Produtos para Pele

Ver Revista na íntegra Edição Atual - Produtos para Pele

Um ano melhor

O desempenho econômico de 2019 frustrou as expectativas otimistas do início do ano, adiando a retomada do crescimento mais uma vez. Num ano com pouca margem para erros, fontes internas de instabilidade – como a demora na aprovação da reforma da previdência – somaram-se à crise na Argentina, grande importadora de produtos industrializados brasileiros, e a outras tensões externas.

Dentre os saldos negativos do ano passado está a queda de 1,1% na produção da indústria, que também foi impactada pelo rompimento da barragem de Brumadinho. A tragédia puxou a queda de 9,7% da indústria extrativa.

Para este ano, economistas acreditam que as projeções otimistas devem se concretizar, uma vez que os cenários interno e externo estão mais favoráveis. As estimativas são de crescimento econômico entre 2% e 2,5%. Há um longo caminho para uma recuperação mais robusta, o que inclui desafi os como a reforma tributária, mas a expectativa é de um ano melhor.

Como tradicionalmente fazemos no início do ano, esta primeira edição da Cosmetics & Toiletries Brasil traz o Balanço Econômico, com uma análise retrospectiva de 2019 e as perspectivas para 2020. Em Persona, apresentamos a trajetória de Luisa Saldanha, criadora da Pharmapele.

Nesta edição, adicionalmente à pauta da revista impressa, haverá um conteúdo exclusivo disponível on-line, - no portal cosmeticsonline.com.br –, é a Revista Digital. Veja na página de índice das matérias, como acessar esse conteúdo.

Outra novidade é o retorno da coluna Fragrâncias, agora pilotada por Olivier Fabre, um profi ssional de longa experiência na área de perfumaria, no Brasil e no exterior.

Nesta edição, destaque para os artigos sobre a eficácia de produtos multiuso e a necessidade de se manter os preservantes em cosméticos. O autor Giorgio Dell´Acqua faz uma provocação sobre o legado social e ambiental resultado das ações da indústria cosmética, na exploração de recursos naturais – artigo exclusivo da edição digital.

Hamilton dos Santos
Publisher

 

Estrutura e Organização Celular - Camila Martins Kawakami, Lorena Rigo Gaspar (Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto - USP, Ribeirão Preto SP, Brasil); Flávia Costa Mendonça Natividade (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP, Ribeirão Preto SP, Brasil)

A célula é a menor unidade estrutural e funcional dos organismos. Neste artigo, o primeiro de uma série de seis, são descritas a estrutura e a organização das células.

La célula es la unidad estrucutural y funcional más pequeña de organismos. En este artículo, primero de una serie de seis, se describe la estructura y organización de las células.

The cell is the smallest structural and functional unit of organims. In this article, first of a series of six, the structure and organization of cells are described.

Comprar Artigo

Eficácia de Produtos Multiuso para o Benefício da Pele - CO’Connor PhD, C Messaraa, EM Kearney PhD, N Robertson, LP Doyle, M Walsh (Oriflame R&D, Bray, Irlanda); A Mavon PhD (Oriflame Skin Research Institute, Estocolmo, Suécia)

O objetivo deste estudo foi comparar clinicamente os efeitos do uso rotineiro de um produto multiuso para cuidados da pele versus o uso de alguns poucos produtos selecionados, da mesma categoria. Os resultados sugerem que a rotina avançada melhorou muito os aspectos da pele facial em relação à rotina mais simples.

El objetivo de este estudio fue comparar clinicamente los efectos del uso de una rutina de cuidado de la piel frente al uso de unos pocos produtos seleccionados del mismo rango. Los resultados sugieren que la rutina avanzada mejoró los aspectos de la piel del rostro várias veces más que una rutina sencilla.

The goal of this study was to clinically compare the effects of using a multi-step skin care routine versus a select few products from the same range. Results suggest the advanced routine improved aspects of facial skin several times greater than a simple routine.

