Proteção Solar

por Erica Franquilino

Aliados indispensáveis

Matérias-primas

Segurança e eficácia

No mercado

Ação da radiação solar na pele

Dicas e recomendações

Tendências em proteção solar

Legislação

 

Edição Temática Digital - Novembro de 2025 - Nº 93 - Ano 20

 

Aliados indispensáveis

 

No país que registra uma das maiores incidências solares do mundo, consumidores buscam praticidade, multifuncionalidade e segurança em protetores solares. O Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de produtos para proteção solar no mundo, segundo dados da Euromonitor. Em um cenário de crescente conscientização, avanço da longevidade e valorização do bem-estar, a proteção solar está cada vez mais integrada à rotina de cuidado pessoal, em produtos que oferecem múltiplos benefícios à pele.

 

 

O químico Sérgio Oliveira, fundador da SunWeLearn, empresa de consultoria e educação em proteção solar e cuidado da pele, destaca a mudança de paradigma na categoria de fotoproteção. Para além da proteção contra a radiação UV, ela se tornou a principal estratégia de cuidados com a pele.

 

“O consumidor moderno busca produtos que lhe permitam viver ao ar livre de forma saudável, e o desafio da indústria é oferecer soluções que garantam proteção, beleza e saúde celular em longo prazo. Esse é o critério através do qual devemos analisar todas as tendências e inovações do mercado”, sintetiza.

 

O especialista cita três inovações relevantes no mercado de proteção solar: proteção ampliada; filtros híbridos e sustentabilidade; e a relação entre formas cosméticas e cenário climático. “O foco da proteção não se limita mais ao UVA e UVB. A regra é a defesa com filtros de ação multiespectral, o que inclui a Luz Visível (LV). A radiação Infravermelha (IV) também é muitas vezes citada”, diz.

 

Ele aponta que as inovações mais promissoras estão relacionadas aos ingredientes que complementam a defesa proporcionada pelos filtros de radiação. “Há um forte investimento em biotecnologia, antioxidantes encapsulados e peptídeos biomiméticos. A biotecnologia, inclusive, tem sido empregada no desenvolvimento de novos boosters de Fator de Proteção Solar e até mesmo de novos filtros solares inteligentes, como aqueles que proporcionam maior substantividade à pele e minimizam a permeação cutânea, demonstrando a vanguarda do setor”.

 

No que diz respeito aos filtros híbridos (combinação otimizada de filtros orgânicos e inorgânicos) e sua relação com a sustentabilidade, ele destaca que há um movimento global para o desenvolvimento de sistemas híbridos, impulsionado por restrições ambientais e pela exigência de maior evidência de segurança toxicológica. “Esses sistemas buscam oferecer uma maior amplitude no espectro de absorção, maior fotoestabilidade e, ao mesmo tempo, mitigar preocupações regulatórias e ambientais, com perfis mais favoráveis de toxicidade humana e ecológica”, afirma.

 

Produtos em novas formas cosméticas chegam ao mercado, em um panorama de intensificação das variações climáticas e de consumo impulsionado pelas mídias sociais e pelo e-commerce. Ele cita a expansão da multifuncionalidade, com protetores solares que oferecem benefícios adicionais importantes, como hidratação reforçada, efeito antipoluição e ação repelente.

 

 

“O consumidor busca produtos 'invisíveis' e que se integrem à rotina de skincare. O crescimento de protetores em sérum e bastão é evidente. Formas ultraleves (water-like) e não-comedogênicas incentivam o uso diário e a reaplicação”, ressalta.

 

Para o consultor, a categoria de fotoproteção exige um equilíbrio constante entre o rigor técnico-regulatório e a necessidade de comunicar benefícios à saúde, “o que gera desafios de mercado e grandes oportunidades narrativas”. Na opinião do especialista, o maior desafio diz respeito à garantia da qualidade e reprodutibilidade dos testes de eficácia.

 

“Casos como o noticiado pela organização Choice na Austrália, que questionou o FPS declarado por várias marcas populares de protetores solares, acenderam um alerta global. De vinte produtos avaliados de FPS 50 ou 50+, apenas quatro atingiram o valor do FPS declarado no rótulo. Em um caso extremo, o produto apresentou um FPS de apenas 4, e num reteste, FPS 5”, menciona.

 

“Acompanho esses tipos de ações de ONGs ligadas à proteção do consumidor há anos e, com base nas informações levantadas, posso dizer que a Choice fez um trabalho de boa qualidade nessa investigação. Alguns dos desdobramentos foram a suspensão de comercialização de vários produtos pela autoridade de saúde australiana, com expectativa de mudanças regulatórias”, acrescenta.

 

Ele também menciona desafios e oportunidades referentes à metodologia ISO. “O surgimento das novas metodologias alternativas, a ISO 23698:2024 e a IS0 23675:2024, para a determinação do FPS, é um marco na história da proteção solar”, aponta.

 

 

“Após muitos anos de trabalho dentro da ISO, foi possível que desenvolvêssemos esses métodos, que apresentam características estatísticas semelhantes ao que é considerado o padrão ouro de avaliação, o FPS determinado em humanos. Mesmo em países onde o regulatório local ainda não as internalizou, é interessante e aconselhável que as empresas se prepararem através de ações proativas para entender como seus produtos se comportam diante desses novos métodos”, acrescenta.

