Cosméticos Naturais, Orgânicos e Veganos

Juliana Flor, Mariana Ruiz Mazin, Lara Arruda Ferreira

Chemspecs Comércio e Representações Ltda., São Paulo SP, Brasil

 

Conceitos e Definições
     
Principais Certificadoras e Regras 
  
Principais Desafios no Desenvolvimento de Cosméticos Naturais 
   
Soluções para o Desenvolvimento 

Considerações Finais 
   
Referências


 

artigo publicado na revista Cosmetics & Toiletries Brasil, Mai/Jun de 2019, Vol. 31 Nº 3 (pág 30 a 36)

     Impulsionados pelo mercado alimentício de produtos naturais, orgânicos e veganos, alguns consumidores estão optando cada vez mais por versões cosméticas que atendam aos mesmos requisitos éticos do seu estilo de vida. Para essa classe de consumidores, temas como saúde e sustentabilidade, juntamente com a conscientização sobre beleza livre de crueldade, são uma crescente preocupação.     

Conforme é mostrado nas Figuras 1 e 2, as três principais características “verdes” desejadas pelos consumidores na categoria skin care são: ingredientes naturais, não testados em animais e ingredientes orgânicos. Já para os consumidores da categoria hair care, as características são: ingredientes naturais, ingredientes botânicos e claims “free from”1 (sais, sulfatos, silicones, parabenos etc.).

        Até o momento, não existem relatórios que avaliem a real dimensão desse mercado no Brasil. Mas estudos apontam que, apesar de ainda ser considerado um mercado pouco expressivo, seu potencial de crescimento é surpreendente.2

      Segundo dados apontados pela consultoria norte-americana Grand View Research, o tamanho do mercado global de cosméticos veganos foi estimado em US$ 12,9 bilhões no ano de 2017.3 O mercado global de cosméticos naturais e orgânicos deverá atingir US$ 25,11 bilhões até 2025. No Brasil, estima-se que haverá crescimento entre 5% e 10% dessa classe de produtos nos próximos cinco anos.2


    Para se preparar para o crescimento do mercado de cosméticos naturais, orgânicos e veganos, as empresas de matérias-primas e os formuladores de produtos finais precisam padronizar os conceitos envolvidos nas definições desses tipos de produto.


Conceitos e Definições

Cosméticos naturais e orgânicos

     No Brasil, bem como na maioria dos países, não há uma regulamentação oficial para produtos cosméticos naturais e orgânicos. Isso ocorre porque o tema é relativamente novo e bastante controverso, ou seja, a definição de “cosmético natural” é muito ampla e tem diversos entendimentos.

     Relativamente aos cosméticos naturais, algumas empresas e alguns consumidores consideram que, para sustentar esse “claim”, os produtos devem ser compostos apenas de matérias-primas de origem natural, salvo raras exceções. Além da origem desses insumos, são avaliados seus processos produtivos. Diversos tipos de processamento químico e físico não são considerados sustentáveis para a fabricação de produtos naturais.4,5

     Há, no entanto, fabricantes que utilizam o apelo de “natural” em seus produtos, mesmo que estes tenham, em sua composição, concentrações mínimas de matérias-primas de origem natural (muitas vezes, concentrações inferiores a 1%). Nesses casos, considera-se que o cosmético apenas explora o “apelo verde”.

      Buscando fazer uma padronização de conceitos, diversas organizações nacionais e internacionais definem regras e padrões próprios, emitindo certificações para produtos cosméticos que atendam aos conceitos estabelecidos. Essas regras levam em consideração desde a origem das matérias-primas até sua toxicidade e sua biodegradabilidade, incluindo suas reações de síntese e os processos de sua produção. Apesar de muitas exclusões serem comuns à maioria das certificadoras, por exemplo, restrições ao uso de determinados conservantes e produtos de origem petroquímica, cada organização tem seu próprio conjunto de normas, que deve ser estritamente seguido pelos fabricantes candidatos à certificação.

     Podemos comparar essa abrangência de possíveis definições a uma escala, na qual em um dos extremos estão os produtos com apelo verde e no outro os produtos regulamentados por certificadoras. O meio dessa escala inclui formulações que são compostas de altas  porcentagens de ingredientes naturais, mas que também possuem matérias-primas sintéticas e/ou de origem não renovável que não têm substitutos equivalentes de origem natural.

