Felicidade e Bem-Estar

Erica Franquilino

Felicidade e Bem-Estar

Iniciativas no setor

Resgate de Memórias

O “Quarteto da Felicidade”

 

 

matéria publicada na revista Cosmetics & Toiletries Brasil, Mar/Abr de 2024, Vol. 36 Nº2 (págs 6 a 12)

 

Felicidade e Bem-Estar

 

Estudiosos da psicologia positiva afirmam que a felicidade é uma habilidade que pode ser aprendida e exercitada, como nossos músculos. A despeito das diferentes percepções das várias correntes da psicologia sobre o tema, é consenso que ela está associada ao autoconhecimento, à qualidade dos relacionamentos, aos momentos de autocuidado e a tudo que nos faz bem.

 

Tal Ben-Shahar, psicólogo, professor e escritor israelense, ministra a disciplina de Felicidade há mais de 15 anos na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Ele define a felicidade como a combinação de cinco elementos: bem-estar físico, emocional, intelectual, relacional e espiritual.

 

“O bem-estar é específico: você pode sentir bem-estar no seu trabalho, na vida pessoal... A felicidade é um conjunto de ‘bem-estares’. Ela é global. Acredito que a felicidade resulta do quanto deixamos que coisas ruins nos abalem. Ela depende da nossa resiliência, do quanto deixamos que fatores externos, que não podemos controlar, nos afetem”, diz a psiquiatra Danielle Admoni, pesquisadora e supervisora na residência de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM).

 

A psicóloga Juliana Santos Lemos, especialista em Psicopatologia e Terapia Cognitivo-Comportamental pela PUC do Rio Grande do Sul, aponta que a felicidade é uma emoção e, como toda emoção, ela é puramente biológica e fundamental para garantir nossa sobrevivência. “Todas as emoções têm funções, inclusive a felicidade, que nos traz equilíbrio em relação às emoções desagradáveis, como tristeza, medo e angústia. Porém, as emoções têm curta duração e podem aparecer em momentos específicos, como numa promoção, na relação com os filhos e em encontros sociais”.

 

“O bem-estar é um sentimento mais prolongado, ele traz sensação de prazer e contentamento por mais tempo. É uma construção de hábitos diários e que também sofre intercorrências dos nossos comportamentos e ambientes, sendo eles saudáveis ou não. A sensação de bem-estar é algo passível de ser reforçado diariamente, com rotinas de autocuidado, por exemplo”, completa.

 

Felicidade e bem-estar são temas de livros, pesquisas e congressos, estão transformando ambientes corporativos e, naturalmente, são conceitos explorados em ações de marketing. Do mote “Abra a Felicidade”, lançado pela Coca-Cola em 2009, às ações pós-pandemia, focadas na tangibilidade e no “aqui e agora”, a felicidade vem sendo trabalhada de forma mais abrangente e diversificada pelas marcas.

 

No mercado cosmético, ela se fortalece no movimento de quebra de paradigmas de beleza, na valorização do autocuidado e nas iniciativas relacionadas à inclusão e à conexão – para além do viés de consumo. Apesar da subjetividade inerente ao assunto, o ponto em comum em pesquisas sobre a felicidade é a construção de bons relacionamentos.

 

A Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, conduz o mais longo estudo científico sobre felicidade da história. O Estudo sobre o Desenvolvimento Adulto teve início em 1938, com cerca de 700 adolescentes. Alguns deles eram estudantes de Harvard, outros viviam nos bairros mais pobres de Boston. A pesquisa acompanhou essas pessoas ao longo de suas vidas, monitorando periodicamente suas alegrias e dificuldades e, posteriormente, incluindo parceiros e filhos dos participantes iniciais.

 

 

Robert Waldinger, professor de psiquiatria na universidade e mestre zen, é o quarto diretor do estudo e um dos autores do livro Uma boa vida, publicado no Brasil pela editora Sextante, que apresenta as principais lições do estudo. O achado mais relevante é que a qualidade dos nossos relacionamentos é o principal indicador de felicidade e saúde à medida que envelhecemos. O estudo aponta que todos os tipos de relacionamento contribuem para criar uma percepção de maior satisfação com a vida.

 

“Não foi nenhuma surpresa constatar que as pessoas em relacionamentos mais calorosos sejam mais felizes. Isso faz sentido. A surpresa foi observar que as pessoas que têm relacionamentos mais calorosos permanecem fisicamente mais saudáveis à medida que envelhecem”, afirmou Waldinger à BBC News.