 

O especialista ressalta como oportunidade o conceito de exposição solar responsável. O consultor menciona o crescente volume de pesquisas que destacam os benefícios do sol para além da síntese da vitamina D. “Há impactos consideráveis em muitos aspectos ligados à saúde, como o ritmo circadiano, o bem-estar mental e a longevidade”, diz.

“Acredito que o próximo avanço que veremos na área da proteção solar é a indústria entender o sol como aliado da saúde. Isso exige uma narrativa mais holística sobre o tema, na qual o protetor solar é um aliado inteligente que permite desfrutar dos benefícios do sol de forma segura, evitando o dano nos momentos de pico de irradiação. Isso fortalece o papel do protetor solar como um aliado da saúde, e não um mero cosmético”, afirma.

 

Ele cita os impactos de novas tecnologias na categoria de proteção solar, com a inteligência artificial atuando como um “acelerador de P&D”. “Algoritmos avançados podem processar dados complexos de estabilidade, compatibilidade de ingredientes e filtros para prever o desempenho do FPS e o perfil de segurança de novas formulações, inclusive considerando os efeitos da combinação de ingredientes. Nesse aspecto, é fundamental que todo desenvolvedor tenha a cultura de cuidar de seus dados”, diz.

 

“No mundo investigativo da proteção solar, a espectroscopia de transmissão é uma ferramenta clássica e essencial, utilizada como base crucial nas duas metodologias alternativas da ISO para FPS. Costumo dizer que ela é a pedra fundamental na criação de bancos de dados robustos, que suportarão ferramentas de IA efetivas para o desenvolvimento de protetores solares”, pontua.

 

No que diz respeito ao uso de novas tecnologias para o engajamento do consumidor, ele menciona soluções relativamente simples, mas com alto potencial de retorno, como ações de conscientização e iniciativas no âmbito digital.

 

“Aplicativos e tecnologias como a realidade aumentada ajudam a personalizar a rotina, mostrando, por exemplo, como o produto 'desaparece' na pele ou identificando áreas mal cobertas ou negligenciadas durante a aplicação. Tecnologias vestíveis (wearables) aumentam a consciência sobre a exposição, transformando o ato de proteger a pele em uma experiência interativa”, completa.

 

 

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Dentre as soluções no portfólio da Ashland voltadas ao mercado de proteção solar, Hoda Nahas, gerente de marketing Latam, menciona os ativos Antaron soja glycerideBlumilight biofuncional e o Vital et biofunctional. “O Antaron soja glyceride é um formador de filme biodegradável derivado natural, que oferece excelente resistência à água, aumento do FPS e resistência à transferência de cor, com um sensorial agradável na pele”, diz.

 

“Ele não é OGM, é adequado para produtos veganos e compatível com ingredientes orgânicos e inorgânicos. É um ativo biodegradável, tem 84% de conteúdo de origem natural, de acordo com a norma ISO 16128-2:2017 e não é classificado como microplástico, de acordo com a legislação do ECHA”, completa.

 

Ela destaca a “poderosa” capacidade de dispersão de pigmentos, reduzindo a viscosidade e permitindo que maiores cargas de pigmentos sejam adicionadas às formulações. O ativo é processável a frio e efetivo em ampla faixa de pH (4-8). No mercado internacional, o Antaron soja glyceride integra a formulação do Timexpert Sun, da Germaine de Capuccini.

 

Blumilight biofuncional é rico em peptídeos do cacau porcelana peruano e obtido por meio de biotecnologia branca. Ele combate os fotodanos causados pela luz azul e UV, como hiperpigmentação e dano dérmico”, diz. “Análises de proteômica e bioinformática revelaram uma sequência peptídica específica envolvida no equilíbrio da melanina, mitigando o estresse fotossensorial e agindo sobre as opsinas, que são os receptores fotossensíveis da pele. Ele tem fonte orgânica, certificação FairTrade e aprovação COSMOS”, completa.

 

Blumilight biofuncional foi testado clinicamente em três etnias. Houve comprovação da melhora da luminosidade, da elasticidade, da aparência de rugas e de manchas escuras, inclusive em fototipos V e VI.

 

“Ele neutraliza o estresse fotossensorial em queratinócitos e melanócitos, atuando sobre as opsinas. Ao abordar a aparência da hiperpigmentação, bem como o estresse oxidativo (ROS mitocondrial e celular e carbonilação de proteínas) e os danos dérmicos (colágeno I, fibrilina-1 e rede de elastina), o Blumilight biofunctional oferece uma solução estendida para peles propensas a fotodanos induzidos por luz visível e UV”, afirma.

 

Vital et biofunctional é um fosfato de tocoferol desenvolvido para aumentar a biodisponibilidade na pele. Hoda explica que ele ajuda a reforçar os poderes de defesa em três níveis da pele (tecidual, celular e genômico), contra vários tipos de estresse, como os acarretados pela radiação UV, os mecânicos e os bacterianos.

 

“Ele tem eficácia comprovada em melhorar as defesas contra o sol, na recuperação pós-sol, com efeito calmante contra a vermelhidão e ação antienvelhecimento. O ativo confere um resgate multinível da pele. Ele ajuda a diminuir visivelmente a vermelhidão induzida pela exposição à radiação UV; ajuda a pele no combate às inflamações, limitando a desregulação do inflamassoma por meio da diminuição da expressão de IL-1β; ajuda a manter a produção de colágeno em um ambiente senescente; e limita o dano no DNA”, menciona.

