Antienvelhecimento não é só Redução de Rugas

P Bedos, C Leduc, C Darnez
Laboratoires Dermscan, França
K Lintner
KAL’Idées, França

 

Por que os Consumidores usam Cosméticos?    

Materiais e Métodos 
   

Resultados: in vitro  
 

Resultados: Estudos Clínicos 

Discussão e Conclusões  

Referências

 

artigo publicado na revista Cosmetics & Toiletries Brasil, Nov/Dez de 2017, Vol. 29 Nº6  (pág 34 a 39)

     Não se passa um dia em que não deparamos com artigos, entrevistas ou propagandas contendo o termo “bem-estar”, que, muitas vezes, está ligado a uma mensagem motivando o consumidor a comprar, a realizar uma atividade, a seguir uma dieta etc.1 Os governos são cobrados para se comprometerem com o bem-estar de seus governados; o termo bem-estar está presente, até mesmo, na definição de saúde feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1948, embora a própria OMS não tenha definido o que ela entende por bem-estar.2 Já a definição de bem-estar encontrada no Random House Dictionary é um tanto redundante: “uma condição de existência boa ou satisfatória, um estado caracterizado por saúde, felicidade e prosperidade.”3

     Considerando que essa tendência cada vez tem maior força e impacto sobre as escolhas dos consumidores, a indústria de cosméticos não tem como ignorar esse fato. Na verdade, o bem-estar e o uso de produtos cosméticos já andam de mãos dadas há décadas, com apelos e promessas mais ou menos explícitos. Por exemplo, um slogan do creme Happyology Issima, da Guerlain declara: “Sua pele nunca fica tão radiante como quando você está feliz”. Esse seria um bom exemplo, exceto por um fato: Como você vai conseguir provar esse tipo de afirmação? Talvez essa afirmação seja um tipo de “bravata” que não precisa de comprovação científica, mas, em uma época de cosméticos baseados em provas4 e mesmo de “felicidade empacotada”, esse tipo de apelo exige comprovação para que tenha algum impacto.

     “Esperança empacotada” é um termo pejorativo atribuído aos benefícios mais ou menos indefinidos conferidos os cremes e às loções antienvelhecimento, sugerindo que esses produtos retardariam ou parariam o envelhecimento, ou, até mesmo, “fariam o relógio voltar para trás”.

     Isso nos leva à primeira pergunta sobre “antienvelhecimento”: Queremos, mesmo, proteger contra o envelhecimento rápido, isto é, ter uma abordagem preventiva? Ou queremos reparar os danos causados pelo envelhecimento, ou seja, ter uma abordagem de tratamento?

     Nos últimos 30 anos, a indústria cosmética presenciou o desenvolvimento de centenas de ingredientes “ativos” que prometem certos benefícios, sejam preventivos, sejam curativos. Esses ingredientes vão desde vitaminas até AHAs, desde ceramidas até lipossomas, desde isoflavonas até antioxidantes e resveratrol, desde retinol até peptídeos projetados. Durante esse período, os conceitos, os mecanismos documentados e os resultados de estudos clínicos in vitro também foram se tornando mais complexos, sofisticados e, possivelmente, com eficácia marginal, mas, na verdade, sem conseguirem revolucionar essa área. Portanto, temos todo o direito de nos perguntar: Por que os consumidores ainda compram (e usam) produtos cosméticos?


Por que os Consumidores usam Cosméticos?

     Há um número crescente de publicações examinando a resposta a essa questão, bem como um comportamento de compra de bens de consumo descritos como “cosméticos” e/ou “maquiagem”. Cabe destacar, como um adendo, que, por diferentes motivos, estudos acadêmicos têm se interessado por aquilo que, nos Estados Unidos, recebe o nome de “cosmético”, ou seja, cosméticos de cor ou maquiagem. Contudo, a diferenciação entre esta e outras categorias de produtos de cuidado pessoal, como cuidados com a pele, com o corpo, com os cabelos etc., não é precisa e diferentes respostas à pergunta feita anteriormente também são válidas para esses produtos e para essas subcategorias de antienvelhecimento, hidratação, antirrugas, fixadores etc.

     Algumas perguntas que estão em um blog são:6 “Por que fazem isso? Ou seja, por que as mulheres vão às compras, adquirem e usam cosméticos? Será que compram cosméticos por serem produtos úteis ou por que eles as fazem sentir-se bem? ”.