 

Para Ben-Shahar, a felicidade fortalece nosso sistema imunológico. “Isso não significa que você não vai ficar doente. Significa que ficará doente com menos frequência e, quando isso acontecer, vai se recuperar mais rapidamente”, afirmou o especialista.

 

 

Iniciativas no setor

 

A pesquisa Global Happiness 2022, realizada pela Ipsos para a Lancôme em 30 países, mostrou que o índice de felicidade das pessoas diminuiu em todo planeta. Desde a última sondagem, em 2013, a felicidade do brasileiro caiu 18 pontos percentuais, de 81% para 63%. No final de 2022, eventos e intervenções urbanas em São Paulo e em Paris e uma página especial no site da marca ressaltaram a importância dos encontros, do autoconhecimento e das reconexões para uma vida mais feliz. As ações marcaram os 10 anos de La Vie Est Belle, a “fragrância da felicidade”.

 

A pesquisa foi feita em sete países. Para a maioria dos brasileiros (84%), é preciso esforço para tornar a vida mais bonita a cada dia e ser feliz. Por outro lado, 51% das pessoas no país afirmaram que alcançam um grande nível de felicidade, patamar que é superior ao de italianos (17%) e franceses (28%).

 

Em nível mundial, mais de um terço afirmou ser plenamente (8%) ou muito feliz (29%). Pouco mais de um terço da população (37%) informou que está um pouco feliz, mas falta algo para ser mais feliz. Por fim, 16% não sabiam ao certo se estavam felizes ou não e 10% afirmaram que estavam infelizes.

 

Depois de amar e ser amado, definição apontada por 60% das pessoas em todo o mundo, a ideia de ser livre para fazer suas próprias escolhas representa felicidade para quase uma em cada duas pessoas (48%). Ser capaz de encontrar e seguir suas paixões ficou em terceiro lugar (41%) e seguir se aprimorando e aprendendo apareceu na quarta posição (34%). A pesquisa ainda revelou que, em um mundo cada vez mais digitalizado, uma a cada quatro pessoas acredita que a sociabilidade da vida real é o mais importante.

 

“O dado referente à importância da sociabilidade motivou o reforço da ideia de que a felicidade cresce quando é compartilhada. A felicidade está no DNA da nossa marca. Há 10 anos, criamos La Vie est Belle com o objetivo de representar um sentimento poderoso: a felicidade feminina. Foram testadas mais de 3 mil formulações para criar uma fragrância que encapsulasse a emoção da felicidade e que carregasse esse mindset”, disse Marcela D’Ávila, diretora da marca Lancôme no Brasil, em entrevista à Cosmetics & Toiletries Brasil, em maio de 2023.

 

O frasco foi pensado para traduzir a mulher livre e feliz e consiste na realização de um projeto iniciado em 1949 por Armand Petitjean, fundador de Lancôme, com a ajuda de George Delhomme, diretor artístico da marca, para criar um frasco que simbolizasse a aura das mulheres.

 

Para criar a imagem de uma mulher livre e feliz, “foi preciso um ano para aperfeiçoar sua forma delicadamente curva e feminina, cortar seus ângulos facetados e para o toque final, uma fita de organza cinza perolada amarrada entre o corpo e a tampa do frasco, formando as asas gêmeas da liberdade. Temos a convicção de que a felicidade é a maior fonte de beleza”, afirmou Marcela.

 

A partir do conceito de que a felicidade é ainda mais potente quando compartilhada, a marca criou a experiência “Casa Lancôme, felicidade a cada encontro”, em maio de 2023, na cidade de São Paulo. Num ambiente aberto ao público e gratuito, foram apresentados produtos para o cuidado da pele, maquiagens e perfumes. Os visitantes participaram de masterclasses com especialistas e influenciadores e de workshops de análise cromática e yoga facial.

 

Todos os cômodos foram amarrados pelo conceito da “felicidade a cada encontro”. No centro da casa, um jardim transportou as pessoas para o espaço Domaine de La Rose, em Grasse, na França, onde são cultivadas as rosas presentes nas fragrâncias. No espaço de skincare, a experiência skin screen proporcionou o mapeamento da qualidade da pele e seu grau de envelhecimento, com a recomendação da rotina de produtos ideal.

 

A Casa Lancôme proporcionou diversas experiências sensoriais e interativas, como o espaço gamer de Idôle, com um fliperama, e o bar temático, com coquetelaria inspirada nas fragrâncias da marca e distribuição de pipocas caramelizadas, em referência à fragrância Idôle Nectar, que traz caramelo e pipoca nas notas de coração.

