Hair Care-Natural

Erica Franquilino

Potência natural

Matérias-primas

Segurança e eficácia

No mercado

Fisiologia do cabelo

Naturais e orgânicos

Propriedades e benefícios

 

 

Edição Temática Digital - Abril de 2026 - Nº 95 - Ano 21

 

 

Potência natural

 

A crescente busca dos brasileiros por um estilo de vida saudável, focado no bem-estar e na sustentabilidade, tem transformado diversos setores. Essa mudança de comportamento reflete-se diretamente em novos hábitos de consumo, como a escolha criteriosa de produtos para o cuidado capilar.

 

 

Para Ana Carolina Ribeiro, vice-presidente técnica da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), a demanda por cosméticos capilares formulados com ingredientes naturais cresceu significativamente nos últimos anos. “Hoje, com uma percepção mais ampla, não basta ser natural, tem de ser sustentável e livre de ingredientes considerados agressivos”, menciona.

 

“Outro fator importante é que o público está mais atento à saúde do couro cabeludo, entendendo que ele funciona como um ecossistema biológico que influencia diretamente o crescimento e a qualidade dos fios”, completa.

 

Ela destaca que produtos formulados com ativos botânicos calmantes ou reguladores de oleosidade passaram a ter maior aceitação, principalmente quando relacionados ao amplo conceito de wellness. “Os ativos naturais nos possibilitam grandes resultados de performance e sensorial, com oportunidades na criação de rituais de beleza para couro cabeludo e fibra capilar”, diz. 

 

Ana Carolina aponta que uma das principais inovações da indústria capilar nos últimos anos é a “skinificação” do hair care, na qual o couro cabeludo passa a ser tratado com a mesma abordagem científica aplicada à pele. “Apesar de já conhecer esse termo, a indústria tem trabalhado para otimizar a performance dos produtos por meio da seleção de ativos, buscando desenvolver melhor todo o seu potencial”, afirma.

 

Segundo a especialista, no que diz respeito aos cuidados com o couro cabeludo, uma inovação relevante é a incorporação de biotecnologia aplicada a ingredientes naturais, como ativos prebióticos, pós-bióticos e extratos botânicos padronizados.

 

“Eles atuam na modulação do microbioma do couro cabeludo, bem como na recuperação da barreira cutânea e na diminuição do processo inflamatório. Esses temas, até pouco tempo atrás, eram restritos à área farmacêutica e agora, com a biotecnologia, estão sendo transpostos para os cosméticos, atendendo [a requisitos de] eficácia e a regulação do setor”, diz.

 

Segundo um estudo da Grand View Research, o mercado global de cosméticos naturais foi avaliado em US$ 31,84 bilhões em 2023 e deve alcançar os US$ 45,60 bilhões até 2030, com uma taxa composta de crescimento anual de 5,3%.

 

De acordo com a pesquisa “A percepção dos consumidores brasileiros sobre cosméticos sustentáveis”, realizada pelo portal Use Orgânico em 2019, 82,5% dos entrevistados afirmaram que consideram a qualidade dos produtos de beleza e higiene tão importante quanto a dos alimentos que compõem a sua dieta.

 

47% das pessoas ouvidas para o estudo, que consultou 1.517 consumidores de todas as regiões do país, afirmaram que, para ter um estilo de vida saudável, é preciso investir em um cardápio balanceado e em produtos que priorizem ingredientes naturais. Para 55%, produtos orgânicos são melhores que os convencionais.

 

A pesquisa também mostrou que 60% dos entrevistados acreditavam que os produtos industrializados não podem ser considerados orgânicos, e que 46% não souberam apontar as diferenças entre um produto natural e um orgânico. Apesar dos déficits de informação, esta e outras pesquisas demonstram o aumento do interesse dos brasileiros por produtos naturais.

 

 

Matérias-primas

 

Para Michelle Lira, gerente de Novos Negócios da Barentz, o cuidado capilar está cada vez mais sofisticado, com ciência, sensorialidade e bem-estar caminhando juntos. “Nesse cenário, o conceito de natural também se transformou: deixou de ser apenas uma escolha de origem para se tornar sinônimo de eficácia comprovada, tecnologia e performance real”, diz. “Hoje, os ingredientes são chamados a fazer mais, como proteger a cor, restaurar a fibra, atuar no ciclo capilar e até intervir nos mecanismos da queda”, completa.

 

Para traduzir essa evolução, ela destaca os ativos Natura-TEC Abysoft, Naturasoft Illipe Refined, Anagain e Rootbiotec HW. O Natura-TEC Abysoft (Crambe Abyssinica Seed Oil Phytosterol Esters) atua na proteção da cor e da integridade da fibra, sem comprometer o sensorial. “Além de preservar a intensidade da coloração frente à radiação UV e à agressão salina, o ativo entrega brilho imediato, toque sedoso e proteção térmica, alinhando performance e naturalidade em uma única solução”, menciona.