Comprar Artigo

Conservando os Preservantes - Chris Flower, PhD (Cosmetic, Toiletry & Perfumery Association, Londres, Reino Unido)

Há a tendência crescente de questionar a necessidade de usar preservantes em cosméticos. Isso é preocupante, pois a maioria dos produtos cosméticos tem necessidade de preservantes para protegê-la contra a contaminação por microrganismos. Este artigo é sobre o crescimento de microrganismos, sobre como os preservantes evitam esse crescimento e sobre o processo e o entorno necessários para preservar, de maneira efetiva e segura, os produtos de cuidado pessoal.

Hay uma tendencia creciente a cuestionar la necesidad de conservantes em productos cosméticos. Esto es preocupante, ya que la mayoría de los productos cosméticos requieren conservantes para protegerlos adecuadamente de la comtaminación por microorganismos. Este artículo analiza como crecen los micróbios, como los conservantes los previnien y el processo y el entorno necessários para preservar de manera efectiva y segura el cuidado personal.

There is a growing trend toward questioning the need for preservatives. This is worrisome, as most cosmetic products require preservatives to adequately protect them from contamination by microorganisms. This article looks at how microbes grow, how preservatives prevent them, and the process and environment needed to effectively and safely preserve personal care.

Comprar Artigo

Atividade Antimicrobiana de Sabonetes Antissépticos - L Martins Coissi, ML Tomitão, AR Paladino Tumitan (Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), Presidente Prudente SP, Brasil)

A atividade antimicrobiana de sabonetes antissépticos, convencionais e vegetais foi avaliada contra diferentes cepas de microrganismos. Os autores concluíram que há necessidade de padronizar os testes quanto à metodologia e às cepas utilizadas.

Se evaluó la actividad antimicrobiana de los jabones antisépticos, convencionales y vegetales contra diferentes cepas de microorganismos. Los autores concluyeron que es necesario estandarizar las pruebas con respecto a la metodologia y las cepas utilizadas.

The antimicrobial activity of antiseptic, conventional and vegetables soaps was evaluated against different strains of microorganisms. The authors concluded that there is a need for standardize the tests regarding the methodology and the strains used.

Comprar Artigo

Brilho e Saúde da Pele - Charlene DeHaven (Innovative SkincareliS Clinical, Burbank, CA, EUA)

A escolha de ingredientes complementares com impacto sobre vários caminhos bioquímicos no processo de dar luminosidade à pele pode potencializar os efeitos da luminosidade. Este artigo analisa tanto os caminhos quanto os ingredientes necessários não somente para dar luminosidade à pele, mas também para que esse efeito seja obtido com segurança.

Elegir entre ingredientes complementários para impactar varias vías bioquímicas en el processo de dar luminosidad a la piel, puede pontenciar los efectos de luminosidad. Este artículo revista las vías y los ingredientes no solo para dar más luminosidade a la piel, sino también para hacerlo de manera segura.

Choosing from complementary ingredients to impact several biochemical pathways in the skin-lightening process can potentiate lightening effects. This article reviews both pathways and ingredients to not only lighten skin, but to do so safely.

Comprar Artigo

Não Basta ser Verde - Giorgio Dell’Acqua, PhD (Dellacqua Consulting, Jersey City, NJ EUA)

O próximo capítulo da história dos produtos naturais será um movimento em direção ao progresso social. Este artigo especula o que legado social e suas métricas implicam, e traz estudos de caso da indústria de cosméticos.

El seguiente capítulo de la historia de los productos naturales es un movimiento hacia el progeso social. Este artículo considera lo que implica el progreso social y sus métricas, y proporciona estúdios de caso de la indústria cosmética.

The next chapter in the naturals story is a move toward social progress. This article considers what social progress and its metrics entail and provides case studies from the cosmetic industry.

Comprar Artigo
Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Foi dada a largada: mais um ano!

Mais uma página da história para se escrever. E que página! Um ano que começa com ameaça de vírus com probabilidade de contágio mundial, desmatamento sem freios na Amazônia, fogo descontrolado na Austrália, reunião do WEF mais nervosa do que o habitual, nada de novo na relação entre os países do BRICS e uma crise política que se arranjou no Brasil e não dá sinais de que vai embora tão cedo - ingredientes suficientes para complicar a vida de quem tem que fazer a diferença no ano que começa. Não deve ser um ano fácil.

