Pesquisas ampliam representatividade
matéria publicada na revista Cosmetics & Toiletries Brasil, Set/Out de 2023, Vol. 35 Nº5 (pág 9 a 13)

O que está por vir no mercado cosmético? Do caleidoscópio de novas tecnologias, contexto sociais e mudanças comportamentais impulsionadas por eventos recentes, emergem tendências e novas propostas que aliam dois aspectos fundamentais: a sustentabilidade e a personalização elevada a outro patamar. O futuro aponta para abordagens holísticas, capazes de atender às necessidades de cada indivíduo.
Vivemos tempos de desconstrução. Ela está nas novas formas de entender e lidar com questões relacionadas à diversidade, na oposição a padrões estéticos e no combate a preconceitos estruturais, dentre outros temas que demandam um olhar mais crítico e abrangente.

A beleza inclusiva é mencionada por nossos entrevistados como um dos drivers para as novidades que virão. “Acredito que essa é uma das tendências que melhor define o futuro da cosmética. A inclusão será a nova norma para muitas marcas, pois há necessidades ainda não contempladas e segmentos da população que atualmente não são atendidos por cosméticos”, diz John Jiménez, cientista sênior de exploração na Belcorp e autor da coluna Tendências.
Com base no autoconhecimento e na aceitação, o conceito body positive é um dos destaques desse cenário. O movimento exalta a diversidade de corpos e defende a quebra de padrões de beleza em relação a idade, cor da pele, gênero, cicatrizes, deficiências e doenças crônicas. O body positive prega essencialmente a inclusão e o amor próprio.
Para Jiménez, a inclusão representa um universo de possibilidades. “Algumas delas são: produtos de beleza para mulheres com mais de 80 anos, para o mercado LGBTQIA+ (que é um poderoso segmento econômico), produtos para pessoas com deficiência física, com necessidades sensoriais e neurais específicas e produtos para pessoas que estão fazendo quimioterapia, dentre outros”, cita.
A era da diversidade também é a da conveniência e da praticidade, com produtos que se encaixam facilmente em nossas rotinas. Em contrapartida, mais e mais pessoas sentem a urgência de desacelerar e tomar as rédeas do próprio tempo, com rituais para cuidar de cada pedacinho do corpo – das axilas ao bumbum.
Jiménez elenca, além da beleza inclusiva, outros motores de inovação no mercado, nas tendências: consumidores guerreiros, cosméticos experenciais, beauty-friendly (que se desdobra em vários conceitos, como pet-friendly, scalp- friendly e microbiome-friendly), back to basics (a potencialização de moléculas clássicas, com novos testes de eficácia e sistemas de liberação) e produtos multiúso.
Os consumidores guerreiros são aqueles que ainda sentem a insegurança financeira gerada pela pandemia. “Isso se refletiu em um boom de lojas com produtos de baixo custo e marcas próprias em muitos supermercados, bem como lojas especializadas nesses tipos de produto. Estamos vendo inovações muito interessantes nesse canal”, menciona.
O especialista aponta a “fome” dos consumidores por novas experiências como uma das características do momento pós-pandemia. A tendência dos cosméticos experenciais diz respeito à valorização das experiências diferentes em viagens, eventos, texturas e fragrâncias. “Os millennials e a geração Z são especialmente propensos a priorizar experiências, em detrimento da aquisição de bens materiais. As marcas de cosméticos têm uma grande oportunidade de inovação multiexperiências”, afirma.
Pesquisas ampliam representatividade
Em julho deste ano, a L’Oréal e a Verily, empresa de tecnologia de saúde de precisão do grupo Alphabet, anunciaram o lançamento do My Skin & Hair Journey, um estudo a respeito dos fatores biológicos, clínicos e ambientais que contribuem para a saúde da pele e do cabelo ao longo do tempo.
Participarão do estudo mulheres norte-americanas de 18 a 70 anos, de várias etnias e origens sociais. Elas compartilharão suas experiências relacionadas à saúde da pele e do cabelo, incluindo as influências de seus estilos de vida e informações sobre bem-estar e rotinas pessoais de beleza.
Um subgrupo de participantes será convidado para testes adicionais, com o intuito de descobrir biomarcadores (assinaturas biológicas únicas) que possam levar à detecção precoce ou à prevenção de doenças de pele. O objetivo é expandir a iniciativa para além dos Estados Unidos.