 

O desempenho está diretamente relacionado à formação de um filme biomimético leve e uniforme sobre a fibra capilar, que atua como uma barreira protetora inteligente. Ela informa que, dentre os resultados técnicos, está um aumento de 191% na elasticidade após 12 ciclos de lavagem/tratamento e de 50% no brilho dos fios. O ativo promove proteção térmica comprovada de até 230°C, proteção da cor frente à radiação UV e água do mar, melhora imediata do condicionamento e aumento perceptível de volume.

 

Derivado do óleo de crambe e enriquecido com fitoesteróis, ele apresenta uma composição rica em ácidos graxos de cadeia longa (especialmente C22:1), o que garante alta estabilidade térmica e resistência à oxidação. Trata-se de um ingrediente multifunctional, que atua como emoliente, formador de filme e coemulsionante.

 

“No contexto do hair care natural, ele é uma alternativa moderna aos silicones, oferecendo efeito silicone-like com origem vegetal, sem acúmulo e com excelente sensorial”, ressalta. No mercado internacional, o ativo integra a formulação do Thermal Easy Brushing Thermal Hair Protector Fluid, da espanhola Abril et Nature.
 

O Naturasoft Illipe Refined (Shorea Stenoptera Seed Butter) entrega reposição lipídica intensa com sensorial equilibrado, promovendo maciez, controle de frizz e movimento natural. Tradicionalmente utilizado para restaurar a elasticidade da pele e dos cabelos, esse ingrediente vegetal atua diretamente na reposição dos lipídios essenciais da fibra, melhorando sua resistência e aparência desde as primeiras aplicações.

 

 

A ação está associada à formação de um filme lipídico protetor, que reduz a perda de água e melhora a coesão da cutícula, resultando em fios mais alinhados, nutridos e menos porosos.

 

Rico em ácidos graxos essenciais, ele apresenta alta afinidade com a fibra capilar, atuando especialmente em cabelos mais secos ou quimicamente tratados. No sensorial, os diferenciais são: toque sedoso e não pegajoso, nutrição intensa sem sobrecarga e melhor definição para cabelos cacheados. O Naturasoft Illipe Refined está na composição do Deep Repair Extreme Serum, produto da Schwarzkopf comercializado no mercado neozelandês.

 

Anagain (Pisum Sativum (Pea) Sprout Extract) atua diretamente no ciclo biológico do cabelo, “promovendo resultados visíveis com base científica robusta”. Obtido a partir de brotos de ervilha orgânica, o ativo age na papila dérmica, estimulando sinais moleculares essenciais para o crescimento capilar e reequilibrando as fases do ciclo do fio.

 

Os resultados clínicos apontam: –28,3% de fios em fase de queda (telógena), um aumento de 7,9% de fios em fase de crescimento (anágena) e de 78% no coeficiente de crescimento capilar. Em três meses de uso, 95% das pessoas notaram redução da queda e 85% observaram crescimento capilar.

 

“O mecanismo de ação envolve a modulação de biomarcadores-chave: Noggin (+85%) → estímulo ao crescimento e FGF-7 (+56%) → proliferação celular no folículo. Essa atuação promove um ambiente mais favorável ao crescimento saudável do fio, aumentando densidade e vitalidade”, ressalta. O Anagain está na formulação do Charles Worthington Grow Strong Scalp Tonic, da britânica PZ Cussons.

 

“O Rootbiotec HW (Ocimum Basilicum Hairy Root Culture Extract) atua na causa da queda capilar e não apenas nos sintomas. Isso é o que diferencia esse ativo dentro do segmento de hair care natural. Desenvolvido a partir de cultura de raízes de manjericão, ele aplica biotecnologia avançada para oferecer uma abordagem altamente direcionada”, destaca.

 

O principal diferencial está na atuação sobre o fator hormonal da queda, especialmente em casos relacionados à alopecia androgenética. Estudos clínicos mostram 26% de redução da queda após um mês de uso e 31% de redução após dois meses de uso. O mecanismo de ação acontece por meio da inibição da enzima 5α-redutase II, com redução da conversão de testosterona em DHT, e do estímulo à proliferação das células da papila dérmica (+23% em 72 horas).

 

“Essa combinação favorece um ambiente mais saudável para o crescimento capilar e fortalece a estrutura do folículo. Além disso, a tecnologia de cultura de raízes permite alta concentração de metabólitos bioativos, garantindo consistência e eficácia”, diz.

 

“Ele permite desenvolver produtos com atuação na causa raiz da queda capilar, na redução da queda com abordagem biológica, no fortalecimento e densificação capilar e com posicionamento premium e tecnológico dentro do natural”, acrescenta. O ativo está na composição do Aroma Hair & Scalp Oil, da alemã Dirk Rossmann.

 

 

“O mercado brasileiro de cuidados capilares segue em evolução constante, refletindo a busca do consumidor por soluções mais naturais, eficazes e alinhadas às novas rotinas de beleza: do crescimento dos formatos sólidos à consolidação da tendência de skinificação dos cabelos. É um segmento altamente receptivo à inovação, impulsionado por protocolos personalizados, ingredientes de origem vegetal e tecnologias sustentáveis”, diz Allessandra Silva, coordenadora de Marketing Técnico & Inovação do grupo Solabia.

