Janeiro/Fevereiro 1991

Edicao Atual - Janeiro/Fevereiro 1991

Editorial

Esta seção começou a ser publicada na edição janeiro/fevereiro de 1992

Filtros Solares UVA: Método para Avaliação de sua Eficácia - Martin Stockdale. The Boots Company PLC, Nottingham, Inglaterra.

Acompanhando o desenvolvimento do mercado de produtos contendo filtros UVB, atualmente, cresce a preocupação com os efeitos danosos do UVA.

O UVB e a radiação de faixa mais energética que atinge a Terra e causa, entre as reações de fotossensibilização, o eritrema lesivo e a dor (queimaduras). A sua ação se da basicamente na epiderme. Os raios UVA, menos energéticos, são muito mais prevalentes do que o UVB na superfície da Terra e penetram mais na pele causando lesões na derme e contribuindo para o envelhecimento precoce da pele exposta. Durante muitos anos as únicas substâncias disponíveis para a proteção contra o UVA eram os agentes bloqueadores (como o óxido de zinco e o dióxido de titânio) e as oxibenzonas (benzofenonas). Os novos filtros solares desenvolvidos apresentam, entretanto, problemas relacionados com a sua solubilidade, coloração e reatividade. Ao mencionar os muitos métodos de medida do fator de proteção solar do UVB, o autor salienta que ainda existem muitas dúvidas e discuções quanta a validade desses métodos. Para o caso do UVA e importante lembrar que entre as várias categorias de produtos com anunciada proteção anti-UVA, e importante que o consumidor é 0 profissional sejam informados sobre a ação oferecida. Para tanto se faz necessária a adoção de indicadores para classificar os produtos dentro de um conceito de aplicação e características universais. Existem, no entanto, vários obstáculos a superar, já que os métodos usuais para o UVB não são aplicáveis na determinação dos fatores para o UVA. O usa de pacientes altamente sensíveis ao UVA e a fotossensibilizantes e rejeitado pela ética. A medição do parâmetro visível do efeito de escurecimento por pigmentação imediata pelo UVA representa um passo a mais, não sendo, porem, totalmente satisfat6rio e abrangente. O uso da espectrofotometria ou de outros métodos instrumentais antigos não descreve a diversidade natural da pele onde o produto será usado. Como alternativa é descrito um método que utiliza matrizes de pele artificial transparente a luz UV nas faixas de UVA e UVA.

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Efeitos da Vitamina E por Aplicação Tópica - H. Moeller, A. Ansmann e S. Wallat. Henkel KGaA, Dusseldorf, Alemanha.

Desde a sua descoberta em 1922 foram determinadas varias utilizações para a vitamina E. Sendo um derivado de plantas, a vitamina E constitui-se principalmente de alfa, beta, gama e delta D-tocofer6is e, em menor escala de D-tocotrienóis. A sua atividade biológica dependerá das diferentes formas de metilação do anel aromático e da configuração estereoespecifica dos três centros assimétricos; neste artigo são descritos e comparados os vários graus de atividade.

Devido a sua estrutura química, os tocoferóis possuem excelentes propriedades antioxidantes e características lipofílicas que permitem a incorporação preferencial em membranas biológicas, exercendo assim função protetora. A principal ação protetora dá-se pela ação anti-radicais livres e pela desativação do oxigênio singlete. A utilização da vitamina E em aplicações cosméticas é possível devido as suas varias propriedades de interesse cujos aspectos são descritos em detalhes: penetração na pele e através dela, melhora da micro circulação da pele, efeito sobre o crescimento piloso, proteção contra radiação UV, efeitos sobre sintomas de envelhecimento da pele e sobre a umidade da pele. São relatadas também as aplicações da vitamina E no tratamento de distúrbios da pele, como no caso de inflamações, gengivites, prurido, ação na regressão de feridas e subseqüentes formações de cicatrizes, na bromidrose axilar, acne, no tratamento de micose de unha e de pele e de doenças de pele. Para as aplicações tópicas da vitamina E são considerados alguns dados quanto a tolerância dérmica e, para ilustrar, são fornecidas três exemplos de formulações. Tabelas, figuras e gráficos acompanham as descrições.

