Cosmticos Naturais

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Círculo vicioso

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), setembro deve registrar o maior número de incêndios no Pantanal, a maior planície interior inundada do mundo, considerando todos os índices captados pela série histórica do instituto, iniciada em 1998. As queimadas estão provocando estragos no Norte, no Centro-Oeste e no Sudeste do Brasil.

As causas do fogo que atinge os principais biomas do país são diversificadas e incluem o período – historicamente de secas, que estão ainda mais severas neste ano –, mudanças climáticas (que acarretam aumento da temperatura e diminuição de chuvas), e a ação humana, a principal responsável pela ocorrência de incêndios. A plataforma Global Fire Data (GFED), da Nasa, mostra que a maior parte dos focos no Brasil é classificada como “incêndio de desmatamento”.

“Essas queimadas operam em um círculo vicioso: quanto mais queima, mais seco fica o clima local, fazendo que a vegetação queime mais. Ao queimar a vegetação, são liberados gases do efeito estufa na atmosfera, potencializando as mudanças climáticas, que por sua vez causam aumento de temperatura e clima mais seco em diversas regiões do mundo”, aponta o site do Greenpeace Brasil.

Um relatório divulgado pelo WWF e pelo Boston Consulting Group sugere, dentre outras ações urgentes: investir na prevenção de incêndios, aumentar as metas nacionais de redução de emissões, esclarecer a governança e coordenar políticas, incluir o setor privado e confiar na ciência.

Esta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil apresenta a trajetória de Daniel Barreto, que há mais de três décadas concilia a vida acadêmica e o comando da Assessa. Os artigos técnicos abordam cosméticos naturais, e efeitos nos cabelos submetidos ao alisamento e a tintura. Wallace Magalhães apresenta o Índice de Atividade Cosmetodinâmica, que quando aplicado, pode proporcionar ganhos tecnológicos e gerar formulações mais eficazes e seguras. 

Hamilton dos Santos
Publisher

Cosméticos Naturais: Tendência de Consumo - AC Andreolli, AP Baron, KE Machado (Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Itajaí SC, Brasil)

Diante dessas novas exigências dos consumidores, inclusive quanto ao desempenho dos produtos naturais, neste artigo os autores objetivaram delinear o processo de industrialização dos cosméticos naturais por meio de uma revisão bibliográfica do tipo descritiva, com abordagem qualitativa.

En vista de estas nuevas demandas de los consumidores, incluso con respecto a la actuación de los productos naturales, en este artículo los autores pretenden delinear el proceso de industrialización de cosméticos naturales, mediante una revisión bibliográfica descriptiva con un enfoque cualitativo.

In view of these new demands from consumers, including regarding the performance of natural products, in this article the authors aim to outline the process of industrialization of natural cosmetics, through a descriptive bibliographic review with a qualitative approach.

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Cabelos Submetidos a Diferentes Tratamentos Cosméticos - SA da França-Stefoni, RM da Gama, TB Freire, CA Sales de O Pinto, AR Baby, MVR Velasco (Faculdade de Ciências Farmacêuticas - USP, São Paulo SP, Brasil)

Este artigo avalia as propriedades térmicas e mecânicas de cabelos cacheados caucasianos tratados com tintura oxidativa e/ou alisantes comerciais. A resistência mecânica à ruptura foi avaliada por um analisador de textura e o comportamento térmico por técnicas de análise térmica TG/DTA (termogravimetria/análise térmica diferencial).

Este artículo evalúa las propiedades térmicas y mecânicas del cabello rizado caucasiano tratado con tinte oxidativo y/o alisadores comerciales. La resistência mecânica a la rotura se evaluó mediante un anlizador de textura y el comportamento térmico mediante análisis térmica TG/DTA (termogravimetría/análisis térmica diferencial).

This article assesses the termal and mechanical properties of caucasian curly hair treated with oxidative dye and/or commercial straighteners. The mechanical resistance to rupture was evaluated by a texture analyzer and the thermal behavior by thermal analysis TG/DTA (thermogravimetry/differential thermal analysis).

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Índice de Atividade Cosmetodinâmica - Wallace C Porto Magalhães (RTC Formulador, Belo Horizonte MG, Brasil)

O objetivo deste artigo é apresentar o Índice de Atividade Cosmetodinâmica (iC) e a composição resultante, ferramentas que possibilitam compreender a relação entre a concentração de um ativo em uma formulação a sua resposta funcional. O uso iC pode proporcionar ganho tecnológico considerável e gerar formulações mais eficazes e seguras.

El objetivo de este artículo es presentar el Índice de Actividad Cosmetodinámica (iC) y la composición resultante de una formulación, herramientas que permiten compreender la relación entre la concentración de un activo en una formulación y su respuesta funcional. El uso de iC puede proporcionar una ventaja tecnológica considerable y generar formulaciones más eficaces y seguras.

The aim of this article is to present the Cosmetodynamic Activity Index (iC) and the resulting composition, tools that make it possible to understand the relationship between the concentration of an active functional activity. The use of iC can provide considerable technological gain and generate more effective and safer formulations.

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Silicones: Repensando o Conceito Clean & Safe Beauty - Charles Granatell, John Gormley (Grant Industries, Elmwood Park, NJ, EUA), distribuído exclusivamente por IMCD Brasil

O objetivo deste artigo é esclarecer conceitos equivocados sobre a segurança e a eficácia de ingredientes que podem gerar inovação sustentável e ética.

El propósito de este artículo es aclarar los conceptos erróneos sobre la seguridad y eficácia de los ingredientes que puden generar una innovación ética y sostenible.

The aim of this article is to clarify misconceptions about the safety and eficacy of ingredients that can generate sustainable and ethical innovation.

