Influencers

por Erica Franquilino

Como funcionam as parcerias

Iniciativas no setor

Panorama sobre o marketing de influência no Brasil

De influencers a empresárias

 

matéria publicada na revista Cosmetics & Toiletries Brasil, Jan-Mar de 2026, Vol. 38 Nº1 (págs 11 a 16)

 

 

Pautada pela diversidade de vozes e pela autenticidade, a ascensão dos influencers impacta profundamente a relação entre marcas e consumidores. Empresas investem na construção de times diversificados de criadores, com espaço para celebridades e microinfluenciadores, além de programas próprios focados na capacitação de colaboradores. No país que lidera o ranking mundial de influenciadores digitais, o marketing de influência explora a força das comunidades e o poder da humanização para estabelecer conexões genuínas.

O Brasil tem cerca de 3,8 milhões de criadores de conteúdo, em um mercado que movimenta R$ 20 bilhões por ano, segundo a pesquisa “Do feed ao plenário: o debate sobre regulamentação de influenciadores digitais no Congresso Nacional", realizada pelo Reglab - Centro de Estratégia & Regulação. Os números referentes a essa parcela de brasileiros variam em razão das diferentes fontes e metodologias. Dados focados em criadores com maior engajamento ou perfis profissionais indicam mais de 2 milhões de influencers no país.

 

Outro estudo, produzido pela Noodle, fintech brasileira voltada ao mercado de criadores de conteúdo, informa que o mercado brasileiro de creator economy alcançou US$ 5,47 bilhões em 2025 e tem projeção de atingir US$ 33,5 bilhões até 2034, com uma taxa de crescimento anual composta de aproximadamente 22,34% entre 2026 e 2034. O relatório “O Horizonte da Creator Economy no Brasil” posiciona o país como principal força da creator economy na América Latina, região que deve crescer de US$ 38,5 bilhões em 2025 para mais de US$ 112 bilhões em 2031.

 

Um influencer, ou influenciador digital, é uma pessoa que cria conteúdo on-line em plataformas como Instagram, YouTube e TikTok, construindo uma audiência engajada em um nicho específico, como moda, games e beleza. Com o poder de reforçar tendências, influenciar opiniões e decisões de compra de seus seguidores, influencers aproximam marcas e consumidores, gerando engajamento autêntico, impulsionando vendas e transformando a comunicação em conteúdo relevante e compartilhável.

 

“No cenário contemporâneo, o marketing de influência deixou de ser uma tática acessória para se tornar o epicentro da estratégia de construção de marca no setor de beleza. Em um mercado saturado e altamente competitivo, a influência digital atua como uma ponte de confiança entre a inovação técnica e o desejo do consumidor. Integrar criadores de conteúdo à estratégia empresarial permite não apenas o alcance de novos públicos, mas a humanização de ativos complexos e a validação social de promessas de marca”, diz Silvana Scheffel, coordenadora da pós-graduação em Gestão de Negócios e Inovação em Beleza da ESPM.

 

 

Como funcionam as parcerias

 

Para Silvana, identificar o parceiro ideal vai muito além de analisar o número de seguidores. A escolha exige credibilidade e afinidade real com os produtos da marca. “Uma estratégia eficaz envolve o coolhunting estratégico, técnica que ensinamos para decodificar rituais e culturas de beleza emergentes, permitindo que a marca encontre criadores que já falam de forma consistente e técnica sobre skincare, maquiagem ou cabelos”, aponta.

 

“Além do uso de ferramentas de SaaS (Software as a Service) como Influency.me e Traackr, ou dos marketplaces das redes sociais, a gestão moderna utiliza o benchmarking setorial e a análise do histórico de parcerias para garantir coerência. Na pós-graduação, discutimos como a neurociência aplicada à beleza ajuda a entender as respostas emocionais da audiência, permitindo identificar se a relação de confiança entre o influenciador e o público é genuína ou apenas superficial”, destaca.