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Alimentação e Saúde dos Cabelos - F. Noser. Wella AG, Darmstadt, Alemanha.

A partir do conhecimento dos três fatores que determinam, basicamente, o crescimento capilar (componente hereditário, hormonal e suprimento alimentar do folículo capilar) e discutida a importância do aumento da ingestão de proteínas, aminoácidos, vitaminas e oligoelementos. Como modelo e utilizado o crescimento da lã de carneiro, que é estreitamente ligada ao estado nutricional especifico do animal. As medidas experimentais utilizadas dividem-se entre a caracterização do crescimento e do tipo de alopecia presente. As alterações pesquisadas do crescimento capilar no ser humano e do crescimento da lã do carneiro estão resumidas em forma de quadro e são comentadas nos seguintes itens: a) Aspectos dos processos da formação e do retrocesso do fio normal com o aumento da idade em indivíduos sem calvice; b) Variações no revestimento capilar do couro cabeludo devido a fatores hereditários ou hormonais; c) Relação da desnutrição e da absorção de nutrientes com o crescimento capilar; d) Relação do crescimento capilar e doenças; e) Capacidade dos folículos do velo se transformarem em cabelos terminais; d) Uso da droga Minoxidil. Os estudos do aporte de proteínas de vários valores biológicos ocasionaram várias respostas no crescimento e no diâmetro dos fios de lã no carneiro. Estas respostas são comparadas com os itens "a" até "e". Pelas observações efetuadas, o autor concluiu que o crescimento de lã no carneiro possui valor limitado como modelo para o crescimento capilar em seres humanos. Após uma descrição dos testes efetuados em seres humanos para aumentar o crescimento dos cabelos, usando zinco, vitaminas, proteínas cisteina e produtos naturais da medicina popular, o autor termina por classificar a metodologia e os critérios utilizados nestes estudos como sendo pouco conclusivos.

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História das Ceras Auto-Emulsificantes - Anthony L. L. Hunting. Micelle Press, Londres, Inglaterra.

As ceras auto-emulsificantes não são ceras, mas misturas sólidas de ingredientes usados no preparo de emulsões estáveis que possuem aparência cerosa. Existem poucas ceras auto-emulsificantes liquidas que são usadas em cosméticos, mas em outras áreas de aplicação os "óleos-solúveis", sistemas auto- emulsionáveis líquido predominam. As ceras auto-emulsificantes são compostas de dois componentes: o tensoativo e o emulsificante, e o material graxo que e, em geral, um álcool graxo.

A parte tensoativo pode ser constituída de uma ou mais substancias diferentes. A origem das ceras auto-emulsificantes remonta a década de 1920, quando foi apresentada a linha Tegin e Teginacid; em 1930 foi lançada a Lanette Wax; em 1939 Redgrove descreveu o uso de alcoóis graxos de cadeia mais longa na fabricação de bases para creme e em 1940 o seu usa foi descrito no clássico artigo de Schulman e Cockbain. São descritos os seguintes itens mais detalhadamente:

Ceras Tipo Tegin: O uso do monoestearato de glicerina como emulsificante e bastante antigo e a sua fabricação é simples.

Ceras Lanette: A primeira cera Lanette SX era originalmente composta de álcool cetoestearilico com lauril sulfato de sódio. Este produto teve sucesso imediato nas indústrias cosmética e farmacêutica da Alemanha, permitindo a obtenção de cremes estáveis.

O autor descreve três métodos de preparação de ceras tipo Lanette e também as formas destas ceras que são descritas na Farmacopéia Alemã, na Farmacopéia Britânica e no dicionário da CTFA.


Ceras Não Iônicas: O uso de ceras emulsificantes não iônicas solucionam certos problemas que surgem no usa do sabão como emulsificante e o seu desenvolvimento e de 1954 (BP Codex). É um produto extremamente estável e são exemplificados alguns ingredientes que podem ser usados na preparação destas ceras não iônicas.