 

 

Allessandra Silva, coordenadora de MKT Técnico & Inovação do Grupo Solabia, aponta que a busca por produtos de proteção solar formulados com filtros minerais tem ganhado força entre os consumidores que priorizam naturalidade e desejam evitar alergias e irritações cutâneas. “No entanto, desenvolver protetores solares com filtros minerais ainda representa um desafio técnico, especialmente no que diz respeito à transparência e à experiência sensorial. As formulações precisam garantir alta eficácia de proteção, com mínimo residual branco e um toque seco e sedoso, adequado ao uso diário”, diz.

 

Alinhada a essas demandas, a Solabia reforça sua atuação no mercado de fotoproteção com um portfólio ampliado de ingredientes multifuncionais. A empresa oferece soluções que vão de ativos a componentes funcionais que contribuem para a estrutura das formulações, promovendo maior estabilidade, melhor sensorial e efeito booster de FPS.

 

 

Entre os destaques está a linha G-Block, composta por dispersões minerais de alta concentração, estabilidade e transparência. Com um processo exclusivo que permite controle preciso da densidade e distribuição das partículas, essas dispersões (à base de zinco e titânio) possibilitam o desenvolvimento de formulações com FPS elevado e comprimento de onda crítico homogêneo e consistente.

 

Um dos lançamentos mais recentes da linha é a G-Block DZ 72 CCC, apresentada no Supplier’s Day, em Nova York. “Trata-se de uma dispersão de zinco com emoliente de toque leve, que oferece excelente transparência, espalhabilidade e sensorial, como demonstrado em testes visuais e táteis”, menciona.

 

“Outra solução inovadora do portfólio é a linha ExpertGel, um espessante termossensível que permite o controle da viscosidade conforme a temperatura. Para aplicações em proteção solar, o ExpertGel se destaca por melhorar a dispersão dos filtros, contribuir para a retenção dos ativos na superfície da pele, aumentar a resistência à água e atuar como booster de FPS, com eficácia comprovada em testes in vitro e in vivo”, afirma.

 

 

Segurança e eficácia

 

 

Gustavo Facchini, gerente técnico para fomento e desenvolvimento do Grupo Kosmoscience, explica que a segurança de produtos fotoprotetores pode ser demonstrada por diferentes abordagens complementares. “Ensaios in vitro de irritação cutânea, como preconizado pela diretriz OECD TG 439, utilizam modelos de epiderme humana reconstruída para classificar o potencial irritativo das formulações, sem necessidade de animais de laboratório”, diz.

 

“O tradicional patch test em participantes da pesquisa permanece como referência clínica para confirmar a tolerabilidade dérmica e sustentar alegações como ‘dermatologicamente testado’ ou ‘adequado para peles sensíveis’. Em paralelo, estudos de permeação cutânea realizados em células de difusão de Franz com pele ex vivo permitem estimar a absorção de filtros solares através da barreira epidérmica, quantificando a fração que pode alcançar a circulação sistêmica e subsidiando a análise de risco toxicológico”, completa.

 

 

No que diz respeito à eficácia, Fernanda da Silva Gonçalves, gerente técnica das áreas de Sun e Deo, explica que o Fator de Proteção Solar (FPS), parâmetro de maior relevância para consumidores e reguladores, é tradicionalmente determinado in vivo segundo a ISO 24444:2019, por meio da avaliação da dose eritematosa mínima em participantes da pesquisa.

 

“A proteção UVA pode ser aferida in vivo pelo método de pigmentação persistente (ISO 24442:2022) ou in vitro pela ISO 24443:2021, que calcula parâmetros como UVA-PF e comprimento de onda crítico. Complementarmente, atributos funcionais como resistência à água e ao suor são avaliados segundo as normas ISO 16217:2020 e ISO 18861:2020, verificando a manutenção da eficácia após imersão controlada, respaldando alegações amplamente valorizadas pelo mercado”, diz.

 

Facchini ressalta que, além desses protocolos normativos, o Grupo Kosmoscience se destaca pela execução de experimentos avançados em culturas celulares e em fragmentos de pele humana, “que permitem caracterizar os efeitos protetores das formulações frente às deleções biológicas provadas pelas diferentes frações do espectro solar. Esses experimentos incluem análises de expressão de genes, de expressão proteica e de reações bioquímicas associadas à resposta cutânea, oferecendo uma visão aprofundada dos mecanismos moleculares envolvidos”.

 

 

Nesses modelos in vitro, é possível avaliar não apenas a resposta às radiações UVB e UVA, mas também os efeitos deletérios induzidos pela radiação infravermelha-A, pela luz visível e pela luz azul. “Todas essas radiações estão diretamente associadas ao desequilíbrio redox (estresse oxidativo), além de ativar processos inflamatórios cutâneos que aceleram o envelhecimento da pele por meio da degradação de componentes da matriz extracelular cutânea, como colágeno, elastina e ácido hialurônico”, menciona Facchini.

 

“Nesse sentido, biomarcadores como espécies reativas de oxigênio (ROS), metaloproteinases de matriz (MMP-1, MMP-3 e MMP-9) e indicadores de danos ao DNA, como a formação de ciclopirimidina dímera (CPDs) e de fotoprodutos 6-4 (6-4PPs), são rotineiramente analisados, oferecendo dados mecanísticos sólidos sobre a eficácia das formulações. Além disso, podem ser monitorados parâmetros relacionados à resposta inflamatória cutânea, como a liberação de citocinas pró-inflamatórias (IL-1α, IL-6, TNF-α) e a ativação do fator de transcrição NF-κB, bem como marcadores de senescência celular, a exemplo da expressão de β-galactosidase”, acrescenta.