Cosméticos veganos

      Da mesma forma que ocorre com os cosméticos naturais e orgânicos, não há um órgão oficial que regulamente os cosméticos veganos. Entretanto, também existem organizações não governamentais que certificam e emitem selos para os produtos que são desenvolvidos respeitando suas regras.

      Diferentemente das definições dos cosméticos naturais, as definições de cosméticos veganos, para as diversas entidades certificadoras, convergem para regras muito parecidas: são considerados cosméticos veganos os produtos que não são testados em animais e cuja composição não inclui matérias-primas de origem animal e/ou que tenham sido testadas em animais.

      Em 30 de novembro de 2009, foi aprovado na Europa o Regulamento (CE) nº 1.223/2009 que, entre outras diretrizes, proíbe a comercialização de produtos cuja formulação final ou cujos ingredientes ou as combinações de ingredientes tenham sido testados em animais.6

      A não realização de testes em animais a partir dessa data costuma ser aceita pelas organizações não governamentais (ONGs) certificadoras, mas algumas regras mais críticas podem exigir que as matérias-primas utilizadas na composição das formulações nunca tenham passado por ensaios em animais. Nesse caso, a gama de insumos disponíveis no mercado se restringe a desenvolvimentos mais recentes.


Principais Certificadoras e Regras

Cosméticos naturais e orgânicos - Cosmetic Organic Standard (Cosmos): referencial europeu privado, que foi desenvolvido conjuntamente por cinco organismos de certificação – BDIH (Alemanha), Cosmebio (França), Ecocert Greenlife SAS (França), ICEA (Itália), Soil Association (Grã-Bretanha) –, com o objetivo de definir requisitos mínimos comuns e padronizar globalmente as regras para a certificação de cosméticos naturais e orgânicos.7

     Para o desenvolvimento de produtos de acordo com o padrão Cosmos, deve-se atentar às diversas exigências relacionadas à origem dos insumos, ao processo produtivo, à sustentabilidade de toda a cadeia, entre outros fatores (Quadro 1). As regras básicas das exigências quanto às matérias-primas, de modo geral, são mostradas no Quadro 2.  

    Para definir se realmente é essa a certificação que o fabricante de cosmético busca, é importante que seja feita uma leitura minuciosa do conjunto de normas do referencial a ser adotado.

     Apesar de ainda ser relativamente pouco difundida no Brasil, a certificação Cosmos é referência em diversos países, principalmente na Europa, e, por esse motivo, é muito interessante para empresas brasileiras focadas em exportação. No Brasil, o número de cosméticos com certificação Cosmos Natural e Cosmos Organic cresce a cada ano, sendo a Ecocert a certificadora que representa o referencial no país.

 - Natrue: é uma associação internacional sem fins lucrativos, criada na Europa em 2007 para promover e padronizar o desenvolvimento de cosméticos naturais e orgânicos mundialmente.8

     Assim como o Cosmos, a Natrue estabelece diversas regras e padrões que devem ser estritamente seguidos pelos fabricantes de cosméticos ao desenvolverem produtos candidatos à certificação. Essas exigências tratam das matérias-primas utilizadas até a fabricação do produto final. De maneira geral, os insumos permitidos na composição são classificados de acordo com o Quadro 3.


     No Brasil, o selo Natrue normalmente é encontrado em produtos importados e produzidos para exportação. Quando o produto é desenvolvido para o mercado brasileiro, geralmente é utilizado o selo do Instituto Biodinâmico (IBD).

 -Instituto Biodinâmico (IBD): maior certificadora da América Latina para produtos orgânicos, o IBD tem grande representatividade no mercado brasileiro e, desde 2014, segue as diretrizes estabelecidas pela Natrue para o desenvolvimento de cosméticos naturais e orgânicos. O IBD e a Natrue estabeleceram um acordo de reconhecimento mútuo, ou seja, produtos brasileiros que são certificados pelo IBD podem receber o selo Natrue quando são exportados e os produtos importados certificados pela Natrue estão aptos a utilizar o selo do IBD.9 

 - Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA): esse departamento não regulamenta o uso do termo orgânico para cosméticos, só o regulamenta para alimentos. Porém, caso o cosmético tenha insumos oriundos da agricultura orgânica em proporção definida pelo departamento, além de ser produzido em instalações certificadas pelo USDA, ele pode receber o selo “orgânico”.

