcançaram US$ 331 milhões, uma alta de 17,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior, que registrou US$ 282 milhões.

 

 

O país importa óleos essenciais como os de melaleuca, hortelã-pimenta, laranja doce, camomila-romana e ylang ylang, principalmente de países como Estados Unidos, China e Índia.

 

A cadeia produtiva do suco de laranja no Brasil é responsável por grandes volumes produzidos de óleo essencial de laranja, produto que está em primeiro lugar no ranking de produção, seguido pelos óleos de limão e de eucalipto. Essa característica de mercado faz do país o maior exportador do mundo de óleos essenciais em volume e o terceiro em valor. Por ser um subproduto da indústria de sucos, o preço da essência de laranja está entre os menores da categoria, assim como os de outros cítricos e o do óleo essencial de eucalipto.

 

“Hoje, a característica do mercado brasileiro [de óleos essenciais] é de um segmento quase ‘monoproduto’ e que tem pouco valor agregado. No passado, o mercado brasileiro foi maior em número de óleos essenciais ‘nobres’ exportados, como o icônico óleo essencial de pau-rosa, que entra na composição do Chanel 5”, mencionou Olivier Fabre, em sua coluna Fragrâncias, publicada na revista Cosmetics & Toiletries Brasil, em outubro de 2021.

 

O Brasil continua sendo o maior e único exportador desse óleo essencial, cuja exploração começou nos anos 1920 e atingiu um pico de exportação nos anos 1960 e 1970, com uma produção de aproximadamente 500 toneladas de óleo ao ano. Atualmente, a produção é bem menos expressiva, em razão da escassez de árvores na floresta amazônica “e ao uso crescente do linalol sintético pela indústria da perfumaria, principal componente do óleo essencial de pau-rosa”, informou Fabre.

 

O mercado de óleos essenciais segue em trajetória ascendente em nível mundial, em razão da demanda por produtos de origem natural e do avanço da aromaterapia. Uma pesquisa da Fortune Business Insights estima que o mercado global de aromaterapia deve alcançar US$ 2,58 bilhões até 2032, com taxa média de crescimento anual de 6,27%.

 

O Brasil é um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo, o que oferece um potencial único para a produção de óleos essenciais. Regiões como a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica abrigam inúmeras espécies de plantas com propriedades aromáticas e medicinais.

 

“Nos últimos anos, tem havido uma crescente demanda por matérias-primas vegetais nativas fornecedoras de óleos essenciais, que podem ter diversos usos. Destacam-se entre esses óleos essenciais o da candeia (Eremanthus erythripappus), fonte de a-bisabolol, largamente usado na indústria de higiene; o da erva baleeira (Varronia curassavica), que faz parte da formulação do fitomedicamento Acheflan; o estoraque (Ocimum americanum) e a priprioca (Cyperus articulatus), ambos utilizados na indústria de perfumaria nacional”, aponta um trecho do estudo Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial, produzido pelo Ministério do Meio Ambiente em 2016.

 

A especialista Caren Frizzo destaca o potencial do uso de óleos essenciais na indústria cosmética, por serem produtos naturais. “Deve-se considerar, contudo, que são produtos de elevado valor agregado, devido ao baixo rendimento durante o processo extrativo”, diz. O rendimento do óleo de mandarina, por exemplo, é de 0,3%: são necessários mil quilos da fruta para obter três quilos de óleo. No caso da laranja, o percentual varia de 0,5% a 0,8%. “Como a produção de suco concentrado de laranja é elevada no Brasil, o óleo é obtido em larga escala. Nesse caso, o óleo é commodity”, explica.

 

“Para a obtenção de um quilo de óleo de rosas, são necessárias três mil toneladas de pétalas”, menciona. Em casas de fragrâncias, os óleos essenciais podem ser usados tanto em produtos “housekeeping” quanto em perfumaria fina.

 

Nesse último caso, as fragrâncias podem conter vários óleos essenciais, conferindo notas de topo (onde os cítricos são muito usados), de corpo (como cedro e patchouli) e de fundo (vetivert, guaiaco e resinoides como benjoin, oakmoss e ládano).

 

“Existe também o campo do bem-estar, no qual os óleos são usados em cremes de massagem, em dosagem controlada pela indústria devido a sua toxicidade, na aromaterapia e em velas e difusores, como no marketing olfativo”, acrescenta.

