Varejo 4.0

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O desafio da poluição plástica

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio-Ambiente (PNUMA), todos os anos, oito milhões de toneladas de plásticos são jogadas nos oceanos. Além de prejudicar a vida marinha, esse material também chega à cadeia alimentar humana. Debates sobre o tema impulsionam novos projetos e tecnologias relacionados à gestão e reaproveitamento de resíduos plásticos. Empresas de vários segmentos assumem compromissos para a reutilização de plásticos nas embalagens de seus produtos.

No início deste ano, as gigantes Procter & Gamble e Henkel uniram forças com outras 30 empresas para criar uma organização, cujo objetivo é ajudar a diminuir o excesso de plástico no meio ambiente. O grupo Alliance to End Plastic Waste (AEPW) assumiu o compromisso de investir US$ 1,5 bilhão nos próximos cinco anos, para ajudar a acabar com o lixo plástico nos oceanos.

Um relatório divulgado recentemente pelo WWF chama a atenção para a responsabilidade de todos, no que diz respeito ao custo real do material para a natureza e para as pessoas. De acordo com o relatório, mais de 104 milhões de toneladas de plástico irão poluir os ecossistemas até 2030 se não ocorrerem mudanças significativas em nossa relação com esses materiais. O Brasil, segundo dados do Banco Mundial, é o quarto maior produtor de lixo plástico no mundo, com 11,3 milhões de toneladas anuais – atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia.

Esta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil aborda na seção Enfoque o conceito de varejo 4.0. A integração de ferramentas e canais de venda, a adaptação de modelos de negócio, novas tecnologias e as parcerias com startups fazem parte do cenário de “reinvenção” do varejo. O momento é de transformação, para atender o consumidor da melhor forma e onde ele estiver.

Dois artigos técnicos abordam o microbioma com o enfoque na harmonização e como avaliar a eficácia de produtos utilizados na sua manutenção. Outros dois artigos abordam produtos cosméticos naturais, orgânicos e veganos, e alternativas ao uso de microplásticos em cosméticos exfoliantes.

Esta edição traz, ainda, o programa completo do 24º. Congresso Latino Americano de Químicos Cosméticos (Colamiqc). 

Hamilton dos Santos
Publisher

Preservação da Harmonia do Microbioma Cutâneo - Tia Alkazaz, Maureen Danaher, Jennifer Goodman, Erica Segura, Durant Scholz (Active Micro Technologies, Lincolntown NC EUA)

No cuidado pessoal, a destruição indiscriminada do microbioma pelos conservantes tradicionais pode, não intencionalmente, alterar o florescente ecossistema que forma o microbioma da pele. Como alternativa, foram estudados peptídeos antimicrobianos, com relação aos seus efeitos sobre as espécies microbianas da pele, usando 16S rRNA e adotando um novo enfoque para comparação.

En el cuidado personal, la destrucción microbiana indiscrimada por los conservantes tradicionales puede alterar involuntariamente el floreciente ecosistema en el microbioma de la piel. Como alternativa, se exploraron los péptidos antimicrobianos por sus efectos sobre las especies microbianas de la piel usando 16S rRNA y adoptaron un nuevo enfoque comparativo.

In personal care, indiscrimate microbial dstruction by traditional preservatives can unintentionally alter the thriving ecosystem in the skin´microbiome. As an alternative, antimicrobial peptides were explored for their effects on the skin´s microbial species using 16S rRNA and adopted a novel comparative approach.

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Testes de Eficácia do Microbioma Cutâneo - Christiane Uhl (Courage-Khazaka electronic GmbH, Colônia, Alemanha)

O microbioma cutâneo é a população de microrganismos que habita a pele. Neste trabalho, o autor apresenta uma breve descrição da importância da atividade do microbioma e dos meios analíticos instrumentais para medir a efi cácia de produtos cosméticos de interesse do microbioma cutâneo.

El microbioma cutáneo es la población de microorganismos que habita la piel. En este trabajo el autor presenta una breve descripción sobre la importancia de la actividad del microbioma y de los medios analíticos instrumentales para medir la eficacia de productos cosméticos de interés del microbioma cutáneo.

The cutaneous microbiome is the population of microorganisms that inhabit the skin. In this paper, the author presents a brief description of the importance of microbiome activity and the instrumental analytical means to measure the effi cacy of skin care products of interest to cutaneous microbiome.