 

A Influency.me atua na creator economy há quase uma década. A empresa iniciou sua operação como um software de gestão de campanhas com influenciadores digitais, evoluiu para estúdio e ampliou sua atuação ao longo do tempo. Em 2024, a empresa passou a oferecer serviços de gestão de carreira e agenciamento de talentos. Atualmente, a Influency.me tem pouco mais de 30 talentos assessorados de forma exclusiva.

 

Giulia Inhaquite, gestora de talentos da Influency.me, explica que a empresa atua oferecendo soluções completas para a conexão entre marcas e criadores de conteúdo. “Marcas e agências que utilizam o software da empresa conseguem identificar influenciadores alinhados aos seus objetivos por meio de filtros de busca baseados em perfil, audiência e métricas relevantes”, diz.

 

A empresa também oferece a gestão completa de campanhas. “Nesse modelo, o time de especialistas é responsável por compreender as necessidades da marca, estruturar a estratégia, realizar a curadoria e o mapeamento dos perfis mais adequados, acompanhar a execução e mensurar os resultados com base nos objetivos definidos”, afirma.

 

No que diz respeito à assessoria e ao agenciamento de talentos, o processo parte dos objetivos do influenciador. A equipe identifica marcas alinhadas ao perfil e à trajetória do criador, mapeia oportunidades, conduz negociações e viabiliza o fechamento das parcerias. “A Influency.me também atua conectando marcas e influenciadores que se encontram organicamente sempre que há alinhamento entre as partes”, cita.

 

Ela explica que alguns influenciadores chegam à Influency.me por meio do site ou dos canais oficiais, como e-mail e Instagram. No entanto, na maior parte dos casos, a própria empresa realiza a busca ativa por criadores, a partir de critérios previamente definidos. “O processo de seleção considera tanto aspectos quantitativos quanto qualitativos. Do ponto de vista numérico, são avaliadas a taxa de alcance, a capacidade de entrega junto à audiência, o engajamento e outros indicadores relevantes, sempre com atenção à autenticidade dos dados”, diz.

 

“No aspecto qualitativo, são analisados qualidade do conteúdo, imagem, áudio, criatividade e originalidade. O número de seguidores não é determinante: o principal fator é o potencial do influenciador para ser desenvolvido de forma estratégica. Após a entrada no casting, também é essencial que o criador esteja aberto a orientações, disposto a evoluir e comprometido com a construção ativa da própria carreira”, completa.

 

Silvana sintetiza a relação entre marcas e criadores em uma via de mão dupla, “baseada em responsabilidade e conformidade”. “A marca deve garantir a governança regulatória e a credibilidade, fornecendo informações técnicas precisas e testes de eficácia e garantindo que o produto respeite as normas vigentes. O influenciador atua como um tradutor didático, transformando dados técnicos em uma linguagem acessível e compartilhando percepções reais de uso. No curso, preparamos o gestor para orquestrar essa relação através de estratégias de growth e gestão de canais digitais, físicos e do trade marketing, garantindo que a comunicação do influenciador esteja integrada à jornada do consumidor, do digital ao ponto de venda físico”, afirma.

 

Para a especialista, o desafio das marcas não é mais "estar" no digital, mas sim gerir esses ecossistemas de forma estratégica, “unindo performance, governança regulatória e autenticidade, para garantir vantagem competitiva sustentável”. Esse tipo de parceria envolve vantagens e desafios, que vão da capacidade de gerar diferenciação em um mercado altamente competitivo à necessidade de equilíbrio do discurso, garantindo que a expectativa gerada não frustre a experiência real do consumidor.

 

“No que diz respeito à mensuração de resultados, é importante destacar que os gestores não podem mais focar apenas em curtidas. No módulo Crescimento e Performance de Canais Digitais, ensinamos a realizar análises qualitativas de afinidade e consideração de marca, cruzando-as com resultados reais de vendas e dados auditáveis”, menciona. O domínio das dinâmicas de influência é uma das competências essenciais cobertas pelo curso de pós-graduação, desenvolvido em parceria com a Abihpec.