Ceras Emulsificantes NP É uma cera auto-emulsificante não iônica desenvolvida originalmente pela Croda sob o nome de Polawax. Mas, existe uma monografia no National Formulary (NF) que descreve a preparação de uma cera deste tipo a partir de polissorbato e álcool cetilestearilico. O emprego de vários polissorbatos resulta num grande numero de compostos chamados de ceras emulsificantes NF.

HLB: O autor discute os valores de HLB dos sistemas auto-emulsificantes apresentado anteriormente.

Ceras Catiônicas: São mencionados aqui a cera Cetrimide (existente no BPC de 1973) e Lanion 28 e duas outras baseadas no Quaternium 19 (CTFA). A aplicação destas ceras catiônicas e, principalmente, em rinses.

Ceras Naturais: As ceras que não se enquadram no tipo Lanette ou tipo Tegin podem ser fabricadas a partir da mistura de um tensoativo com um álcool graxo disponível. Além disto, existe uma técnica especial para o preparo de ceras auto-emulsificantes a partir de ceras naturais. São descritos produtos obtidos com espermacete, lanolina, óleo de jojoba, cera de abelha, lecitina e clara de ovo.

Emulsificantes Água-em-Óleo: Os ingredientes descritos anteriormente são tidos como emulsificantes óleo em água. As ceras emulsificantes água em óleo baseiam-se geralmente em lanolina e as misturas de ingredientes são descritas como bases de absorção.

As ceras auto-emulsificantes de hoje, comparado ao usa separado de tensoativos e de alcoóis graxos, apresentam grande vantagem no preparo de sistemas de emulsões.

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Emulsões O/A com Fases Lamelares Anisotrópicas - Gerd Dahmas. ICI Speciality Chemicals Group, Atlas Chemie, Essen, Alemanha.

A adição de álcool cetílico/estearilico aumenta a estabilidade de emulsões e causa a formação de fases lemelares cristalinas liquidas ao redor das gotas de óleo. Estas fases lamelares são camadas anisotrópicas que estabilizam a interface óleo-água e no caso de camadas bi-refrigerantes a gota de óleo fica muito mais protegida. Estas fases podem ser formadas pela adição de quantidades corretas de tensoativos ou por anfifílicos mistos.

Na parte experimental destas observações, o autor descreve a utilização de vários emolientes em uma mesma fórmula de creme emoliente. As emulsões resultantes foram analisadas e comparadas quanta a formação de estruturas cristalinas líquidas. São descritas, também, a importância e as vantagens da formação destas estruturas com relação às propriedades físico-químicas e dermatológicas de emulsões contendo fases lamelares.

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Nitrosaminas - J. Turner. The Boots Co., Nottingham, Inglaterra.

O autor avalia a formação de nitrosaminas em formulações cosméticas associações ao usa de 2-bromo-2-nitropropanol-1, 3-diol (BNPD ou Bronopol).

As nitrosaminas formam-se a partir da reação de óxidos de nitrogênio com aminas passiveis de nitrosação e ocorrem em cosméticos como contaminantes de matéria prima e no produto acabado. Para que elas existam, faz-se necessária e presença tanto dos óxidos de nitrogênio como das aminas passiveis de nitrosação. O BNPD pode ser considerado como liberador de pequenas quantidades de nitrito, mas outras fontes, como os óxidos de nitrogênio atmosférico ou nitrito dissolvido na água e proveniente de outras matérias primas, apresentaram contribuições maiores.

Como prevenção a formação de nitrosaminas em cosméticos, o autor recomenda que seja modernizado o conceito da total remoção dos óxidos de nitrogênio, o que e impossível na prática, e que seja considerada a substituição das aminas secundárias por aminas que não sofram nitrosação ou ainda a inclusão de inibidores de nitrosação nas formulações que contenham aminas.

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Aerosol sem Gás para Produtos Cosméticos - Eugene Paino. Exxel Container, Somerset NJ, Estados Unidos.