 - ISO 16128: em fevereiro de 2016, a Organização Internacional de Normalização (ISO) lançou a norma ISO 16128, um guia de definições técnicas e critérios para o desenvolvimento de cosméticos naturais e orgânicos, e que oferece um sistema para determinar o conteúdo de compostos naturais dentro de uma matéria-prima e do produto acabado.10

      As definições para ingredientes de acordo com a ISO 16128 são mostradas no Quadro 4.

     Para alguns órgãos certificadores, a ISO 16128 faz considerações controversas, principalmente por não tratar alguns pontos com clareza e assim permitir que sejam feitas diversas interpretações desses pontos. Por ter sido lançada recentemente, é provável que, à medida que vá se tornando mais difundida, a ISO 16128 passe por revisões e atualizações.11


Cosméticos veganos

     Para esse segmento, algumas empresas optam por desenvolver sua própria sinalização para identificar os cosméticos que são livres de testes em animais e/ou de matérias-primas de origem animal. Esses produtos costumam ser identificados pela presença de um selo com a letra V, pelo desenho de um coelho, pela inscrição cruelty-free, ou por qualquer outro símbolo definido pela empresa.

 Ainda assim, existem diversas certificadoras que regulamentam cosméticos com esse apelo. A seguir, estão destacadas duas certificadoras que têm grande representatividade no Brasil:
 

 - Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB): o programa de certificação criado em 2013 pela SVB confere a diversos tipos de produto, como alimentos, cosméticos e itens de higiene, um selo vegano que é bastante reconhecido nacionalmente. O selo vegano da SVB é atribuído a produtos isentos de ingredientes de origem animal em sua composição e cuja empresa que o produziu e cujos fabricantes de seus ingredientes não realizam testes em animais.12

 - People for the Ethical Treatment of Animals (PETA): fundada em 1980 e engajada na causa de proteção dos animais, essa ONG é reconhecida em diversos países e tem dois selos que podem ser atribuídos a produtos cosméticos: o Cruelty-free e o Approved Vegan.13

    O selo Cruelty Free garante que os produtos com esse selo não são testados em animais nem possuem, em sua composição, matérias-primas testadas em animais. Mas atenção: nem todo produto com o selo Cruelty Free é necessariamente vegano, pois pode conter insumos de origem animal (por exemplo, mel e queratina) em sua composição, desde que sua obtenção não tenha causado sofrimento ao animal.

     O selo Approved Vegan certifica que, além de não ter sido testado em animais, o produto também não tem matérias-primas de origem animal. Nesse caso, o produto é considerado vegano.


Principais Desafios no Desenvolvimento de Cosméticos Naturais

     Ao desenvolver um produto cosmético natural, diferentes tipos de desafio são encontrados. A seguir, abordaremos os principais desafios.

 Definir o que a empresa considera “natural” 
      Por causa da falta de legislação no Brasil para produtos cosméticos naturais, no mercado brasileiro, é possível encontrar desde produtos com apelo verde até produtos certificados.

     Por essa razão, o primeiro desafio é definir o posicionamento que a empresa vai adotar. Fazendo novamente a analogia com uma escala, na qual há os produtos com apelo verde no início e os produtos com certificação no final, a empresa precisa definir em qual posição da escala vai se colocar. Dependendo do posicionamento escolhido, diferentes caminhos deverão ser seguidos no desenvolvimento do produto.

     É importante que toda a companhia, principalmente suas áreas de P&D e marketing, esteja alinhada em relação ao posicionamento que for adotado, uma vez que isso influenciará o custo, a complexidade de desenvolvimento, a performance e a comercialização do produto final.

 Restrição de ingredientes

     Ao optar pelo desenvolvimento de um produto que seja de fato natural, a restrição de ingredientes é o próximo desafio a ser superado.