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Os Cosméticos em Tempos de Pandemia - Gabriel Fernandes Cadioli, Patrícia MBG Maia Campos (Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto USP, Ribeirão Preto SP, Brasil)

Este artigo refere-se a uma abordagem geral em relação ao uso de cosméticos e de produtos de cuidados com a pele e os cabelos em tempos de pandemia. Além da higienização, a hidratação é fundamental para manter a fisiologia da pele, a proteção contra o ressecamento e as irritações cutâneas. Manter os hábitos de fotoproteção, bem como o uso produtos de beleza, são ações de grande importância para a saúde da pele, a autoestima e o bem-estar.

Este artículo se refiere a un enfoque general del uso de cosméticos y productos para el cuidado de la piel y el cabello en tempos de pandemia. Además de la higiene, la hidratación es fundamental para mantener la fisiologia de la piel, protección frente a la sequedad e irritaciones cutâneas. Mantener los hábitos de fotoprotección, así como utilizar productos de beleza, son acciones de gran importância para la salud de la piel, la autoestima y el bienestar.

This article refers to a general approach to the use of Cosmetics and, skin and hair care products in times of pandemic. In adition to hygiene, hydration is essential to maintain skin physiology, protection against dryness and skin irritations. Maintaining photoprotection habits, as well as using beauty products, are actions of great importance for skin health, self-steem and well-being.

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O Envelhecimento - AJ Pasuch Gluzezak, L de Paula Sousa, M Oliveira de Melo, L Rigo Gaspar (Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto - USP, Ribeirão Preto SP, Brasil)

Este artigo traz uma revisão sobre o envelhecimento cutâneo, suas classicações e manifestações clínicas, além de cosméticos, dermocosméticos e substâncias ativas antienvelhecimento, bem como as alterações cutâneas que ocorrem em diferentes gêneros e etnias.

Este artículo proporciona una revisión del envejecimiento cutáneo, sus clasicaciones y manifestaciones clínicas, así como los cosméticos, dermocosméticos y sustancias activas antienvejecimiento, y también los cambios cutáneos en diferentes géneros y etnias.

This article provides a review of skin aging, its classications and clinical manifestations, in addition to anti-aging cosmetics, dermocosmetics and active substances, as well as skin disorders in different genders and ethnicities.

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Alternativas às Microesferas de Plástico em Maquiagens - R Tozim Sodani, CA Pedriali Moraes (Fatec Diadema -Luigi Papaiz, Diadema SP, Brasil)

O propósito deste artigo consiste em estudar a variedade, a composição e o desempenho das microesferas incorporadas a maquiagens para promover o efeito soft focus e que sejam alternativas àquelas de plástico, que demandam longo período para degradarem, prejudicando desde a vida marinha até os seres humanos.

El propósito de esto artículo es estudiar la variedad, composición y desempeño de las microesferas incorporadas en maquillajes para promover el efecto soft focus y que sean alternativas a las microesferas de plástico que requieren uno período largo para degradarse, perjudicando la vida marina y de los humanos.

The purpose of this article is to study the variety, composition and performance of microspheres incorporated in makeup products to promote the soft focus effect and that are alternatives to those microspheres of plastic which require long period to degrade, harming marine life and humans.

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Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

O vai e vem da economia mundial e local

Muito j se disse sobre isto e mais ainda ser dito: estamos vivendo um ano complicado. Como se no fosse suficiente termos que lidar com a perda de vidas humanas, inclusive de pessoas prximas, com um auge mundial de 966 mil [no dia da edio dessa coluna] - sendo EUA e Brasil responsveis por 35% deste nmero [137 mil s no Brasil] -, ainda temos que lidar com as agruras da economia, que so complicadas - mais ainda com os movimentos polticos da pr-eleio norte-americana.

O PIB das economias mais fortes do planeta tem recuado fortemente. No segundo semestre nos EUA, o recuo foi de 9,1% em relao ao trimestre anterior, ou seja, -31,9% anualizados. Na Zona do Euro, o tombo de 12,1% foi maior ainda, e, no Japo, foi de 7,8%. O Brasil acompanha as tendncias de queda mundial e apresenta uma reduo de 9,7%. O nico pas a ter um PIB positivo em relao ao trimestre anterior foi a China, com 11,5% (os dados so da OCDE).

De acordo com a instituio, os dados refletem as consequncias das medidas de isolamento, tendo como auge o meio do segundo trimestre (maio). Com o relaxamento das medidas restritivas, a tendncia a recuperao pouco a pouco da economia, porm com uma forte previso de fechamento de PIBs negativos para o ano (mundo -4,5% e Brasil -6,5%).

No Brasil, muito se tem feito para tentar mitigar este cenrio, como a injeo de auxlio emergencial, estmulos fiscais etc. Apesar do esforo, o percentual do crescimento da indstria de transformao, que inclui a indstria cosmtica, teve um encolhimento de 17,5% em relao ao trimestre anterior, ou 10,7% no ano. Olhando a conta do comrcio, parte importante no segmento cosmtico, a retrao foi de 13% em relao ao trimestre anterior (retrao de 6,9% no ano).

Do ponto de vista da balana comercial, embora as exportaes tenham crescido 1,8% em comparao ao trimestre anterior, no ano acumula perda de 0,8%. As importaes diminuram 13,2% em relao ao trimestre anterior e apresentam reduo de 5% no ano. Isto indica uma atividade industrial interna menor.

O relatrio PNAD Covid-19 de julho indica que nacionalmente a relao entre o rendimento mdio do trabalho efetivamente recebido e o habitualmente recebido ficou em 87,1%, ou seja, as famlias tiveram em mdia uma perda de 12,9% em seus rendimentos (de R$ 2.070 contra R$ 2.377). Analisando os vrios estratos de estudos, este percentual de longe no homogneo. Por exemplo, quem trabalha por conta prpria recebeu efetivamente 72% do que habitualmente recebia (R$ 1.376), enquanto os trabalhadores do setor privado com carteira receberam, em mdia, R$ 2.096, e funcionrios pblicos receberam efetivamente R$ 3.574, em mdia - 90% acima do habitual. Os trabalhadores com Ensino Superior completo foram os que tiveram a menor perda, a saber: 10,6% (R$ 3.579). Apesar de uma massa de rendimento menor do que a dos homens (R$ 2.214), as mulheres (R$ 1.866) tiveram uma perda semelhante, embora uma maior recuperao no perodo. Para os idosos (60 anos ou mais), a perda foi substancialmente maior quando comparadas com a dos jovens entre 14 e 24 anos. De qualquer maneira, apesar do aumento de 6,5% no total dos rendimentos efetivos, na prtica os efeitos funestos da perda de rendimentos na sociedade tm sido evidentes. A boa notcia que o rendimento efetivamente recebido tender a aumentar enquanto o auxlio emergencial for mantido.