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Cosméticos Naturais, Orgânicos e Veganos - Juliana Flor, Mariana Ruiz Mazin, Lara Arruda Ferreira (Chemspecs Comércio e Representações Ltda., São Paulo SP, Brasil)

O aumento da demanda por produtos cosméticos naturais, orgânicos e veganos demonstra que os consumidores estão cada vez mais conscientes com relação ao uso de matérias-primas sustentáveis cuja eficácia não é testada em animais. O presente trabalho tem como foco a abordagem dos principais conceitos envolvidos no desenvolvimento de cosméticos naturais, orgânicos e veganos, de forma a fornecer, aos formuladores de cosméticos, as informações mais recentes adotadas sobre esse tema.

El aumento de la demanda de productos cosméticos naturales, orgánicos y veganos demuestra que los consumidores son cada vez más conscientes del uso de materias primas sostenibles y cuya eficacia no se prueba en los animales. Para atender las expectativas de los consumidores, los fabricantes de materias primas y de productos terminados necesitan buscar soluciones técnicas innovadoras. El presente trabajo tiene como objectivo el enfoque de los principales conceptos utilizados en el desarrollo de cosméticos naturales, orgánicos y veganos, para proporcionar a los formuladores de cosméticos la información más reciente adoptada sobre el tema.

The increasing demand for natural, organic and vegan cosmetic products demonstrates that consumers are increasingly aware of the use of sustainable raw materials and whose efficacy is not tested on animals. To meet consumer expectations, manufacturers of raw materials and final products should be well prepared. The present study focuses on the main concepts involved in the development of natural, organic and vegan cosmetics, in order to provide cosmetic formulators with the latest information about the subject.

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Quantificação de como Envelhecer Bem - Pauline Rouaud-Tinguely, Raoul Vyumvuhore, Joris Corvo, David Boudier, Moud Le Guillon, Brigitte Closs (Silab, Brive-le-Gaillarde, França)

Não há evidência biológica que explique por que alguns indivíduos parecem mais novos ou mais velhos do que realmente são. Este trabalho buscou quantificar as características cutâneas do bom envelhecimento com base em informações de um focus group, de nuvens de palavras, de medições biométricas, entre outros recursos.

No hay evidencia biológica que explique por qué algunas personas parecen mayores o más jóvenes de lo que realmente son. Este trabajo buscó cuantificar las características cutáneas del envejecimiento del pozo basándose en la información del grupo de enfoque, las nubes de palabras, las mediciones biométricas y más.

There is no biological evidence to explain why some individuals look older or younger that they really are. This work sought to quantify the cutaneous characteristics of well aging based on focus group input, word clouds, biometric measurments and more.

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Substituição de Microplásticos - Alessa Huneke, Judith Ryll (CFF GmbH & Co. Gerhren, Alemanha); Sandra Sarembe, PhD, Vanessa Sternitzke, PhD, Andreas Kiesow, PhD (Fraunholer Institute for Microstructure of Materials and Systems, IMWS, Halle, Alemanha)

Em 2012, 4.300 toneladas de micropartículas plásticas foram utilizadas na União Europeia (UE) para a fabricação de produtos de cuidado pessoal. Embora isso represente diminuto consumo em relação a outras aplicações, poderia ser facilmente evitado usando-se alternativas naturais ou biodegradáveis. O objetivo deste estudo foi identificar, otimizar e analisar partículas naturais de celulose como alternativa biodegradável e ambientalmente amigável aos microplásticos.

En 2012, se utilizaron 4.300 toneladas de micropartículas en la UE para la fabricación de productos de cuidado personal. Mismo que represente pequeño consumo en relación a otras aplicaciones, podría ser fácilmente evitados utilizando alternativas naturales o biodegradables. El objetivo de este estudio fue identificar, optimizar y analizar partículas naturales de la celulosa como alternativa biodegradable y ambientalmente adecuada a los microplásticos.

In 2012, 4,300 tonnes of microparticles were used in the EU for the manufacture of personal care products. Although it represents small consumption compared to other applications, it could be easily avoided using natural or biodegradable alternatives. The objective of this study was to identify, optimize and analyze the natural properties of cellulose as a biodegradable and environmentally adequate alternative to microplastics.

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John Jimenez
Tendncias por John Jimenez

Beautybiome

Mais da metade do nosso corpo no humano. A cincia diz que apenas 43% das clulas que compem o indivduo humano so da nossa espcie. O resto corresponde a todos os organismos microscpicos que habitam diferentes partes do nosso corpo, como a pele ou a flora intestinal. Pessoalmente, acho que sabemos menos de 1% sobre isso e, portanto, h um mundo inteiro para descobrir. A microbiota cutnea foi recentemente apresentada como a quarta camada da pele. Os tpicos relacionados ao microbioma so um grande desafio para a cincia cosmtica, e vemos como neste ano h novas tendncias neste campo. Na recente In-Cosmetics de Paris, o microbioma e os tpicos relacionados mostraram que esto entre os campos com mais desenvolvimento cientfico na atualidade.

