EM BOA COMPANHIA

Erica Franquilino

Belos e saudáveis

Destaques no mercado

 

matéria publicada na revista Cosmetics & Toiletries Brasil, Jan/Fev de 2022, Vol. 34 Nº1 (pág 11 a 17)

 

 

São muitas as histórias de amor e altruísmo entre humanos e seus animais de estimação, algumas delas eternizadas em livros e fi lmes. Nos períodos de isolamento social para conter o avanço da pandemia, a presença dos bichinhos foi essencial – numa relação de cuidado mútuo. A percepção a respeito da contribuição dessa convivência à nossa saúde mental colabora para impulsionar um mercado diversificado e em trajetória de crescimento.

 

De acordo com uma pesquisa realizada em junho de 2021 pelas empresas DogHero e Petlove, 54% dos brasileiros adotaram um pet durante a pandemia. Desse total, 19% nunca tinham tido cães ou gatos. A alegria que um animalzinho confere ao lar foi a opção mais votada dentre as motivações para a adoção do pet. Para 46% das pessoas que adotaram um animal, houve melhora no bem-estar físico e mental.

 

Dados do programa Better Cities For Pets, da Mars Petcare (dona de marcas como Pedigree, Whiskas e Royal Canin), mostram que o número de tutores no Brasil aumentou na pandemia. A pesquisa (referente a 2020) aponta que, para 86% dos entrevistados, os pets foram umas das principais companhias no período de isolamento social.

 

Dentro dessa parcela, 56% afirmaram que a principal razão de terem adquirido um animalzinho foi pela companhia. Outra informação relevante: 78% disseram que os pets ajudaram a reduzir sintomas de estresse e ansiedade.

 

A União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), ONG com sede em São Paulo, registrou crescimento de 400% na procura por cães e gatos no período de março a julho de 2020, meses iniciais do isolamento social no Brasil.

 

Pesquisas demonstram que a relação entre pets e tutores pode fornecer um impulso de ocitocina, também chamada de oxitocina, tanto para o ser humano quanto para o animal de estimação. O hormônio exerce importantes funções no organismo e nas sensações de prazer e afeto. Os efeitos fisiológicos incluem a redução dos batimentos cardíacos, o que pode resultar em emoção positiva.

 

Um estudo do Departamento de Zootecnia e Biotecnologia da Universidade de Azabu, no Japão, publicado em 2015 pela revista Science, demonstra essa relação. De acordo com os cientistas asiáticos, a troca mútua de olhares produz elevados níveis de ocitocina. Essa percepção, de.acordo com o estudo, é semelhante à troca de olhares entre mães e seus bebês.

 

Os pesquisadores avaliaram cachorros e seus tutores por 30 minutos, documentando todas as interações: palavras, carícias e olhares. Ao medirem os níveis de ocitocina, eles concluíram que “o aumento do contato visual entre cães e seus donos levava ao aumento da ocitocina no cérebro das duas espécies.”

 

A pesquisa Radar Pet 2020, feita pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan), em parceria com o Instituto H2R, aponta que o gato geralmente é escolhido como primeiro animal de estimação.

 

“Temos mais cães, mas os gatos têm ganhado grande espaço nos lares brasileiros. É um animal de entrada para muitas pessoas e famílias. No Nordeste, por exemplo, há predominância dos gatos. Um dos possíveis motivos para isso, além do perfil do animal, é um custo mais baixo mensal. O gato vai ser o pet do futuro”, diz Leonardo Brandão, coordenador da Comissão de Animais de Companhia do Sindan.

 

Uma pesquisa encomendada pela marca de nutrição animal Royal Canin, realizada em agosto de 2020 em todo o território nacional, constatou um aumento de 16% no número de felinos nos lares brasileiros durante a pandemia. Desse total, 11,5% alegaram ter adquirido um gato principalmente por causa da solidão.

 

O levantamento do Sindan mostra que os animais Sem Raça Definida (SRD) são maioria nas casas dos brasileiros. Entre os cães, 42% são vira-latas. Cerca de 70% daqueles com raça definida são de pequeno porte. As raças favoritas dos brasileiros são pinscher, poodle e shih tzu. Entre os gatos, 65% não têm raça definida. Os siameses são predominantes entre os felinos com raça. A maior parte das pessoas responsáveis pelos cuidados dos animais (cerca de 60%) são mulheres.

 

O Brasil tem a segunda maior população de cães, gatos e aves canoras e ornamentais do mundo (perde apenas para os Estados Unidos) e é o terceiro maior país em população total de animais de estimação, segundo dados (referentes a 2019) da Euromonitor International, divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).

 

O país abriga aproximadamente 56 milhões de cães, mais de 25 milhões de gatos, 20 milhões de peixes, 40 milhões de aves e mais 2,5 milhões de outros animais. A estimativa é de 139 milhões de pets.