O terceiro trimestre tende a ser melhor do que o ltimo. No entanto, a diminuio destas medidas, aliada ao aumento das taxas de transmisso do vrus, adormece as expectativas de uma recuperao mais rpida. De acordo com a OMS, uma vacina efetiva e segura no dever estar disponvel antes do segundo semestre de 2021 e uma campanha de vacinao mundial somente no segundo semestre. A OCDE recomenda a continuao dos auxlios emergenciais ao longo do ano de 2021 com o fi m de evitar contraes maiores do que as previstas, porm atualmente esta no a poltica do Poder Executivo. A OCDE tambm recomenda uma forte ao dos bancos centrais de cada Estado no sentido de conter o desemprego (varivel ainda sem controle no Brasil) e a manuteno de uma infl ao baixa, com atividade industrial signifi cativa (equao difcil de se manter mesmo em situaes favorveis).

Todos os fatores descritos, aliados pesada sombra de uma segunda onda mundial da pandemia, um olhar extremamente negativo por parte de investidores estrangeiros sobre as polticas ambientais brasileiras e as queimadas naturais impostas pela me natureza vo desenhando pela frente um cenrio bastante complicado para os empresrios locais, oferecendo muitas difi culdades para uma efetiva recuperao econmica.

John Jimenez
Tendncias por John Jimenez

The new green

Como a indstria cosmtica tem projees negativas para o segundo semestre de 2020, com uma pequena recuperao no primeiro semestre de 2021 para alguns dos pases. O Euromonitor indica, num relatrio recente, uma queda de 2% globalmente para o setor de cosmticos, -18% para a categoria luxo, enquanto a categoria health projeta apenas -0,3% para este ano. Por outro lado, pet care tem projeo de crescimento de cerca de 3% e home care de 4%.

Essas mudanas nas projees devem-se em parte mudana na mentalidade do consumidor em meio pandemia. Os consumidores tm medo do desemprego, da crise social e de serem infectados. Este panorama est motivando os hbitos dos consumidores a mudarem para as categorias de Health & Wellness, uma vez que o bem-estar mental passou a ser considerado um componente fundamental da sade, e as pessoas, esto tomando medidas e procurando solues para tratar o estresse e a ansiedade. aqui que os cosmticos verdes tm uma nova oportunidade.

Coco Chanel disse que luxo uma necessidade que comea quando a necessidade termina. Agora podemos dizer, em meio pandemia, que luxo est relacionado a atender as necessidades e desfrutar de tranquilidade. O novo luxo est relacionado com bem-estar e sossego.

Uma recente publicao do Beauty Business Journal comentou que o coronavrus atua como um catalisador para a tendncia de clean beauty. Na era pr-pandmica, a tendncia clean estava fortemente relacionada a ingredientes naturais, o movimento sustentvel, a segurana, a transparncia, ao abastecimento e as prticas de fabricao, entre outros. Agora, na era ps-pandmica, surge uma nova preocupao com a shelf-life dos produtos, j que pesquisas indicam que o consumidor considera que os produtos da tendncia clean beauty tm vida mais curta. Os consumidores tambm esto se tornando mais flexveis para aceitar ingredientes em formulaes que ajudam a garantir sade e eficcia. Estas so as novas tendncias para green beauty:

- Preveno: essa tendncia se concentra na limpeza e na higiene. Estamos vendo a evoluo dos produtos de higiene bsica, como o lcool em gel, com formulaes mais tecnolgicas. Em junho, foi lanado o primeiro creme com benefcios de higiene graas s partculas de prata na composio. As formulaes em gel incluem polmeros naturais que auxiliam na viscosidade das formulaes e proporcionam hidratao. A tendncia do CBD (canabidiol) tambm se enquadra nesta categoria.

- Bubble party: este um dos conceitos vencedores da competio Fountain Of Hygiene de Bompas & Parr, que desafiou os designers a repensar a higienizao e a desinfeco das mos durante o perodo de uma pandemia global. Reinvente as bolhas como uma atividade ldica para limpar as mos. A mquina pode ser usada para soprar bolhas de desinfetante para as pessoas as pegarem entre as palmas das mos.

- Imunidade: embora este seja um claim que apresenta riscos legais em cosmticos, vemos novos benefcios relacionados ao fortalecimento das defesas da pele e promoo da imunidade, como prebiticos, polifenis e beta-glucanas. Tambm os leos naturais aromticos so apresentados em conceitos relacionados ao fortalecimento da imunidade da pele.

- Simplicidade e minimalismo: o novo green tambm est focado em formulaes leves com menos ingredientes. As marcas de luxo tambm esto inovando os conceitos de refil para apoiar a sustentabilidade.

- Wellness: a categoria em que vemos mais inovaes. Novos tutoriais e aplicativos para usar em conjunto com os produtos. Ritmos circadianos, cortisol, aromacologia e aromaterapia apresentam-se como as grandes oportunidades. A empresa I-Bient da Inglaterra lanou aplicativos para colocar nas mscaras que liberam leos essenciais.

- Zero waste: continuamos vendo formatos que economizam gua na produo e tambm no uso. Mouthwash e Reusable Pads em tendncia. Vemos tambm embalagens feitas de papel reciclado e contendo sementes que posteriormente florescem. No primeiro semestre, vimos tambm inovaes no material de embalagem de cogumelos e cortia.

- Segurana e eficcia: novos dispositivos no varejo para experimentar produtos sem risco - Touchless Beauty Testers. A Lush lanou em julho um mini sabonete que se dissolve em 30 segundos, tempo recomendado para a correta lavagem das mos.