 

Outro aspecto relevante diz respeito à hiperpigmentação melânica induzida pela radiação solar. Ensaios laboratoriais in vitro possibilitam mensurar a modulação da síntese de melanina em resposta a esses estímulos, permitindo avaliar a eficácia de protetores solares no controle de desordens pigmentares e no fortalecimento da uniformidade do tom cutâneo.

 

“A combinação de métodos normativos e estudos mecanísticos avançados permite assegurar não apenas a eficácia fotoprotetora, mas também a capacidade, inclusive preventiva, das formulações contra múltiplos efeitos deletérios das radiações solares, garantindo robustez científica e segurança ao consumidor”, afirma.

 

A Kosmoscience tem atuado no desenvolvimento e na implementação de metodologias inovadoras que ampliam a relevância dos estudos de fotoproteção, para além das exigências normativas – com soluções orientadas para o uso real. Fernanda menciona a fase inicial de implementação da ISO 23675:2024, que estabelece critérios padronizados para a determinação in vitro do FPS, “representando um avanço ético e científico, em alinhamento com os princípios dos 3Rs”.

 

 

Ela também cita o protocolo de resistência à areia e a metodologia sweat skin. “O protocolo de resistência à areia simula o impacto da fricção de partículas de areia sobre o substrato de polimetilmetacrilato (PMMA) recoberto pelo produto, fornecendo dados adicionais de performance em condições de praia e lazer. A metodologia sweat skin reproduz condições de transpiração intensa em ambiente controlado, simulando situações de prática esportiva ou exposição ao calor, permitindo avaliar a manutenção da eficácia do protetor solar em cenários de uso real”, explica.

 

Facchini aponta a utilização de fragmentos de pele humana provenientes de cirurgias plásticas eletivas. “Essa estratégia permite investigar, de maneira robusta, os efeitos das diferentes radiações solares sobre processos como estresse oxidativo, inflamação, degradação da matriz extracelular, hiperpigmentação melânica e, de forma pioneira, a eficácia das formulações contra os efeitos deletérios da radiação infravermelha-A (IV-A)”, diz. “Esses estudos são conduzidos sem o uso de modelos animais, fortalecendo o alinhamento da Kosmoscience aos princípios dos 3Rs. Essa iniciativa foi apoiada em projetos de pesquisa fomentados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)”, completa.

 

 

No mercado

 

 

“O brasileiro começa uma relação com o sol desde muito cedo, indo a praias, parques e praticando atividades ao ar livre. O que vem mudando nos últimos anos é o comportamento em relação ao uso desses produtos, que deixaram de ser voltados apenas para momentos de lazer, para se tornarem itens de uso diário”, diz João Paulo Ribeiro, gerente de produto da Isdin.

 

Ele aponta que essa relação vem mudando graças a avanços tecnológicos que entregam novas texturas, fragrâncias e cobertura de imperfeições, dentre outros benefícios. “Os brasileiros entenderam que a proteção solar é o primeiro e mais importante passo do skincare, então os protetores se tornaram itens de beleza”, afirma.

 

 

Em dezembro de 2024, a Isdin apresentou o Invisible Stick FPS 50, o primeiro protetor solar em bastão da marca. “O produto tem acabamento leve e invisível e formato on the go, o que facilita a aplicação ao longo do dia. A formulação, com vitamina E, manteiga de karitê e pantenol, proporciona hidratação intensa, fortalece a barreira cutânea, oferece ação antioxidante e controle de oleosidade, além de auxiliar na proteção contra a luz azul e ser resistente à água e ao suor”, menciona.

 

Os últimos lançamentos da linha de fotoproteção da Isdin são divididos em algumas categorias. A linha Fusion Water, principal linha de proteção solar facial da marca – cujos produtos têm textura “ultraleve como a água”, com rápida absorção e controle da oleosidade – apresentou três novidades em 2025.

 

 

Em março, chegou ao mercado brasileiro o Fusion Water Magic Glow, um protetor solar facial com FPS 30, que entrega efeito glow imediato graças ao ativo Golden Glow. A composição traz pantenol e vitamina E, para uma ação antioxidante e efeito hidratante. O produto também pode ser usado como primer ou pré-maquiagem.

 

O Fusion Water Magic by Alcaraz, lançado em junho, foi cocriado com o tenista Carlos Alcaraz, o número 1 do mundo, especialmente para a prática esportiva. Com FPS 50, o protetor tem textura ultraleve e refrescante, que resiste ao suor e à água, além da proteção Full Spectrum (que protege dos raios UVA, UVB, infravermelhos, luz azul e poluição) e da proteção Thermal Aging, contra o dano oxidativo causado pelo calor.

 

Em setembro, a linha Colors foi atualizada com a chegada do Fusion Water Magic Colors, disponível em três tons e com FPS 50. A nova formulação, que proporciona uma textura ainda mais leve, traz extrato de alga mediterrânea, com ação antioxidante, e a proteção Full Spectrum.

 

A linha de fotoproteção pediátrica foi ampliada com o lançamento do Fusion Fluid Mineral Baby FPS 50, um protetor solar 100% mineral, com efeito hidratante que auxilia na reparação da barreira cutânea e muito resistente à água. O produto pode ser usado em bebês a partir dos seis meses de idade.