 

A empresa oferece um portfólio completo para marcas que buscam unir naturalidade, alta performance “e experiências sensoriais superiores”, aponta. Entre os destaques está o Cressatine HD, ativo natural derivado de duas “super-folhas”, para formulações voltadas ao crescimento capilar. A ação do Cressatine HD está diretamente conectada às vias de sinalização Wnt/β?catenina, fundamentais para a regeneração folicular e o desenvolvimento do fio.

 

Entre os benefícios comprovados estão: estímulo significativo da produção de KGF (Fator de Crescimento de Queratinócitos), fortalecimento dos folículos, prolongamento da fase anágena e melhora da densidade capilar. “Estudos clínicos em voluntários mostram resultados robustos, incluindo aumento de até cinco vezes no número de fios”, menciona.

 

Para Allessandra, a tendência de longevidade capilar ganha força à medida que o consumidor busca não apenas tratar danos, mas também retardar o envelhecimento do fio. “É nesse cenário que se destaca o D?Glycargine, ativo de origem 100% natural”, diz.

 

 

Originalmente desenvolvido para o cuidado da pele, o D?Glycargine agora demonstra resultados importantes no cabelo, especialmente no bulbo capilar, onde ocorre a síntese de melanina. Estudos ex vivo mostram que o ativo aumenta o teor de melanina no bulbo capilar, além de proteger e prolongar a cor dos cabelos, reduzindo a perda de pigmento durante as lavagens e mantendo a coloração vibrante por mais tempo.

 

Allessandra ainda menciona o Sublim’Hair, ativo que “potencializa o reparo sensorial com naturalidade”. Trata-se de um ingrediente de origem natural (hidrolisado de quinoa), projetado para reparar a fibra capilar por meio do preenchimento superficial (cutícula) e profundo (córtex). “Rico em aminoácidos essenciais (ácido aspártico, ácido glutâmico, arginina e serina), ele reduz a porosidade e melhora a resistência, a maciez e o brilho, logo após a primeira aplicação”, conclui.

 

 

Segurança e eficácia

 

Angela Vargas Calle e Aline Ventura, respectivamente especialista em negócios e inovação e gerente científica de negócios do Grupo Kosmoscience, destacam que a utilização de ingredientes naturais em formulações cosméticas requer muito cuidado com relação à prospecção, aos processos de obtenção, ao controle de qualidade e à avaliação de segurança.

 

Ingredientes naturais são, na maioria dos casos, misturas complexas, compostas por macro e micronutrientes diversos e são extremamente sujeitos a variabilidades sazonais e geográficas.

 

Elas apontam que, além das variabilidades naturais, os procedimentos de obtenção e purificação podem acarretar variações na composição, relacionadas à presença de resíduos do processo. Todos esses fatores podem ocasionar um impacto direto na segurança e na eficácia dos produtos cosméticos.

 

Para a avaliação de segurança dos ingredientes, é recomendada a adoção de metodologias pré-clínicas baseadas em guidelines internacionais. São testes em culturas de células, modelos tridimensionais ou ainda em explants de pele e escalpo.

 

Em ensaios clínicos para a avaliação de formulações que contenham ingredientes naturais, recomenda-se, na maioria dos casos, a condução de um teste de compatibilidade cutânea, o HRIPT (Human Repeated Insult Patch Test).

 

Com o uso de apósitos oclusivos e/ou semioclusivos aplicados nas costas de participantes de pesquisa sadios, o objetivo é avaliar sinais de irritação primária e acumulada e de sensibilização dérmica. Esse teste confere ao produto o apelo de "Dermatologicamente testado".

 

Para complementar essa avaliação, recomenda-se a condução de um ensaio de aceitabilidade em uso, no qual participantes que são o público-alvo do produto em questão o utilizam de acordo com o modo de uso, por um período mínimo de 21 dias. Esse protocolo é de extrema importância para avaliar o contato real das pessoas com o produto, exatamente da forma como será utilizado quando lançado.

 

Além da avaliação de efeitos sobre a pele, esse tipo de teste aponta possíveis reações no couro cabeludo ou nos olhos. Com esses estudos, os apelos de "Clinicamente testado", "Dermatologicamente testado" e "Oftalmologicamente testado" podem ser suportados.

 

No contexto da eficácia de produtos capilares naturais, após a definição da ação esperada e dos claims a serem explorados, é possível aplicar diferentes técnicas in vitro e clínicas, para comprovar cientificamente seus benefícios.

Um exemplo é o Estudo de Detergência, desenvolvido para demonstrar que produtos naturais (mesmo formulados com matérias-primas mais suaves e que, por isso, geram menos espuma) podem apresentar o mesmo poder de limpeza que os surfactantes tradicionais.

 

Nesse método, as mechas de cabelo recebem uma aplicação padronizada de sebo e partículas de sujeira, simulando o cabelo sujo do consumidor. Em seguida, elas são pesadas e divididas em dois grupos: controle e teste, aos quais são aplicados os respectivos produtos, conforme o protocolo.

 

Após a secagem, as mechas são novamente pesadas para calcular a quantidade de sujidade removida. A eficácia do produto natural é comprovada quando o grupo teste apresenta remoção de sujeira equivalente ou superior ao grupo controle, permitindo sustentar claims como: “Limpeza eficaz com ingredientes naturais”, “Remove oleosidade e impurezas”, “Mesmo poder de limpeza dos surfactantes tradicionais” e “Limpa sem agredir os fios”.