O mercado global de microbioma humano alcanar um valor prximo a 1,4 bilhes de dlares em 2024, segundo a Zion Market Research, incluindo probiticos, prebiticos, alimentos mdicos, suplementos, cosmticos e outros, alm de produtos para diagnstico e tratamento de doenas como obesidade, diabetes, distrbios autoimunes, problemas metablicos e gastrointestinais, cncer e outras doenas.

Um dos grandes desafios que se apresentam para a indstria cosmtica a regulamentao, uma vez que ainda no h uma harmonizao legal para os produtos neste campo. Confira a seguir definies de termos que so comuns neste setor e tambm algumas das tendncias que afetaro a indstria cosmtica.

- Microbiota: refere-se a qualquer microrganismo presente em qualquer parte do corpo (intestino, nariz, pele da face, pele do pescoo, boca etc.).

- Microbioma: o microbioma humano o material gentico de microrganismos, como bactrias, protozorios, vrus e fungos que esto presentes no corpo humano. A proporo do nmero de microrganismos e clulas humanas pode chegar a 10:1. O microbioma ajuda a regular o sistema imunolgico, realizar processos de digesto, proteger contra outras bactrias e produzir vitaminas, entre outras atividades fundamentais. Em outras palavras, o microbioma o conjunto total de genes na microbiota.

- Prebiticos: so componentes alimentares no vivos (geralmente de origem vegetal, embora tambm vejamos muitos produtos sintticos como os acares) que ajudam a modular a viabilidade da microbiota.

- Probitico: um organismo vivo que, quando administrado em doses adequadas, fornece efeitos benficos ao hospedeiro.

- Simbitico: combinao de um prebitico e um probitico.

- Paraprobitico: em alguns estudos, descobriu-se que certas bactrias probiticas no conseguiam chegar vivas no intestino, mas produziam um efeito saudvel. Bactrias probiticas mortas ou fragmentos destas, isto , bactrias no viveis ou inativadas, so conhecidas como paraprobiticos em vrias literaturas. Algumas estruturas e molculas da parede ou membrana podem ter ao biolgica.

- Pos-bitico: so os componentes que produzem ou esto dentro dos microrganismos, como enzimas, protenas, peptdeos, polissacardeos, cidos orgnicos ou lipdios, e so liberados no meio ambiente, ou seja, produtos do metabolismo que podem ter ao biolgica em ausncia do microrganismo.

- Food inspiration: no futuro, veremos produtos cosmticos com novos claims inspirados em alimentos sob essa tendncia, como: bacteria free, microorganisms free, contm filtrados livres de protena de cultura, com fragmentos de clulas, entre outros.

- Beauty from within: estamos vendo um grande desenvolvimento de benefcios cosmticos, em pele e cabelo, com materiais prebiticos, probiticos e ps-biticos em nutricosmticos. Estamos diante do desenvolvimento de uma nova categoria.

- Probiotic skin care: embora esta aplicao tenha muitas limitaes tcnicas e regulatrias, comeamos a ver no mercado o uso de microrganismos vivos aplicados topicamente para proteger a pele contra bactrias nocivas, reduzir a infl amao, controlar a pele oleosa, prevenir o envelhecimento e tratar a acne severa.

- Gut microbiome and aging: desde 2018 foram publicados vrios artigos muito interessantes que mostram como as mudanas de diversidade no microbioma intestinal afetam os processos de envelhecimento, incluindo a pele.

- From jungle to city: o efeito da urbanizao no microbioma cutneo um dos tpicos mais interessantes em que vrias empresas e universidades esto investigando. A vida da cidade um dos fatores que mais afeta o microbioma e, portanto, uma grande oportunidade nas indstrias cosmticas para desenvolver solues mais inovadoras.

- Bacterial therapeutics: estamos comeando a ver publicaes cientficas sobre tratamentos teraputicos para condies drmicas, como dermatite atpica e outras patologias complexas que incluem a interao com microrganismos vivos.

- Probiotic gummies: este ano, gomas doces foram apresentadas nos Estados Unidos como um veculo para a liberao de probiticos.

Beautybiome um dos campos com mais oportunidades de inovao, em que o setor tem muitas oportunidades, mas tambm desafios regulatrios e legais.

Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

OMC ou OCDE: onde pr o p?

Vamos entender um pouco essa polmica, pois com certeza o desfecho deste assunto alterar bastante o rumo da economia, o futuro da nossa posio geopoltica e, consequentemente, o bem-estar de cada um de ns.

Participar ou no de organismos internacionais uma Poltica de Governo - no de Estado - e, portanto, pode ser mudada facilmente com a troca do Chefe do Governo (presidente). Sendo assim, importante primeiro entender o que representam estas duas instituies, seus papis no jogo econmico mundial e o que a participao em cada uma pode nos trazer de benefcios ou malefcios, imediatos e futuros.