 

Giulia, da Influency.me, ressalta que, atualmente, há maior atenção do poder público e dos órgãos reguladores, como o Conar, para garantir que a publicidade digital siga regras claras. “Nesse contexto, cabe aos influenciadores analisar com cuidado as propostas comerciais que recebem e assegurar que estejam em conformidade com as normas da publicidade. Esse é o ponto de partida. Além disso, os criadores que mais se destacam junto ao público e às marcas são aqueles que escolhem trabalhar com campanhas alinhadas aos seus valores e às suas convicções, fortalecendo a credibilidade e a relação de confiança com a audiência”, diz.

 

Para ela, os desafios variam de acordo com o papel de cada agente no mercado. Para os influenciadores, o principal deles é a alta concorrência. “Após o crescimento acelerado observado durante a pandemia, o número de criadores aumentou significativamente, enquanto os investimentos das marcas não avançaram na mesma proporção. Isso reduz o volume de oportunidades individuais e exige diferenciação, inovação constante e estratégias de prospecção ativa”, diz.

 

Para as marcas, o desafio está na compreensão e na mensuração adequada da estratégia. “Muitos times de marketing estão habituados à lógica da mídia de performance, com resultados imediatos e altamente controláveis. O marketing de influência, por outro lado, tende a gerar impacto no médio e longo prazo, o que pode gerar frustrações quando expectativas irreais são aplicadas, como a busca por conversão direta já na primeira campanha”, aponta. “Para as agências de talentos, o principal desafio é a construção e a manutenção da confiança. Casos recentes de falta de transparência no mercado acabaram afetando a imagem do setor como um todo, inclusive de empresas que atuam de forma ética, profissional e confiável”, destaca.

 

Silvana acredita que o sucesso desse tipo de parceria reside em migrar de campanhas pontuais para relações perenes, como programas de embaixadores. “Parcerias eficazes são aquelas que respeitam o tempo de uso real do produto, permitindo relatos honestos que geram a confiança necessária em um mercado no qual os consumidores já dominam as lógicas da influência”, afirma.

 

“Na nossa estrutura curricular, focamos no pilar de Estratégia, abordando como o storytelling deve ser cocriado: a marca oferece diretrizes claras e informações técnicas (como diferenciais de formulação, ambiente onde a gravação ou foto devem ser feitas e outros detalhamentos de briefing), mas concede liberdade criativa ao influenciador. Utilizamos a metodologia Leaders in Class, trazendo executivos que compartilham como gerenciam esses ecossistemas digitais para acelerar o crescimento sem perder a essência da marca”, acrescenta.

 

Ela cita como erros recorrentes a criação de conteúdos excessivamente publicitários, com promessas exageradas que não condizem com a experiência real. “Outro ponto crítico é ignorar o tempo de avaliação dos resultados ou não considerar a governança regulatória, um dos módulos centrais do nosso curso, que ensina a evitar claims que não podem ser cumpridos perante órgãos reguladores”, diz.

 

Nesse mercado, destacam-se as campanhas que valorizam a transparência, a educação do consumidor e a demonstração de rotinas reais. “O uso de micro e nano-influenciadores tem se mostrado assertivo pela alta taxa de engajamento. O acerto está em alinhar o discurso do influenciador aos propósitos de sustentabilidade e circularidade da marca, gerando valor para a sociedade e para o negócio”, conclui Silvana.

 

As marcas do setor cosmético representam uma parcela relevante dos contratos fechados para os influenciadores da Influency.me, ainda que a empresa não tenha um casting voltado exclusivamente à área da beleza. A Influency.me trabalha com diferentes perfis, especialmente ligados a lifestyle, rotina e maternidade, o que amplia as possibilidades de atuação no mercado cosmético.

 

“O setor de cosméticos é um dos que mais cresce e se beneficia do marketing de influência, por se tratar de produtos de fácil conversão e consumo recorrente. As marcas têm compreendido que não precisam se limitar a influenciadores especializados em beleza, já que recomendações feitas por criadores com credibilidade e conexão com a audiência também geram resultados consistentes”, finaliza.