 

 

Uma das inovações exclusivas da Kosmoscience para esse segmento de mercado é o Túnel de Vento, um equipamento desenvolvido para avaliar a leveza dos produtos no cabelo, demonstrando que eles não deixam os fios pesados. Nesse método, as mechas de cabelo são expostas a um fluxo de ar de intensidade controlada e o procedimento é registrado em um vídeo de um minuto.

 

“A partir desse vídeo, analisamos a posição da mecha quadro a quadro e calculamos o desvio padrão do movimento. Quanto maior o desvio, maior é a capacidade de movimentação dos fios, indicando mais leveza e naturalidade”, informam. O Túnel de Vento permite validar cientificamente claims como: “Mantém o movimento natural do cabelo”, “Aumenta o movimento dos fios”, “Cabelos mais leves” e “Até X% mais movimento”.

 

 

No mercado

 

A categoria de hair care tem 96% de penetração nos lares brasileiros e movimenta mais de US$ 6 bilhões por ano no país, com projeção de chegar a US$ 7,7 bilhões até 2028, segundo a Mordor Intelligence. Dentre os conceitos que movimentam esse mercado, Ana Carolina, da ABC, destaca três grandes tendências: personalização e diagnóstico capilar, biotecnologia e ativos naturais de alta performance e sustentabilidade e economia circular.

 

“Ferramentas digitais e inteligência artificial começam a ser utilizadas para analisar o couro cabeludo e recomendar formulações ou rotinas específicas de tratamento. No que diz respeito à biotecnologia e ativos naturais de alta performance, não basta parecer, tem de ser. A indústria caminha para ingredientes naturais com eficácia comprovada cientificamente, muitas vezes tão eficazes quanto medicamentos”, afirma.

 

Ela ressalta que, além da formulação, há uma tendência forte de inovação em embalagens biodegradáveis, ingredientes upcycled e cadeias produtivas mais sustentáveis. “Precisamos olhar para o produto como um todo e não apenas para o seu recheio”, diz.

 

 

O conceito sustentável da linha Aura Botanica, da Kérastase, chegou ao Brasil em agosto de 2020. Os produtos são formulados com 98% de ingredientes de origem natural e a proposta é entregar uma “experiência consciente para todos os cabelos”, aliando ciência e cuidados personalizados.

 

“Desde as mulheres que extraem o óleo de argan nas colinas marroquinas, passando pelos profissionais parceiros, até chegar à consumidora, todos são impactados”, informou a L’Oréal à época do lançamento. O compromisso de reduzir o impacto ambiental influencia diretamente a seleção das matérias-primas usadas pela marca, cujas formulações têm 97% de biodegradabilidade.

 

No lançamento, a linha apresentou quatro produtos que se complementam no tratamento capilar profissional: Bain Micellaire (shampoo micelar de limpeza suave para cabelos desvitalizados e opacos), Soin Fondamental (condicionador que proporciona nutrição profunda e leveza), Concentré Essentiel (sérum multifuncional nutritivo) e Essence d’Éclat (óleo bifásico para o controle do frizz).

 

Posteriormente, foram apresentados itens como o Bain Micellaire Riche (versão do shampoo voltada para cabelos mais secos e sensibilizados), Lait de Soie (leave-in que ajuda a controlar o frizz e facilita a modelagem, com proteção térmica) e Crème de Boucles (creme de pentear formulado para definir e nutrir cabelos cacheados).

 

Sem sulfatos, sem silicones e livre de parabenos, Aura Botanica tem como principais matérias-primas o óleo de coco das Ilhas de Samoa e o óleo de argan marroquino. O design sustentável traz significativa redução do uso de plásticos. A embalagem de Bain Micellaire é 100% reciclável.

 

A Love Beauty and Planet, marca da Unilever, foi criada nos Estados Unidos em 2017 e chegou ao Brasil em 2019, com formulações que incluem ingredientes naturais como manteiga de murumuru, manteiga de karitê, óleo de coco e água de coco, e composições de produtos capilares livres de silicones, corantes e parabenos.

 

Os condicionadores da marca têm a exclusiva tecnologia Fast Rinse, que permite um enxágue mais rápido, sem comprometer o resultado. A marca informa que, graças à tecnologia, é possível economizar 10 segundos a cada banho. Todos os produtos são certificados pela Vegan Act e pela PETA. Os frascos são feitos de plástico PET 100% reciclado e 100% recicláveis.

 

 

Em junho de 2025, a Unilever anunciou a aquisição da Dr. Squatch, marca norte-americana de produtos masculinos comercializada no Brasil por grandes varejistas on-line. Fundada em 2013, a Dr. Squatch se destacou rapidamente com uma comunicação divertida e a proposta de entregar produtos artesanais, formulados com ingredientes naturais e embalagens que “conversam com homens que buscam fugir do convencional”.