- The new plastics: novas opes chegam ao mercado, como material carbon-neutral, gua potvel acondicionada em caixas de papelo, Shower-Friendly Paper Bottle para produtos de enxgue, embalagens de papelo para protetor solar, embalagens para emulses feitas com plstico reciclado... Em janeiro, o jornal The Guardian apresentou o material Bioplast 300, que um plstico biodegradvel que, em breve, ser adotado pela indstria cosmtica. Tambm foi lanado o bioplstico biodegradvel Nuatan, que pode ser consumido por peixes e utilizado na compostagem e fabricado a partir de leo de cozinha usado e amido de batata.


Wallace Magalhes
Gesto em P&D por Wallace Magalhes

Questes funcionais do P&D

Tenho abordado assuntos de interesse funcional para o P&D, que nem sempre so tratados com o destaque necessrio porque h a natural predominncia dos assuntos tcnicos. O especialista em P&D precisa entender tambm o seu papel estratgico. Em uma atividade de base tecnolgica, a rea de desenvolvimento tem uma enorme parcela de responsabilidade no sucesso ou no insucesso da empresa. Por isso, o P&D precisa estar bem estabelecido. E isto independentemente do tamanho da empresa, porque um requisito bsico.

- Postura correta: a primeira providncia do P&D assumir a postura de pesquisa e desenvolvimento. Em muitas empresas, apesar da denominao ser P&D, o que se tem simplesmente um laboratrio de aplicao. O resultado ser sempre produtos sem assinatura ou o mesmo do mesmo. Isto acontece pela falta de recursos e de uma estrutura de pesquisa que conduza objetivamente o processo. Em um mercado competitivo, que evolui em alta velocidade, produtos sem assinatura tm pouqussimas chances de sucesso.

- Compreender a natureza da atividade: o objetivo essencial do P&D criar a tecnologia para a fabricao de produtos, o que finalizado com a gerao de um pacote de informaes. Ainda se v uma enorme ateno bancada e s amostras e pouca ateno aos princpios e recursos de gesto da informao - e at ao seu contedo. Essencialmente, o trabalho do P&D tem origem em informao, abrangendo conceitos, tecnologia e materiais, e finaliza em informao - no caso especfico de cosmticos, obrigatoriamente na forma de dossi de produtos, especifi cado por norma. incrvel que, mesmo depois de 15 anos da publicao desta norma, ainda existam empresas que no adotaram este procedimento, o que uma falha tecnolgica e uma irregularidade sanitria.

- Ter profissionais com perfil de pesquisador: talvez o maior erro estratgico seja ter no P&D pessoas sem o perfil de pesquisador. E isto mais comum do que parece, principalmente em empresas de pequeno porte, onde comum at ver pessoas acumulando produo com P&D, que so atividades que exigem posturas bem distintas. Se isto ocorrer, cabe ao profissional separar bem as atividades, de preferncia definindo um horrio especfico para cada atividade. No uma tarefa simples e precisa contar com o apoio da direo da empresa.

- Alinhamento com o marketing: o desenvolvimento do conceito de um novo produto normalmente surge no marketing, mas pode surgir tambm no P&D. Assim, entender a lgica do marketing essencial. Muitas vezes, ao criar um novo conceito, o marketing, no entusiasmo do novo projeto, pode exagerar nos claims. Cabe ao P&D o papel de avaliar a exequibilidade da nova proposta de produto, tendo o cuidado de no avalizar exageros incompatveis com o conhecimento cientfico, como tambm no se deixar levar pela comodidade de reprovar ou desaconselhar sem estudar bem o caso. De qualquer forma, a melhor conduta interagir com a inteno de criar um novo produto que seja sucesso de vendas e satisfaa os consumidores, logicamente obedecendo aos princpios cientficos e s exigncias sanitrias.

- Relacionamento com fornecedores: fornecedores podem ajudar muito, principalmente com informaes tcnicas. Mesmo que estejam empenhados, voc no deve deixar o trabalho de desenvolvimento para o fornecedor. O produto precisa ter a assinatura da empresa. Antes de usar um ativo, solicite e estude composio, especifi cao, FISPQ e custo. E verifique a disponibilidade de estoque.

- Manter contato constante com as outras reas tcnicas: um produto desenvolvido para ser fabricado em uma determinada planta, com determinados critrios de qualidade, e estes precisam ser conhecidos pelo P&D. Uma boa medida implantar uma demonstrao mensal de resultados das reas tcnicas, que, alm de apresentadas, devem ser discutidas por todos os envolvidos, sempre na inteno da melhoria contnua.

- Acompanhar o desempenho de produtos no mercado: muitos especialistas em desenvolvimento acham que o seu trabalho acaba quando termina o trabalho no P&D. Conhecer os nmeros de desempenho do produto no mercado e os possveis relatos de cosmetovigilncia vai ampliar a percepo de profundidade para novos projetos.

- Dar subsdios direo da empresa: muitas vezes, o P&D aparece, aos olhos da direo, como um setor que s gera custo e necessidade de investimentos. Cabe ao especialista desfazer este despropsito, porque talvez este seja o mais pernicioso de todos os problemas.

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

Cabelo e hormnios

Temos cerca de 150 mil fios de cabelo no couro cabeludo que esto crescendo e caindo num ciclo constante durante toda nossa vida. Esses fios de cabelo esto localizados numa estrutura chamada folculo pilossebceo, e dentro de cada folculo podemos ter de duas a quatro hastes capilares. Os fios de cabelo tm um ciclo caracterizado por trs fases: angena, que a fase de crescimento; catgena, que a fase de transio; e telgena, que a fase de repouso.

A fase de crescimento, numa situao normal, dura cerca de quatro anos, enquanto a fase de transio dura semanas, e a fase de repouso dura cerca de dois a quatro meses.

Cerca de 85% dos cabelos localizados no couro cabeludo esto na fase angena, e 15% esto entre as fases catgena e telgena.