A OMC (Organizao Mundial de Comrcio) o organismo que em 1995 encampou o GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comrcios, em portugus). Este acordo - nascido um pouco antes dos Acordos de Bretons Woods, que visavam impedir que o mundo aps a 2 Guerra Mundial repetisse a catstrofe econmica ocorrida nos anos posteriores ao fim da 1 Guerra - acabou por no se transformar na terceira parte do novo sistema econmico, que instituiu o FMI (Fundo Monetrio Internacional) e o BIRD (Banco de Investimento de Recuperao e Desenvolvimento). A terceira parte seria a OIC (Organizao Internacional de Comrcio), que deveria transformar o acordo do GATT em uma instituio de fato, a qual, alm de regular as tarifas de mercadorias, regularia as regras internacionais de mercado. Como dito, a terceira parte s veio a se tornar realidade 24 anos depois. Conta com 164 membros desde 2016, e seus membros respondem por 98% do mercado mundial. O Brasil faz parte deste grupo.

A organizao tem como objetivo a rdua tarefa de regulamentar e fiscalizar o comrcio mundial e resolver conflitos comerciais entre os membros, alm de fomentar as melhores prticas comerciais visando globalizao.

Uma vez que a organizao no tem critrios para classificar os pases como ricos ou pobres, cabe a cada membro se justificar como pas em desenvolvimento para obter as vantagens descritas na Parte IV do GATT, que preconiza, entre outras coisas, que pases ricos, quando em negociao com pases em desenvolvimento, no precisam exigir reciprocidade da liberalizao de seu mercado. Na qualidade de pas em desenvolvimento, h outras vantagens comerciais, como prazos maiores para adequao s novas regras - s vezes bem restritivas -, o que aumenta a vantagem competitiva frente a pases desenvolvidos que precisam se adequar mais rapidamente.

O que dizer da OCDE (Organizao para a Cooperao e Desenvolvimento Econmicos)? Nascida em 1948 como OECE (Organizao Econmica para Cooperao e Desenvolvimento), tinha como objetivo colocar o Plano Marshall em operao, ou seja, reconstruir os pases europeus destrudos na 2 Guerra Mundial. Posteriormente, a ajuda foi estendida a pases no europeus, e, por fim, em 1961 decidiu-se dar um carter mais global organizao e se criou a atual OCDE. Atualmente, conta com 36 membros, em geral com elevado PIB per capita e altos ndices de IDH - por isto conhecido como clube dos ricos. Representam hoje cerca de 80% do mercado mundial. O Brasil no faz parte deste grupo, embora seja membro observador desde 2007 e tenha ofi cializado pedido para ser membro pleno do grupo em 2017.

O objetivo aqui promover a cooperao e estimular o desenvolvimento das melhores prticas para a promoo do desenvolvimento econmico sustentvel e o bem-estar social, com o fim de elevar os padres econmicos dos membros.

Para o cumprimento deste objetivo, a organizao exige a aceitao das boas prticas administrativas por ela preconizada, como, por exemplo, controle da dvida pblica, controle inflacionrio, boa administrao fiscal, medidas anticorrupo e uma srie de medidas econmicas liberais. Exige tambm atuar de forma unssona com os demais membros, deixando um grau de liberdade econmica menor do que os pases normalmente tm quando operam quando no fazem parte do grupo. A vantagem de ir para a OCDE que, para isto, teramos que evoluir muito nas prticas econmicas, fiscais e administrativas, para que pudssemos sentar mesa. No entanto, sabemos que estamos muito longe disto e no conseguiremos arrumar a casa no mdio/longo prazo. Enquanto isto, ns teramos que arcar com o nus de continuarmos sendo observadores sem o bnus de usufruir dos eventuais frutos de investidores de primeiro mundo e do acesso a financiamento externo com melhores condies. Continuar na OMC nos traz a vantagem de continuarmos a gozar do privilgio de sermos protagonistas entre os pases emergentes em diversos outros acordos, como G77, BRICS e Mercosul, o que nos traz atualmente muitas vantagens. Em outras palavras, a OMC uma realidade presente e proveitosa, enquanto a OCDE uma expectativa para longo prazo e duvidosa. Vale lembrar que um pas pode decidir assumir as melhores prticas preconizadas pela OCDE e atrair os seus prometidos benefcios a qualquer momento sem necessariamente ter que fazer parte do grupo e de arcar com os seus custos. Se as reformas forem feitas, quando for uma realidade, o pas no precisar se oferecer para fazer parte do grupo, mas sim ser convidado - posio bem mais confortvel em termos de negociao.