 

 

Para Geysa Belém, diretora comercial da Arte dos Aromas, os óleos essenciais passaram a ocupar um espaço estratégico na indústria de cosméticos. “Eles trazem múltiplos benefícios e seguem tendências de autocuidado, além de serem aplicados na estética natural. Eles têm atividade funcional, afinidade natural com a pele e alinhamento com o movimento de clean beauty. Óleos essenciais eram utilizados apenas para o bem-estar, mas nossa expectativa é que o setor continue crescendo, com forte demanda por produtos mais naturais, sustentáveis e rastreáveis — exatamente onde a Arte dos Aromas já se posiciona”, diz.

 

A maior parte dos produtos que compõem o portfólio da Arte dos Aromas é formulada com óleos essenciais. No mercado há mais de 25 anos, a empresa tem atuação em todo o país e atualmente está estruturando a expansão internacional, que começará pela América do Sul.

 

 

A Arte dos Aromas produz linhas de skincare, higienização e tratamento suave, linhas com ativos amazônicos, produtos profissionais para estética e spas e bases cosméticas prontas para personalização, que podem ser utilizadas puras ou com óleos essenciais. A empresa comercializa uma ampla linha de óleos essenciais, indicados para aromaterapia, massagens, banhos, difusores ou cuidado pessoal. “O que nos diferencia é o conceito de biocompatibilidade da pele, por meio do uso de ingredientes orgânicos rastreáveis, com certificações Ecocert e COSMOS”, cita.

 

Para Geysa, os principais desafios relacionados à utilização de óleos essenciais na produção de cosméticos estão relacionados à qualidade e à rastreabilidade. “Cada lote é único. Nem todos os fornecedores fornecem as análises do lote, cromatografia e laudos. Há também variações de preços que deixam dúvidas sobre a qualidade e a procedência. Assim como todo ingrediente natural, a utilização dos óleos essenciais na indústria exige domínio técnico e formulações equilibradas. É preciso entender a sinergia com outros ingredientes e o impacto disso na formulação”, completa.

 

A linha de hidratantes faciais orgânicos da Arte dos Aromas combina ativos botânicos, como Aloe vera, a óleos essenciais, manteiga de cupuaçu e extratos naturais que ajudam a hidratar, regenerar e proteger a pele do rosto. Dentre as opções que chegaram recentemente ao mercado está o Creme Facial Bakuchiol Phyto Retinol. Formulado com bakuchiol, ativo vegetal com ação comprovadamente rejuvenescedora e antioxidante, o creme suaviza rugas, uniformiza o tom da pele e estimula o colágeno — tudo com alta tolerância para peles sensíveis.

 

A linha Aromacologia da L'Occitane en Provence foi introduzida no mercado há mais de 30 anos, com base nos princípios da aromacologia (ciência que estuda como os aromas afetam o cérebro, as emoções, o humor e o comportamento) e na sinergia dos óleos essenciais. Ao longo dos anos, a marca expandiu ou relançou essa família de produtos, em diferentes momentos. A Aromacologia abrange várias linhas, que em 2024 ganharam novas formulações, “mais limpas e leves” e novo design.

 

Os produtos são formulados com um blend de óleos essenciais de lavanda, angélica, hortelã-pimenta, alecrim e immortelle, com a proposta de cuidar dos cabelos da raiz às pontas. Todas as composições têm pH adaptado para preservar e proteger o ecossistema do cabelo e do couro cabeludo. “As fragrâncias foram cuidadosamente formuladas para refletir perfis aromáticos únicos, transportando os consumidores diretamente para um passeio pela encantadora Provence”, diz a marca.

 

 

A L'Occitane destaca que o óleo essencial de lavanda reduz 40% dos sinais de estresse no couro cabeludo. O óleo essencial de hortelã-pimenta diminui a oleosidade, o óleo essencial de alecrim tem propriedades que ajudam na prevenção da queda de cabelo, e o óleo essencial de angélica tem eficácia antiquebra patenteada.

 

Dentre os destaques da linha Aromacologia estão os produtos Equilíbrio Natural, que combatem o desequilíbrio do ecossistema capilar, afetado diariamente por influências externas que agridem os fios e o couro cabeludo. A nova formulação foi desenvolvida para acalmar e reequilibrar esse ecossistema, sem perder o foco na hidratação do couro cabeludo e dos fios.

 

Adequado para todos os tipos de cabelo e facilmente combinado com outros tratamentos capilares, o Sérum Noturno para o Couro Cabeludo Aromacologia traz 97% de ingredientes de origem natural e um blend de cinco óleos essenciais. Ele repara, acalma e hidrata a área durante a noite, resultando em fios mais bonitos e resistentes. Com o uso diário, os cabelos tornam-se visivelmente mais fortalecidos, brilhantes e com um aspecto saudável.