 

A relação entre cheiros e sensações, que reforça a conexão entre marcas e consumidores, ganhou novo impulso com o desenvolvimento de fragrâncias que estimulam e reequilibram estados emocionais.

 

A Aroma & Terapia, de O Boticário, é uma marca de perfumaria que chegou ao mercado em 2021, com itens funcionais que proporcionam sensação de calma, energia e relaxamento. Formuladas com óleos essenciais, as fragrâncias proporcionam benefícios testados e comprovados pela neurociência. A empresa informa que foram realizados testes com mais de 200 participantes, para avaliar as percepções de cada um ao usarem as fragrâncias.

 

Com itens para o corpo e o ambiente, a linha oferece três opções de olfativos: Menos stress por favor (aroma oriental floral que promove sensação de harmonia e segurança), Calma na alma (floral cítrico que proporciona sensação de suavidade, tranquilidade e conforto) e Energia pro dia (floral frutal que energiza e aumenta a sensação de alegria e positividade). Cada olfativo tem um desodorante colônia e um home spray.

 

Dentre os diversos exemplos de fragrâncias funcionais focadas na felicidade e no bem-estar no mercado internacional, está a Edeniste, que usou o trabalho de neurocientistas para detectar quais moléculas e notas olfativas têm a capacidade de estimular as partes do cérebro associadas ao aumento de sensações como felicidade, energia, bem-estar e relaxamento.

 

 

Sob o conceito “active wellbeing”, a marca oferece oito eau de parfums, elaborados para serem usados em conjunto com qualquer uma das lifeboost active essences (Love, Dream, Energy, Happiness, Relax, Seduction, Wellbeing e Discovery Set).

 

Em setembro de 2023, a Shiseido anunciou a criação de uma marca focada em bem-estar. A Shiseido Beauty Wellness (SBW) oferecerá produtos que ajudam os consumidores a alcançarem “sua própria beleza e bem-estar de dentro para fora”. A nova marca será o primeiro passo para um negócio de bem-estar mais amplo, que a Shiseido batizou de Inner Beauty Business. Os produtos serão lançados globalmente a partir de 2025.

 

Para o desenvolvimento do novo negócio, a Shiseido se unirá ao fabricante japonês de medicamentos Tsumura, especializado em fitoterapia e na conexão entre corpo e mente, e à empresa de alimentos à base de tomate Kagome, que contribuirá com suas pesquisas sobre os benefícios de vegetais e frutas para a saúde.

 

“A SBW desenvolverá produtos e serviços por meio da cocriação com empresas parceiras, aproveitando a experiência da Shiseido em beleza e a sua compreensão da relação entre a pele, o corpo e a mente, que se acumulou ao longo dos 100 anos de investigação em ciências da vida e ciência de dados”, informou a Shiseido.

 

A Pierre Fabre, que detém marcas como Eau Thermale Avène e Naturactive, investiu recentemente em uma startup voltada ao bem-estar hormonal. A empresa adquiriu uma participação minoritária na MiYé, marca francesa de cuidados com a pele e suplementos. Criada em 2020, a MiYé tem um portfólio de produtos focado no equilíbrio hormonal e no bem-estar das mulheres.

 

“Caroline de Blignières e Anna Oualid [criadoras da marca] encontraram uma forma de apoiar as mulheres desde a puberdade até a menopausa. Ao fazer parceria com a MiYé, estamos comprometidos em fornecer nosso conhecimento médico e dermatológico para desenvolver as melhores respostas possíveis para cuidar de todas as peles afetadas por variações hormonais”, afirmou Frédéric Ennabli, CEO da Pierre Fabre.

 

O autocuidado é uma ferramenta importante e que aumenta a satisfação, a qualidade de vida “e até a produtividade”, diz a psiquiatra Danielle: “o autocuidado físico e mental é um símbolo de amor-próprio e traz um efeito cascata muito bom”. A psicóloga Juliana ressalta a importância de viver o momento presente. “Além da prática do mindfulness, podemos, de maneira concomitante, usar recursos como os cosméticos. Massagens e banhos relaxantes são eficientes para a diminuição do estresse e da ansiedade, por desencadear uma sensação de bem-estar prolongada, acionando a produção de neurotransmissores como endorfina, serotonina, dopamina e ocitocina”, afirma.