Mesmo com os claros sinais descritos anteriormente, o futuro ainda será escrito. Portanto, vale a pena dar uma olhada no passado para ver aonde estamos indo.

Olhando o percentual de crescimento da economia mundial ao longo dos anos, vemos que uma década de grande crescimento mundial e local ficou para trás, na memória. Durante a década de 1970, o país havia crescido muito acima do PIB mundial (média de crescimento do Brasil para o período: 8,5% contra um crescimento mundial de 3,8%). Apenas a título de exemplificação, em 1973 o país havia crescido 7,5% a mais que o mundo (PIB brasileiro 14% - quem diria, um crescimento anual de dois dígitos percentuais).

Já a década seguinte foi bem diferente, o inverso do que havia acontecido. Crescíamos menos que o mundo, com exceção do triênio dos anos 1984/1986 (inclusos), quando a diferença superior ao PIB mundial ocorreu no ano de 1986, com 4,6% a mais que o PIB mundial, mas mesmo assim bem diferente do que havia ocorrido em 1973.

Daí por diante, raramente tivemos um crescimento maior do que o PIB mundial. Até PIB negativo tivemos. Mesmo nos períodos de crescimento superior ao mundial não tivemos uma diferença maior do que 3%. Em 2018, o PIB nacional foi de 1,1% contra 3% do mundial.

A tendência de crescimento mundial nos últimos 29 anos de análise do Banco Mundial é de diminuição, e o Brasil começou a apresentar uma tendência de desaceleração menor do que a tendência mundial a partir de 2000.

Os elementos históricos que pontuaram o período de 1960 até hoje - como a crise do petróleo da década de 1970, várias guerras no Oriente Médio, a queda do muro de Berlim, o ataque de 11 de setembro de 2001, a bolha imobiliária de 2008 e dois impeachment na história recente do país - puderam nos dar uma ideia do que esperar para o ano que desperta, pois, de uma forma ou outra, estes tipos de elementos ainda ocorrem atualmente.

Se considerarmos que todos os elementos ocorridos no passado e que, ainda, ocorrem até mesmo com uma velocidade de impacto maior que a anterior, graças à globalização dos mercados, somados a 4RI que vai ceifando no mercado de trabalho uma boa parte da mão de obra ativa, jovem, estudada e que insiste em viver mais do que as gerações anteriores, e uma enorme massa de pessoas que vêm enfrentando cada vez mais dificuldades para ascender socialmente em um país cada vez mais desigual na distribuição de renda, faz-nos crer que a década 2011/2020 não será uma década economicamente melhor do que a anterior. Apenas a título de curiosidade, para que a década 2011/2020, o PIB tivesse o mesmo percentual médio da década anterior (isto é, 3,1%), o ano de 2020 teria que ter PIB de 30%. Em outras palavras: missão impossível.

A década pode estar perdida, mas não o ano. Um bom ano é sempre melhor que a repetição de anos com desempenhos ruins. Ele pode ser um ano decisivo numa virada para um novo ciclo de seguidos bons anos, como aconteceu em alguns triênios anteriores. No entanto, para um crescimento contínuo e sustentável, muitas lições de casa ainda terão que ser feitas - lições estas que esperamos que a OCDE possa nos ajudar a pôr em prática, para a obtenção de bons resultados na década de 2021/2030.

Wallace Magalhães
Gestão em P&D por Wallace Magalhães

Desenvolvimento de produtos para a pele

Os produtos para o cuidado da pele não ocupam o topo da lista de consumo no mercado brasileiro, mas há razões para acreditar que esta categoria irá crescer nos próximos anos.

O aumento da expectativa de vida e a hostilidade crescente das condições ambientais já seriam motivos suficientes para fundamentar esta previsão, mas existem outras razões. A evolução social e cultural de hoje traz, em seu centro, a valorização do indivíduo e este, por sua vez e cada vez mais, deve olhar para si de forma mais cuidadosa. Neste contexto, a compreensão da importância da proteção solar e a noção de que cosméticos podem melhorar o nível de qualidade de vida das pessoas corroboram com esta perspectiva de crescimento.