     A resposta dada foi: “Nós, mulheres, compramos e usamos maquiagem porque [os blogueiros] mandaram”. Foi pedido a elas que classificassem os motivos de usarem cosméticos. Em alto e bom som, as mulheres responderam: “Para sentir-me bem comigo mesma”, como o motivo principal.

     Ainda sobre o mesmo tema, a pesquisa de Apaolaza-Ibañez et al. demonstrou7 que tanto o aspecto emocional quanto o aspecto de utilidade das marcas de cosméticos têm impacto significativo na satisfação dos consumidores – mas o componente emocional é o que tem maior efeito. “A sensação de bem-estar obtida ao eliminar ou reduzir os sentimentos de medo ou culpa, é o fator com maior impacto”, segundo os autores.8

     Em seu livro Hope in a jar (Esperança em um frasco, em tradução livre)9, a historiadora Kathy Peiss demonstra como as mulheres, longe de serem manipuladas ou vítimas, usavam maquiagem para declarar sua liberdade, sua identidade e seu posicionamento sexual quando decidiram entrar para a vida pública.

     A seguir, há um trecho do livro (em tradução livre): ”Atualmente, as possibilidades de transformação pelos cosméticos, muitas vezes, é menosprezada como se fossem uma ilusão (“esperança em um frasco”) que apenas disfarça o fato de que existe uma opressão sobre as mulheres. Na verdade, as mulheres sabiam – como sabem hoje – exatamente o que estão comprando. [...] Elas relataram seu prazer em se embelezar – com cremes e pequenas coisas que as tornam sensuais, com a profusão de cores, o toque das mãos... Na verdade, os prazeres da fantasia e o desejo de serem parte integrante do produto ...”.

     Na Harvard Business Review de 1º de maio de 2010, M. Silverstein e K. Sayre declararam que os produtos e os serviços de beleza geram sensação de bem-estar emocional nas mulheres.10

     Devan et al. estudaram e quantificaram o impacto dos cosméticos sobre a idade percebida em uma primeira impressão,11 para investigar seus efeitos psicossociais e estéticos. Ao quantificar objetivamente e qualificar os benefícios da aplicação de maquiagem cosmética, os autores concluíram que ela pode reduzir a idade percebida, melhorar a primeira impressão projetada, e elevar a autoestima das pessoas que a usam.

     Embora possam ser citados muitos outros estudos e tópicos, um trecho do livro Just ask a woman (É só perguntar a uma mulher, em tradução livre), de Mary Lou Quinlan,12 Dan Brestle, ex-presidente da empresa Estée Lauder, diz tudo: “Em nosso ramo de negócios existe uma paixão e um entendimento do negócio que somente as mulheres podem ter. A emoção de comprar um batom é algo incompreensível para a maioria dos marketeiros. Isso faz você se sentir bem. Em nosso ramo, mulheres são mais imbuídas de conhecimento; elas percebem profundamente como um produto funciona; e são apaixonadas por seus produtos. Adoram usá-los”.

     Resumindo: Sim, apelos antienvelhecimento baseados em ingredientes ativos específicos ou genéricos, como retinol, peptídeos, polifenóis etc., são necessários e úteis para a comercialização de produtos cosméticos para cuidados com a pele, com o corpo e, cada vez mais, com os cabelos. Contudo, não há fatores mais importantes que não sejam aqueles que influem na satisfação do consumidor em relação aos produtos que compram. Os aspectos hedônicos, como o prazer de usar os produtos, o bem-estar por eles proporcionado e as melhoras psicológicas obtidas com o uso dos produtos são, verdadeiramente, motivadores.

     Além disso, a indústria de cosméticos reconhece, com crescente conscientização, que certos apelos, como o de bioatividade complexa de proteção do DNA do estímulo da telomerase, os “–ômicos” de todos os tipos e as promessas difusas de redução de rugas e recuperação da pele têm perdido a credibilidade e o interesse dos consumidores. Na verdade, a maioria dos usuários não tem o conhecimento sufi ciente para entender esses conceitos e mecanismos. Portanto, que mensagens alternativas as marcas podem apresentar? Quem sabe, a nova linguagem da publicidade poderia ser: “Este produto ajuda a reduzir ... (rugas, manchas, hiperpigmentação, flacidez, etc.), tudo para melhorar sua autoconfiança, sua afirmação social e seu bem-estar geral em X%”. Nesse caso, as diferenças dos produtos ficariam por conta da quantificação dos apelos, o que, até hoje, nunca ninguém conseguiu medir de maneira realmente comprovada.