 

Ainda em outubro, a linha Fotoultra ganhou um novo integrante: Fotoultra Redness, um protetor solar facial com FPS 50, formulado especialmente para as peles com rosácea,  sensíveis e propensas à vermelhidão, com resultados visíveis a partir de 14 dias de uso. “Com ácido azelaico, Niacinamida, Bioecolia, o ingrediente Synthetic Sensitive Regulator e Licochalcona A, esse protetor acalma, previne e ajuda a corrigir vermelhidão, coceira e desconfortos típicos da pele sensível e reativa”, destaca.

 

“A Isdin hoje está posicionada no top 3 entre os maiores laboratórios do mercado e com o maior crescimento entre as maiores marcas. O Fusion Water é o protetor solar mais prescrito e vendido do mercado”, afirma.

 

“O segmento de proteção solar é muito dinâmico, e cada vez mais vemos novas marcas e produtos entrando no mercado. Apresentar inovações que atendam às necessidades dos brasileiros é essencial para que uma marca consiga se manter relevante. A essência da Isdin é trazer produtos que aliem ciência, tecnologia e uma cosmética inovadora para encantar os consumidores, o que nos permitiu manter a marca com um crescimento de duplo dígito nos últimos anos”, acrescenta.

 

A Isdin promove ações de conscientização ao redor do mundo. No Brasil, a campanha Sol Amigo da Infância inclui visitas a escolas, públicas e particulares, para compartilhar informações sobre a importância da proteção solar. “Levamos materiais didáticos, como livros e adesivos, adequados para todas as idades. É uma ação que envolve nossos funcionários e, muitas vezes, dermatologistas. Essa é uma ação totalmente unbranded, com o objetivo apenas de educar sobre a relação com o sol e a relevância de se proteger todos os dias”, destaca.

 

 

A Quem Disse, Berenice?, marca do Grupo Boticário, ampliou sua linha de proteção solar em 2024, com o lançamento de Delícia FPS 70 Skin.q, produto que recebeu insights de consumidores da marca na fase de desenvolvimento e que tem atributos como multifuncionalidade, textura fluida, fácil aplicação e absorção e sensorial que proporciona frescor à pele. O protetor está disponível na opção incolor e em quatro cores, que se adaptam a diversas tonalidades.

 

A promessa é de renovação da pele, redução de marcas solares e prevenção do envelhecimento precoce graças à ação antioxidante da carnosina. O produto, que oferece proteção contra os raios UVA, UVB e luz visível, é ideal para as peles oleosas, pois regula a produção sebácea com a ajuda de microesferas de sílica, mantendo os poros minimizados.

 

A linha facial Boti.Sun, de O Boticário, tem protetores com benefícios específicos e direcionados para a pele brasileira, como controle de oleosidade, além de redução de rugas e linhas de expressão. Os protetores faciais são formulados com a tecnologia Acqua, “uma base aquosa com potente fusão de ativos que aumenta a reserva de água e confere hidratação, leveza e refrescância à pele”, informa a marca. Os multiprotetores da linha Botik vão além da proteção solar, com benefícios como hidratação, luminosidade e ação antioxidante.

 

O Protetor Solar Facial Antioleosidade FPS 70 Niina Skin, lançado pela Eudora em 2024, oferece acabamento invisível, que não deixa resíduo ou efeito esbranquiçado e não interfere na maquiagem. A composição traz niacinamida e carnosina.

 

O Neo Dermo Etage Protetor Solar Facial Defense, outro lançamento recente da marca pertencente ao Grupo Boticário, está disponível nas opções FPS 50 e FPS 70, com acabamento mate e benefícios como rápida absorção, hidratação profunda, tratamento dos danos causados pela luz azul e reforço da barreira natural da pele. A formulação é enriquecida com vitaminas E e B3, além de ômegas 3 e 6.

 

Em setembro deste ano, a japonesa Bioré lançou a campanha "Esquece que Passou", cuja estrela foi o Bioré UV Aqua Rich Watery Essence, “que é tão leve na pele que você esquece que está usando”. “O segredo por trás da sensação aquosa e fresca do Bioré Aqua Rich é a exclusiva tecnologia japonesa Aqua Capsule, que contém filtros de proteção UV encapsulados, em uma formulação com mais de 60% de água. A formulação é absorvida rapidamente, deixando a pele livre de oleosidade ou sensação pegajosa”, destaca a marca. O produto, com FPS 50, é indicado para todos os tipos de pele. A composição traz ácido hialurônico e extrato de geleia real, que garantem hidratação e deixam “um glow natural de pele saudável”.

 

O Anthelios UV Air FPS 60, lançamento da La Roche-Posay, é um protetor solar de amplo espectro, “leve como o ar”, com benefícios de skincare e toque imperceptível. A tecnologia exclusiva desenvolvida no Brasil oferece alta performance em fotoproteção, mesmo em condições extremas, com 24 horas de hidratação, 16 horas de controle de oleosidade e ação antioxidante.

 

 

Cocriado com consumidores brasileiros, o protetor oferece resistência a variações de temperatura e à umidade, além de resistência ao suor. A formulação, com ácido hialurônico e niacinamida, traz a tecnologia patenteada UV Air, que garante um leve filme de proteção, com acabamento limpo e imperceptível na pele. “Além do fator defensivo, o sensorial é um dos grandes destaques: segundo testes de percepção, 9 em cada 10 consumidores afirmam que substituiriam seu protetor atual por UV Air”, afirma a La Roche-Posay.