 

 

Iniciativas no setor

 

Em 2022, o Boticário criou a iniciativa Botik Colab, cujo objetivo é contar com a contribuição das consumidoras nas estratégias de comunicação e portfólio da marca de cuidado facial, lançada em 2020. Juntamente com o time de experts do Boticário, elas avaliam posicionamento, comunicação, representatividade, relevância e atratividade, por meio da testagem de produtos e da identificação de pontos positivos e de melhorias, mapeando oportunidades de acordo com as necessidades da mulher madura.

 

As integrantes da Geração Botik ou “botikers” são um grupo de mulheres parcerias da marca desde 2020, ocasião do lançamento, quando foram pré-selecionadas e capacitadas como influenciadoras digitais 40+, após o Boticário identificar a necessidade de representatividade desse perfil no marketing de influência. Desde então, o grupo é ativado recorrentemente pela marca para amplificar os lançamentos e as novidades em primeira mão, além de representar o principal target da linha.

 

“No Grupo Boticário, o marketing de influência é um pilar de conexão fundamental dentro de um ecossistema de comunicação integrado e funciona como um amplificador da estratégia da marca - levando em conta as mudanças no comportamento do consumidor. A influência traz a humanização e a validação social, enquanto canais clássicos como TV e OOH [Out of Home, termo de marketing que descreve qualquer publicidade vista em espaços públicos] alavancam o alcance e a construção de consciência de marca em larga escala”, afirma Ligia Monteiro, gerente sênior de Produção e Influência do Grupo Boticário.

 

A executiva ressalta que influência é mais que um canal de mídia: é um espaço de construção de autoridade, diálogo e conexão genuína. “Diferentemente das mídias tradicionais, que operam muito bem no alcance e na frequência, os influenciadores nos permitem entrar em conversas reais, segmentar nichos específicos e falar com profundidade sobre temas que importam”, diz.

 

Ela explica que a empresa não olha para o tamanho do seguidor de forma isolada, mas sim para a função estratégica que cada perfil desempenha na arquitetura de influência do grupo. “Celebridades e macroinfluenciadores têm papel fundamental em momentos de grande visibilidade, lançamentos e construção de awareness. Casos como Deborah Secco em Her Code, Cleo Pires em Nativa Spa e Gabriel Medina em Australian Gold e Clash do Boticário são exemplos disso”, ilustra.

 

O grupo amplia cada vez mais o investimento em micro e nanoinfluenciadores, criadores que geram identificação profunda e constroem credibilidade contínua. “O ponto central é que não existe fórmula única: tudo parte do objetivo da campanha, do território da marca e da verdade do influenciador. Awareness, conversão, talkability ou construção de causa pedem combinações diferentes, e nosso papel é orquestrar isso com consistência”, argumenta.

 

O critério mais relevante e “inegociável” do grupo para a escolha de influencers é o alinhamento genuíno de valores. São analisados reputação, coerência de discurso, histórico e a forma como o creator se relaciona com sua comunidade. “Seguidores deixaram de ser o principal indicador. Hoje, conexão real e engajamento verdadeiro valem muito mais”, afirma. “Também avaliamos afinidade com o território da marca, relevância de conteúdo, capacidade de gerar conversas significativas, abertura para cocriação e criatividade para um conteúdo genuíno. Nosso foco é identificar perfis que já estejam ditando tendências culturais por meio de um social listening contínuo, o que nos permite agir com agilidade e precisão”, completa.

 

A mensuração de resultados dessas parcerias evoluiu de métricas estáticas para uma combinação de indicadores de desempenho tradicionais (como alcance e impressões) com uma análise de engajamento qualificado, incluindo o nível de interação com a base do influenciador, geração de conversa e, principalmente, o impacto no comportamento do consumidor.