 

A linha Aromacologia Purificante (com shampoo, condicionador e fluido finalizador) atua contra a oleosidade graças a um ingrediente muito utilizado na rotina de skincare: o zinco. Os produtos ajudam a combater a causa e as consequências de um couro cabeludo oleoso, “oferecendo uma experiência sensorial única e refrescante”.

 

Indicada para cabelos danificados e quimicamente tratados, a linha Reparação Intensiva (com shampoo, condicionador e máscara capilar), foi completamente reformulada para oferecer um tratamento capilar eficaz. A nova formulação foi desenvolvida para nutrir, reparar e proteger os fios contra danos externos, mantendo a leveza e a hidratação do couro cabeludo e dos cabelos.

 

O Óleo Reparador Capilar Aromacologia é um produto multiúso, que pode ser usado em cabelos secos ou molhados ou como um tratamento capilar noturno. Ele diminui o frizz e ajuda a selar as cutículas do cabelo, nutrindo intensamente a fibra capilar com suas propriedades reparadoras.

 

Para ajudar no combate à queda, a L’Occitane en Provence desenvolveu o Sérum Tratamento Capilar Antiqueda Aromacologia, que atua diretamente no ciclo de vida do cabelo para prevenir a queda. Com eficácia comprovada por testes instrumentais, o sérum oferece dupla ação: redução significativa da queda de cabelo reversível e estimulação do crescimento dos fios. “Dia após dia, o cabelo recupera sua vitalidade, e o couro cabeludo torna-se menos visível à medida que a perda de fios é reduzida”, informa a marca.

 

 

A Aroma & Terapia, de O Boticário, é uma marca de perfumaria que chegou ao mercado em 2021, com itens funcionais que proporcionam sensação de calma, energia e relaxamento. Formuladas com óleos essenciais, as fragrâncias proporcionam benefícios testados e comprovados pela neurociência. A empresa informa que foram realizados testes com mais de 200 participantes, para avaliar as percepções de cada um ao usarem as fragrâncias.

 

Com itens para o corpo e o ambiente, a linha oferece três opções de olfativos: Menos stress por favor (aroma oriental floral que promove sensação de harmonia e segurança), Calma na alma (floral cítrico que proporciona sensação de suavidade, tranquilidade e conforto) e Energia pro dia (floral frutal que energiza e aumenta a sensação de alegria e positividade). Cada olfativo tem um desodorante colônia e um home spray.

 

 

 

A Natura apresentou recentemente a linha Bothânica, com itens criados para proporcionar bem-estar. Lançada em 2024, a Bothânica oferece “produtos terapêuticos para cuidar da casa e do corpo”, com combinações exclusivas de óleos essenciais latino-americanos.

 

 

 

“Os produtos de Natura Bothânica têm uma arquitetura olfativa marcada por notas herbais, o frescor dos cítricos e a presença dos amadeirados. São produtos com design moderno, fragrâncias potentes de longa duração e fórmulas naturais à base de plantas, que perfumam e se integram aos diferentes ambientes da casa enquanto cuidam e relaxam o corpo”, diz a Natura.

 

A linha é composta por óleo hidratante (disponível na fragrância Origins, com notas de mandarina, gerânio e manjericão), sabonete líquido, hidratante para mãos (ambos nas fragrâncias Fructus Folium e Ficus Herb), vela aromática e spray de ambientes.

 

A Bothânica oferece blends de óleos essenciais focados em diferentes necessidades de bem-estar, como concentração e relaxamento. O Blend de Óleos Essenciais Despertar ajuda a promover a melhora da concentração e do foco, graças à predominância do óleo de hortelã-pimenta. O blend ainda inclui óleos essenciais puros de estoraque e priprioca.

 

As outras variantes de blends da linha são: Energizar (com óleos essenciais de limão-siciliano, alecrim, palo santo e ishpink), Restaurar (com óleos de lavanda, copaíba e poejo) e Equilibrar (com óleos de bergamota, piper e capim-limão).

 

A piper SP3 é uma espécie descoberta pela Natura em expedições na Mata Atlântica e domesticada em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas. A Natura informa que o capim-limão, presente no blend Equilibrar, tem como diferencial um processo de fracionamento exclusivo: “diferentemente da extração comum a vapor, o processo purifica o óleo e torna-o olfativamente mais rico”.