No campo geopoltico, inconcebvel o pas querer participar de organizaes com o status de em desenvolvimento ao mesmo tempo em que, em outras, se assume como desenvolvido - esta crise conceitual j ocorre hoje com outros membros, como Mxico, Chile, Grcia e alguns da Europa do leste. Fazer parte da OCDE far com que outros organismos internacionais reinterpretem o Brasil, e, com isto, em vez de sermos os primeiros na OMC, seremos os ltimos na OCDE. Com certeza seria um ruptura com a poltica de desenvolvimento Sul-Sul, que h dcadas vem sendo alinhavada.

Concluindo: o p deve ficar na OMC...

Wallace Magalhes
Gesto em P&D por Wallace Magalhes

A digitalizao no P&D

Parece que, defi nitivamente, uma digitalizao ampla est chegando indstria brasileira de cosmticos. Talvez um pouco tardiamente, mas antes tarde do que nunca. Mesmo porque, neste caso, nunca no mais uma possibilidade. A digitalizao uma questo de competitividade, de viabilizar crescimento ou, no mnimo, de garantir a sobrevivncia.

Esta nova realidade vai alterar o modus operandi de todos os setores da empresa, inclusive do P&D. Por isso, os gestores e tcnicos desta rea devem entender bem este processo. No far mais sentido ter uma conduta operacional analgica como atualmente na maioria das empresas, porque ela j ineficiente. Esta realidade define um novo requisito para o P&D. No basta entender s de ingredientes e formulaes. H de se conhecer e saber conduzir trabalhos em formato digital.

Para o P&D, a digitalizao uma maneira muito adequada de operao porque pesquisa e desenvolvimento so atividades essencialmente tecnolgicas. Para os tcnicos brasileiros, que ainda hoje podem gastar at 40% do seu precioso tempo com operaes que podem ser automatizadas, ser um enorme avano de eficincia - avano que pode trazer a rea de Assuntos Regulatrios a reboque. E espera-se que esta rea, que hoje muito operacional, possa se rearranjar em uma configurao mais estratgica, agregando mais valor capacidade competitiva das empresas.

razovel prever que as demandas de um mercado cada vez mais digitalizado iro refletir cada vez mais decisivamente na criao de novos produtos. Haver exigncia de formulaes de alto desempenho, produtos inteligentes e de baixo impacto ambiental. A pesquisa, os ensaios, testes e estudos tero que ser mais abrangentes e intensivos, e seus protocolos, mais tecnolgicos e mais consistentes. Os estudos de eficcia passaro a ser mandatrios em todos os casos, porque o que representa o desejo do consumidor. Segurana e estabilidade so obrigaes bvias e pr-requisitos para justifi car a entrada de um produto no mercado. Uma obviedade velada. Esta a parte interna da histria. Externamente, ainda h de se mostrar tudo isto ao consumidor, da forma mais honesta possvel, para que seu contato com o produto seja, no mnimo, uma experincia agradvel. Melhor se for encantadora e duradoura.

A digitalizao traz enormes benefcios, tais como:

- Aumentar a eficincia ao mesmo tempo em que reduz custo

- Minimizar erros, eliminando definitivamente os erros comuns e de alto impacto;

- Facilitar a tomada de decises estratgicas;

- Proteger a tecnologia desenvolvida em formato que facilita a evoluo;

- Possibilitar aos tcnicos mais tempo para estudar; Ou seja, um sonho de consumo para qualquer negcio.

Como digitalizar? O processo amplo e deve ser bem planejado, e importante ressaltar os seguintes tpicos:

1. A digitalizao j no mais uma tendncia, e sim: uma realidade, uma exigncia, j totalmente consolidada em muitos setores da economia. Quanto mais cedo for implantada, mais cedo sero colhidos os seus benefcios.

2. A digitalizao uma mudana importante. Ser necessrio mudar a mentalidade, a cultura e alguns processos. Implica em sair temporariamente de uma possvel zona de conforto.

3. A resistncia que as pessoas normalmente tm a mudanas deve ser considerada e prontamente resolvida.

4. No incio, haver trabalho extra para todos. A ajuda de especialistas aqui muito proveitosa.

5. Ser necessria uma sistematizao, que deve iniciar com mapeamento e reviso dos processos e procedimentos e com reavaliao at mesmo das regras de taxonomia e formao de cdigos.

6. A sistematizao que fundamenta a digitalizao no pode deixar o ambiente menos humano. Sistematizao e digitalizao no significam desumanizar. o contrrio. Significam dar aos humanos a condio de realizar as atividades que s eles so capazes de realizar, s que com mais rapidez e com uma margem de acerto muito maior.