O fi o de cabelo, quando entra na fase de transio e repouso, cai e volta a nascer, prosseguindo novamente na fase de crescimento. Esse ciclo persiste por toda a vida e pode ser alterado por doenas como anemia, hipertireoidismo e hipotireoidismo, regimes, remdios e tambm por variaes hormonais e estresse.

Os hormnios mais importantes relacionados ao cabelo so os hormnios masculinos, chamados tambm de andrognios, conhecidos como testosterona e deidroepiandrosterona, entre outros.

Os hormnios da tireoide, quando baixos ou altos, tambm interferem na sade do cabelo e no ciclo capilar.

O cortisol, que um hormnio relacionado ao estresse, tambm interfere na qualidade do fio e nas mudanas do ciclo capilar.

Os hormnios andrognicos, que tambm chamamos de hormnios masculinos, esto envolvidos com a queda de cabelo chamada calvcie.

Essa queda de cabelo a mais prevalente, atingindo cerca de 80% dos homens e 40% das mulheres. Nos homens, a calvcie tem um padro bem conhecido, comprometendo as entradas e o vrtex, enquanto nas mulheres ela difusa, atingindo mais o topo da cabea.

A calvcie, tanto em homens quanto em mulheres, no acontecer se no forem produzidos esses hormnios andrognicos. Os nveis de hormnios masculinos no esto aumentados na calvcie, porm, quando a testosterona chega no folculo pilossebceo, transformada em di-hidrotestosterona e, aps fazer uma ligao especfi ca com receptores, entra no ncleo celular e provoca o afinamento e a queda do fio.

H estudos que demonstram que mulheres com ovrio policstico, quando os hormnios andrognicos esto aumentados, podem desenvolver a alopecia androgentica.

Outras doenas em que esses hormnios esto aumentados, como alterao congnita tardia da glndula adrenal e tumores do ovrio, tambm podem causar alopecia androgentica.

O estresse intenso est relacionado com o aumento do hormnio denominado cortisol. Os nveis altos desse hormnio estimulam indiretamente os hormnios masculinos e a inflamao.

Quando muito estressados, a alopecia androgentica pode piorar, favorecendo tambm o excesso de oleosidade no couro cabeludo.

O cortisol, mantido em nveis altos por tempo prolongado, interfere na resistncia e imunidade do indivduo comprometido. Sendo assim, o organismo que tem uma gesto inteligente interrompe o ciclo capilar e ordena que fi os em fase angena passem para a fase telgena. Por esse motivo, 2 a 3 meses depois do incio do estresse, haver uma perda capilar signifi cativa e assustadora. No entanto, importante saber que os folculos capilares onde esto as razes do fio de cabelo no esto caindo, mas somente a haste capilar, que depois voltar a crescer.

As mulheres, durante a gravidez, devido ao aumento dos hormnios femininos, melhoram a qualidade e a densidade do cabelo, alm de apresentarem menos queda.

O cabelo fica mais cheio e brilhante e cai menos durante toda a gestao, porm cerca de 3 a 4 meses aps o parto ele pode cair em grande quantidade. Isso acontece porque os hormnios femininos, que so protetores e benficos, diminuem drasticamente no trmino da gestao.

Vemos, portanto, que em vrios tipos de queda de cabelo a avaliao dos nveis hormonais no sangue ser crucial para o diagnstico e tambm a melhor escolha de tratamento.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Embalagens: pode trazer da China

A pandemia virou esse nosso mercado cosmtico de cabea para baixo, mas uma coisa inegvel: est valendo para comprovar aquela mxima que diz em tempos de crise, s os fortes sobrevivem. Mas quem so esses fortes? As grandes empresas? Aqueles que tinham um flego financeiro? Nem uma coisa nem outra. Uma grande empresa no sobrevive crise s por ser grande. O flego financeiro um dia acaba, principalmente levando-se em conta que aquilo que comeou efetivamente em maro e que na nossa cabea no passaria de junho ou julho, sob pena de matar muitas empresas, j est atravessando setembro, e a nica luz no fim do tnel, at ento, chama-se vacina.

Mas ento quem so essas empresas ditas fortes para sobreviverem s crises? Pode parecer clich, mas so aquelas que se reinventam na crise, que, em vez de se lamentarem, enxergam oportunidades, expulsam as emoes e se concentram na razo.

Digo isso com conhecimento de causa, pois, enquanto muitas empresas esto batendo lata esperando a soluo cair do cu, outras esto nadando de braada, com suas carteiras de pedidos recheadas, e a nica preocupao o que fazer para no deixar faltar produtos, as chamadas rupturas, em funo do aumento de vendas.

Posso citar um exemplo que aconteceu nessa pandemia com o sumio das vlvulas, principal componente da embalagem do lcool gel. Enquanto a maioria das empresas se descabelava buscando quem tinha essa embalagem, dispostas a pagar at o dobro do valor normal, outras poucas empresas saram na frente, substituindo a vlvula por tampa flip-top, disc-top e at tampa cega. Outras, mais ousadas, foram em busca de sachet, pouch e outras sadas.

Interessante que o resultado dessa situao foi que as empresas que s trabalham com a emoo e no tm tempo para a razo, j tinham a frase pronta: mas isso pode?!.

Essa pandemia serviu para mostrar como nosso mercado interno de embalagens vulnervel. Bastou aumentarem as vendas das vlvulas para elas sumirem do mercado. Ningum tinha, ou melhor, ningum tem.

Fico aqui pensando No faz muito tempo que s tnhamos no Brasil um nico fabricante de vlvulas, que ficava no Rio de Janeiro. Vlvula era s para colnia importada ou para tops nacionais que podiam importar esse componente. O resultado disso era o uso generalizado de tampas cegas nas colnias.

Para resolver ou minimizar o problema, algumas empresas comearam a importar os componentes e montar as vlvulas no Brasil. Porm, como todos sabem, em uma vlvula vo mais de dez componentes, e no raras vezes essas empresas no tinham todos eles e, portanto, no conseguiam montar a vlvula.