Espera-se, no Brasil, que esta percepção estenda o interesse das pessoas para além de perfumes, maquiagem e produtos para os cabelos, o que deve formar uma fatia de mercado bem atrativa. Este cenário promissor, no entanto, traz consigo alguns desafios. Mesmo se desconsiderarmos as dificuldades atuais do consumidor brasileiro, ainda assim restarão muitos desafios para as indústrias de cosméticos que quiserem entrar ou mesmo expandir suas operações com produtos para a pele.

Além do conteúdo tecnológico, que deve se expressar na satisfação do consumidor, o cenário atual exige que toda a cadeia produtiva seja muito eficiente, começando pelo desenvolvimento e indo até a entrega do produto ao consumidor. Este continuará a ser cada vez mais criterioso e exigente em suas escolhas. Não deverá haver espaço para produtos que não tenham desempenho compatível com seu preço e sua publicidade.

No âmbito do P&D, há de se ter preocupação em desenvolver formulações eficazes, seguras, estáveis, de preço competitivo, que sejam rentáveis para a empresa e satisfatórias para o consumidor - como em todos os projetos, claro. Só que o desenvolvimento de produtos para pele exige conhecimento específico de histologia e fisiologia. Diferentemente dos cabelos, a pele tem o que poderíamos chamar de “funcionamento fisiológico ativo”, com muitos eventos acontecendo ao mesmo tempo, sob influência direta de diversos elementos, como estilo de vida, ambiente, hormônios, bagagem genética, hábitos alimentares etc.

Os produtos de limpeza da pele, por exemplo, não devem retirar todo o manto hidrolipídico, como também devem preservar ao máximo os componentes que formam o sistema tampão, os fatores de hidratação e todo o complexo sistema bioquímico que sustenta o funcionamento da derme, minimizando ainda a agressão à sua microbiota, mesmo quando se pressupõe reposições em uma etapa posterior. Para produtos de contato prolongado, a preocupação com a complexa fisiologia dérmica deve estar presente e ser fortemente considerada ao selecionar os ingredientes de uma formulação, sempre em consonância com o conhecimento científico. Uma boa dica é solicitar aos fornecedores informações técnicas sobre ingredientes e os respectivos estudos de eficácia. Ao montar uma formulação, deve haver critério e precisão não só com a composição centesimal, mas também com o modo de preparação e as especificações.

Para citar um exemplo, muitos ativos têm comportamento muito diferentes em pH diferentes. Lembre-se de considerar a concentração cosmetodinâmica que ocorre após a aplicação da grande maioria dos produtos. Ela eleva a concentração de ativos, o que é interessante, mas eleva também a concentração de conservantes, e isto pode ser um problema. Além de avaliar o sensorial, será necessário avaliar a eficácia da formulação, o que pode ser outro desafio já que, diferentemente de outras classes de produtos, não há modelos alternativos de fácil acesso, e o modelo in vivo é trabalhoso e caro, por causa das exigências da Resolução CNS No. 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. Deve-se dar atenção ao texto de rotulagem e de publicidade para que sejam adequados e que não superestimem o desempenho real do produto.

Mas talvez o grande desafio da indústria, principalmente de pequeno e médio porte, seja disponibilizar tempo e recursos para seus técnicos realizarem as pesquisas necessárias para ter formulações competentes e protocolos adequados. Na maioria das empresas brasileiras, o acúmulo de tarefas, a mentalidade anacrônica e o modelo operacional ultrapassado adotado no P&D ainda são o primeiro desafio a ser vencido. E não só para desenvolver produtos para a pele, mas para continuar a ter condições de desenvolver produtos capazes de competir no mercado com chances reais de sucesso.

Artur João Gradim
Assuntos Regulatórios por Artur João Gradim

Normatizando incongruências

Pouco tempo após estender o prazo de validade das notificações e dos registros de produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPPC) para 10 anos, a Anvisa publicou a resolução da Diretoria Colegiada n.º 336/20, que entrou em vigor a partir do dia 1º de fevereiro deste ano. A resolução estabelece prazos de resposta para os atos públicos de sua responsabilidade.