7. A digitalizao voltada s para o mercado, sem a devida digitalizao interna, um risco muito alto, porque pode gerar uma discrepncia tecnolgica e uma disfuno operacional to grandes, que repercutir negativamente no contato com o mercado e os consumidores. Isto normalmente fatal.

E mais: no ser possvel viabilizar um projeto de digitalizao sem o comprometimento da alta direo da empresa, porque um processo que no nasce espontaneamente. Precisa ser provocado e dirigido. Mas no se apavore: o resultado altamente compensador.

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

Uso de probiticos para doenas da pele

Microbiota o nome do conjunto de microrganismos que convivem fisiologicamente e equilibradamente no organismo humano.

Assim como nossos genes foram estudados no projeto Genoma, identificando influncias do meio ambiente sobre eles, agora h estudos sobre a comunidade de microrganismos que convivem conosco, denominada microbiota. Temos cerca de 3 milhes de microrganismos, entre bactrias e fungos, que tm seus prprios genes, tornando tudo um s organismo.

Logo no incio de nossa vida, temos uma colonizao desses microrganismos, que permanecem conosco pela vida toda. A maioria dessas bactrias e fungos nos ajuda e protege, sendo que existe uma quantidade especfica de cada um deles. O desequilbrio dessas quantidades favorecendo o crescimento de organismos prejudiciais em detrimento dos benficos predispe a disbiose. Sendo assim, desequilbrios na microbiota intestinal podem causar clicas, diarreias e m absoro de nutrientes. Quando tomamos um antibitico para atacar uma bactria que est nos prejudicando, ns automaticamente desequilibramos a microbiota, tornando possvel o surgimento de algum efeito colateral. Vemos, ento, que o equilbrio da nossa microbiota essencial para preservar nossa sade.

Nos ltimos anos, foram publicados muitos estudos cientficos sobre probiticos, que so microrganismos vivos que podem ser ingeridos para manter o equilbrio da microbiota normal e melhorar a sade do indivduo.

Sabemos que o uso oral de probiticos pode equilibrar a microbiota intestinal e melhorar a disbiose desse rgo. Hoje, inmeros trabalhos cientficos tambm tm enfatizado que os probiticos sistmicos podem ter efeitos benficos em pessoas com doenas inflamatrias da pele.

Estudos mais recentes tm delineado a microbiota da pele especificando os microrganismos e suas quantidades. Esses trabalhos cientficos enfatizam que cada pessoa tem sua composio de fungos e bactrias como se fosse sua impresso digital.

Uma das primeiras doenas de pele em que se percebeu a influncia positiva do uso de probiticos foi a dermatite atpica. A atopia uma doena que desregula o sistema imunolgico, causando manifestaes respiratrias, como asma ou bronquite, e/ou inflamaes de pele, como eczemas. Estudos recentes demonstraram que o uso concomitante do probitico com tratamento especfico, em indivduos atpicos, ajuda a diminuir as crises da doena.

Existem duas outras doenas com alguns estudos em relao ao uso de probiticos, que so a acne inflamatria e a psorase. Na primeira, as bactrias tm muita importncia e, quando h piora das leses, detectou-se desequilbrio da microbiota. Na psorase, o uso de probiticos parece ajudar, diminuindo a inflamao da pele.

Como um assunto relativamente novo, os estudos ainda esto no incio, sendo necessrio estabelecer padres que podem ser interessantes para cada situao. Com a abertura desse novo caminho, ser possvel estudar melhor o probitico, sua especificidade e a sua interferncia nas diferentes doenas de pele.

Vale lembrar que os recentes estudos no invalidam os benefcios do uso de probiticos ingeridos para ajudar o intestino, mas as comunidades bacterianas na pele e no intestino so bem diferentes. Dessa forma, ainda h muito a ser desvendado nesse assunto to atual.

O que acaba sendo mais utilizado no momento so os prebiticos, que no so organismos vivos, mas substncias que agem como se fossem um alimento que equilibra a populao bacteriana. Esse tipo de prebiticos, que geralmente so molculas de acar no digerveis, comea a ser utilizado em alguns cremes, para que haja mais um benefcio, alm de hidratao e ao antienvelhecimento.

Esse tema muito interessante, alm de inovador e promissor, e ainda depende de muitos estudos, mas caminha para uma linha natural, respeitando a identidade de cada organismo.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Microbiota do cabelo e do couro cabeludo

A pele um complexo ecossistema vivo que abriga diversas comunidades microbianas. Suas propriedades altamente variveis e a influncia de fatores intrnsecos e extrnsecos criam microambientes nicos nos quais micrbios especficos se desenvolvem.