“É a primeira vez que um estudo dessa magnitude é projetado e lançado na indústria da beleza. Nosso trabalho irá além da pele e cobrirá nossa pesquisa sobre longevidade. Esse estudo tem o potencial de desvendar os mistérios da saúde da pele e do cabelo até o nível individual. No futuro, ele poderá servir como base para o desenvolvimento de inovações para cabelos e pele, com um nível de personalização nunca visto”, afirmou Barbara Lavernos, vice-CEO e responsável pela área de pesquisa, inovação e tecnologia da L’Oréal, em comunicado.
Durante a feira Viva Technology Paris, realizada em junho deste ano, a L’Oréal apresentou inovações de beleza inteligentes e sustentáveis, serviços digitais, bem como dispositivos de diagnóstico alimentados por dados, para promover uma beleza “inclusiva, personalizada e virtual”.
Dentre as soluções que foram destaque no estande altamente imersivo da L’Oréal no VivaTech estão: a ferramenta HAPTA da Lancôme, projetada para permitir que pessoas com deficiência física apliquem maquiagem; tecnologias de diagnóstico e tratamento, como o Spotscan, da La Roche-Posay; soluções de beleza personalizadas, como a transformação virtual proporcionada pelo Maybelline Beauty App, para reuniões via Microsoft Teams.
Durante o 25º Congresso Mundial de Dermatologia, que aconteceu no mês de julho em Singapura, a Pierre Fabre apresentou o “Projeto ALL”. Trata-se de uma pesquisa dermatológica que inclui 3,3 milhões de dados relacionados à pele de mais de 50 mil indivíduos. Segundo a empresa, o projeto, lançado no final de 2022, coletou dados sobre todos os tipos de pele, todas as doenças e todos os fototipos.
Cerca de 50.500 pessoas de populações adultas em 20 países, nos cinco continentes, responderam a 65 perguntas do projeto ALL. Os temas abordados foram relacionados a condições médicas, comportamentos e os cuidados e necessidades de pacientes acometidos por uma ou mais dermatoses, como dermatite atópica, psoríase, acne, rosácea e vitiligo. A Pierre Fabre destacou que a força do estudo reside na extensão dos dados coletados e em sua representatividade.
“A criação deste banco de dados, excepcional por sua cobertura geográfica, confirma nosso compromisso de trabalhar ao lado de profissionais de saúde em todo o mundo e contribuir para melhorar a qualidade de vida de pacientes com doenças de pele. Conhecer melhor suas expectativas nos permitirá orientar nossa forma de trabalhar e inovar, para acompanhá-los em suas jornadas de cuidados dermatológicos”, afirmou Núria Perez Cullel, vice-presidente de assuntos médicos e relações com pacientes e consumidores da Pierre Fabre.

A startup Scientific Skin Technology nasceu em 2019, na cidade catarinense de Itajaí, “para transformar o mercado cosmético com fórmulas completamente originais, invertendo a lógica tradicional de desenvolvimento”, afirma o dermatologista Rafael Arpini, que comanda a empresa ao lado de Mariana Sponchiado Arpini. A Scientific Skin Technology participa do GB Ventures, programa de aceleração do Grupo Boticário.
“Desde cedo, na prática clínica, percebi que existia uma distância entre as necessidades reais dos pacientes e os cosméticos encontrados nas farmácias. Durante meu mestrado [em Medicina Cosmética e Envelhecimento, pela Universidade de Barcelona], visitei as principais casas de ativos internacionais e, com o conhecimento científico adquirido, comecei a desenhar as formulações originais que deram origem à linha da Scientific Skin Technology”, conta.

A empresa produz sete tipos de séruns – Calmante, Lifting, Defesa, Preenchedor, Controle, Clareador e Regenerador – em seringas, que podem ser usados sozinhos ou em combinações, para o tratamento de queixas simples, como manchas e sensibilidade, e complexas, como melasma e rosácea. “Lançamos ainda o Skin ID, o primeiro algoritmo nacional de diagnóstico da pele com IA, capaz de analisar e indicar o cosmético ideal”, menciona.
Arpini explica que a apresentação em seringa favorece o uso inteligente dos produtos. “A seringa impede a contaminação dos ativos e evita o desperdício das formulações. Em testes clínicos oficiais, ela tem até 97% de aprovação dos consumidores. Todos os séruns são superconcentrados e usam os melhores ativos internacionais, de casas como Givaudan, IFF, Basf e Lipotec. Eles são 100% veganos, com ativos extraídos por bioengenharia. Os produtos compartilham uma exclusiva base biomimética, que se adapta a todo tipo de pele”, destaca. As composições incluem prebióticos, esqualano vegetal, um pool de aminoácidos e lipídeos.
A internet é o principal canal de vendas da empresa nativa digital, que hoje tem parceiros como o marketplace Beleza na Web e as varejistas Renner e Amaro. “Somos indicados por profissionais da saúde e nossos produtos também estão em clínicas. Em conjunto com o Grupo Boticário, estamos desenhando a ampliação inteligente de canais”, comenta. “Estamos em nosso melhor momento. Nossa missão é democratizar os tratamentos de alta performance, de forma inteligente. Estamos no processo de desenvolvimento de novos produtos”, completa.