Como alternativa a crescente pressão dos consumidores e as restrições governamentais, o sistema Atmos de propelente de aerosol sem gás da Exxel Container surge como um recurso a mais. Esta embalagem aerosol sem gás consiste de uma embalagem dentro de outra embalagem e o produto líquido, loção ou gel, e mantido no interior do sistema propulsor, que e também o envoltório externo. Este conjunto propulsor e compatível com uma ampla variedade de ingredientes típicos de produtos viscosos. Produtos com formulação para spray podem também utilizar este sistema observando-se, porem, algumas condições especificas.

Do ponto de vista do formulador, este sistema tem grandes vantagens na produção, no envase, na compatibilidade com matérias primas das formulações, apresentando ainda um forte apelo mercadológico.

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Apoio Científico ao Uso de Ingredientes Naturais - Eugene H.Gans. PhD. Hastings Associates, Westport CT, Estados Unidos.

A fim de atender uma demanda cada vez maior de produtos naturais ou matérias primas naturais, a indústria vem desenvolvendo esforços no sentido de melhorar a qualidade destes produtos. Como primeiro exemplo, é descrito um método de avaliação da reprodutibilidade e a potencia da Aloe vera. Em seguida, são mostrados os avanços existentes na identificação do alfa-bisabolol. Como parte dos esforços para desenvolver os controles de produtos naturais, tem sido aumentada a utilização de testes de segurança e, cada vez mais, estão sendo confirmados dados sobre toxicidade, irritação e alerginicidade. A eficácia cosmética de lipoplastidinas (grupo de extratos solúveis em ó1eo) e estudada num veiculo cremoso em testes objetivos em pele de roedores e comparados com testes em cego em seres humanos.

A eficácia bronzeadora do Unipertan P-24 (derivado do L-tirosina com Riboflavina) foi estudada através de testes objetivos para de mostrar a sua penetração na pele em animais e em seres humanos para esclarecer o seu desempenho. Vária técnica tem sido desenvolvida para identificar, de forma objetiva, os princípios ativos de produtos naturais e, também, para melhorar o se controle microbiológico e o controle da sua atividade e eficiência Estas pesquisas permitirão e ajudarão a melhorar a qualidade dos produtos naturais.

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Assuntos Regulatrios por Paulo Roberto Miele

Legislao

O D.O.U., de 12/10/90 publicou a Portaria 35 do Departamento Tcnico-Normativo da SNYS, com nova relao de substncias dulcificants que podem ser empregadas em produtos de higiene, perfumes e cosmticos.

Porta ria esta fundamentada em relatrio elaborada por grupo de trabalho da Associao Brasileira de Cosmetologia, cuja coordenao esteve a cargo de Rubens Brambilla (Combe do Brasil) e do qual participaram tcnicos do mais alto gabarito, ligados ao setor.

A partir de contatos com fabricantes de matrias primas e consultas a vrios trabalhos de literatura tcnica e cientifica, este grupo discutiu aspectos concernentes a permanncia, incluso e excluso na relao liberada pela Portaria n 2 do DICOP.

Das matrias-primas tradicionalmente utilizadas, a glicerina, o sorbitol, o manitol e o xilitol, no so dotados de alto poder dulcificante, mas foram mantidos em virtude de seu antigo e amplo uso em produtos de higiene oral, principalmente enxaguatrios e produtos infantis. Tambm os mono e dissacardeos, de mdio poder edulcorante, foram mantidos em funo de seu uso em formulaes antigas j registradas, a despeito de suas propriedades fermentativas e criognicas.

A recomendao para que no se mantivesse a proibio da sacarina e seus sais em produtos infantis tiveram por base vrios aspectos: sua larga utilizao, sem problemas divulgados, em cremes dentais comuns que sendo de uso familiar so tambm usados por crianas; seu alto poder adoante ao lado de uma excelente condio de no fermentativo e no criognico; sua utilizao em cremes dentais infantis na Europa e America do Norte; a pequena ingesto de cremes dentais, que resultaria numa ingesto de apenas 1,8 MG de sacarina por dia; sua recente liberao para uso em refringentes dietticos, e a farta documentao cientfica comprovando sua segurana. A recomendao para limitao do uso de sacarina (em 0, 15010 em cremes dentais infantis) pareceu desnecessria em virtude de seu largo uso em refrigerantes dietticos e das prprias caractersticas da substancia (alto poder edulcorante) que por si j limitam a dosagem empregada.