Como parte da pele, o cabelo suporta seu prprio habitat microbiano, que tambm varivel intra e interpessoal. Este substrato pouco explorado tem um potencial significativo na pesquisa de microbiomas forenses devido s assinaturas nicas disponveis em um indivduo. Existem diferenas entre as comunidades microbianas identificadas em hastes capilares originrias de diferentes partes do corpo. A microbiota capilar varia por origem geogrfica e tem potencial para ser usada para prever a localizao da fonte do cabelo.

Vrios estudos de microbiota do couro cabeludo de diferentes populaes revelaram a associao da caspa disbiose bacteriana e fngica. No entanto, o papel funcional da microbiota do couro cabeludo em distrbios do couro cabeludo e da sade permanece pouco explorado. A diversidade bacteriana e fngica do microbioma do couro cabeludo e seu papel funcional potencial no couro cabeludo saudvel e na caspa j foram estudados. Propionibacterium acnes e Staphylococcus epidermidis emergiram como as principais espcies bacterianas, sendo que o primeiro foi associado a um couro cabeludo saudvel e o segundo, com o couro cabeludo da caspa. Juntamente com as espcies de Malassezia (M. restrita e M. globosa) que ocorrem com frequncia no couro cabeludo, observou-se uma associao surpreendentemente alta de caspa com espcies de Malassezia ainda no caracterizadas. A anlise funcional mostrou que o microbioma fngico foi enriquecido em vias implicadas majoritariamente na adeso clula-hospedeiro no couro cabeludo da caspa, enquanto o microbioma bacteriano mostrou um enriquecimento conspcuo de vias relacionadas a sntese e metabolismo de aminocidos, biotina e outras vitaminas B, que so relatados como nutrientes essenciais para o crescimento do cabelo. Num estudo indiano, foi realizada uma mensurao sistemtica dos parmetros clnicos e fisiolgicos do couro cabeludo, que mostrou correlaes significativas com o microbioma e suas vias funcionais associadas. Os resultados apontam para um novo papel potencial dos comensais bacterianos na manuteno da homeostase dos nutrientes do couro cabeludo e destaca um importante, ainda que desconhecido, papel do microbioma do couro cabeludo, similar ao do microbioma intestinal. Este estudo, portanto, fornece novas perspectivas sobre a melhor compreenso da fisiopatologia da caspa.

Um avano aparentemente sensacional, que nos permitir escolher se usaremos cabelos encaracolados ou lisos, foi recentemente relatado na respeitada revista Natural Science.

O que sabemos hoje sobre o tipo de cabelo que ele determinado pela forma do folculo piloso. Acredita-se que os folculos pilosos produzem cabelos lisos, enquanto folculos curvos produzem fios de cabelo em gancho, que originam cabelos encaracolados. O que temos agora uma nova teoria, segundo a qual outros elementos estariam envolvidos nesta questo, conectando linhas de conhecimento aparentemente no relacionadas.

A primeira que, por razes anteriormente desconhecidas, a tendncia ao curling dos cabelos, conhecida no mercado como HCT, pode mudar drasticamente com a idade, medicaes etc. A segunda um estudo do microbioma do microambiente do folculo piloso, que revelou que certos tipos de bactrias, chamadas enterobactrias (EB), esto presentes em quantidades diferentes em pessoas com cabelos encaracolados e com cabelos lisos. Isto sugeriu que o EB pode desempenhar um papel na determinao do HCT.

Acontece que o EB identificado poderia produzir fmbrias curli 2 - estas so projees de superfcie sobre as bactrias, um pouco como o cabelo em nossos corpos, que tm a propriedade de fazer o cabelo enrolar.

Uma grande pesquisa subsequente confirmou que pessoas com cabelos cacheados tm uma contagem maior de EBs em torno de seus folculos pilosos.

Num estudo feito nos Estados Unidos, foram retiradas amostras de microbioma capilar de cabeas no lavadas de um grupo de cabelos encaracolados e o mesmo de um grupo de cabelos lisos. Uma leve lavagem capilar foi realizada para remover um pouco do microbioma do cabelo e, em seguida, esfregou-se imediatamente as amostras - chamadas de transplantes de microbioma capilar - nos escalpos dos participantes. Foram analisadas as alteraes no cabelo ocorridas ao longo de um perodo de 6 semanas.

O resultado surpreendente foi que, em 73% dos casos, o cabelo liso ficou encaracolado se recebeu um transplante cacheado, e o cabelo crespo ficou liso se recebeu um transplante liso! O teste em si foi bem-sucedido por demonstrar que mesmo doses mais baixas so efetivas na mudana do HCT.

Este um novo campo de pesquisa que se abre para os interessados, com mltiplas possibilidades de criao de novos produtos que podero resolver, de vez e com pouco trabalho, a insatisfao quase que endgena que as pessoas tm com o seu tipo de cabelo natural.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

A morte das embalagens secundrias

Como sabemos, nos cosmticos usamos as embalagens primrias, que so aquelas que entram em contato direto com o produto, e as secundrias, que so as demais.