 

A Dove reposicionou sua linha de tratamento capilar em 2025. Foram lançados 64 produtos no Brasil, distribuídos em sete linhas. Foi o maior investimento (R$ 410 milhões para ampliar a produção e melhorar a distribuição) realizado pela marca da Unilever nos últimos dez anos no mercado nacional.

 

Os produtos são 100% veganos, certificados pela PETA e formulados com a tecnologia Bio-Protein, um sistema de reparação capilar que utiliza proteínas 100% compatíveis com a estrutura natural do cabelo para recuperar, reparar e proteger os fios.

 

Em novembro do ano passado, o Grupo MDT, tradicional no segmento de saúde e bem-estar, lançou a Águas de Aurora, marca de produtos capilares desenvolvidos com ingredientes de origem vegetal. A entrada no setor representa uma aposta estratégica para a companhia, que projeta alcançar R$ 300 milhões em receita nos próximos três anos – o equivalente a um crescimento de 400% em relação ao desempenho atual – e estima que a nova marca poderá responder por até 15% do faturamento total da empresa.

 

O grupo busca se consolidar como uma plataforma multissegmento, conectando cuidado pessoal, desempenho físico e estilo de vida. A linha inicial da Águas de Aurora inclui shampoos, condicionadores, máscaras, sérum e produtos de realinhamento capilar sem formol, voltados aos públicos de cabelos lisos e cacheados. As formulações trazem ativos como proteína do abacate, manteiga de karitê, óleo de mirra e proteína do arroz.

 

Em novembro de 2025, o Grupo Boticário inaugurou o Centro de Pesquisa e Ciência Capilar, em São José dos Pinhais, no Paraná. Trata-se de um polo dedicado ao desenvolvimento de tecnologias proprietárias, ao estudo da biologia dos fios e à criação de soluções personalizadas para os diferentes tipos de cabelo presentes no Brasil. Um dos principais focos é compreender o envelhecimento capilar.

 

O centro atua em quatro frentes: diversidade capilar, saúde do couro cabeludo, personalização com base em tecnologia e sustentabilidade. A iniciativa tem parceiros como o Hospital Israelita Albert Einstein e a instituição americana TRI Princeton, referência mundial em pesquisa sobre cabelo e couro cabeludo.

 

O espaço reúne pesquisadores e especialistas em P&D e opera em modelo de inovação aberta para acelerar os estudos e o desenvolvimento de novas aplicações. Um dos primeiros resultados do novo centro é o ativo biotecnológico BioRadiance.

 

O ingrediente é resultado de uma extensa pesquisa nas águas doces do cerrado brasileiro, onde foi encontrada uma potente microalga com componentes comprovadamente eficazes para o cuidado capilar, garantindo até 95% de proteção da cor e 33% de resistência dos fios. Produtos capilares formulados com o princípio ativo devem ser lançados nos próximos anos.

 

Outros projetos em andamento incluem o mapeamento da microbiota do couro cabeludo brasileiro, conduzido com apoio da Embrapii e do Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, e o uso de bioinformática e sequenciamento genético para compreender a saúde capilar ao longo do tempo. O grupo informa que estão sendo desenvolvidos trabalhos em tecnologias de diagnóstico capilar avançado, como análises espectroscópicas e de imagem, que permitirão recomendações precisas em salões e no e-commerce.

 

 

Nos últimos quatro anos, o Grupo Boticário quadruplicou a receita da categoria de cabelos e projeta, até 2028, uma tendência de alta acima do mercado. A criação do Centro de Pesquisa e Ciência Capilar é sustentada ainda por um investimento robusto em inovação, pesquisa e tecnologia, além de diversos lançamentos das marcas de consumo TRUSS Professional, Eudora Siàge, Match de O Boticário e Vult Cabelos.

 

Em agosto de 2025, a Vult anunciou a expansão de seu portfólio de produtos capilares, com 60 novos produtos, 100% veganos e desenvolvidos para todos os tipos de cabelo. Para tratamento, foram lançadas as linhas Hidratação, Reconstrução, Nutrição, Força e Glow Acid. Para cuidados específicos, chegaram as versões Liso Profundo, Ondulados 2A a 2C, Cachos 3A a 3C e Crespos 4A a 4C.

 

 

Dentre os lançamentos recentes da Natura em hair care está a linha Lumina Antissinais Regenerador Capilar, com produtos que protegem e estimulam a produção de melanina, mantendo a pigmentação natural dos fios, ao mesmo tempo que tratam os sinais de fragilidade, aspereza e porosidade.

 

A linha – composta por shampoo, sérum, condicionador, máscara e leave-in – é formulada com um complexo de colágeno e biopeptídeos que funciona como um potencializador proteico, que preenche e devolve densidade ao cabelo, repondo a massa proteica perdida de dentro para fora e suavizando a textura dos fios. No couro cabeludo, o ativo pró melanina ajuda a prevenir e a atrasar o aparecimento de fios brancos, o que mantém a pigmentação natural dos cabelos por mais tempo.