Em contra partida, no caso dos ciclamatos, no obstante a farta documentao examinada, no se encontrou suporte cientfico para sua liberao em produtos infantis, permanecendo assim as mesmas restries da Portaria anterior.

O aspartame, aminocido sinttico de uso bastante recente, no foi includo na listagem recomendada em funo de sua instabilidade fsico-qumica (de sabor e ph) e da escassez de documentao acerca de sua adequao aos produtos de higiene oral. J no caso do steviosdeo embora exista esta mesma escassez de estudos cientficos, sua incluso resulta de sua aprovao para refringentes dietticos e produtos de higiene bucal (Portaria M.S. n14, item 5).

Assim sendo, a relao da Portaria n 35 difere de sua antecessora, n 2, apenas pela incluso do steviosdeo (stevia), permitido desde que isento de produtos de hidrlise, steviol e isosteviol.

Temas Dermatolgicos por Howard I Maibach, Escola de Medicina da Universidade da Califrnia, Francisco CA, Estados Unidos, e Enzo Berardesca, Universidade de Pavia, Pavia, Itlia.

Diferenas de Sensibilidade da Pele em Funo de Cor e Raa: Implicaes dos Produtos de Cuidado com

comumente aceito que a pele escura, possivelmente por ser o eritema menos perceptvel, e menos sensvel e resiste melhor agresso qumica ou a irritao induzida por substncias aplicadas topicamente do que a pele clara. A escassa quantidade de dados objetivos existentes publicados, qualitativos e quantitativos, torna difcil avaliar e comparar com preciso as diferenas em funo de fatores racionais ou de cor, nas funes e respostas da pele.

No h apenas diferenas fsicas e estruturais entre negros e brancos, mas a raa ou a cor da pele parecem modular a resposta da pele aos agentes qumicos e ambientais. Podem estar envolvidos no mnimo dois mecanismos principais fundamentados em bases anatmicas (diferenas em espessura do estrato crneo, coeso celular e funo de barreira) ou bioqumicas (penetrao, transcutanea, maior formao de mediadores da inflamao, etc.).

H relatos de diferentes fisiolgicas entre as raas. A espessura do estrato crneo e a mesma em negros e brancos (1,2) ma um maior nmero de desbastes com fita adesiva e necessria para remoo da mesma quantidade de estrato crneo em negros. Weigand etal. (3) afirmam que isto se deve a um maior nmero de camadas de corneocitos na pele negra. O mesmo estudo revelou tambm uma grande variao de indivduo para indivduo de pele negra, enquanto os dados de indivduos brancos so mais homogneos.

O maior nmero de camadas celulares no estrato crneo e a maior resistncia ao desbastes poderiam estar relacionados s molculas lipdicas da matriz intercelular que aumentam a coeso entre as clulas. Reinertson e Heatley (4), investigando o contedo lipdico do estrato crneo, verificaram valores mais altos em negros. Weigand et al. (3) confirmam esses resultados.

Outros parmetros investigados em diversos estudos, tais como resistncia eltrica da pele (5), so consistentes com estas verificaes. Marshall et al.(6) em 1919, aplicando uma gota de sulfeto de di-cloro-etila sobre o brao, constataram eritema em 58 por cento nos brancos, contra 15 por cento nos negros. Weigand e Mershon (7) estudaram a reao ao patch test com malo nitrito de ortoclorobenzilideno e verificaram que os indivduos negros so mais resistentes ao desenvolvimento de reaes irritativas.

Weigand e Gaulor (8) mensuraram o eritema em brancos e negros apos a aplicar; ao de di-nitroclorobenzeno no dorso sobre a pele normal e desbastada por fita adesiva. Os negros eram menos reativos que os brancos, mas a remoo do estrato crneo ocasionou reatividades equivalentes.