 

A L’Oréal Paris apresenta o Solar Expertise Efeito Make-Up. A novidade entrega FPS 70, tripla proteção solar (UVA, UVB e UVA Longo) e 12 horas de alta cobertura, com acabamento natural e textura ultraleve, desenvolvida especialmente para o clima e os tipos de pele do Brasil. A formulação traz pigmentos revestidos com aminoácidos, que formam um filme ultraleve, resistente e que não craquela, controlando o brilho e mantendo a pele confortável.

 

O protetor solar chega ao mercado com cinco tonalidades, “cuidadosamente formuladas para atender à diversidade de consumidores já no lançamento”. Para ampliar a representatividade, a marca se uniu ao jornalista e maquiador Tássio Santos, autor do livro “Tem Minha Cor?”, que analisa a indústria cosmética sob a perspectiva racial. O objetivo é desenvolver uma cartela mais completa, que chegará a oito tons.

 

“Apesar de vivermos em um país tropical, o uso diário do protetor solar ainda é baixo no Brasil. Por isso, quisemos unir alta proteção a uma formulação confortável e multifuncional, que combina o acabamento impecável de maquiagem com a ciência avançada de fotoproteção, em um preço acessível para o dia a dia da consumidora. A parceria com o Tássio adiciona uma camada essencial de expertise: além de nos ajudar a garantir uma cartela completa de tons que realmente representa a diversidade da pele brasileira, ele também reforça, como formador de opinião, a importância de tornar a proteção solar parte da rotina de todas e todos”, afirma Maíra da Matta, diretora de L’Oréal Paris no Brasil.

 

Em agosto deste ano, a Natura apresentou Natura Solar, sua nova linha de protetores solares. Com formulações resistentes à água, acabamento invisível para todos os tons de pele, textura leve e fragrância suave, Natura Solar foi pensada para todas as idades e toda a família, com itens para crianças acima de 3 anos.

 

A inovação da linha está na tecnologia exclusiva BioProteção, que une filtros solares potentes a um complexo antioxidante de ingredientes da biodiversidade brasileira. “O resultado é uma tripla ação: proteção contra os raios UVA/UVB, prevenção de danos ao DNA que podem causar câncer de pele e envelhecimento precoce, e cuidado prolongado com a hidratação”, diz a Natura.

 

A linha Natura Solar é composta por protetores corporais e faciais com diferentes níveis de proteção, de FPS UVB 30 a FPS UVB 70, sempre com 1/3 de FPUVA, para proteger as diferentes camadas da pele, com formulações pensadas para peles normais a secas e mistas a oleosas.

 

Enquanto as versões para peles mistas a oleosas oferecem textura fluida ultraleve e efeito mate instantâneo, com partículas que absorvem a oleosidade de forma imediata e garantem um controle de oleosidade por até 12 horas, as opções para peles normais a secas entregam textura leve, toque aveludado e um complexo nutritivo que oferece hidratação revitalizante por até 8 horas.

 

 

As embalagens também trazem inovações. Nos protetores corporais, elas vêm com a exclusiva tampa antiareia. As embalagens dos protetores faciais apresentam uma trava de segurança, que evita o desperdício. Entre os produtos da linha Natura Solar está o protetor facial em stick, com resistência à água e ao suor, indicado para o uso diário e para a alta exposição solar – inclusive para atividades físicas. Outro destaque é o pós-sol gel hidratante, com fragrância refrescante e fácil de espalhar.

 

O 2 em 1 Primer Daily UV Serum FPS70, lançamento da Nivea, reúne muito alta proteção solar com efeito primer, preparando a pele para uma maquiagem “com acabamento impecável e duradouro”. A promessa é de pele visivelmente mais uniforme em segundos, sem esfarelar, sem resíduos brancos e com sensorial confortável desde a primeira aplicação.

 

A formulação inteligente combina dois tipos de ácido hialurônico: de cadeia longa, que hidrata as camadas superficiais, e de cadeia curta, que alcança as camadas mais profundas e estimula a produção natural dessa molécula. A composição também traz o Licochalcona A, composto com propriedades antioxidantes que oferece proteção contra os radicais livres gerados pela radiação UV e reforça os mecanismos naturais de defesa da pele contra o estresse oxidativo.

 

A novidade da Theraskin em proteção solar é o UV-Less, protetor solar facial com FPS 70, toque seco, oil free e textura ultraleve. O lançamento oferece alta proteção contra os raios UVA, UVB e contra a luz azul. A proposta da marca é transformar a fotoproteção em um hábito diário, confortável e acessível, sem pesar na pele e sem restrições de tom. A composição é enriquecida com ácido hialurônico, niacinamida, vitamina E e alantoína, ativos que hidratam, acalmam e ajudam na reparação da pele. A tecnologia One Tone System garante uma aplicação uniforme e confortável em peles claras, morenas e negras.

 

 

Ação da radiação solar na pele

 

A radiação solar que chega ao topo da atmosfera da Terra é composta, em sua maior parte, por emissões na faixa de 200 nm a 3.000 nm. De toda a energia emitida pelo sol, 44% concentra-se na faixa de 380 nm a 780 nm. Essa faixa é chamada de espectro visível de energia, e é por meio dela que podemos identificar as cores.

 

Do total da radiação solar que chega às camadas superiores da atmosfera terrestre, somente uma pequena fração atinge sua superfície. Isso ocorre por causa da reflexão e da absorção dos raios solares pela atmosfera.