Eu sei que o ttulo deve ter causado impacto em um primeiro momento, seguido de curiosidade para entender as razes que me levaram a fazer essa afirmao.

Vamos entender primeiro o que vem acontecendo no mercado brasileiro de embalagens para cosmticos.

A grande mudana vem por razes ambientais, desde os que convivem com as dores e delcias das embalagens at os chamados ecochatos, que querem a eliminao total dos plsticos j para 2020, sem terem a mnima noo do que esto falando. Ouvem falar e j surfam na onda sem saber surfar para defender a causa.

Sabemos dos males que o plstico causa natureza, mas da a afirmar que em poucos anos teremos menos peixes do que plstico nos oceanos , no mnimo, uma declarao de desconhecimento do que as indstrias, tanto fabricantes como usurias dos plsticos, vm fazendo para atacar o problema. bvio que muito pouco e, se no fizermos muito mais, o futuro realmente ser trgico, mas no estamos parados assistindo sentados.

Vemos tambm a reduo gradativa nos pesos das embalagens, com o objetivo de reduzir o descarte nos lixes e incineradores, e as empresas concentrando seus produtos e, com isso, usando embalagens menores.

O plstico verde ecologicamente correto j uma realidade mesmo nas empresas de menor porte.

Podemos dizer que, quando se fala em inovao e tecnologia em embalagens, o mundo asitico vem atropelando a Amrica e a Europa - prova disso o grande volume de importaes que o Brasil faz da sia. Percebendo isso, j vemos a instalao de fbricas chinesas de embalagens no Brasil.

Independentemente da origem, essas fbricas vo ter que se adaptar e cumprir a Poltica Nacional de Resduos Slidos (PNRS) e a logstica reversa, que tm o objetivo de minimizar o impacto ambiental das embalagens.

Por falar em PNRS, bom ficar atento: vem por a uma grande ao do governo concentrada nos rgos ambientais de cada estado onde j se fala em no emitir uma renovao de L.O. (Licena de Operao) se a empresa no comprovar, com a apresentao de documentos, aes de participao efetiva na PNSR.

Com tudo isso, a indstria de cosmticos est se preparando para essa nova realidade e, depois do uso de embalagens com material reciclado, o que se fala agora em eliminar o que for possvel nas embalagens. Nesse foco, a bola da vez a embalagem secundria. Isso uniria o til ao agradvel, ou seja, alm de cumprir a PNRS, se teria como bnus uma bela reduo de custos.

O que voc faz com a embalagem secundria (caixinha) da pasta de dente?

At pouco tempo atrs, os lpis de olhos, sobrancelhas e boca tinham cartucho. Hoje eles vm gravados na prpria madeira ou recebem um termoencolhvel com as informaes legais e necessrias. O mesmo vem acontecendo com batons, rmel, delineadores de olhos, sombras, blush, paletas de sombras etc. Todos esses produtos tinham um belo cartucho.

Isso sem contar os produtos que normalmente j no usam embalagens secundrias, como shampoos, condicionadores, sabonetes lquidos, loes hidratantes, desodorantes e demaquilantes, dentre outros.

Pensando dessa forma, s nos resta admitir que poucos produtos tero embalagens secundrias, notadamente apenas aqueles que realmente precisam de proteo e os dermocosmticos, onde o cartucho quase que mandatrio.

Para matar o assunto, vem a o golpe de misericrdia nas embalagens secundrias. Esse golpe tem o impetuoso nome de realidade virtual.

A maior preocupao em eliminar a embalagem secundria, alm da proteo, o espao para colocar todas as informaes legais ou no que o produto pede.

crescente o nmero de empresas at de pequeno porte que vm usando esse recurso nas suas embalagens. Trata-se de um pequeno ponto de leitura onde, com o celular e o uso de aplicativos, se consegue ver um vdeo com informaes de: modo de uso, advertncias, claims, storytelling do produto e da embalagem, apelos ambientais, pontos de venda etc. Esse ponto de leitura pode ser impresso em rtulo, etiqueta, gravado no prprio frasco, pote, bisnaga...

Para quem ainda no conhece essa tecnologia, procure conhecer e aprender a usar. Eu diria, sem medo de errar, que essa a grande mudana nas embalagens de cosmticos que veio pra ficar, mudar nossos hbitos e contribuir muito com a reduo do descarte de embalagens no meio ambiente.

Pode parecer duro, mas principalmente os fabricantes de cartuchos precisam comear a pensar em um plano B para a sobrevivncia do seu negcio!

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