 

As campanhas têm indicadores customizados, de acordo com o objetivo de cada projeto. “Em alguns casos, o foco é conversão; em outros, é awareness, consideração ou fortalecimento de posicionamento. Analisamos onde acertamos, o que gerou valor para a marca e como aquela parceria contribuiu para nosso banco de referências estratégicas”, explica.

 

“Acreditamos que influência não pode ser medida com a mesma régua da mídia tradicional. Ela exige leitura de contexto, escuta ativa e análise contínua. É esse olhar mais maduro que nos permite provar internamente que marketing de influência funciona e, mais do que isso, que ele é essencial para construir marcas relevantes, humanas e conectadas com o seu público”, acrescenta.

 

Em 2025, o Grupo Boticário criou o programa Creators, iniciativa desenvolvida em parceria com a CoCreators e disponibilizada para mais de 21 mil funcionários em todo o Brasil. O programa “é a materialização da nossa crença de que a influência mais poderosa nasce da vivência real”, diz. “Entendemos que os embaixadores mais autênticos de uma marca são aqueles que ajudam a construí-la todos os dias. O programa é uma evolução da nossa estratégia de influência, trazendo nossos colaboradores para o centro da narrativa”, aponta. O programa estrutura esse protagonismo interno de forma estratégica, com curadoria, capacitação e direcionamento claros. A participação é voluntária e conectada às necessidades reais das campanhas.

 

“O Creators reforça algo que é central para nós: influência não é só sobre alcance, é sobre confiança. Ao integrarmos as vozes do nosso time à jornada de marca, não estamos apenas ampliando alcance; estamos humanizando a tecnologia, a inovação e o propósito do Grupo Boticário, por meio do olhar de quem é o coração do nosso negócio”, destaca.

 

Em novembro de 2023, a Unilever lançou o projeto Tudo Pra Creator, uma aceleradora que tem como objetivo capacitar criadores de conteúdo para o mercado de beleza. Influenciadoras como Niina Secrets e Lettícia Muniz ministraram trilhas de desenvolvimento em um curso 100% digital e dividido em quatro módulos, com temas como marketing de conteúdo e gestão de redes sociais, negociação, direito digital e gestão financeira.

 

A Unilever tinha como meta chegar a 5 mil criadores de conteúdo, com um influenciador em cada município brasileiro. Segundo informações divulgadas pela empresa, o projeto chegou a 12 mil criadores, em todos os estados do Brasil – ainda que não em todas as cidades. A empresa notou que a quantidade de inscritos pretos e pardos (32%) era menor do que a representação desse grupo na população brasileira. Uma nova fase do Tudo Pra Creator foi lançada em julho de 2024. Desta vez, o foco foi trazer maior representatividade preta e parda para os inscritos no projeto. O programa também firmou uma parceria com a Meta e assumiu o compromisso de incluir criadores pretos e pardos em 100% das campanhas das marcas de beleza da Unilever (Dove, Seda, TRESemmé e Clear).

 

Desde o lançamento da linha Beleza Radiante, em abril de 2023, a Nivea tem investido em parcerias focadas na produção de conteúdo por pessoas negras para pessoas negras. No desenvolvimento da estratégia, veio a constatação de que o racismo estrutural também ecoa no marketing digital. A marca então criou um programa para a ampliação da representatividade negra no mercado de influência digital no Brasil, o Afrolab Nivea: Tropa Digital.

 

O projeto, que teve início em setembro de 2023, recrutou, treinou e potencializou a atuação de influenciadores digitais negros oriundos de periferias e comunidades. Por meio do programa de formação empreendedora Afrolab, foram selecionados 40 criadores de conteúdo ligados ao universo da beleza, que receberam um treinamento completo para ampliar conhecimentos e capacidades. Dentre essas pessoas, dez foram selecionadas para atuar em campanhas da linha Beleza Radiante.