 

 

A norte-americana d?Terra é uma empresa de bem-estar e cosméticos, especializada em óleos essenciais. Ela chegou ao Brasil em 2018 e inaugurou sua primeira fábrica no país em 2023, na cidade de Joinville, em Santa Catarina. Os óleos essenciais da empresa são extraídos de plantas em diversas partes do mundo, como Ásia, Europa e África. Antes da inauguração da fábrica em Joinville, as etapas de testagem e validação de pureza eram feitas em laboratórios nos Estados Unidos.

 

O modelo de negócio é o marketing de relacionamento, no qual a empresa faz parcerias com consultores independentes que têm o papel de promover os produtos e a marca ao público em geral. No Brasil, a d?Terra tem mais de 400 mil clientes, mais de 20 mil consultores e mais de 500 colaboradores.

 

Além dos óleos essenciais, a marca oferece uma gama diversificada de produtos, que abrangem suplementos alimentares e itens para o cuidado da pele e dos cabelos. O portfólio inclui sistemas completos de cuidado facial e corporal, como a linha Veráge, que utiliza óleos essenciais para nutrir e hidratar a pele. A linha abrange limpadores faciais, esfoliantes, tônicos, séruns, cremes hidratantes e cremes para a área dos olhos. Em julho de 2025, a d?Terra apresentou P?R, sua primeira coleção de perfumes.

 

A BioEssência, empresa criada em 1999 com foco em aromaterapia, oferece mais de 40 tipos de óleos essenciais 100% puros, como lavanda, hortelã-pimenta, alecrim, laranja doce e eucalipto, que podem ser usados em difusores, massagens ou inalações, além de óleos vegetais, águas florais, máscaras de argila e blends de óleos essenciais em roll-on.

 

O gel sérum hidratante Johnny é elaborado com óleos essenciais de melaleuca, hortelã, capim-limão, cipreste e alecrim. O gel refrescante e revigorante tem efeito tônico, estimula a circulação e auxilia no tratamento da acne e da pele oleosa. Com toque suave e rápida absorção, ele é recomendado para todos os tipos de pele e pode ser usado no corpo e no rosto.

 

A argila vermelha escura em pó nutre e hidrata a pele, com ação antioxidante e antipoluição. No momento do uso, a marca orienta a adição de água mineral ou Água Floral BioEssência, aos poucos, até formar uma pasta homogênea. O usuário ainda pode, se desejar, adicionar até três gotas de óleo essencial por colher de argila e misturar bem.

 

O Óleo Facial Espetacular Olíbano é elaborado com óleos essenciais nobres de olíbano, néroli, mirra, jasmim e rosa e óleos vegetais de macadâmia, rico em vitaminas A, B e E, e de rosa mosqueta, rico em vitaminas A e C. O produto tem ação nutritiva, hidratante e rejuvenescedora.

 

A Phytoterápica tem mais de 30 anos de atuação no mercado de óleos essenciais e cosméticos naturais no Brasil. A marca nasceu em 1993, com um trabalho inicial focado em dez óleos essenciais e três óleos vegetais. Atualmente, o portfólio da Phytoterápica tem cerca de 200 produtos, comercializados via e-commerce, lojas físicas, venda direta e atacado e no PhytoSPA, seu primeiro spa urbano, inaugurado em 2023.

 

Os óleos essenciais, 100% puros e extraídos de forma sustentável, são o carro-chefe da marca. Entre os mais populares estão os óleos de lavanda, melaleuca, laranja doce, alecrim, hortelã-pimenta e eucalipto. A linha de autocuidado inclui hidratantes, séruns, sabonetes, desodorantes, argilas e body splashes. Recentemente, a empresa expandiu o portfólio com o lançamento de shampoos e condicionadores sólidos veganos.

 

A marca tem uma linha de compostos, criados para trazer equilíbrio, harmonia e praticidade ao dia a dia. Com uma combinação de óleos essenciais e ingredientes naturais, as sinergias potencializam os princípios ativos de cada óleo, sendo ideais para a aromaterapia e para o cuidado pessoal. O Composto Essencial Relax da Phytoterápica reúne 100% de óleos essenciais puros e naturais de jasmim, lavanda, sândalo, tangerina e ylang ylang. A sinergia é indicada para aliviar o estresse e a tensão, “proporcionando uma noite de sono profunda e restauradora”.