 

Em âmbito mundial, o faturamento do mercado de produtos para pets em 2020 foi de US$ 145,8 bilhões. O Brasil tem o sétimo maior faturamento do mundo, com 3,9% do total. Nas primeiras seis colocações estão: Estados Unidos (40,6%), China (7,3%), Reino Unido (4,5%), Alemanha (4,3%), Japão (7,2%) e França (4%).

 

 

 

A Abinpet informa que esse mercado é composto por indústrias e integrantes da cadeia de distribuição dos segmentos de alimentos (pet food), medicamentos veterinários (pet vet) e cuidados com a saúde e a higiene do pet (pet care). Esta última abrange produtos como shampoos, condicionadores, sabonetes, cremes desembaraçantes, perfumes e bálsamos.

 

 

 

 

 

Segundo a entidade, o mercado pet representa 0,36% do PIB brasileiro, à frente dos setores de utilidades domésticas e de automação industrial. Alimentos correspondem a 75% do faturamento, que em 2020 foi de R$ 27,02 bilhões. Na sequência, estão os segmentos de pet vet (17%) e pet care (8%). O crescimento no faturamento em 2020 foi de 24% em pet food, 18% em pet vet e 9,5% em pet care. Os dados de 2021 ainda não foram divulgados pela Abinpet.

 

 

Vale mencionar o avanço do comércio eletrônico no mercado pet. No primeiro semestre de 2021, o crescimento no número de pedidos no segmento foi de 92% ante o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Neotrust, empresa de inteligência de mercado focada em e-commerce. Nessa mesma base de comparação, o comércio eletrônico brasileiro, no geral, cresceu 21%.

 

 

 

 

Belos e saudáveis

 

A espessura da pele com pelos varia de 0,5 mm a 5 mm nos cães e de 0,4 mm a 2 mm nos gatos. Em linhas gerais, a espessura cutânea do dorso, do pescoço e da cabeça de cães e gatos é maior do que a do abdômen. A pele também é mais espessa na fronte, na região glútea e na base da cauda. Além das diferenças de espessura entre as regiões do corpo, existem variações relacionadas à raça e à idade desses animais.

 

Em relação aos humanos, a pele de cães e gatos é menos espessa e tem pH mais ácido. Em razão dessas e de outras diferenças, veterinários não recomendam o uso em pets de produtos desenvolvidos para humanos. A pele de cães e gatos cumpre a função de barreira entre o meio externo e o interior do organismo e de manutenção e controle da temperatura corpórea.

 

Durante o desenvolvimento de produtos para pet care, são realizados estudos de segurança, estabilidade e eficácia. A fragrância é um dos aspectos mais relevantes na formulação. O nariz de um cão tem 200 milhões de receptores olfativos – cerca de 25 vezes mais do que o de um humano. Portanto, cheiros agradáveis para humanos podem ser irritantes ou desagradáveis para pets, que têm olfato mais sensível.

 

 

 

Em produtos para banho, é preciso considerar as diferentes pelagens, no que diz respeito a cor, comprimento, oleosidade e secura. As formulações precisam ser suaves, com matérias-primas selecionadas e pH compatível.

 

 

Uma alimentação balanceada, com vitaminas, sais minerais, proteínas e outros nutrientes, garante a nutrição e o fortalecimento do sistema imunológico de animais de estimação. Excessos ou deficiências podem ocasionar problemas físicos e alterações comportamentais.

 

 

“Os nutrientes são compostos químicos assimiláveis pelo organismo, obtidos a partir dos ingredientes que compõem os alimentos, estando agrupados por grupos ou “famílias”, que desempenham funções essenciais aos cães e gatos, como obtenção de energia, síntese de tecidos, hormônios, enzimas e outras substâncias essenciais. Desta forma, os nutrientes são indispensáveis para o metabolismo, a manutenção do organismo vivo, a reprodução, o crescimento e a recuperação de doenças”, menciona a 10ª edição do Manual Pet Food, da Abinpet.

 

Os macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras) são responsáveis sobretudo pelo fornecimento de energia ao organismo do animal. Importantes fontes de energia, os carboidratos poupam a utilização de proteínas, contribuindo para a manutenção da massa muscular.

 

Proteínas são responsáveis pela reparação e construção de tecidos, incluindo pelos, músculos e cartilagens. As gorduras são as fontes de energia de referência para cães e gatos e fundamentais para a proteção dos órgãos.

 

Formulados especificamente para cada espécie, produtos industrializados (secos e úmidos) asseguram o desenvolvimento completo de filhotes e uma vida saudável e ativa para animais adultos. O mercado brasileiro de alimentação para animais de estimação oferece linhas completas, com opções premium, de níveis nutricionais superiores, e super premium, desenvolvidas com a mais alta tecnologia em nutrição.