 

“Outro fator importante quando falamos em autoestima e bem-estar é a nossa autoimagem, que é a maneira como nos enxergamos no espelho. Em alguns momentos da vida, essa percepção pode estar enviesada, pois somos bombardeados pela avaliação dos outros, pelas mídias sociais e pela cobrança da sociedade. Uma intervenção muito comum e eficaz que usamos na prática clínica é o uso de cosméticos para trabalhar a percepção corporal, com o objetivo de a pessoa começar a conhecer seu corpo e valorizá-lo”, acrescenta.

 

A técnica consiste em reservar um momento de privacidade, que pode ser na hora do banho ou antes de dormir. “A pessoa precisará de um creme cheiroso, óleo ou outro cosmético de preferência. Com uma venda nos olhos, ela calmamente vai espalhando o produto pelo corpo e, assim, identificando cada parte dele. A atenção deve estar nos movimentos, no cheiro exalado pelo produto e na sensação de prazer e relaxamento”, explica.

 

“Ao realizar uma respiração profunda enquanto se hidrata, ela terá maior contato com seu corpo e controle da mente. Ações terapêuticas que potencializam o bem-estar podem ser ferramentas potenciais e, caso necessário, indicadas na prática clínica como recurso no tratamento psicológico”, conclui.

 

O caminho em busca da felicidade e do bem-estar também inclui a aceitação da dor, do sofrimento e das frustações. “Existem fatores que vão nos deixar infelizes. E nós também precisamos estar desse outro lado. Ninguém vive numa condição de felicidade constante e extrema, isso não existe. É importante ter outros estados, como a tristeza, a raiva e a inveja, para poder valorizar nossa felicidade. A felicidade pode ser trabalhada, mas depende de muitos recursos internos. Não é algo tão simples”, pontua Danielle.

 

A falha e o sentimento de frustação, como apontou o especialista em psicologia positiva Tal Ben-Shahar, são partes inescapáveis da vida: “aprendemos a andar caindo, a conversar por balbuciar, a atirar em uma cesta e a colorir o interior de um quadrado rabiscando fora da caixa”.

 

 

Resgate de Memórias

 

Um estudo feito por pesquisadores das Universidades de Southampton, na Inglaterra, e de Zhejiang, na China, concluiu que relembrar vivências que deixaram saudade pode trazer efeitos benéficos, aumentando o sentimento de felicidade. Participaram do estudo 3,7 mil pessoas, dos Estados Unidos, do Reino Unido e da China.

 

A partir de um questionário, elas descreveram os níveis de solidão, nostalgia e felicidade que sentiam em uma escala de 1 (“de jeito nenhum”) a 7 (“muito”). A coleta dos dados foi feita no início da pandemia de covid-19, em um momento de isolamento social.

 

Os pesquisadores observaram que, nos três países, os voluntários com uma taxa relativamente alta de solidão apresentaram média mais baixa de felicidade. A solidão, contudo, também conduzia às memórias nostálgicas, o que ajudou a elevar a sensação de felicidade.

 

Para complementar os resultados, os pesquisadores realizaram outros três experimentos, com cerca de 200 pessoas. Os voluntários foram divididos em dois grupos. No primeiro, os participantes tinham de escrever quatro palavras sobre um evento nostálgico do passado. Na sequência, eles descreviam livremente, por três minutos, os sentimentos suscitados por essas experiências. O grupo controle recebeu a mesma tarefa, porém sem a indicação de que as memórias induzissem a uma nostalgia.

 

Os resultados mostraram que, na comparação com o grupo controle, os participantes nostálgicos apresentaram níveis de felicidade maiores, como os observados na primeira etapa da pesquisa. Após o experimento original, os voluntários do grupo da nostalgia foram induzidos a pensarem novamente em suas memórias, o que acarretou, mais uma vez, pontuações mais altas de felicidade.

 

No artigo, os pesquisadores destacaram que “a nostalgia aumenta a felicidade imediatamente após a manipulação e, com um impulsionador, até dois dias depois. É um recurso psicológico que pode ser aproveitado para aumentar a felicidade e ajudar a combater a solidão”.

 

Há vários exemplos no mercado cosmético de parcerias focadas no resgate de memórias dos consumidores, como a linha Cuide-se Bem Bubbaloo, lançada pelo Boticário em edição limitada, há dois anos. Composta por loções hidratantes, sabonete líquido, body splash, sabonete em barra e creme de mãos, a linha trouxe o inconfundível cheirinho de tutti-frutti da goma de mascar da Mondelez e, em alguns produtos, a textura em calda.