 

Os produtos de higiene pessoal e bucal da Phytoterápica são formulados com óleos essenciais, vegetais e extratos botânicos. Desenvolvido para proporcionar uma “experiência sensorial única”, o Shampoo em Barra Lavanda, Jasmim e Gerânio oferece um cuidado delicado e equilibrado para todos os tipos de cabelo. A composição combina os óleos essenciais de lavanda, jasmim e gerânio, que promovem uma limpeza suave, ao mesmo tempo que acalmam e nutrem o couro cabeludo, e manteiga de cupuaçu.

 

O Sabonete de Menta & Germe de Trigo soma o frescor e a sensação de limpeza do óleo essencial de hortelã-pimenta com a hidratação do óleo vegetal de germe de trigo, que nutre a pele, deixando-a macia e revitalizada. O principal ingrediente da formulação é o óleo essencial de hortelã-pimenta, que proporciona um banho altamente restaurador e com propriedade descongestionante das vias respiratórias.

 

O Creme Base Neutra Phytoterápica é formulado com manteiga de cupuaçu, que hidrata profundamente a pele. A textura leve garante ótima absorção, sem deixar resíduos. O creme é indicado como carreador para diluição de óleos essenciais e óleos vegetais, permitindo a personalização de sinergias aromáticas. O pote tem dois compartimentos, o que possibilita criar combinações diferentes dentro do mesmo frasco e ampliar as possibilidades de uso.

 

 

Pureza

 

A engenheira química Caren Frizzo explica que o óleo essencial é uma substância natural volátil e de elevada complexidade. Ele é formado por componentes pertencentes ao grupo dos terpenos (mono e sesquiterpenos não oxigenados e oxigenados, como aldeídos, cetonas, ésteres, éteres e álcoois), provenientes do metabolismo secundário das plantas. Em razão dessa complexidade, vários fatores interferem na pureza do óleo essencial.

 

A qualidade do produto envolve as seguintes análises:

 

- Sensoriais e organolépticas: aparência, cor, odor e sabor, para aplicações em alimentos;

 

- Físico-químicas: densidade, índice de refração, rotação ótica; viscosidade, solubilidade e flash point;

 

- Métodos analíticos: cromatografia gasosa (GC-FID) e cromatografia gasosa com detector seletivo de massas (GC-MS).

 

“Com o GC-MS é possível identificar de 95% a 99% dos componentes dos óleos. Cada óleo apresenta um perfil cromatográfico, ou seja, uma identidade analítica. Óleos como o de lavanda 40-42 (Lavandula angustifolia) contêm cerca de 40% a 45% de linalol e 40% a 42 % de acetato de linalila. O óleo de canela folhas (Cinnamomum zeylanicum) apresenta de 70% a 85% de eugenol. Esses ranges de componentes marcadores majoritários estão estabelecidos em farmacopeias conhecidas, como USP e FCC, e devem ser critérios considerados no controle de qualidade”, aponta.

 

“No caso dos óleos essenciais cítricos, o teor de aldeídos totais como octanal, nonanal, decanal, undecanal, dodecanal, citronelal e, no caso do limão tahiti e siciliano, neral e geraniale (conhecidos como isômeros trans e cis citral), são o parâmetro comercial e de qualidade, além do perfil cromatográfico”, completa.

 

Fatores como origem geográfica, época e forma de colheita, características genéticas da planta e processo de extração são condições que interferem na qualidade dos óleos essenciais. No entanto, os aspectos mais críticos são o processo de extração e as condições de armazenagem.

 

“O processo de extração deve ser bem conduzido porque os óleos apresentam componentes termolábeis e degradam em elevadas temperaturas. O processo de separação do óleo e da água-decantação deve garantir que o óleo não fique com concentrações residuais de água, que costumam gerar off- note de mofo”, diz a especialista.

 

A armazenagem é feita em temperaturas abaixo de 15ºC, ao abrigo de luz direta do sol e em embalagens (tambores de metal com revestimento epóxi fenólico atóxico) hermeticamente fechadas, evitando a presença de ar, que é um fator de oxidação e gera notas olfativas desagradáveis. “Eles não devem ser armazenados em material plástico, como bombonas, porque os componentes do óleo interagem com os materiais sintéticos, gerando presença de ftlatos oriundos dos plásticos nos óleos”, completa.

 

 

Propriedades

 

Existem duas principais formas de uso dos óleos essenciais: pela via olfativa e pela via tópica. Eles podem ser inalados diretamente ou com o uso de aparelhos de difusão ambiental. Para evitar lesões e sensibilização cutânea, óleos essenciais devem ser diluídos antes da aplicação tópica.