Esta RDC abrange todas as áreas de registro e notificação de produtos da Anvisa, bem como de autorizações de funcionamento (AFEs), de concessão e alterações, de anuências, de certificações de boas práticas, entre outras.

O que chama a atenção, ao se fazer um comparativo de atividades com as áreas de abrangência da Anvisa, é o tempo estabelecido para a resposta, de cada área, para as atividades relacionadas, mostrando claramente que, para as áreas de cosméticos e saneantes, o prazo é absurdamente maior do que aquele estabelecido para outras áreas, a exemplo da área de alimentos, cujo registro é obrigatório.

Por exemplo, em relação à inclusão de uma nova embalagem, o prazo para alimentos, inclusive daqueles para o público infantil, o prazo é de 90 dias. Já para produtos de HPPC, sujeitos a registro, o prazo é de 150 dias, para a mesma inclusão.

Outra comparação absurda é referente ao prazo para a alteração de rotulagem de um produto registrado: novamente, para um alimento é de 90 dias e para cosméticos é de 150 dias sendo.

Além dessas incongruências na análise técnica de produtos, há o prazo para as alterações de fórmulas de alimentos, inclusive os de transição para lactantes e para crianças de primeira infância, que é de 120 dias. Já para um produto de HPPC é 150 dias. Da mesma forma, a alteração do nome de um produto, para a área de alimentos, é de 90 dias e para as de cosméticos é de 150 dias.

Isso é realmente algo difícil de entender, para não dizer impossível e incongruente.

Considerando que as empresas de produtos de HPPC não passam, em sua maioria, 2 anos sem realizar alterações em na rotulagem, na fórmula e na embalagem desses produtos, devido à dinâmica de mercado, à sua sazonalidade etc., de nada adianta ter 10 anos de registro, se, para cada mudança proposta, há uma demora de quase meio ano, isso, caso não entre em exigência, pois se assim vier a sofrê-la, o prazo inicial é interrompido e, somente após cumprimento da exigência, na forma requerida, um novo prazo começa a correr.

Para a Anvisa, cosméticos são produtos de baixo interesse sanitário, demonstram o baixo índice de ocorrências adversas e a ausência do esperado e negociado monitoramento, que nunca existiu, nem por ocasião do peticionameto, nem por meio da análise de produtos no mercado. Esse fato beneficia os produtores oportunistas, que não são poucos e deitam e rolam no mercado, enquanto os que seguem as regras pagam caro por isso. Parece que, para os cosméticos, a lista foi enxertada posteriormente, pois nem o descritivo das atividades seguiu o aplicado para as demais áreas.

Com um pouquinho de boa vontade e de dedicação da Anvisa, esses prazos poderiam cair um terço, pois estamos tratando de apenas 5 categorias de produtos (alisantes, álcool gel, repelente de insetos e protetor solar), uma vez que os produtos isentos de registro, não são considerados para essa manifestação.

No que se refere ao prazo relativo às alterações nas AFEs, quando fazemos um comparativo, verificamos coerência nos tempos para a manifestação entre as diferentes áreas, dando-se, inclusive, visibilidade ao interessado no que se refere ao tempo de espera, que anteriormente era uma “caixinha preta”.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Embalagem refil, esqueceram de mim!

Chegou 2020! Com ele, os bons ventos trazendo um forte e agradável cheiro de crescimento desse nosso mercado. Comecei no mercado cosmético em 1978 - está certo que no berçário da Avon, mas nunca vi tamanha euforia num início de ano. Na verdade, não é só euforia. São fatos que comprovam um excelente início de ano para toda a cadeia.

Fornecedores de molde com muitos projetos e pedidos, casas de fragrância (que acho um bom indicador de crescimento) trabalhando os inúmeros briefings recebidos… E as matérias-primas commodities ainda não estão faltando, mas as especialidades - notadamente os princípios ativos - vão ser o grande problema já nesse primeiro trimestre, por serem na sua maioria tributados e com longo prazo de entrega. Vemos também terceiristas com suas carteiras de pedidos recheadas e, por fim, empresas de produto acabado já deixando de atender pedidos por falta de produto como consequência da falta de embalagem. As reclamações já são grandes pelo aumento do prazo de entrega de papelão e bisnagas.