A Roalisderma usa biologia molecular, estudos científicos e inteligência artificial como base para um teste genético que avalia o estado de saúde da pele. “Esse teste permite a identificação dos processos biológicos que estão envolvidos no envelhecimento da pele para que, ao final da análise, seja entregue um produto tópico, na forma de um creme personalizado, para reestabelecer a saúde e o equilíbrio dessa pele”, explica Israel Feferman, sócio fundador da Singhula – empresa localizada em São Jorge do Patrocínio, no Paraná –, proprietária da marca Roalisderma.
Ele ressalta os papéis fundamentais de processos biológicos para a manutenção da saúde da pele, como a divisão celular, o reparo de DNA, a barreira cutânea e a produção de melanina. “Esses processos fazem parte do tecido cutâneo e são responsáveis por manter a pele saudável. Dessa forma, o tecido pode exercer suas funções vitais, que repercutem para nossa saúde em geral. Isso é algo primordial, em face da longevidade da população brasileira e mundial. Está cientificamente comprovado que os processos biológicos da pele são controlados geneticamente e se alteram ao longo do tempo. Essas alterações estão relacionadas à herança genética e ao estilo de vida de cada indivíduo”, aponta.
O trabalho realizado pela Roalisderma considera variações étnicas e individuais. “Desenvolvemos um sistema capaz de avaliar o estado de saúde da pele de cada indivíduo, por meio de um teste molecular que analisa múltiplos processos biológicos. O teste é baseado na análise da expressão dos genes (molécula de RNA mensageiro) e não no teste de DNA. Isto nos permite obter dados quantitativos sobre como os processos biológicos, como os envolvidos no processo de envelhecimento da pele, estão ocorrendo”, explica.
A partir do resultado da análise, é desenvolvida uma formulação que module a expressão desses genes, “levando ao equilíbrio homeostático e à melhora da aparência da pele, com redução significativa dos sinais do envelhecimento. Por ser um método quantitativo, a análise do RNA permite o acompanhamento da eficácia do produto em cada indivíduo durante o uso. É uma tecnologia revolucionária, inovadora e única no mundo”, afirma.
Ele destaca o avanço da ciência genômica após a conclusão do primeiro sequenciamento do genoma humano e de áreas correlatas, que estão “revolucionando o século 21”. “O cosmético do futuro será baseado na personalização verdadeira, com abordagem holística para atender às necessidades de cada indivíduo e produtos multifuncionais que facilitem a rotina diária de cuidado pessoal”, diz.
“A personalização de produtos, que já foi uma tendência unânime apontada pelas empresas de pesquisa de mercado, hoje é uma realidade, e grandes empresas do setor, no Brasil e no mundo, estão procurando seu espaço nessa nova oportunidade”, acrescenta.
Para Feferman, cresce entre os consumidores a percepção de que cada pele é única. “Há uma busca, cada vez maior, por saúde e bem-estar com base na eficácia que o produto apresenta em cada indivíduo. O cosmético do futuro será o produto capaz de manter a saúde da pele, independentemente da rotina diária, respeitando o estilo de vida da pessoa. Esse é o foco da RoalisDerma: você, na sua melhor beleza”, conclui.
A Superbac atua no mercado de soluções em biotecnologia desde 1995. A empresa informa que detém a maior e mais moderna biofábrica da América Latina, localizada em Mandaguari, no interior do Paraná (a sede administrativa fica na região metropolitana de São Paulo), onde trabalham mais de 70 pesquisadores. A Superbac desenvolveu uma tecnologia exclusiva de bactérias inteligentes, capaz de produzir resultados significativos em diversas aplicações.