     Assim, o objetivo deste trabalho foi demonstrar melhores parâmetros de “bem-estar” e (auto)percepção, com base em resultados quantitativos atingidos por um novo ingrediente, e determinar se esses resultados estariam coerentes com a abordagem mais clássica de estudos in vitro e de estudos clínicos instrumentais.


Materiais e Métodos

     A centciamina13 (Figura 1) é um alcaloide presente nas sementes da planta conhecida na Europa como fidalguinho ou centáurea ou escovinha (Centaurea cyanus). Esse composto vem sendo usado há anos, por suas propriedades anti-inflamatórias. A amostra estudada nos testes descritos foi considerada uma substância pura, perfeitamente caracterizada e segura.

 Estudos in vitro

     Foram realizados testes exploratórios in vitro com várias concentrações de centciamina, usando tecnologia qPCR microfluídica (Fluidigm Corp., South San Francisco, CA, EUA) para filtrar a modulação genética em fibroblastos da derme humana normal. A miniaturização do sistema levou ao desenvolvimento de um chip que possibilita a análise de 96 condições vs. 96 genes. Esse chip integra genes que abrangem toda a gama de atividades da pele, incluindo o gene Klotho KL, para longevidade da pele e produção de citocinas inflamatórias IL-6, IL-8, além de COX-2. O estímulo da síntese da proteína Klotho foi confirmado pela coloração de imunofluorescência e pela dosagem, feita por softwares (Fiji, University of Wisconsin-Madison, Madison WI, EUA; Array Scan, Thermo Fisher, Walthon MA, EUA).

     A produção de colágeno e elastina de células jovens e a de células senescentes foram comparadas, usando a mesma tecnologia. Células pré-senescentes foram definidas como células de neocultura que se multiplicam em 13 vezes até serem diminuídas as expressões da Lâmina B1, indicando estado de pré-senescência. A proliferação de células de fibroblastos da derme humana normal (NDHF) foi acompanhada por mais de 56 dias, e a contagem de células foi comparada entre as culturas tratadas e as não tratadas.

 Estudos clínicos instrumentais

     Foram realizados vários protocolos in vivo com 60 mulheres com idades entre 45 e 65 anos (média = 56 anos). Foram escolhidas voluntárias com pele seca e sensível e com vermelhidão difusa na pele da face. Trinta voluntárias usaram uma fórmula placebo e outras trinta utilizaram um creme que continha centciamina. Os produtos foram aplicados duas vezes por dia. Foram feitas avaliações fotográficas (Visia System, Canfi eld, Parsippany NJ, EUA), e as alterações da vermelhidão da pele foram classificadas entre os dias 1 e 56, levando em consideração seu tamanho, sua área e sua intensidade. Foram feitas medições de isotropia da pele (3D Primos Little system, Canfield, Parsippany NJ, EUA) e das características de efeito de reestruturação e de firmeza da pele (Dynaskin-DermaTOP, Eotech, Marcoussis, França), antes e depois de 56 dias de tratamento. Os parâmetros estudados foram a superfície e a profundidade média da deformação da pele.

 Avaliações subjetivas

     Cada participante do painel recebeu instruções para avaliar sua pele, como primeira tarefa do dia, pela manhã, diante do espelho, dia sim, dia não, pelos 56 dias do estudo, usando três descritores: homogeneidade da pele, radiância e conforto. As participantes deram notas aos descritores que variavam da nota 0 = muito fraco até a nota 10 = muito forte. No dia 0 do estudo, todas as voluntárias preencheram um questionário de autoavaliação sobre qualidade de vida/bem-estar, referido como EMMBEP (escala de mensuração demonstrando o bem-estar psicológico).14 Assim, cada uma descreveu, mais ou menos, seu estado de bem-estar respondendo a 47 perguntas com notas que variavam de 0 (“nunca”) até 5 (“quase sempre”). A partir dessas notas foi calculada uma classificação de 0 a 100. Deve-se destacar que o questionário EMMBEP, de nenhuma forma, refere-se ao tratamento cosmético nem aos parâmetros sensoriais e hedonísticos dos cremes.

     Os dados foram analisados por sua significância estatística aplicando o teste t de Student para dados pareados. A normalidade foi aferida pelo método de Shapiro-Wilk (a = 0,01). Notar que os testes foram realizados nos meses de novembro e dezembro, meses de inverno no hemisfério norte.