 

 

O “Quarteto da Felicidade”

 

Esse quarteto é composto pelos neurotransmissores endorfina, serotonina, dopamina e ocitocina. Eles são os principais neurotransmissores que se relacionam ao bem-estar, ao prazer e a felicidade. A produção dessas substâncias ocorre de forma natural no organismo, mas podem ocorrer disfunções, acarretadas por estresse, traumas e outros diversos motivos.

 

Dentre as formas naturais de estimular a produção de endorfina, serotonina, dopamina e ocitocina, está a manutenção de uma alimentação equilibrada e atividades como praticar exercícios físicos, ouvir música, se expor ao sol, fazer meditação, pintura, artesanato e outros passatempos manuais. Outra sugestão unânime de especialistas é ter animais de estimação.

 

Dopamina

Conhecida como o hormônio do bem-estar, ela é uma parte importante do sistema de recompensa do cérebro. Esse sistema é um circuito neuronal que influencia diretamente nossas emoções. A dopamina está associada a sensações de prazer, aprendizado, memória, foco e atenção. Ela também está relacionada com as funções cognitivas, a função cardíaca e o controle dos movimentos do corpo.

 

A dopamina é produzida de forma endógena pelo organismo, por meio de neurônios na região da base do cérebro, em um processo de duas etapas. Primeiramente, a tirosina (aminoácido não essencial precursor responsável pela produção da dopamina) é convertida em outro aminoácido, chamado L-dopa. A L-dopa então sofre uma mudança e é transformada em dopamina pelas enzimas do corpo. Alimentos ricos em tirosina, como ovos, peixes, carne bovina e cereais, são recomendados para quem precisa aumentar os níveis de dopamina.

 

Serotonina

Ela ajuda a regular o humor, bem como o sono, o apetite, a digestão, a capacidade de aprendizagem e a memória. A serotonina é um neurotransmissor que é gerado a partir do triptofano – nutriente essencial para a síntese de proteínas no organismo – e influencia vários aspectos, desde as nossas emoções até as habilidades motoras. Por estar relacionada com a libido, ela é conhecida como o hormônio do prazer. A serotonina ainda atua na regulação da temperatura, do sono e da fome, bem como na saúde intestinal e dos ossos e na coagulação sanguínea.

 

O aminoácido triptofano é a única substância capaz de dar origem à serotonina no organismo. Por essa razão, os alimentos que contêm esse nutriente podem contribuir para a síntese do neurotransmissor. Alguns exemplos são: leite, chocolate amargo, aveia, peixes, oleaginosas, abacate e carnes bovina, de frango e de porco.

 

Ocitocina

Os níveis dessa substância, conhecida como o “hormônio do amor”, podem ser elevados com um simples abraço. Relacionado ao comportamento e ao vínculo social, esse neurotransmissor tem um papel fundamental durante a maternidade – sobretudo na amamentação.

 

A ocitocina está ligada a ações como a troca de olhares e as relações sexuais, bem como ao sentimento de autoconfiança. Ela é produzida pelo hipotálamo e armazenada na glândula pituitária, localizado na base do crânio. Ela promove a sensação de segurança, uma vez que seus efeitos modelam a capacidade de uma pessoa perceber emocionalmente a proximidade de outra pessoa.

 

A ocitocina é um hormônio formado por nove aminoácidos. Sete deles são produzidos pelo organismo e dois são ingeridos pela alimentação. A falta ou escassez de algum desses aminoácidos afeta a produção de ocitocina pelo organismo, podendo acarretar diminuição da função cognitiva, memória e atenção; tensões e dores musculares, ansiedade e medo excessivos, dentre outros diversos sintomas.

 

Endorfina

Esse neurotransmissor atua como um analgésico natural no corpo, produzido em resposta ao estresse ou desconforto. A endorfina é produzida pela hipófise, uma glândula localizada na parte inferior do cérebro, que libera a substância para todo o corpo.

 

Existem cerca de 20 tipos de endorfinas. A mais estudada é a beta-endorfina. Segundo neurocientistas, a beta-endorfina tem como alvo os mesmos receptores que os opiáceos (classe de medicamentos que controlam a dor) e tem alguns efeitos biológicos semelhantes. Cantar, dançar, trabalhar em equipe e praticar atividade física são algumas das formas de aumentar a produção de endorfina.

 

Em 2008, neurocientistas alemães usaram ressonância magnética funcional para analisar atletas e encontraram níveis de beta-endorfina elevados no cérebro após uma corrida de duas horas. Altos níveis de atividade da endorfina no cérebro também se correlacionaram com os sentimentos de euforia relatados pelos corredores.

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