 

Criada em 2009, a Cris Dios Organics oferece produtos que proporcionam “sensações acolhedoras em seu momento de shower spa”, destaca a marca. Os produtos são formulados com extratos naturais, como os do chá verde, alecrim, tangerina, camomila, menta, ylang ylang, argila, palmarosa e açaí. O Shampoo Day by Day Para Uso Diário traz na composição os óleos essenciais de alecrim (para a redução da oleosidade) e lavanda (para limpar e acalmar o couro cabeludo), além de panthenol e vitamina E, ingredientes que hidratam e equilibram a saúde do couro cabeludo, enquanto fortalecem a fibra capilar.

 

O Sérum Skin + Scalp, lançado recentemente pela Simple Organic, é formulado com 5% de ácido hialurônico vegano, proteína da ervilha hidrolisada e ativos vegetais (como os extratos de confrei e de cebola) encapsulados em nanopartículas. O sérum multifuncional atua nas camadas mais profundas da pele e dos fios, promovendo hidratação intensa, firmeza e regeneração celular.

 

Na pele, o sérum promove hidratação, preenche linhas de expressão profundas, recupera o contorno e o volume facial, uniformiza os relevos da pele e reduz os sinais do tempo. Nos cabelos, o produto atua no couro cabeludo e nos fios. A promessa é de resultados visíveis após a primeira aplicação.

 

Os benefícios são: fios mais fortes, resistentes e brilhantes, aumento da elasticidade capilar, preenchimento da massa capilar e controle do frizz, redução da opacidade e do ressecamento, hidratação e redensificação dos fios, além de auxiliar no tratamento da alopecia. O sérum pode ser usado após o shampoo e o condicionador e antes da aplicação de óleos.

 

Dentre os últimos lançamentos da Bio Extratus estão o Reconstrutor Uso Indispensável be.use, produto que pode ser usado para um tratamento enxaguável ou para finalização, e a linha +Proteção, que protege os fios contra os danos do expossoma.

 

O Reconstrutor Uso Indispensável Bio Extratus be.use é um tratamento multifuncional de alta performance que repara, nutre e protege a fibra capilar em apenas dois minutos. Com pH 4,0 e formulação vegana livre de petrolatos, corantes e parabenos, ele é indicado para cabelos danificados, oferecendo proteção térmica de até 230°C e filtro solar.

 

A linha +Proteção tem foco na blindagem dos fios contra danos externos (sol, mar, piscina, poluição e calor). A composição traz cúrcuma, vitamina E e a tecnologia QuelaTec, que remove metais pesados e previne o esverdeamento.

 

 

Fisiologia do cabelo

 

O cabelo é constituído por proteínas (entre 65% e 95%), que são condensadas por 22 tipos de aminoácidos. Outros componentes são: água, lipídeos, pigmentos e elementos como zinco e ferro. Basicamente, o cabelo é uma haste composta pelas proteínas queratina (responsável pela dureza) e melanina (que confere a cor dos fios).

 

A fibra capilar é composta por cutícula, córtex e medula. A cutícula corresponde à estrutura externa da fibra e atua como uma camada protetora. As células da cutícula estão unidas entre si por meio do complexo da membrana celular (CMC). Essa estrutura é de caráter lipoproteico, com conteúdo muito baixo de cistina, o que lhe confere as capacidades de se intumescer e de permitir que certas moléculas de tamanho pequeno atravessem a cutícula para chegar ao córtex.

 

O córtex é rodeado pela cutícula, contém a maior quantidade de massa da fibra capilar e tem alto grau de organização estrutural. Ele é formado por células alongadas que contêm o pigmento natural do cabelo, a melanina, e por restos de núcleo celular. Essencialmente, existem dois tipos de melanina: a eumelanina, cuja cor varia do marrom avermelhado ao preto, e a feomelanina, com gradação do amarelo ao vermelho. Em geral, o cabelo tem os dois tipos de melanina. Quanto maior a presença de eumelanina, mais escuro é o fio.

 

A medula está localizada no centro da fibra capilar. Ela é a camada mais profunda do fio, formada por células de estrutura esponjosa, com cavidades ocas. A função da medula ainda não foi completamente definida. “A medula consiste na parte central do fio, no qual nem sempre está presente. Entretanto, a medula influencia as propriedades mecânicas e de cor de cabelo. Quando estão presentes, as medulas são variáveis, apresentando diferenças morfológicas significativas entre si”, diz um trecho do artigo “Importância da Medula na Estrutura Capilar”, publicado na revista Cosmetics & Toiletries Brasil, em fevereiro de 2019.

 

Espessura, tamanho e forma dos cabelos estão diretamente ligados à informação genética. Os fios podem ser classificados em três tipos, de acordo com as etnias: caucasiano (levemente ondulado), oriental (liso) e negroide (crespo). Formas mais arredondadas têm diâmetro regular, colaborando para a distribuição uniforme de queratina, que é a principal proteína presente no fio. No cabelo crespo, o corte transversal é mais oval do que o dos cabelos caucasianos e asiáticos. São fios cujos diâmetros têm alto grau de irregularidade ao longo da fibra e que demandam mais cuidados.

 

O ciclo de vida dos cabelos abrange crescimento (fase anágena), repouso (fase catágena) e queda (telógena). A fase anágena dura de três a cinco anos, podendo chegar a dez anos. A catágena é uma fase de regressão do folículo piloso e dura de duas a três semanas. A fase telógena dura de três a cinco anos. O tempo de vida médio de um eixo capilar é de quatro anos, com repetição do ciclo a cada quatro ou cinco anos.