Resultados: in vitro

 Gene Klotho

     A centciamina elevou a expressão do gene Klotho nos fibroblastos dérmicos. O estímulo chegou a 244% em comparação com o controle (Figura 2). Essa ativação do gene Klotho também foi confirmada em nível de proteína, em que a centciamina elevou a síntese do Klotho em 44% em relação ao controle. Como era de se esperar de uma proteína secretada e localizada em membrana, o gene Klotho foi observado ao redor dos núcleos e no retículo endoplasmático.

 NHDF

     A proliferação dos fibroblastos dérmicos humanos naturais (NHDF) foi levemente reduzida pelo tratamento com centciamina (dados não exibidos), embora não tenha sido observada diferença morfológica entre os fibroblastos tratados e os não tratados, sem que tenha havido citotoxicidade aparente.

 Matriz dérmica

     Nos fibroblastos pré-senescentes sem tratamento, as taxas de síntese de colágeno I e de elastina foram reduzidas em 16% e 22%, respectivamente, em comparação com as células jovens. No entanto, nas células NHDF pré-senescentes tratadas com centciamina, a expressão das duas proteínas foi mantida nos níveis encontrados nas células jovens (Figura 3). Portanto, o tratamento com centciamina preservou as células das reduções de colágeno I e a da síntese de elastina, induzidas pela idade (Figura 4).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
Atividade suavizante

     A exposição da pele ao estresse externo pode levar à expressão de mediadores de inflamação e à subsequente irritação. A inflamação pode propagar-se e afetar células dérmicas, resultando em inflamação crônica, ou inflamação senil.15 A expressão de COX-2 também aumenta com a idade e contribui para o envelhecimento da pele. Considerando a citocina basal e a expressão do gene prostaglandina como sendo 100% nas células não tratadas, porém, a centciamina em concentração de 3ppm reduziu a expressão de IL-6, IL-8 e CIOX-2, nos fi broblastos dérmicos, em 55%, 56% e 64%, respectivamente (Tabela 1).

     Esse resultado confirma a existência de efeito anti-inflamatório de preparações contendo Centaura cyanus. Na verdade, há muitos anos, infusões desse vegetal têm sido prescritas em casos de irritação dos olhos e pálpebras, e para combater conjuntivite e inflamação da pele.

     Resumindo, nos testes in vitro, esse ingrediente ativo, descoberto em extratos de fidalguinho por Sarker et al.,16 foi considerado um reforçador da síntese da proteína Klotho. Essa proteína retarda as taxas de proliferação e assegura a homeostase celular. Também regula vários sinais de crescimento, por um lado, limitando a expressão da lâmina B1 (dados não exibidos) e dando suporte à síntese da matriz proteica da derme (colágeno I e elastina) e, por outro, até mesmo nas células senescentes. Esses caminhos resultam na proteção e na extensão da viabilidade celular. Além disso, a centciamina inibiu os mediadores de inflamação envolvidos no processo de envelhecimento. Foi por causa desses efeitos protetores contra os sintomas do envelhecimento que os cientistas passaram a chamar o gene Klotho de “hormônio da juventude”.


Resultados: Estudos Clínicos

     Apesar das influências climáticas (ou seja, das condições do tempo de inverno), que degradaram a firmeza da pele no grupo do placebo, foi constatada uma diferença estatisticamente significativa (p< 0,006) na evolução desse parâmetro, entre os dois grupos, pois a elasticidade da pele foi mantida no grupo que recebeu tratamento (Figura 5).

     Os dados sobre a firmeza da pele (3D Primos Little system) também mostraram melhor isotropia da pele, nas voluntárias tratadas com centciamina, e degradação dessa característica no grupo do placebo (p=0,057) (dados não exibidos).

     As fotos (Visia System) mostraram melhor homogeneidade do tom da pele no período do estudo, pois as manchas avermelhadas foram visível e significantemente reduzidas no grupo tratado em comparação com o grupo do placebo (Figura 6). Porém, o mais importante é que esses resultados instrumentais estavam refletidos nas classificações de autopercepção das voluntárias, com nítida vantagem do creme verdadeiro sobre o creme placebo (Figura 7). São mostradas as notas das 30 classificações dadas a cada dois dias pelas voluntárias dos dois grupos. As consumidoras conseguiram notar claramente os benefícios de usar o creme do teste. Foi alcançada uma diferença estatística entre os dois grupos (p< 0,05) por volta do dia 34, embora, ao longo do tempo, a diferença entre os dois grupos tenha sido reduzida por motivos ainda não examinados. As explicações podem incluir clima, estresse causado pela época de festas, etc.