“São microrganismos que proporcionam tratamentos e recursos diversificados em áreas como derramamento de petróleo, saneamento básico, efluentes de frigoríficos, indústria cosmética, em lançamentos para donos de pets, na limpeza de caixas de gordura e até na produção de vacinas. Tudo isso tem uma tecnologia em comum, de ponta, que silenciosamente vem trazendo uma verdadeira revolução ao mercado”, diz Celso Santi Jr., gerente de projetos de inovação.
A Superbac nasceu como provedora de soluções baseadas em biotecnologia para a indústria de chocolates. Luiz Chacon, CEO da companhia, percebeu que o recurso usado para a limpeza de dutos cheios de gordura alimentícia poderia ser aplicado em outras áreas.
“Líder em bioinovação e referência na substituição de processos produtivos, a Superbac entrega soluções sustentáveis e economicamente viáveis, formulando blends específicos de microrganismos e potencializando seus efeitos para satisfazer demandas em diferentes segmentos, como no agrobusiness, no farmacêutico, em alimentação humana e animal e no setor cosmético”, afirma.
Ele cita que o mercado global de ingredientes biotecnológicos quase dobrará em quatro anos, chegando a aproximadamente US$ 3 bilhões em 2027. “A biotecnologia é um mercado que vale US$ 191 bilhões e o Brasil tem tudo para ser um dos líderes globais. Os microrganismos ‘constroem’ fragrâncias, corantes e emulsificantes sustentáveis, que entram como substitutos de químicos, por exemplo, em produtos utilizados para a limpeza da pele”, diz.
Para Santi Jr., a aplicação da biotecnologia na indústria cosmética pode ser dividida em três grandes frentes: desenvolvimento de novas matérias-primas e princípios ativos, criação de modelos alternativos aos testes em animais e desenvolvimento de novos produtos e segmentos – por meio de ferramentas analíticas para o entendimento de processos genéticos, microbiológicos e bioquímicos.
“Novas tecnologias, como as sinergias entre biotecnologia e nanotecnologia, e entre biotecnologia e impressão 3D, virão em médio prazo e deverão causar revoluções positivas no mercado. A todo momento, surgem diversas moléculas de origem microbiana com extrema relevância no mercado cosmético e com capacidade para serem produzidas em escala industrial”, destaca.

O empresário menciona que, além de produzir uma ampla gama de produtos já demandados pelo mercado, a biofábrica da Superbac está apta a atuar como desenvolvedora de novas soluções, criando bioprocessos e bioinsumos sob medida, para cada tipo de desafio. “Os projetos podem ser fechados com ciclo completo, que vai da bioprospecção aos processos de desenvolvimento, escalonamento em planta piloto e formulação do produto acabado”, diz. A Superbac acaba de receber um aporte de R$ 300 milhões da XP, o que impulsionará a atuação da empresa em diversos segmentos, incluindo o cosmético.
Ele aponta possíveis características dos cosméticos do futuro, com base na união entre biotecnologia e a crescente preocupação com a sustentabilidade. Algumas delas são:
Personalização avançada – a biotecnologia permitiria a criação de produtos cosméticos mais personalizados, adaptados às necessidades de cada pessoa. “Isso poderia envolver análise genética e molecular para desenvolver produtos que se ajustem perfeitamente a diferentes tipos de pele, cabelo e características individuais”.
Nível celular – com avanços em biotecnologia, os produtos poderiam ser desenvolvidos para atuar na saúde da pele em nível celular, promovendo regeneração, proteção contra danos ambientais e retardando os sinais de envelhecimento.
Tecnologia wearable – produtos cosméticos poderiam se integrar a dispositivos wearable, como sensores de pele, para monitorar a saúde da pele e ajustar a formulação dos produtos com base nas condições, em tempo real.
Redução de alergias e sensibilidades – com uma compreensão mais profunda a respeito da biologia da pele, a biotecnologia pode ajudar a desenvolver produtos que minimizem alergias e sensibilidades cutâneas.