 

Os raios infravermelhos (IV) agem em uma frequência que está além da capacidade humana de visão. Essa radiação é liberada de todos os corpos que emanam calor. Com emissões na faixa de 780 nm a 3.000 nm, o infravermelho é responsável pelo aquecimento do planeta e representa quase a metade da radiação solar que chega à Terra. No corpo humano, os raios infravermelhos penetram profundamente na pele, podendo chegar até a hipoderme, na qual provocam a dilatação dos vasos sanguíneos.

O efeito térmico dos raios infravermelhos é importante para a proteção da pele contra os raios ultravioleta (UV). Ao penetrar profundamente na pele, os raios infravermelhos deixam uma grande quantidade de energia na derme, o que agride os tecidos. Contudo, o calor fornecido por esses raios estimula a circulação do sangue e o metabolismo. O infravermelho é utilizado em tratamentos estéticos para diminuir inflamações da pele e aliviar dores nas articulações, entre outras aplicações relacionadas à saúde.

 

A radiação ultravioleta (UV) é o oposto do infravermelho, pois ela está no outro extremo do espectro solar. Com emissões na faixa de 200 nm a 400 nm, ela representa 7% do espectro e tem os menores comprimentos de onda e o maior nível de energia. Quando atinge a superfície, a radiação ultravioleta provoca diversos efeitos sobre os seres vivos, como queimaduras, fotoalergias, envelhecimento cutâneo e alterações celulares, que, somados a alterações genéticas, criam predisposição ao câncer de pele.

 

No entanto, a exposição à radiação ultravioleta também proporciona efeitos benéficos à saúde, como o estímulo à produção de vitamina D. A radiação UV ajuda no tratamento de doenças (como a psoríase, o vitiligo e alguns tipos de linfomas cutâneos) e tem ação bactericida e fungicida. Ela é subdividida em três faixas: UVA (320 nm a 400 nm), UVB (290 nm a 320 nm) e UVC (200 nm a 290 nm).

 

Devido à diminuição da camada de ozônio, os raios UVB, que estão diretamente relacionados ao surgimento dos vários tipos de câncer de pele, têm aumentado sua incidência sobre a Terra. Essa redução de ozônio também vem favorecendo a elevação da incidência das radiações UVC, potencialmente mais carcinogênicas que as UVB. A radiação UVA, por sua vez, independe da camada de ozônio e pode causar câncer de pele em pessoas que se expõem ao sol de forma inadequada.

 

A radiação UV e outros fatores externos, como estresse, poluição e fumo, aceleram o processo de envelhecimento da pele, provocando manchas, asperezas e descamações. O envelhecimento cutâneo induzido pelas radiações UV acontece em razão de várias alterações bioquímicas e fisiológicas. Algumas delas são: estresse oxidante, com mutações e/ou alterações no DNA; lipoperoxidação, com a formação de radicais livres; foto-oxidação de proteínas; e desequilíbrio na produção de enzimas antioxidantes.

 

As alterações decorrentes de fotoenvelhecimento comprometem as duas primeiras camadas da pele: epiderme e derme. Na epiderme, podem ocorrer mudanças na espessura e nas células pigmentares, resultando no espessamento e/ou no afinamento da pele, bem como em alterações de textura e de pigmentação. Na derme, as principais alterações estão relacionadas à degeneração das fibras colágenas e à fragmentação das fibras elásticas. Esse processo resulta em perda de elasticidade e formação de rugas e sulcos.

 

 

Luz visível

Ela é toda a luz que conseguimos enxergar, emitida pelo sol, lâmpadas e dispositivos eletrônicos. É uma forma de radiação eletromagnética, assim como os raios ultravioleta, que penetra na pele mais profundamente do que os raios UVA e só pode ser bloqueada por filtros físicos. Pesquisas apontam que a luz visível, quando associada aos raios UVA, pode causar lesões na pele, incluindo câncer.

 

De acordo com um estudo recente realizado pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), publicado no Journal of Photochemistry & Photobiology, a luz visível nas faixas violeta e azul pode ter efeito tóxico para as células da pele, dependendo do tempo de exposição. Entre as possíveis consequências, estão a liberação de compostos oxidantes, lesões no DNA, danos em mitocôndrias e outras organelas e acúmulo do pigmento lipofuscina, que aumenta a sensibilidade celular à luz.

 

 

Dicas e recomendações

 

Atitudes preventivas em relação à exposição solar, como evitar os horários de maior incidência e seguir as recomendações do fabricante sobre a aplicação e a reaplicação do produto, são imprescindíveis para a manutenção da saúde. Dermatologistas recomendam o uso de filtros solares com, no mínimo, FPS 30 – para todos os tipos de pele. 

 

A proteção da pele depende do uso da quantidade correta de protetor solar. O Guia de Fotoproteção da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) propõe a regra da colher de chá:

 

Rosto, cabeça e pescoço – uma colher de chá

 

Frente e atrás do dorso – duas colheres de chá

 

Braço e antebraço direito – uma colher de chá

 

Braço e antebraço esquerdo – uma colher de chá

 

Coxa e perna direita – duas colheres de chá

 

Coxa e perna esquerda – duas colheres de chá

 

O filtro solar deve ser o primeiro produto aplicado sobre a pele, antes de itens de maquiagem, hidratante ou repelente. O ideal é esperar que ele seque, antes de usar outro creme. Após a aplicação do protetor, é preciso esperar ao menos 15 minutos para o início da exposição ao sol.