 

O processo de envelhecimento do cabelo se caracteriza pela redução da densidade – com diminuição de sua espessura – e pela perda da cor natural. Cabelos brancos surgem, normalmente, entre 30 e 40 anos de idade. O folículo diminui, produzindo menos melanina, assim como a capacidade de produção de óleo das glândulas sebáceas. Tais mudanças acarretam, além do branqueamento, alterações na textura dos fios, que se tornam mais frágeis, com aparência opaca e áspera.

 

É um processo contínuo e que sofre influências da genética, da idade e dos fatores ambientais. A exposição à radiação solar é um dos fatores que podem colaborar para o encanecimento precoce do cabelo, ao estimular o surgimento de radicais livres que comprometem a síntese de melanina. A radiação solar acarreta a produção de oximelanina, um produto gerado pela fotodegradação da melanina e que afeta a coloração dos fios.

 

Fonte: Edição Temática: Saúde dos Cabelos, setembro de 2022.

 

 

Naturais e orgânicos

 

Na maioria dos países, incluindo o Brasil, não há regulamentações específicas para cosméticos naturais e orgânicos. Organizações nacionais e internacionais, como COSMOS e Natrue, desenvolveram conjuntos de normas e padrões próprios, que se tornaram referenciais para a emissão de certificações.

 

Para receber um selo que atesta a certificação do produto como natural, orgânico ou vegano, é preciso atender a requisitos estabelecidos pelas certificadoras, o que abrange desde a origem das matérias-primas “até sua toxicidade e sua biodegrabilidade, incluindo suas reações de síntese e os processos de sua produção”, informou o artigo “Cosméticos Naturais, Orgânicos e Veganos”, publicado na revista Cosmetics & Toiletries Brasil, em maio de 2019.

 

A Ecocert faz a certificação de um cosmético natural e/ou orgânico a partir das normas estabelecidas pela Cosmetics Organic Standard (COSMOS). A empresa é a certificadora que representa o referencial COSMOS no Brasil.

 

Segundo a COSMOS, o conceito de “natural” abrange a água, minerais e ingredientes de origem mineral, bem como agroingredientes fisicamente e quimicamente processados (ingredientes de origem vegetal, animal ou microbiológica que passaram por processos físicos e químicos permitidos pela certificadora).

 

Para que um cosmético seja considerado natural pela COSMOS, ele precisa apresentar, em sua totalidade, no máximo 2% de moléculas sintéticas. Um ingrediente classificado como “natural” pode ser utilizado desde que sejam respeitados os processos químicos e físicos autorizados pela norma. O percentual de ingredientes naturais deve ser informado na parte frontal do rótulo.

 

Além de seguir todas as exigências referentes aos produtos naturais, para que um cosmético seja considerado orgânico segundo o referencial COSMOS, ele precisa ter 20% de ingredientes orgânicos em sua composição. Para produtos de enxague, aquosos não emulsionados e produtos com 80% de minerais ou ingredientes de origem mineral, pelo menos 10% dos ingredientes utilizados devem ser orgânicos.

 

O referencial estabelece que 95% dos ingredientes fisicamente processados sejam de origem orgânica. As regras referentes a ingredientes de origem geneticamente modificada, nanomateriais, fragrâncias e corantes sintéticos e ingredientes de origem animal são as mesmas aplicadas à certificação de cosméticos naturais.

 

Assim como a COSMOS, a Natrue – associação criada na Europa em 2007 – estabelece padrões que devem ser seguidos por fabricantes de cosméticos candidatos à certificação de produtos naturais e orgânicos. A brasileira IBD – maior certificadora da América Latina para produtos orgânicos – segue as diretrizes estabelecidas pela Natrue para o desenvolvimento de cosméticos naturais e orgânicos.

 

No que diz respeito aos cosméticos veganos, as regras estabelecidas por entidades certificadoras são parecidas. É consenso que um cosmético vegano é aquele que não tem ingredientes de origem animal, nem foi testado em animais.

 

“Por causa da falta de legislação para produtos cosméticos naturais, no mercado brasileiro é possível encontrar desde produtos com apelo verde até produtos certificados. Por essa razão, o primeiro desafio é definir o posicionamento que a empresa vai adotar [...]. Isso influenciará o custo, a complexidade de desenvolvimento, a performance e a comercialização do produto final”, diz o artigo mencionado anteriormente.

 

 

Propriedades e benefícios

 

 

 

Confira alguns dos destaques no universo dos ingredientes naturais presentes em produtos para hair care.

 

 

 

Abacate

O óleo de abacate tem uma composição de ácidos graxos semelhante à do óleo de oliva, mas com teor elevado de vitaminas E e C, vitaminas do complexo B e provitamina A. Ele é constituído principalmente de glicerídeos derivados do ácido oleico, mas também participam de sua composição os ácidos linoleico, palmítico e palmitoleico e, em menor proporção, esteárico e linolênico. Ele é amplamente utilizado em máscaras de hidratação e nutrição, condicionadores, cremes de pentear, shampoos e, principalmente, em óleos puros para umectação capilar.