Para Patrícia Maia Campos, professora titular da USP e docente na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, a principal característica dos cosméticos do futuro será a utilização de ingredientes de origem natural e sustentáveis, com baixo impacto ambiental. “Será preciso desenvolver novas tecnologias para a obtenção de insumos de fontes naturais, para a criação de um cosmético cujo desenvolvimento considere os aspectos ambientais, sociais e econômicos. Além disso, o grande desafio de retirar matérias-primas controversas das formulações será vencido”, diz.
Nesse contexto, formulações de cosméticos serão cada vez mais minimalistas. “Elas serão desenvolvidas levando em consideração desde a prospecção dos ingredientes até a obtenção do produto e a cadeia de distribuição, superando os desafios relacionados à sustentabilidade e às necessidades ambientais e sociais”, pontua.
Em face da tendência de redução do consumo, a multifuncionalidade será um atributo essencial. “Os cosméticos do futuro terão alta performance, pois serão desenvolvidos com base no conhecimento a respeito da pele e dos cabelos. A vertente da personalização, por meio da análise biológica da pele, será mais forte, assim como a cosmética mais inclusiva. Por fim, a digitalização e a integração de informações facilitarão a correlação de dados: da definição das matérias-primas da formulação ao estudo clínico”, completa.
John Jiménez menciona a “segmentação química” do consumidor. “O marketing nos ensinou, há muitos anos, que havia diferentes tipos de segmentação: demográfica, geográfica, psicográfica, comportamental... No futuro, a segmentação química será um insumo para o design do produto. Novos marcadores moleculares entrarão em ação para classificar as necessidades do consumidor”, acredita.
“A inteligência artificial também desempenhará um papel significativo na inovação cosmética, sob muitos pontos de vista. Em breve, veremos mecanismos bioquímicos em skincare que foram elucidados graças à IA e novos materiais também projetados sob esta ferramenta. Poderemos até ver sistemas de IA ajudando a diagnosticar as necessidades da pele, fazendo previsões de eficácia de várias vias bioquímicas e programas que irão fornecer suporte aos formuladores”, acrescenta.
Ele ainda destaca a abordagem multissensorial e novos conceitos de produtos relacionados à sinestesia, criados nos últimos anos. A sinestesia é uma condição neurológica que consiste na produção de duas sensações distintas por um único estímulo. Nessa espécie de cruzamento de sensações, um som pode representar uma cor ou um aroma, por exemplo. Como figura de linguagem, a sinestesia é caracterizada pelo uso de palavras que remetem à mistura de sensações relacionadas aos sentidos, como uma “cor berrante” (visão + audição).
No setor, um exemplo recente relacionado ao conceito foi a parceria entre a Quem Disse, Berenice? e a Arcor, fabricante da bala 7Belo. Em uma edição especial, itens de maquiagem apresentaram aroma e cores inspirados na clássica bala de framboesa.
“Nos próximos anos, faremos descobertas muito interessantes sobre o efeito da música na beleza. Atualmente, encontramos publicações científicas sobre como algumas melodias e canções aumentam significativamente a condutividade da pele, que é uma medida indireta de hidratação. Veremos novos estudos que mostram como a música pode potencializar certos mecanismos bioquímicos para aumentar os benefícios cosméticos, como hidratação e luminosidade”, acrescenta.
Na indústria têxtil, a incorporação de substâncias microencapsuladas proporciona o desenvolvimento de tecidos e materiais funcionais, capazes de reagir ao ambiente. Nos últimos vinte anos, nanomateriais introduzidos em processos têxteis levaram à criação de peças com benefícios como ação antimanchas e antimicrobiana e contra os danos acarretados pelos raios UV.

Atualmente, ativos microencapsulados podem conferir ao tecido propriedades como hidratação e refrescância. Os têxteis cosméticos utilizam uma ampla gama de agentes, como fragrâncias, óleos essenciais, agentes de proteção solar, agentes anticelulite, antioxidantes, vitaminas, ingredientes hidratantes, refrescantes e antienvelhecimento. O composto mais comum usado para o invólucro da microcápsula é a β-ciclodextrina.
O objetivo é fazer a liberação controlada do ingrediente presente na estrutura do tecido para a pele – por fricção, mudança de temperatura ou pH, pressão, difusão, biodegradação através do invólucro ou dissolução do invólucro. Além de controlar a liberação de compostos ativos, a microencapsulação protege esses compostos contra acidez, alcalinidade, calor, umidade, evaporação e oxidação. A tecnologia também protege os compostos da interação com outras substâncias, evitando sua degradação ou polimerização.
Dentre os óleos essenciais mais utilizados em cosmetotêxteis, estão os de sálvia, por suas propriedades
antifúngicas e antimicrobianas, e de rosa, em razão da ação antibacteriana, antioxidante e hidratante. O óleo de rosa mosqueta é um dos compostos presentes em artigos da norte-americana Skineez, que tem no portfólio a família de produtos Skineez Skincarewear.
A empresa usa uma tecnologia patenteada de microencapsulação na linha que inclui calças legging (que prometem emagrecimento e hidratação), meias de compressão (para firmar, revitalizar e hidratar pernas e pés) e luvas de hidratação (com suave compressão e os ingredientes microencapsulados manteiga de karitê, óleo de semente de damasco, óleo de rosa mosqueta, retinol, vitamina E e cafeína).
A marca também oferece um spray reabastecedor de roupas. “Nossos produtos de beleza vêm pré-tratados com nossa formulação hidratante reparadora da pele, que dura até 10 lavagens. Depois disso, aplique nosso spray reabastecedor de roupas para continuar recebendo todos os benefícios reparadores da pele. Basta virar seus produtos Skineez Beauty do avesso enquanto estiverem úmidos e aplicar alguns jatos de spray. Eles ficarão como novos por mais dez lavagens”, diz a Skineez.
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