     Corantes sintéticos, fragrâncias sintéticas, polietilenoglicóis (PEGs), quaternários de amônio, silicones, conservantes sintéticos, dietanolamidas e derivados de petróleo são ingredientes cujo uso em produtos naturais é proibido pelos principais órgãos certificadores, por exemplo, pelo Cosmos, pela Natrue e pelo IBD.4,5,9 Dessa forma, a lista de ingredientes permitidos para uso em produtos naturais é mais limitada, dificultando o processo de desenvolvimento de formulações. As principais dificuldades encontradas por causa da proibição de ingredientes são a estabilização e o desempenho dos produtos.

Conservação microbiológica

     O uso dos conservantes sintéticos usados tradicionalmente no mercado de cosméticos, como fenoxietanol (Phenoxyethanol), DMDM hidantoína (DMDM Hydantoin), metilcloroisotiazolinona (Methylchloroisothiazolinone) e metilisotiazolinona (Methylisothiazolinone), é proibido em produtos naturais.

    Para fazer a conservação desse tipo de produto, podem ser utilizados os seguintes compostos: ácido benzoico (Benzoic acid), ácido deidroacético (Dehydroacetic acid), álcool benzílico (Benzyl alcohol), benzoato de potássio (Potassium benzoate), benzoato de sódio (Sodium benzoate), sorbato de potássio (Potassium sorbate) e ácido sórbico (Sorbic acid).

    As especificidades a seguir devem ser consideradas para a utilização desses conservantes. A grande maioria desses conservantes é dependente do pH do meio, ou seja, sua eficácia depende do pH final do produto. A mistura de sorbato de potássio e benzoato de sódio, muito utilizada para a conservação de produtos cosméticos naturais, exige que o pH final da formulação esteja na faixa de 5,0–5,5. Dar atenção especial à qualidade da água utilizada no processo de fabricação dos produtos e ter rigor na aplicação das boas práticas de fabricação são fundamentais quando se trabalha com esses conservantes. O tipo de embalagem também deve ser um ponto de atenção. Quanto menor for o contato do produto com o meio externo, mais protegido ele estará de contaminação microbiológica. Embalagens em potes devem ser evitadas, pois possibilitam maior superfície de contato do produto com o meio externo.

 Performance

      A performance é outro grande desafio encontrado no desenvolvimento de produtos cosméticos naturais. A restrição de ingredientes limita as opções de matérias-primas existentes no mercado e, assim, a eficácia dos produtos finais pode ser prejudicada.

     Em relação às formulações para a pele, há várias opções de matérias-primas aprovadas, com diferentes funções, como: emulsionantes, emolientes, doadores de viscosidade, ativos etc. Dessa forma, com as diversas opções disponíveis no mercado e aprovadas pelos órgãos certificadores, é possível desenvolver produtos naturais para a pele que são tão eficientes quanto os produtos obtidos com matérias-primas de origem sintética.

    No caso dos produtos capilares, a maioria das matérias- primas usuais e eficazes que proporcionam condicionamento e desembaraço é de origem sintética, portanto, essas matérias-primas não são aprovadas pelos órgãos certificadores. Portanto, o desempenho das formulações de produtos capilares naturais será prejudicado quanto a esses requisitos. Produtos de limpeza capilar (shampoos) podem ter formulações eficazes, pois há diversas opções de matérias-primas que são aprovadas.

   Uma reflexão importante a ser feita no desenvolvimento de produtos capilares naturais é se o consumidor está interessado em adquirir produtos naturais que apresentem menor performance em relação aos produtos tradicionalmente conhecidos. Nesse caso, talvez a melhor opção seja utilizar o maior número possível de matérias-primas de origem natural, adicionando à formulação algum percentual de matérias-primas sintéticas para melhorar a eficácia do produto. Referindo-se novamente à analogia com a escala, esses produtos estariam posicionados do meio para o final da escala, sem a possibilidade de serem certificados.

  Custos

     Os custos das matérias-primas de origem natural normalmente são maiores que os das sintéticas. Estima-se que ocorra aumento de 50% ou mais no custo de fabricação de produtos naturais ou orgânicos.14

     Propomos aqui outra reflexão: O consumidor está disposto a pagar mais caro por produtos naturais e/ou orgânicos?


Soluções para o Desenvolvimento

     Para que os desafios anteriormente mencionados sejam atingidos, os fabricantes de matérias-primas buscam a adequação de seus portfólios, por meio da introdução de um maior número de matérias-primas de origem natural aprovadas pelos órgãos certificadores.