 

É possível diluir os óleos essenciais em diferentes carreadores, como cremes neutros, géis hidratantes e óleos vegetais. Os óleos essenciais diluídos em óleos carreadores também podem ser aplicados diretamente na pele com o uso de roll-ons. Há outras formas de uso, como escalda-pés, banhos de imersão e emplastros com argila.

 

A literatura científica e as diretrizes de conselhos profissionais, como os de Farmácia e Nutrição, que regulamentam o uso da aromaterapia por seus profissionais, citam as propriedades de óleos essenciais comuns com base em estudos e no uso tradicional.

 

Conheça as propriedades de alguns dos óleos essenciais mais utilizados.

 

Óleo essencial

Propriedades

Bergamota

Anti-inflamatório, imunoestimulante, antiviral, ansiolítico, antidepressivo

Canela

Anti-inflamatório, imunoestimulante, analgésico, antiviral

Capim-limão

Ansiolítico, antidepressivo, analgésico, antiviral

Erva-cidreira

Ansiolítico, sedativo, analgésico, antiviral

Eucalipto

Broncodilatador, expectorante, anti-inflamatório, imunomodulador, antiviral, antitérmico, analgésico

Gengibre

Broncodilatador, expectorante, anti-inflamatório, imunomodulador, analgésico

Gerânio

Ansiolítico, antidepressivo, sedativo, anti-inflamatório, imunomodulador, antiviral, analgésico

Hortelã

Broncodilatador, expectorante, anti-inflamatório, imunomodulador, antiviral, antitérmico, analgésico

Laranja doce

Ansiolítico, antidepressivo, sedativo, anti-inflamatório, imunomodulador

Lavanda

Ansiolítico, antidepressivo, sedativo, hipnótico, broncodilatador, expectorante, anti-inflamatório, imunomodulador, antiviral

Limão

Ansiolítico, antidepressivo, sedativo, anti-inflamatório, analgésico, antiviral, imunomodulador

Melaleuca

Anti-inflamatório, imunomodulador, antiviral

Orégano

Anti-inflamatório, imunomodulador, antiviral

Fonte: Óleos essenciais e aromaterapia, Comitê Temático de Produtos Naturais do Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa – CABSIn.

 

 

Aromaterapia

 

A aromaterapia é uma prática terapêutica que utiliza os óleos essenciais – por meio da inalação ou do uso tópico – para promover o bem-estar físico e mental. Desde 2018, ela é reconhecida pelo Ministério da Saúde como um dos recursos integrativos da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Apesar de milenar, a aromaterapia ganhou popularidade mundial no século 20. A prática terapêutica remonta aos anos 1920, quando o químico francês René Maurice Gattefossé, em uma experiência pessoal, observou o poder curativo do óleo de lavanda em uma queimadura, cunhando o termo “aromathérapie”.

 

O aroma e as partículas liberadas pelos óleos essenciais estimulam diferentes partes do cérebro, ajudando a aliviar diversos sintomas e patologias. Eles penetram com facilidade na membrana celular de natureza fosfolipídica e se dissolvem na gordura corporal.

 

“O Mapa de Evidências sobre a Efetividade Clínica da Aromaterapia, sistematizado pelo Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN) e o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde da Organização Pan-Americana da Saúde (Bireme/Opas/OMS), com o apoio da Coordenação Nacional de Práticas Integrativas e Complementares de Saúde do Ministério da Saúde, realça os vários mecanismos de ação terapêutica dos óleos essenciais”, aponta a Plataforma Colaborativa IdeiaSUS Fiocruz.

 

A Aromaterapia ajuda a amenizar quadros psicológicos e emocionais, como ansiedade e insônia, e auxilia no tratamento de problemas físicos, como viroses, inflamações e baixa imunidade. Ela tem atuação complementar em tratamentos contra a depressão e de outras doenças graves, como o câncer, auxiliando no controle dos efeitos colaterais.

 

Quando inalados, os aromas estimulam os receptores olfativos no nariz, que enviam sinais para o sistema límbico do cérebro. Essa área está ligada às emoções, à memória e a algumas funções fisiológicas, podendo desencadear a liberação de neurotransmissores, como endorfinas, que geram sensações de bem-estar. Existem mais de 300 óleos essenciais, que podem ser usados de forma isolada ou em blends.

 

A aromaterapia sozinha não substitui tratamentos convencionais. Portanto, ela deve ser indicada e acompanhada por profissionais capacitados, especialmente quando for utilizada por crianças, idosos, grávidas e pacientes crônicos.

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