 

Os problemas decorrentes da exposição indevida à radiação solar, como o câncer de pele, podem afetar qualquer pessoa, independentemente da etnia. Contudo, a SBD alerta que há grupos de maior risco, por conta de suas características físicas e genéticas. São exemplos as pessoas com pele, cabelos e olhos claros, as que têm familiares com histórico de câncer de pele e as que apresentam manchas, pintas ou sardas.

 

O câncer de pele responde por 33% de todos os tumores malignos diagnosticados no Brasil. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) registra, a cada ano, cerca de 185 mil novos casos.

 

 

Tendências em proteção solar

 

Na opinião do consultor Sérgio Oliveira, as tendências convergem para um produto que é simultaneamente “poderoso, funcional e sustentável”. Ele elege como destaques:

 

A ascensão do híbrido

“Entendo que a tendência mais forte é a fusão completa com o skincare. O protetor solar está sendo formulado como um item de tratamento avançado. A busca por multifuncionalidade e alta performance leva as marcas a explorarem nichos premium de alto valor agregado”, diz.

 

Ele ressalta a proliferação de produtos para práticas esportivas (com alta resistência ao suor e ao atrito), pós-procedimentos (com foco em reparo, ação calmante e alta proteção) e formulações corretivas, “que aliam alta e ampla proteção com ingredientes de múltiplas ações, como antienvelhecimento e despigmentante, e agentes de manutenção da barreira cutânea, que modulam o microbioma”.

 

“O mercado investe na incorporação de ingredientes bioativos que não só protegem, mas também corrigem, consolidando o protetor solar como produto híbrido, multifuncional e de maior valor agregado na rotina”, completa.

 

Proteção total e foco na Luz Visível

Cresce a tendência da defesa multiespectro (UV, LV, IV) combinada às proteções antipoluição e antioxidante. “Os novos avanços no entendimento da Luz Visível exigem soluções ativas, com destaque para produtos com pigmentos coloridos e opacos, como os clássicos BB creams e bases com FPS elevado. Eles oferecem um excelente filtro à LV, essencial para a prevenção de hipercromias, como o melasma, e para a defesa em ambientes urbanos”, aponta.

 

Exposição solar responsável e bem-estar sistêmico

Ele destaca o conceito de exposição solar responsável, no qual o foco não é apenas evitar o dano, mas sim otimizar os benefícios da exposição ao sol. “Há um volume crescente de pesquisas que destacam que a exposição moderada ao sol é crucial para a saúde sistêmica. Tomar sol de forma moderada e protegida é fundamental para a homeostase e a longevidade, elevando ainda mais a importância do protetor solar como estratégia de saúde pública”, afirma.

 

Transparência e sustentabilidade (clean beauty)

“A demanda por ativos de baixo impacto ambiental, o menor potencial toxicológico humano e a maior transparência na composição dos produtos são inegociáveis. Os filtros minerais (ZnO e TiO2) micronizados continuam em ascensão. A tendência continua forte em formulações minimalistas, com menor pegada hídrica e sem ingredientes desnecessários, biodegradáveis, não testadas em animais, com embalagens com impacto ambiental cada vez mais reduzido e foco total na rastreabilidade da cadeia”, diz.

 

Para o especialista, a busca por performance superior está impulsionando a convergência entre o protetor solar e o tratamento de luxo. “Vemos isso na proliferação de tecnologias avançadas de ingredientes, como peptídeos biomiméticos e ativos gerados por biotecnologia avançada que atuam em mecanismos de longevidade, como a autofagia e a modulação do microbioma cutâneo”, ressalta.

 

“O protetor solar do futuro será, essencialmente, um veículo de entrega de saúde celular, no qual o bloqueio UV é apenas uma das suas múltiplas funções ativas, garantindo que o consumidor não apenas se proteja, mas também reverta e previna ativamente os sinais de envelhecimento e estresse ambiental, enquanto aproveita o melhor do sol”, conclui.

 

 

Legislação

 

 

No Brasil, os protetores solares são considerados cosméticos de grau de risco 2 para a saúde. Por essa razão, a segurança e a eficácia desses produtos precisam ser comprovadas para a obtenção de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

O valor mínimo de FPS é 6, e a proteção contra os raios UVA tem de ser de, ao menos, um terço do valor do FPS declarado. Alegações como resistência à água têm de ser comprovadas por meio de metodologias específicas, definidas na RDC Nº 629, de 10 de março de 2022.

 

Os fabricantes podem informar, nos rótulos dos produtos, as expressões: “Resistente à água”, “Muito resistente à água”, “Resistente à água/suor” ou “Resistente à água/transpiração”, desde que comprovem essas características. Os rótulos devem orientar o consumidor sobre a necessidade de reaplicação, mesmo nos casos dos produtos resistentes à água. É proibida a alegação de 100% de proteção contra as radiações solares.

 

No caso de produtos multifuncionais, precisam seguir as normas da resolução os itens desenvolvidos para entrar em contato com a pele e os lábios e cujo benefício de proteção contra a radiação UV não é a finalidade principal, mas um benefício adicional.

 

Os produtos com filtros solares têm classificações e exigências específicas, de acordo com cada mercado. Nos Estados Unidos, eles são classificados como medicamentos de venda livre de receita médica (OTC, sigla para Over the Counter). Na União Europeia, no Mercosul, no Oriente Médio e em alguns mercados asiáticos, esses produtos são classificados como cosméticos. Na Coreia do Sul e na China, eles são considerados cosméticos de função especial, com tratamento regulatório semelhante aos dos produtos OTC.

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