     Para verificar se uma matéria-prima é ou não aprovada, devem ser realizadas pesquisas nos sites das certificadoras. Vale salientar que, para certificar um produto cosmético, deve-se informar ao órgão certificador quais são as matérias-primas utilizadas pelo nome comercial, pois a aprovação desse produto depende de diversos fatores, como origem das matérias-primas, processo de fabricação e cadeia produtiva.

     Existem diversos fabricantes de matérias-primas que têm amplo portfólio de matérias-primas naturais certificadas, proporcionando aos formuladores flexibilidade no desenvolvimento de formulações naturais. Na lista desses produtos aprovados, encontram-se: emolientes, emulsionantes, doadores de viscosidade, tensoativos, agentes condicionadores, proteínas etc.

     Emolientes são fundamentais em formulações cosméticas para o tratamento da pele e dos cabelos, pois conferem emoliência e são responsáveis pelo toque e pela espalhabilidade dos produtos. Quando se utiliza uma combinação de emolientes de baixa, média e alta espalhabilidade, obtém-se o efeito denominado “cascata de emolientes”, que proporciona sensação mais prazerosa ao consumidor durante a aplicação do produto.15 Listamos a seguir alguns emolientes aprovados pelos principais órgãos certificadores e que correspondem a ótimas opções de escolha para o desenvolvimento de formulações naturais.

   - Emolientes de baixa espalhabilidade: Cegesoft PS6 (Olus Oil) e Cegesoft PFO (Passiflora incarnata Seed Oil);

   - Emolientes de média espalhabilidade: Myritol 318 (Caprylic/ Capric Triglyceride) e Eutanol G (Octyldodecanol);

   - Emolientes de alta espalhabilidade: Cetiol CC (Dicaprylyl Carbonate) e Cetiol Ultimate [Undecane (and) Tridecane].

     A lista de tensoativos aprovados para uso em produtos naturais também é extensa. Constam dessa relação:

   - Tensoativo aniônico: Texapon K 12 G (Sodium Lauryl Sulfate);

   - Tensoativos anfóteros: Dehyton AB 30 (Coco-Betaine) e Dehyton PK 45 (Cocamidopropyl Betaine);

    - Tensoativos não iônicos: Plantacare 818 UP (Coco- Glucoside), Plantacare 2000 UP (Decyl Glucoside) e Plantacare 1200 UP (Lauryl Glucoside).

     A mistura dos diferentes tipos de tensoativo proporciona o desenvolvimento de produtos cosméticos naturais para limpeza suave e com espumação adequada para o mercado brasileiro.

   Para os produtos em emulsão, há várias opções de emulsionantes aprovados, que são mencionados a seguir. Nesses produtos, podem ser utilizados tanto emulsionantes óleo em água – Eumulgin VL 75 [Lauryl Glucoside (and) Polyglyceryl-2 Dipolyhydroxystearate (and) Glycerin] e Emulgade Sucro Plus [Sucrose Polystearate (and) Cetyl Palmitate] –, quanto emulsionantes água em óleo, como o Dehymuls PGPH (Polyglyceryl-2 Dipolyhydroxystearate)

     No caso de matérias-primas doadoras de viscosidade, há diversas opções aprovadas. A mistura de diferentes tipos de doadores de viscosidade é importante para auxiliar a estabilização das formulações, além de conferir diferentes texturas aos produtos. Na lista de produtos doadores de viscosidade aprovados estão: Cutina CBS [Glyceryl Stearate (and) Cetearyl Alcohol (and) Cetyl Palmitate and Cocoglycerides], Cutina GMS V (Glyceryl Stearate), Lanette 16 (Cetyl Alcohol), Lanette O (Cetearyl Alcohol) etc.

    A lista de matérias-primas orgânicas certificadas é extensa, mas no Brasil ainda não há oferta suficiente desses produtos. Por esse motivo, é possível observar que a classe de produtos cosméticos orgânicos ainda é muito limitada no país.

    Com relação aos produtos veganos, considerando que os requisitos necessários para a utilização de matérias-primas são: não terem origem animal e não terem sido testadas em animais, a oferta de matérias-primas é ampla. É possível desenvolver produtos veganos a custos equivalentes aos de produtos tradicionais não veganos e com a mesma eficácia destes.