 

Açaí

Presente em formulações de produtos para nutrição e reparação, o açaí é rico em vitamina B1, magnésio e ferro. Comparada com o leite de vaca in natura, a polpa do açaí tem valor energético quatro vezes maior, três vezes mais lipídeos, sete vezes mais carboidratos, 118 vezes mais ferro, nove vezes mais vitamina B1, oito vezes mais vitamina C, metade do teor de fósforo e o mesmo teor de proteínas e cálcio.

 

Aloe vera

Conhecida por suas propriedades calmantes e cicatrizantes, a planta é rica em substâncias como mucopolissacarídeos, aminoácidos, enzimas e esteróis. A seiva das folhas também contém heterosídeos antracênicos, como a aloína. Ela acalma irritações na pele, acelera a regeneração celular e hidrata profundamente. No cabelo, atua como umectante e fortalecedor, com aplicações em tônicos, shampoos e cremes condicionadores.

 

Babaçu

O óleo de babaçu, extraído da semente de uma palmeira predominante na região amazônica, é rico em ácidos graxos livres, com destaque para o ácido mirístico (aproximadamente 17%) e para o ácido láurico (aproximadamente 40%), proporcionando excelente ação emoliente e condicionante aos fios.

 

Buriti

O óleo de buriti, extraído da polpa do fruto da palmeira buriti, encontrada principalmente na região amazônica, apresenta alta concentração de tocoferóis e carotenoides, antioxidantes que auxiliam na prevenção da rancidez oxidativa e na neutralização de radicais livres. Além disso, suas elevadas concentrações de ácido palmítico (aproximadamente 16%) e ácido oleico (aproximadamente 70%) contribuem para a hidratação e a formação de um filme protetor sobre a fibra capilar.

 

 

 

 

Castanha-do-Pará

O óleo, que ajuda na restauração de cabelos danificados e desidratados, é rico em ácidos graxos insaturados (oleico, linoleico e pequenas quantidades de mirístico) e fitoesteróis, nutrientes essenciais nos processos bioquímicos de formação do tecido epitelial. O óleo contém vitaminas A, B, C e E, além de minerais e oligoelementos (cálcio, ferro, zinco, sódio, potássio e selênio).

 

Cupuaçu

Com propriedades nutritivas e hidratantes, o óleo de cupuaçu apresenta alta concentração de ácidos graxos de cadeia longa, como oleico, araquidônico e berrênico, além de fitoesteróis (sitosterol, estigmasterol e campesterol). A casca do fruto apresenta concentrações significativas de potássio, ferro, manganês e outros nutrientes.

 

Germe de trigo

O germe do grão de trigo concentra a maior parte dos elementos nutricionais do grão inteiro: contém 25% de protídios, incluindo os oito aminoácidos essenciais, cerca de 47% de glicídios diversos, 10% a 12% de lipídios e lecitina rica em fósforo. A esses elementos associam-se enzimas que possibilitam a absorção de diversos compostos. O germe de trigo é utilizado principalmente em produtos de hidratação profunda, nutrição e reconstrução capilar, como máscaras, condicionadores, óleos, shampoos e defrizantes.

 

Jojoba

O óleo de jojoba é composto por uma combinação de monoésteres de cadeia alonga linear. Ele é isento de alcatrão, resinas, alcaloides, fosfatídeos, clorofila e outras impurezas. Excelente emoliente, o óleo de jojoba é totalmente miscível no sebo, a secreção protetora natural do corpo. Em hair care, tem aplicações em shampoos, condicionadores e cremes para tratamento, além de ter ação coadjuvante no tratamento da caspa e da alopecia.

 

Óleo de coco

Amplamente utilizado em rotinas de cuidado capilar, o óleo de coco é rico em ácidos graxos de cadeia média, com destaque para o ácido láurico, seu maior constituinte, que tem propriedades emolientes, umectantes e antioxidantes. Hidratante multifuncional, o óleo de coco oferece diversos benefícios aos fios, desde a redução do frizz até a minimização dos danos cuticulares.

 

Óleo de pequi

Extraído da polpa do fruto do pequizeiro (árvore típica do cerrado brasileiro), o óleo de pequi é rico em ácidos graxos, como o ácido palmítico (aproximadamente 30%) e o ácido oleico (aproximadamente 52%). O óleo contém agentes antioxidantes, como carotenoides e compostos fenólicos, e as vitaminas A, C e E. Essa composição confere ao óleo propriedades emolientes e ação protetora da pele e dos cabelos.

 

Fontes:
“Extratos e óleos naturais vegetais funcionais”, revista Cosmetics & Toiletries Brasil, Vol. 7, mar-abr 1995. Edição Temática: Biodiversidade Amazônica – março de 2006. “Benefícios cosméticos do óleo de coco em cabelos”, revista Cosmetics & Toiletries Brasil, Vol. 36, mai-jun 2024. “Óleos da biodiversidade brasileira em cabelos cacheados”, revista Cosmetics & Toiletries Brasil, Vol.37, set-out 2025.

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