Se comparado com esse passado, hoje temos muito mais opes de fornecimento, mas, mesmo assim, elas no supriram o aumento da demanda.

Sem falar da principal matria-prima do lcool gel, que o Carbopol (marca da Lubrizol). Por ser importado, virou raridade, e quem no tinha estoque ou programao de entrega teve que entrar numa fila de meses para receber essa matria-prima.

Como disse, a pandemia est fazendo as empresas se reinventarem para sobreviver e, com isso, evidenciou oportunidades. Uma dessas oportunidades se mostra no nmero de empresas que nasceram propondo trazer embalagens do mercado internacional, as chamadas tradings. O que antes era proibitivo para pequenas empresas, em funo da quantidade e tambm da preocupao com a qualidade, hoje j outra realidade.

Se a empresa busca qualidade e preo, tem. Mas se busca somente preo para vender na feirinha da madrugada, tambm tem.

Quando falamos de embalagem, inegvel que o mercado asitico, mais precisamente a China, est anos-luz na nossa frente em diversidade de itens, qualidade e preo.

Ento, por onde comear para trazer boas embalagens da China? Se voc no consegue ou no pode fazer isso internamente, o primeiro passo encontrar uma boa trading, aquelas que conhecem bem o mercado chins, que trabalham com embalagens para cosmticos e, principalmente, que tenha no seu quadro de colaboradores algum que fale mandarim, pois muitos l no falam ingls e isso dificulta o entendimento e a negociao.

O segundo passo saber o que a empresa quer importar, ter amostra ou uma foto. Cuidado com a frase pronta: me mostra o que eles tm l e quanto custa. Isso vai difi cultar a vida da trading e atrasar o processo, pois so infi nitas as ofertas de embalagens nas centenas, talvez milhares de fbricas exclusivamente de embalagens, e tem preo para todo gosto e bolso.

O ltimo passo alinhar a operao e colocar o pedido. Essa semana eu conheci uma trading que se especializou nesse mercado e montou uma base naquele pas, o que de certa forma um diferencial competitivo.

Vamos priorizar o nosso mercado, mas se no tem o que queremos na quantidade, qualidade e preo... bora trazer da China!



Cristiane M Santos
Direito do Consumidor por Cristiane M Santos

Lei de Proteo de Dados e relaes de consumo

Entrou em vigor no ltimo dia 18 de setembro a Lei Geral de Proteo de Dados (LGPD) - Lei N 13.079/2018. A principal finalidade desta lei a de proteger e regulamentar as informaes pessoais (identificao, religio, etnia, poltica, sexualidade, sade etc.) das pessoas fsicas obtidas, de forma on-line ou off-line, por empresas privadas e rgos pblicos.

Tambm vale destacar que esta proteo deve ser garantida, independentemente do pas onde o responsvel ou o local de armazenamento de dados estejam, desde que estes tenham sido coletados no territrio nacional, conforme prev o artigo 3 da Lei.

A LGPD garante ao cidado o poder de questionar as empresas privadas e/ou rgos pblicos sobre o tratamento de suas informaes pessoais, e estes s podero utiliz-la com expressa autorizao.

Certamente, em muitas ocasies, esses dados sero disponibilizados pelo cidado numa relao de consumo.

Por isso, apesar da LGPD ser nova, a preocupao com as informaes pessoais dos consumidores antiga e j estava prevista no Cdigo de Defesa do Consumidor (CDC):

Art. 43. O consumidor, sem prejuzo do disposto no art. 86, ter acesso s informaes existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele, bem como sobre as suas respectivas fontes.

1 Os cadastros e dados de consumidores devem ser objetivos, claros, verdadeiros e em linguagem de fcil compreenso, no podendo conter informaes negativas referentes a perodo superior a cinco anos.

2 A abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo dever ser comunicada por escrito ao consumidor, quando no solicitada por ele.

3 O consumidor, sempre que encontrar inexatido nos seus dados e cadastros, poder exigir sua imediata correo, devendo o arquivista, no prazo de cinco dias teis, comunicar a alterao aos eventuais destinatrios das informaes incorretas.

Nesse sentido, e de forma mais ampla, o Artigo 9 da LGPD tambm garante o acesso facilitado s informaes do titular:

Art. 9 O titular tem direito ao acesso facilitado s informaes sobre o tratamento de seus dados, que devero ser disponibilizadas de forma clara, adequada e ostensiva acerca de, entre outras caractersticas previstas em regulamentao para o atendimento do princpio do livre acesso(...)

E o artigo 18 da LGPD enfatiza a segurana e privacidade quanto aos dados do consumidor, assegurando: acesso s informaes; correes; portabilidade dos dados para outro fornecedor; revogao do consentimento e oposio informao.

Com relao ao descumprimento, enquanto o CDC prev sanes na esfera penal para o descumprimento da proteo de dado, na LGPD esto previstas apenas sanes na esfera administrativa. Entretanto, essas sanes s entraro em vigor em 2021.

A existncia de uma lei de proteo de dados fundamental para o Brasil se adequar s demandas de um mundo globalizado, mas resta saber se a maioria das empresas est de fato preparada para se adequar e atender s exigncias dessa lei - ainda mais neste momento de pandemia.

Lembrando que, para alcanar esta adequao, essencial que as empresas invistam em treinamento e conscientizao de seus colaboradores.



Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

Retorno s origens

Vou falar das origens da Qualidade sem, entretanto, retornar aos primrdios da humanidade, onde tudo comeou.

Pode-se dizer que a Qualidade surgiu com a Revoluo Industrial e a disseminao da produo em srie. Contudo, na forma como conhecida hoje, a Qualidade surgiu como produto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Pode-se estudar a origem da Qualidade, recordando os chamados Conceitos da Qualidade.

O primeiro e fundamental desses conceitos estabelece que: Quem faz a Qualidade so pessoas. Esse conceito resume toda e qualquer interpretao que possa ser atribuda Qualidade.

de conhecimento geral que, ao buscar a defi nio do que Qualidade, vamos encontrar vrias interpretaes de acordo com o ponto de vista de cada um. Todavia, alguns conceitos independem da pessoalidade em sua interpretao.