Considerações Finais

    Conforme foi apresentado neste artigo, a demanda por cosméticos naturais, orgânicos e veganos apresenta forte tendência de crescimento. Para que os fabricantes de matérias-primas e de produtos acabados estejam aptos a atender às expectativas desse mercado emergente, é importante, primeiramente, que entendam os principais conceitos envolvidos nesses produtos e as regras que deverão ser cumpridas para suas possíveis certificações. Existem ainda muitos desafios a ser enfrentados no desenvolvimento de produtos que sejam de fato naturais e orgânicos (certificados), porém os fornecedores de matérias-primas e os formuladores cosméticos devem estar sintonizados em uma busca conjunta das soluções tecnológicas que atendam às expectativas dessa classe especial de consumidores.


Referências

1. Euromonitor. Competitive Strategies in Beauty and Personal Care. On-line. Disponível em: http://www.portal.euromonitor.com/portal/analysis/permalink?PermalinkId=200109. Acesso em: 21/3/2019

2. Cosmetic Innovation. Maior interesse dos consumidores sobre os impactos ao meio ambiente e à saúde cria novas da beleza. On-line. Disponível em: https://www.cosmeticinnovation.com.br/crescimento-dos-cosmeticos-naturais-organicos-veganos-e-eticos-e-tendencia-irreversivel/oportunidades e desafios para a indústria. Acesso em: 21/3/2019

3. Grand View Research. Vegan Cosmetics Market Size Worth $20.8 Billion By 2025 | CAGR 6.3%. On-line. Disponível em: https://www.grandviewresearch.com/press-release/global-vegan-cosmetics-market. Acesso em: 21/3/2019

4. Cosmos-Standard. Manual de Controle Referencial COSMOS Requisitos para acreditação e certificação, Versão 3. Brussels, 2018

5. Natrue. Natrue Label: requirements to be met by natural and organic cosmetics, Version 3.7. Brussels, 2017

6. Oficial Journal of the European Union. Regulation (EC) no 1223/2009 of the European Parliament and of the Council. On-line.

Disponívelem:https://ec.europa.eu/health/sites/health/files/endocrine_disruptors/docs/cosmetic_1223_2009_regulation_en.pdf. Acesso em: 20/3/2019

7. Ecocert. Referencial Cosmos para Cosméticos Naturais e Orgânicos. On-line. Disponível em: http://www.brazil.ecocert.com/referencial-cosmos-para-cosmeticos-naturais-e-organicos/index.html. Acesso em: 15/3/2019

8. Natrue. Who we are. On-line. Disponível em: http://www.natrue.org/who-we-are/. Acesso em: 21/3/2019

9. IBD. IBD, maior certificadora brasileira, e a Europeia Natrue firmam acordo que vai impulsionar o mercado de cosméticos orgânicos e naturais. On-line. Disponível em: http://ibd.com.br/pt/Noticias-Detalhes.aspx?id_conteudo=146. Acesso em: 21/3/2019

10. Associação Brasileira de Cosmetologia. ISO 16128 define ingredientes naturais e orgânicos. On-line. Disponível em: http://www.abc-cosmetologia.org.br/iso-16128-define-ingredientes-naturais-e-organicos/. Acesso em: 19/3/2019

11. Ecocert. Statement on ISO 16128. On-line. Disponível em: http://www.ecocert.com/sites/default/files/u3/COSMOS_statement_on_ISO_16128_140416.pdf. Acesso em: 19/3/2019

12. SVB. Selo Vegano. On-line. Disponível em: https://www.selovegano.com.br/. Acesso em: 20/3/2019

13. PETA. Cruelty-free & Vegan Living & Lifestyle. On Line. Disponível em: http://www.peta.org. Acesso em: 20/3/2019

14. Prospector. The challenge of natural cosmetics. On-line. Disponível em: https://knowledge.ulprospector.com/5138/pcc-challenge-natural-cosmetics/. Acesso em: 21/3/2019

15. Flor J. Produtos com proteção solar: escolha correta de ingredientes, Cosm & Toil (Brasil) 26(5):46-51, 2017

 

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