Todas essas informaes sustentam a noo de que existem diferenas raciais na reatividade da pele; diferenas estas,que parecem ser moduladas pelo estrato crneo. A pele desbastada tende a produzir respostas mais equivalentes (8).

Recentemente estudamos as diferenas; as raciais na propenso ao desenvolvimento de irritaes cutneas utilizando tcnicas de bioengenharia, que permitem a deteo no visual e a quantificao do eritema, do f1uxo sangneo e do dano a barreira aquosa (9,1O).

Foram induzidas reaes irritativas em brancos, negros e hispnicos, pela aplicao de duas concentraes de lauril sulfato de sdio (LSS) para cada patch test Finn por 24 horas. O LSS foi aplicado sobre a pele normal no tratada, sobre a pele previamente tratada com acetato de etila para remoo de lipdeos, e sobre a pele previamente ocluda com plstico por 30 minutos.

As reaes foram avaliadas por mtodos no invasivos, velocimetria DOPPIER a laser (LDV), mensuraes do contedo de gua da pele (We, do ingls, water content) e da perda transepidrmica de gua (TEWL, transepidermal water loss).

Este estudo revelou suscetibilidades muito diferentes nos grupos raciais investigados com irritao induzida por LSS - as diferenas parecem estar relacionadas a diferentes respostas da barreira a gua e da microcirculao aps a agresso qumica.

Os negros mostraram uma resposta de perda transepidrmica de gua mais sensvel, com maiores valores de TEWL e maior modulao da resposta. Por outro lado, mostraram tambm uma menor reatividade dos vasos sangneos, com nveis mais discretos de eritema, melhor observados a concentraes irritantes mais baixas.

Os dados confirmam verificaes visuais prvias, descritas por outros autores, que relatavam reaes eritematosas mais discretas em negros (6,7,8l. Entretanto, a afirmao de que a pele negra seria "mais resistente" do que a branca no pode ser confirmada, e talvez, formulaes especiais possam ser indicadas para certas peles mais escuras.

Nos negros, o dano a barreira a gua e claramente mais evidente (9l. In vidro, as diferenas de TWEL entre negros e brancos tambm foram relatadas (I), sendo observados maiores nveis de TWEL, in vitro, na raa negra.

Os dados so de difcil interpretao a luz das diferenas fsico-qumicas entre as peles brancas e negras aqui relatadas; uma resposta diferente da pele negra aos estmulos trmicos pode estar envolvida. E evidente, entretanto, uma diferente propenso das peles negra e branca ao desenvolvimento de irritao, o que e de muita importncia para a indstria cosmtica e farmacutica.

Sistemas oclusivos transdrmicos para liberao de clonidina mostraram taxas de sensibilizao de 34 por cento em mulheres brancas, 18 por cento em homens brancos, 14 por cento em mulheres negras e 8 por cento em homens negros(l3). So se dispe de nenhum dado a respeito da populao hispnica. Tambm ocorrem diferenas na hiperemia reativa ps-oclusiva entre negros e brancos.

Esses dados so condizentes com a menor reatividade dos vasos sanguneos em negros durante a reao hipermica, decorrente ou de uma remoo mais rpida dos metabolitos vasodilatadores que se acumulam durante o tempo de ocluso, ou de uma resposta vaso elstico da parede arteriolar diferente na raa negra.

Investigando a propenso da pele morena (hispnicos) ao desenvolvimento de reaes irritativas (IO), encontramos o mesmo comportamento de barreira a gua em negros e hispnicos, com maiores respostas de TWEL e contedo de gua, mas a resposta da microcirculao e semelhante em hispnicos e brancos.

Necessitamos de mais dados experimentais para avaliar, comparar e compreender as diferenas raciais e de cor da pele na irritao cutneo. Devero ser feitos estudos adicionais com irritantes de diferentes propriedades fsico-qumicas, em diversas circunstncias experimentais, comparando vrios stios anatmicos, com o objetivo ltimo de uma melhor compreenso das funes da pele.

Certamente, este ser um importante passe na criao de produtos apropriados ao cuidado da pele de populaes especficas: diferentes coloraes de pele, homens e mulheres, e extremos etrios.

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