Os chamados gurus da Qualidade, como William E. Deming (1900-1993), Kaoru Ishikawa (1915-1989), Philip B. Crosby (1926-2001), Joseph M. Juran (1904-2008) e Armand V. Feigenbaum (1922-2014), formularam conceitos que, se forem devidamente aplicados, possibilitam a implantao de processos da Qualidade de modo simples e seguro.

Por exemplo, um dos conceitos de Crosby que : Fazer certo da primeira vez. A simplicidade desse conceito no deixa margem para qualquer interpretao que no seja a explicitada na frase. Se a organizao tiver esse conceito como princpio, todas as suas aes sero voltadas a no admitir falhas nas suas atividades.

Um conceito elaborado por Feigenbaum que bastante claro quanto ao objetivo da Qualidade este: O padro de vida dos consumidores e o sucesso dos negcios das empresas dependem do desempenho confi vel e consistente dos produtos e servios, sem que seja permitida a tolerncia em relao a perdas de tempo e custos de falhas. Hoje em dia, a qualidade se tornou uma estratgia fundamental para a competividade.

Vrios livros, artigos e comentrios poderiam ser escritos sobre a importncia do desempenho confivel e consistente dos produtos e servios e a competividade tamanha a fora dessa relao.

Como referncia aos conceitos da Qualidade, apresento a seguir alguns que so bsicos que, quando so devidamente aplicados, trazem bons resultados para a organizao.

- A organizao no deve permitir que ocorram no conformidades de quaisquer espcies, ou seja, a Qualidade deve ser, antes de tudo, preventiva e no corretiva.

- Qualidade responsabilidade de toda a organizao e no somente de reas especficas.

- Quando devidamente conceituada, a Qualidade uma ferramenta para a reduo de custos, evitando retrabalho, devolues etc.

- Qualidade significa melhoria contnua.

- A Qualidade um objetivo mvel, pois a concorrncia tambm procura fazer melhorias em seus produtos e servios.

- A Qualidade deve promover a comunicao adequada entre todos os componentes da organizao e da qual todos eles participem. Dessa forma, os resultados sero sempre os melhores possveis.

- A Qualidade exige o comprometimento dos componentes da organizao, o que s acontecer se houver motivao individual.

Estou certo de que, ao relembrar os conceitos bsicos da Qualidade, estes passaro a fazer parte da sua caixa de ferramentas, pois so importantes para a tomada de decises.

Olivier Fabre
Fragrncias por Olivier Fabre

Mercado brasileiro: maior do mundo

Na ltima dcada o mercado de fragrncias no Brasil ficou entre os cinco primeiros do ranking mundial, chegou a ser o primeiro nos anos de 2013 e 2014, frente dos Estados Unidos. Mas se olharmos em consumo por habitante, tendo em conta a perfumaria fina e de produtos funcionais como sabonetes, detergentes, amaciantes etc, ento o mercado brasileiro de fragrncias o maior do mundo!

A exposio s fragrncias, no Brasil, comea cedo. O setor de produtos perfumados do Brasil para beb o maior do mundo. Durante minha carreira profi ssional, sempre me surpreendeu o potencial dos projetos para fragrncias e o grande nmeros de variantes nas linhas de produtos para beb. Na minha opinio isto se deve a uma especifi cidade bem brasileira: nos anos 1970 as linhas de produtos para beb comearam a ser designadas por gneros, uma linha para meninas e outra para meninos. Essa distino nunca existiu em outros mercados do mundo, nos quais as linhas de produtos para beb sempre foram unissex. Embora a distino por gnero j no seja tanto uma realidade, hoje as linhas de produtos para beb aqui continuam sendo mais extensas que na Europa ou nos Estados Unidos.

Mas foi na histria da perfumaria brasileira que encontrei outras explicaes da razo do tamanho do mercado. Se olhamos a histria da perfumaria de vrias civilizaes o uso de fragrncias e de ingredientes perfumados tiveram trs objetivos:

- Para se comunicar com os deuses, incenso e pomadas eram oferecidos em cerimnias religiosas;

- Para o embalsamento, a fim de preservar a integridade do corpo humano na viagem para o alm, j que a vida terrena seria uma passagem efmera;

- Para produtos de beleza, para prazer pessoal e seduo

Hoje, tanto no ocidente como no oriente, o uso de fragrncias e produtos perfumados se limita a quase unicamente ao ltimo item, ou seja: produtos de beleza e seduo. Porm, esse no o caso no Brasil. A relao do brasileiro com fragrncias e produtos perfumados vai alm desse uso.

Aqui o uso das fragrncias para seduo beira a paixo. Quando visitei apartamentos para me instalar em So Paulo, fiquei impressionado com o nmero de frascos de perfumes nas prateleiras dos banheiros que s vezes chegavam a ser superior a dez! No Nordeste essa paixo quase se converte em fanatismo.

Mas como me referi anteriormente, outros usos de fragrncias acontecem no Brasil. Fragrncias so usadas em cerimnias religiosas ou do sincretismo religioso como, por exemplo, a lavagem das escadas da Igreja Nosso Senhor do Bonfi m em Salvador, com gua perfumada para lavar a alma e os pecados. No carnaval desta cidade, antes do desfi le do Afox dos Filhos de Gandhi, a avenida perfumada com lavanda. O palco do Gilberto Gil tambm perfumado com lavanda antes de cada apresentao.

Os brasileiros, bem antes da chegada dos colonizadores, deram uma dimenso espiritual muito importante aos perfumes. O Xam estabelecia uma relao espiritual forte com as plantas e as fl ores e usava muitas delas para purifi car, sarar, ou afastar ondas negativas como, por exemplo, com a erva doce.

interessante notar que hoje a erva doce faz parte do patrimnio olfativo brasileiro. difcil no encontrar uma variante perfumada com erva doce nas linhas de produtos perfumados do Brasil.