 

 

Destaques no mercado

 

A Perigot cresceu num ritmo de 20% a 25% ao ano nos últimos cinco anos. “Em 2021, o avanço foi de 24,4% em relação a 2020, sendo que em 2020 crescemos 26,9% na comparação com o ano anterior. Além de uma linha completa de cosméticos, temos a linha de confecção, com itens como caminhas, colchonetes, moletons e jalecos”, diz Giuseppe Ilario, diretor comercial.

 

 

A linha para higiene e embelezamento oferece shampoos, condicionadores, máscaras de hidratação, banho a seco e uma família de perfumes com 35 fragrâncias. O último lançamento é a linha Raízes do Sertão, que celebra o Nordeste brasileiro.

 

 

Os itens são: shampoo neutro enriquecido com extrato de caju, que ajuda a realçar a cor da pelagem; bálsamo hidratante, com extratos de coco e de Aloe vera, colágeno hidrolizado e açúcar natural, para proteção e recuperação dos pelos danificados; o Keratin Force Repair, um concentrado de queratina hidrolisada rico em glicina e cisteína, que proporcionam reparação profunda; e uma colônia com fragrância de alta fi xação, que harmoniza com os demais produtos.

 

 

 

O portfólio da Granado Pet abrange uma linha completa para higiene dos pets, com shampoo, condicionador, sabonete em barra, colônia e fluido desembaraçador, para diversos tipos de pelagens. “Além disso, temos os medicamentos para cuidados específicos, como o Sabonete de Enxofre, o Pó Hemostático e o Pó Otológico”, informa Débora Xavier, gerente de desenvolvimento de produtos Granado|Phebo.

 

Todos os produtos foram relançados em 2021, com novas embalagens, volumetria e design. “Também apresentamos novos produtos, para atender à variedade de pelagens e cuidados, como o Shampoo e Condicionador Brilho Intenso, para pelos escuros, e uma linha para pelos longos que facilita o pentear e deixa os pelos brilhantes e perfumados. Outra novidade foi a colônia Pet”, menciona.

 

A linha Pet da Granado cresceu mais de 50% em 2021. “O redesign e os lançamentos foram um sucesso absoluto. Conseguimos ganhar bastante espaço e pretendemos continuar crescendo em 2022. Estamos investindo bastante em ações de marketing, nos pontos de venda e na linha como um todo”, completa.

 

A Vetfleur foi lançada em agosto de 2017, durante a feira PET South America, em São Paulo. “Oferecemos ao mercado uma linha de cosméticos veterinários 100% naturais, com foco na aromaterapia. Produzimos a primeira linha comercial em escala no mundo com foco em aromaterapia veterinária. Anteriormente, havia apenas alguns produtos artesanais fora do Brasil”, afirma o veterinário Yuri Mello, diretor da empresa.

 

A marca comercializa mais de 100 produtos. Dentre os destaques estão: lenços umedecidos funcionais (para limpeza dos dentes, corpo e ouvidos); hidratantes para patinhas, narizes e cotovelos, pasta de limpeza de dobras, manteiga hidratante hipoalergênica e unguento; óleos para massagem com aromaterapia para cães e sprays para caminhas; além de produtos de aromaterapia para cavalos e gatos e de uma linha ambiente com sprays naturais, difusores e velas.

 

 

Yuri assegura que a produção cresceu, mas não perdeu o enfoque artesanal. “Esse era um mercado muito restrito, mas que está crescendo rapidamente, juntamente com as terapias holísticas nas áreas veterinária e humana. As pesquisas e os estudos para os produtos começaram em 2014. Estive à frente de todas as criações”, comenta.

 

 

 

As últimas novidades da Vetfleur foram as versões em sachê dos lenços umedecidos e o início da comercialização da linha banho profissional, com óleos de banho para petshops, colônias 100% naturais e sem álcool e a collab da linha de aromaterapia spray com a Boodog, empresa que produz roupinhas, acessórios e camas para cachorros.

 

 

 

“Toda a nossa linha é criada por veterinários e tem uma formulação específica para o bem-estar dos animais, com o menor impacto possível no meio ambiente. Nosso diferencial é oferecer produtos 100% naturais com pH adequado para os animais e livres de parabenos, silicones e outros componentes prejudiciais à saúde”, aponta.

 

 

 

Em 2021, o crescimento da empresa foi de aproximadamente 20% em relação a 2020, “ficando acima da média do mercado pet, que foi de 13%”. O portfólio saltou de 20 para 105 itens.

 

 

 

“Começamos a implantação de um sistema de rastreamento com um número de série em cada produto, para impedir a propagação das falsificações com nossa marca que estavam sendo comercializadas na internet. Aumentamos a quantidade de marcas de terceiros fabricadas pela Vetfleur de duas para cinco e chegamos a 350 pet shops em todo o Brasil”, destaca.

 

 

 

O objetivo é chegar a 145 produtos próprios em 2022, com o lançamento de shampoos e outros itens de uso profissional, desenvolvidos em uma nova unidade de produção.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Revista Cosmetics & Toiletries Brasil, edição Nov/Dez de 2014

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