 

“A Nivea idealizou esse projeto em conjunto com a Digital Favela e a PretaHub, para potencializar a atuação de influenciadores digitais negros de comunidades de todo o país. O objetivo do AfroLab foi, por meio de recursos oferecidos ao longo do projeto, capacitar novos talentos com equipamentos e conhecimentos para criar conteúdos que traduzissem suas identidades, produzindo, dessa maneira, uma marca autêntica para esses influenciadores em ascensão”, disse Andrea Bó, então diretora de marketing da BDF Nivea Brasil, à Cosmetics & Toiletries Brasil, em julho de 2024.

 

 

Lançada no final de 2025, a plataforma L’Oréalistar, da L’Oréal, nasceu com a ambição de ser a maior comunidade de influência em beleza do país. Oito marcas de beleza da companhia fazem parte da plataforma: a marca corporativa Grupo L’Oréal, L’Oréal Paris, Garnier, La Roche-Posay, Vichy, Lancôme, L’Oréal Professionnel e Matrix. Em fevereiro de 2026, o Grupo L’Oréal no Brasil deu mais um passo na consolidação de seu relacionamento com criadores de conteúdo ao apresentar a Casa L’Oréalistar, primeiro evento presencial e imersivo do programa L’Oréalistar.

 

“No Brasil, a influência não é apenas uma ferramenta de marketing, mas uma ponte direta com o consumidor. Os criadores de conteúdo são parceiros estratégicos na construção de valor das nossas marcas. Nosso compromisso é cultivar relações genuínas que profissionalizem o mercado, valorizando a criatividade, a autenticidade e a diversidade”, disse Loana Coelho, diretora de Advocacy & Influence do Grupo L’Oréal no Brasil, em nota.

 

Para esta primeira edição, um grupo seleto de 40 criadores de conteúdo de todo o Brasil — os mais engajados da plataforma — foi convidado para uma jornada de 12 horas de imersão total. A Casa L’Oréalistar foi projetada para ser o cenário perfeito para a criação de conteúdo autoral, unindo estética, tecnologia e bem-estar.

Durante a experiência na casa, foram realizadas ações exclusivas de marcas globais como L’Oréal Paris, Lancôme, Vichy, L’Oréal Professionnel e Matrix. Os participantes conheceram estações de transformação com profissionais de ponta e os últimos lançamentos em ciência cosmética e participaram de rodas de conversa sobre o futuro da creator economy, que abordaram a autenticidade e a construção de comunidades reais. Estúdios foram montados para a produção de conteúdos de alto nível, prontos para publicação.

 

 

 

 

 

Panorama sobre o marketing de influência no Brasil

 

Uma pesquisa realizada pela Opinion Box e a Influency.me apresenta dados sobre o marketing de influência no país, com insights sobre hábitos de consumo, níveis de confiança e motivações de engajamento. Segundo o estudo, 7 em cada 10 internautas brasileiros acompanham pelo menos um influenciador digital. Entre as mulheres, esse número sobe para 82% e, entre jovens de 16 a 29 anos, 91% seguem algum influenciador.

 

O Instagram é líder entre as plataformas, com uma boa vantagem (91%), seguido pelo YouTube (56%) e TikTok (34%). Outras redes, como Facebook, X e LinkedIn, apresentam uma relevância menor. A pesquisa revelou que o principal motivo que leva os internautas a seguir um influencer é a relevância do conteúdo. Segundo a pesquisa, seguidores valorizam criadores que abordam assuntos de interesse pessoal (72%) e demonstram experiência na área (52%).

 

Carisma e simpatia se destacam como elementos que conquistam e fidelizam o público (48%), mostrando que a forma como o conteúdo é apresentado importa tanto quanto o que é dito. Embora a maioria dos internautas siga apenas influenciadores digitais que admira, a pesquisa aponta um comportamento curioso: aproximadamente 11% dos entrevistados acompanham perfis de pessoas que não necessariamente apreciam. Esse fenômeno, chamado de hate following, mostra que nem toda atenção é resultado de admiração. “Muitas vezes, o interesse surge da curiosidade ou do desejo de acompanhar de perto aquilo que provoca discordância ou crítica”, diz a pesquisa.