Está realmente começando um caos maravilhoso, considerando que estamos bem no início do ano, quando normalmente as fábricas deveriam estar com sua produção em níveis baixos.

Sabemos que boa parte das embalagens são importadas da China e, para completar esse bom caos, muitas fábricas por lá estão paradas por causa do coronavírus. Já tem empresa aqui no Brasil sem produto porque não recebeu as embalagens chinesas. Maquiagem mais uma vez fez a diferença no faturamento das empresas, mas quem traz embalagens da China - talvez a maioria das empresas de maquiagem - vai sofrer um pouco mais do que quem compra suas embalagens no mercado brasileiro.

Com tudo isso, surge uma grande oportunidade, então, para as fábricas brasileiras de embalagens se reinventarem, “tirarem leite de pedra” na produção e aproveitarem essa avalanche para de fato “tirar o pé da lama” depois de tanto sofrimento com ano após ano de crise. Com isso, esse vai ser um ano difícil, pois com certeza vai faltar, ou melhor, já está faltando embalagens por conta do aumento da demanda.

Veio-me à cabeça uma saída que anda esquecida pelas marcas aqui no Brasil. Estou falando da embalagem refil. Por que será que poucas marcas exploram esse recurso? Confesso que de verdade não sei qual a razão, pois só vejo pontos positivos nesse tipo de embalagem.

Não costumo citar nome de empresas nas minhas colunas, mas vou aqui elogiar uma empresa que explora essa embalagem desde a década de 1980, quando eu lá trabalhei (talvez até tenha começado com refil na década de 1970). Essa empresa é a Natura. Shampoos e desodorantes naquele tempo já tinham a sua versão em refil.

Mas, voltando à questão, por que não usar refil? Como disse, só vejo vantagens. Está certo que eu sou apenas químico, sem conhecimento para responder isso.

Surfando na onda do aumento da demanda, nesse crescimento do mercado brasileiro, por que não colocar no seu portifólio o refil? Talvez um dos receios seja o refil canibalizar a venda do produto original, mas, considerando essa expectativa de falta de embalagem, o refil é uma embalagem mais simples, mais fácil de produzir e com menos componentes.

Sei que em maquiagem não é tão fácil ter a versão refil, principalmente nos batons em bala, mas nos compactados, demaquilantes e bases, isso é possível.

Nos demais produtos, tais como shampoos, loções, hidratantes corporais e óleos de banho, isso também é possível. Até mesmo os cremes, pois os potes têm a possibilidade de usar um inserto. O maior uso de refil hoje está nos sabonetes líquidos.

Em tempos de sustentabilidade, logística reversa e política nacional de resíduos sólidos, o uso do refil vem ao encontro dessas exigências, além de ser um belo apelo de marketing para as empresas que o adotarem. É óbvio que as empresas não têm refis disponíveis para já sair usando (exceto as que já o utilizam). É preciso fazer o molde específico para o refil a ser usado. O lado bom é que um molde de sopro pode ser feito em um prazo de 30 a 45 dias, e o preço não é um absurdo. Sei também que muitas empresas, principalmente as grandes, precisam ter aprovação da matriz, deveriam ter considerado isso no budget de 2020 etc. Nesse aspecto, saem na frente as pequenas e médias empresas nacionais que agilizam essas decisões e já mandam fazer esses novos moldes.

Quero com essa matéria acender uma luz amarela, talvez até vermelha, na cabeça dos comandantes das empresas e dizer que, o mercado está aquecido e as vendas vão crescer, mas a briga vai continuar sendo grande, assim como o tamanho das rupturas, por falta de embalagens.

Hora de sair da zona de conforto e ir à luta, buscar alternativas para, no final do ano, ser contemplado com um crescimento de dois dígitos.

Acabou a crise, mas a luta continua!

Olivier Fabre
Fragrâncias por Olivier Fabre

História do metiê de avaliação em perfumaria

O metiê de perfumista é fascinante e existe há mais de cinco séculos, tendo surgido no século XVI. Mas na indústria da perfumaria existe outro metiê tão interessante quanto o de perfumista, que surgiu mais recentemente, há menos de meio século, na década de 1970: o avaliador e responsável de desenvolvimento de fragrância. Esse profissional é conhecido como creative fragrance manager ou fragrance development manager, pois, internamente, cada casa de perfumaria dá um título à essa função.