Outro uso especfi co de perfumes no Brasil, desde o incio do Sculo XX, que contribuiu para a sua popularidade, foi o lana perfume usado para refrescar e perfumar o corpo durante o carnaval. Mas, devido a toxicidade da frmula e ao seu uso desvirtuado como entorpecente - que provocou acidentes fatais -, foi proibido em 1965.

Cito ainda outros fatores que contribuem para a importncia que se d s fragrncias neste pas:

- A averso dos brasileiros ao CC (cheiro de corpo) faz com que o Brasil seja o maior produtor do mundo de desodorantes e de sabonetes. O uso de sabonete e de desodorante se justifica tambm pelo clima quente e mido;

- Os brasileiros, em mdia, tomam dois banhos por dia, enquanto em certos pases da Europa, chega a ser menos que um.

A juno de duas caractersticas do povo brasileiro, amor s fragrncias e empatia natural, fez com que a comercializao de fragrncias em reunio com revendedoras se tornasse um enorme sucesso comercial, nico no mundo. Esse sistema de vendas permitiu que as fragrncias chegassem aos locais mais remotos e inacessveis do territrio.

Finalmente empreendedores visionrios fundaram empresas de perfumaria, fazendo com que esse mercado se desenvolvesse rapidamente no Sculo XX. Essas empresas, algumas multinacionais e muitas delas pequenas, contriburam na criao de um mercado de fragrncias genuinamente brasileiro, dinmico, variado e muito criativo.

A pirmide do mercado brasileiro: alma, corao, corpo


Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

possvel um produto vegano com qualidade?

Antes de discorrermos especifi camente sobre a pergunta feita acima, devemos fazer uma anlise epistemolgica de alguns termos muito utilizados hoje em dia.

Vamos comear com o termo vegano. Produtos veganos so aqueles em que no so utilizadas matrias-primas de origem animal, mas isso no signifi ca que no contenham materiais sintticos.

Os cosmticos veganos so produtos que no possuem ingredientes de origem animal em sua formulao, como, por exemplo, queratina animal, colgeno, cera de abelha, mel, seda, leites, gorduras de boi ou porco e no utilizam animais em nenhuma etapa de testes.

Para receberem o logo Certified Vegan, preciso atender a alguns requisitos: os produtos no podem conter matria-prima de oriundas de carne, aves, peixe, ovos, laticnios, mel, prpolis e geleia real, entre outros, nem subprodutos de animais, tais como corantes de insetos, seda etc.

Alm disso, tm que ser cruelty-free, isto , no podem usar animais para seus testes de eficcia. Por isso, estas nomenclaturas so apenas alternativas de selos, e o rigor ir depender da certificadora.

Os cosmticos veganos fazem parte dos cosmticos verdes, os quais so desenvolvidos segundo princpios ecolgicos. Nesse grupo, tambm entram os cosmticos orgnicos e os naturais.

Como obter esta certificao e quais so os testes?

Os testes em animais esto proibidos desde 2003 nos EUA. No mesmo ano, foi fundada a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), que, dez anos depois, em 2013, criou o Selo Vegano.

Para conceder o selo, alguns itens tm que ser observados, como produtos sem ingredientes de origem animal, ausncia de testes em produtos com ingredientes em animais e o produto finalizado no pode ser testado em animais.

Outras sociedades ainda verificam se o cosmtico segue diversas exigncias relacionadas ao processo de produo, origem das matrias-primas e sustentabilidade da cadeia produtiva.

O certificado Certified Vegan, outorgado pela Vegan Awareness Foundation, uma das mais prestigiadas do mundo.

Outra organizao muito conhecida por suas atividades em relao aos animais, PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) volta sua ateno principalmente para quatro reas com maior nmero de sofrimento animal: laboratrios em geral, indstria de alimentos, indstria do entretenimento e comrcio de roupas (sem uso de pele de animais e de couro, por exemplo). Alm disso, atua em muitas outras questes, como o combate crueldade e ao assassinato de roedores e pssaros, entre outros animais, bem como aos maus tratos de animais que foram domesticados.

Como saberemos se os produtos so seguros para uso humano? Onde os testes so realizados?

Diversas empresas realizam testes de cosmticos veganos em pele humana desenvolvida em laboratrio tendo a aparncia de crculos de gelatina transparente. A pele coletada pode ser separada por idade, sexo e raa do doador para a realizao de testes confi veis em funo do mercado visado. Uma das maneiras de se obter essas amostras de pele so cirurgias em que temos sobras deste material humano.

A matria-prima para criar a pele humana vem, principalmente, de clulas chamadas queratincitos, cultivadas e inoculadas. Nesta cultura, as clulas se multiplicam at a formao de uma camada espessa a ser mergulhada em um lquido nutritivo que simula o sangue humano. O cultivo resulta em uma pele humana apta a testar produtos veganos e cruelty-free.

Pode-se ainda utilizar o modelo de pele de cobra, que usa a pele descartada do animal.

Para a obteno de matria-prima, so permitidos os processos que utilizam presso, destilao a frio, vapor ou gua, concentrao por mtodos fsicos ou mecnicos e percolao. J os solventes extratores so glicerina e lcool, se obtidos de maneira orgnica. Processos que utilizam nitrognio e CO2 tambm so viveis.

Alm de no conterem produtos de origem animal e da inexistncia de crueldade com os animais, os cosmticos veganos tm que contribuir para a sustentabilidade. Os cosmticos veganos, em geral, so fabricados com matrias-primas sintticas. Essa particularidade diminui a produo de lixo durante a fabricao. Mas nem sempre isso suficiente. Existem produtos veganos que utilizam vaselina ou parafi na, que so derivados de petrleo e no so biodegradveis!

Cabe ao formulador observar todas estas questes quando for elaborar um produto para o qual espera receber o selo vegano. No uma tarefa simples, mas com certeza necessria. Quando observamos o mercado destes produtos, vemos que ele vem aumentando exponencialmente e que ficar fora dele um suicdio comercial.

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