Autor: Rogério Mori
Editora: Alta Cult
Uma senhora desconhecida
por Carlos Alberto Pacheco
Ficha Bibliográfica
Guia de indicadores econômicos brasileiros: desvendando a economia
Autor: Rogério Mori
Editora: Alta Cult
Edição: 2024
Número de páginas: 208
Formato: 16 x 23 cm
Idioma: Português
ISBN-10: 8550824399
ISBN-13: 978-8550824390
Quantas vezes já ouvimos falar da tal “conjuntura econômica” nos noticiários da noite? Mas, afinal, o que é essa danada? Fora do universo dos economistas, essa velha senhora continua sendo uma completa desconhecida — embora acompanhe a humanidade desde as crises do final do século XIX, quando a economia moderna ainda engatinhava.
Para preencher essa lacuna, o professor Rogério Mori — formado pela USP, doutor pela FGV e responsável pelo curso de MBA em Finanças, desta instituição —, lançou o livro Guia de indicadores econômicos brasileiros – desvendando a economia, publicado pela editora Alta Cult. A obra é uma verdadeira aliada de quem quer entender, de forma clara, simples e objetiva, um tema que nos chega com frequência, mas quase sempre de maneira indigesta.
O livro define conjuntura como o conjunto de indicadores econômicos que atuam simultaneamente, interagem entre si e se influenciam em um sistema dinâmico. Esses indicadores podem ser micro ou macroeconômicos, abrangendo desde setores específicos até países inteiros ou blocos regionais. A conjuntura pode ser analisada sob três perspectivas: o passado (para fins históricos), o presente (essencial para a formulação de políticas públicas) e o futuro — já que também nos ajuda a projetar cenários de médio e longo prazo.
É importante destacar que conjuntura econômica não é algo determinístico, mas sim probabilístico. Todos os seus indicadores são variáveis e sujeitos a intempéries diversas — como choques climáticos, guerras, regimes de governo, entre outros fatores que a história já demonstrou terem grande poder de impacto econômico. Um exemplo recente disso foram as enchentes históricas de 2024, ocorridas na região Sul. Elas causaram destruição de infraestrutura, perdas na produção agropecuária e o desabastecimento de diversos setores. Esses eventos não só impactaram o PIB nacional como também pressionaram a inflação de alimentos no país e exigiram maior gasto público em ajuda emergencial e reconstrução do Rio Grande do Sul — alterando os indicadores das contas públicas e da atividade econômica no Brasil.
Organizado de forma didática, o livro apresenta os indicadores econômicos divididos em quatro grandes eixos: Inflação (como IPCA e IGP-M), Atividade Econômica (PIB, produção industrial, taxa de desemprego), Contas Públicas (taxa Selic, dívida pública, emissão de moeda) e Setor Externo (balança comercial, fluxo cambial, balanço de pagamentos). Além disso, nessa obra, Mori aborda os índices de expectativa e confiança. O grande diferencial, no entanto, está em mostrar como esses indicadores se inter-relacionam — dentro e fora de seus respectivos eixos — e como suas variações influenciam o comportamento da economia e as respostas do governo por meio das políticas econômicas. Em outras palavras, o livro ensina a interpretar sinais práticos que afetam diretamente nossa vida e nosso bolso.
Um dos destaques da obra é o capítulo dedicado a um dos temas mais áridos — e ao mesmo tempo mais importantes — da conjuntura econômica: as Contas Públicas. É nesse campo que se realizam os ajustes fiscais e a emissão de títulos que financiam o governo. Um endividamento equilibrado é fundamental para evitar riscos de calote — a
chamada moratória.
No Brasil, esse tema é especialmente sensível. Antes da implementação do Plano Real, em 1994, o país viveu um período prolongado de instabilidade econômica, marcado por hiperinflação, déficits públicos recorrentes e uma sucessão de planos econômicos fracassados. Com o Plano Real, o financiamento do déficit público passou a ocorrer principalmente via emissão de títulos públicos, dentro de um sistema mais transparente e sujeito ao escrutínio do mercado. No entanto, o crescimento contínuo das despesas públicas — e, em muitos casos, a má alocação de recursos — têm mantido o endividamento como uma preocupação central. Mesmo com a estabilidade relativa dos últimos anos, o Brasil ainda carrega uma herança de vulnerabilidade fiscal que torna qualquer sinal de descontrole um fator de risco para toda a conjuntura econômica. Em abril de 2025, a dívida pública brasileira alcançou R$ 9,2 trilhões, o equivalente a 76,2% do PIB. O FMI projeta que esse índice poderá chegar a 92% até o final de 2025 e beirar os 100% no final desta década — um quadro alarmante, sobretudo para os que dependem de transferências diretas, como aposentados e famílias em situação de vulnerabilidade.
Por isso, entender como a máquina econômica funciona é uma atitude de responsabilidade. Quanto mais bem informados estivermos, melhor poderemos proteger nossas finanças — hoje e no futuro.
O livro de Mori é uma daquelas obras com tudo para se tornar leitura de cabeceira para quem deseja cuidar melhor do seu dinheiro e do país em que vive.