Se retrocedermos ao surgimento da perfumaria moderna, que aconteceu no século XVI, notaremos que naquele tempo o perfumista era multitarefas. Ele era criador de fragrâncias e ao mesmo tempo seu avaliador, o técnico de laboratório, a pessoa que pesava os ingredientes e aplicava suas fórmulas, trabalhando em instalações na parte dos fundos de sua loja, e era o vendedor de seus produtos. Este era o caso do personagem Baldini, o perfumista do famoso romance O perfume, muito bem documentado, de Patrick Süskind.

Com o passar do tempo e com a evolução da indústria da perfumaria, esse metiê multitarefas deu origem a vários outros. Surgiu, por exemplo, o assistente de laboratório, responsável pela pesagem dos componentes das fórmulas, que, em muitos casos, era treinado pelo próprio perfumista para eventualmente substituí-lo. No início do século XX, o perfumista ainda era: o perfumista, o vendedor e o avaliador das criações e, às vezes, o dono da empresa.

As casas de perfumaria foram crescendo, tendo cada vez mais perfumistas, que criavam cada vez mais fragrâncias para maior diversidade de aplicações. O perfumista já não podia mais assumir todas essas funções. As casas de perfumarias também começaram a separar o rol de perfumista do rol de vendas. Depois, na década de 1970, surgiram as necessidades de estruturar, organizar e selecionar as fragrâncias que eram criadas. O desenvolvimento concomitante da informática permitiu às casas de perfumarias construírem bancos de dados das fragrâncias que eram criadas, sendo o avaliador o responsável responsável por administrar a coleção de fragrâncias. Assim nasceu o metiê de avaliador.

Pouco a pouco, o avaliador ganhou novas responsabilidades. Em um primeiro momento, além de administrar a coleção, ele começou a selecionar fragrâncias para projeto de desenvolvimento. Com a experiência que adquiriu nessa seleção, passou a orientar os perfumistas no processo de criação das fragrâncias. No início, o avaliador não era muito bem visto pelos perfumistas, mas, aos poucos, eles entenderam que o avaliador poderia se tornar um parceiro no processo criativo. Atualmente, o avaliador tem a prerrogativa de julgar a fragrância em sua totalidade e não matéria-prima por matéria-prima, e, o que é ainda mais importante, como é considerado um expert conhecedor dos produtos do mercado.

Hoje, todas as casas de perfumaria têm um departamento de avaliação, e as maiores casas chegam a ter um departamento de avaliação com mais de 100 funcionários atuando no mundo inteiro. A avaliação é um metiê complexo, variado e internacional. Por isso, costumo dizer que cada projeto é uma nova aventura, de alta responsabilidade, já que o avaliador é quem decide qual será a fragrância entre as várias fragrâncias desenvolvidas ou da coleção que será submetida aos briefings que as casas de perfumaria recebem.

Para ser exitoso em seu metiê, o avaliador precisa ter um “nariz articulado”, ser objetivo na suas decisões, conhecer muito bem os mercados de produtos perfumados, ser criativo, curioso e ter conhecimento técnicos para avaliar a estabilidade do perfume em diferentes bases. Além disso, precisa ter conhecimento de estudos de mercados, de marketing, de tecnologia e de gerenciamentos de projetos (que podem chegar a ser muito complexos quando são globais) e de gerenciamento de equipe, o que normalmente ocorre nas últimas fases de sua carreira. Até hoje, não há uma formação ou escola específica para o metiê de avaliador. O que existe são programas de formação interna das casa de perfumaria.

O percurso típico da carreira de um avaliador em uma empresa consiste inicialmente em selecionar fragrâncias na coleção, depois passar a desenvolver essas fragrâncias com o perfumista, em seguida gerenciar a equipe de avaliadores e, finalmente, tornar-se o diretor do departamento de avaliação da empresa. Esse percurso abre possibilidades de evolução transversal ou para a diretoria da empresa.

Novos Produtos