 

A influência dos influenciadores digitais vai muito além do conteúdo que produzem. 36% das pessoas afirmam que a opinião pessoal dos criadores tem um peso relevante em suas percepções e decisões. O estudo aponta que o posicionamento político e social também é um fator de relevância: 46% dos entrevistados consideram importante conhecer a postura dos influenciadores digitais em temas sociais ou políticos, enquanto 28% dizem não atribuir tanta importância.

 

A pesquisa aponta que 65% dos entrevistados já compraram produtos ou serviços recomendados por influenciadores digitais. Entre as categorias mais impactadas estão moda, beleza, alimentação, acessórios e educação. Além disso, 36% dos consumidores já adquiriram produtos lançados por influenciadores digitais que têm sua própria marca. Entre os consumidores que já compraram por indicação de influenciadores, 87% relataram satisfação com a compra realizada. No que diz respeito ao formato, o vídeo segue como protagonista.

 

Os vídeos de média duração (um a três minutos) lideram a preferência, escolhidos por 32% dos entrevistados. Logo em seguida vêm os vídeos longos e os stories, ambos com 22%. Os vídeos curtos (menos de um minuto), apesar de populares nas redes, ficaram com 18%. O Instagram aparece como a principal plataforma para consumo de vídeos, com 49% das menções. Isso reforça sua posição como rede multifuncional, que combina diferentes formatos em um só lugar. O YouTube ocupa a segunda posição, com 30%, “consolidando seu papel como referência para conteúdos longos e aprofundados”, aponta a pesquisa. O TikTok também se destaca como espaço relevante (16%), especialmente entre os mais jovens, mostrando sua ascensão como plataforma de vídeos curtos e envolventes.

 

Apesar da relevância, o estudo também revela uma visão crítica do público: 82% dos entrevistados afirmam que é necessário ter cuidado para não ser influenciado negativamente e 55% acreditam que a vida apresentada por eles nem sempre é real. Além disso, 68% consideram que há influenciadores demais na internet, indicando uma percepção de saturação no mercado.

 

 

De influencers a empresárias

 

Influenciadoras brasileiras têm transformado audiência em negócios de sucesso, com marcas próprias de maquiagem e skincare faturando milhões. Dentre os destaques estão Bianca Andrade (Boca Rosa Beauty), Virginia Fonseca (WePink), Mari Maria (Mari Maria Makeup) e Bruna Tavares (Linha Bruna Tavares).

 

Um estudo da Wake Creators, que mapeou o consumo de cosméticos no Brasil, mostra que os brasileiros reconhecem o avanço das marcas de influenciadores, principalmente pela oferta de produtos de qualidade e com um preço mais acessível.

 

Perguntados sobre suas marcas favoritas criadas por influencers, os entrevistados citaram Boca Rosa Beauty (50%), Bruna Tavares (15%) e Mari Maria Makeup (13%). O ranking de popularidade também inclui as marcas Sallve (Julia Petit) e FRAN (Franciny Elhke).

 

Em junho de 2024, a live realizada pela empresária e influenciadora Bianca Andrade para promover a repaginação da marca de cosméticos Boca Rosa Beauty e a pré-venda dos produtos gerou números impressionantes. Durante a transmissão de quatro horas, feita na plataforma da Mimo Live Sales e organizada pela Dia Estudio, foram faturados R$ 5 milhões, com mais de 64 mil unidades vendidas.

 

O evento on-line reuniu cerca de um milhão de pessoas, com um pico de audiência de 110 mil acessos simultâneos. Nos primeiros 10 minutos, a marca já havia alcançado seu primeiro milhão em vendas. Um dos destaques da live foi a diversidade de produtos oferecidos, como a base em bastão disponível em 50 tonalidades. Durante a transmissão, 25 dessas tonalidades esgotaram. Além de promover os produtos, a live teve um caráter didático, com tutoriais e demonstrações ao vivo.

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