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     

 

 

 

     Finalmente, o questionário EMMBEP mostrou melhoras nos parâmetros de autoestima, felicidade, sociabilidade e nos escores gerais. As voluntárias que usaram o creme do teste, ao contrário das que usaram o creme placebo, avaliaram que estavam mais felizes (+50), mais em paz (+60), mais comprometidas (+80) e mais estáveis na sociedade (+20) e com maior bem-estar geral (+30). Esses resultados foram notados especialmente no grupo de voluntárias que teve melhores resultados na redução da vermelhidão (40% das participantes). Portanto, os autores confirmaram uma interessante correlação entre os escores de bem-estar, as observações instrumentais, a autoavaliação e, indiretamente, os dados mecânicos do estudo in vitro (Tabela 2 e Figura 8).


Discussão e Conclusões

     Este estudo apresenta dados in vitro demonstrando que um novo ingrediente, a centciamina, tem propriedades que ajudam a explicar observações de dados clínicos, ou seja, a queda dos marcadores inflamatórios, o retardo do surgimento da senescência e a elevação da expressão do gene e na síntese da proteína Klotho. As medições instrumentais em 60 voluntárias demonstraram, mais uma vez, maior resiliência da pele tratada com centciamina (30 participantes) contra agressores externos, com manutenção da elasticidade da pele e melhor perfil de resistência e de redução de vermelhidão e irritação.

     Além disso, as participantes puderam observar resultados detalhados da avaliação subjetiva de suas próprias faces, de maneira coerente e contínua. Pela primeira vez, um estudo desse tipo foi acompanhado pela aplicação de um questionário validado de bem-estar, preenchido antes e depois do período do estudo. As mudanças indicaram melhores escores de bem-estar que acompanharam melhoras nas características da pele da face.

     Contudo, há um velho ditado entre os estatísticos que diz que “correlação não significa causalidade”18, e este estudo não está sugerindo que a substância centciamina, sozinha, induz sentimentos de bem-estar no cérebro, mesmo sabendo-se que a elevação dos níveis circulantes da proteína Klotho está correlacionada com a redução dos sintomas de estresse.

     Estudo recente forneceu a primeira evidência desse fato. Especificamente, o estudo diz que a quantidade de Klotho presente na circulação sanguínea de uma pessoa é sensível às influências ambientais, especialmente a estressores psicossociais crônicos. Esse dado revelou que, nesse estudo, mulheres sob estresse crônico apresentavam níveis significantemente baixos de Klotho em comparação com controles com baixo estresse; destaque-se que as taxas de redução eram dependentes da idade e relacionadas aos estados de bem-estar.19

     Embora os aspectos de prazer (hedônicos) de usar um produto cosmético possam ser medidos e se concentrar nas sensações imediatas, como experiências sensoriais, os benefícios psicológicos de longo prazo da formulação de cosméticos de qualidade exigem abordagens diferentes. Os resultados do presente trabalho sugerem um novo caminho para a pesquisa e o marketing dos cosméticos. Os novos métodos sensoriais, percepcionais e neurocientíficos usados para demonstrar os benefícios de cosméticos percebidos pelo consumidor são mais subjetivos e psicológicos. Por isso, podem basear-se em ingredientes visados especificamente e em métodos de medição originais e pertinentes.


Referências

1. S Pitmann. What does the cosmetics industry do for Europe? Cosmetics Design Erope, 21/6/2016. Disponível em: www.cosmeticsdesign-europe.com/Business-Financial/ What-does-the-cosmetics-industry-do-for-Europe. Acesso em: 2/9/2016

2. Constitution of the World Health Organization, International Health Conference, New York, Offi cial Records of the World Health Organization, 1946

3. Well-Being. Dictionary.com. Disponível em: www.dictionary.com/browse/well-being. Acesso em: 20/6/2016

4. Establishment of Japan Evidence Based Cosmetics Association.Disponível em: http://ebcjapan.com/pdf/ebchossoku-en.pdf. Acesso em: 2/9/2016

5. Lecigel, Lucas Meyer Cosmetics. Disponível em: www.lucasmeyercosmetics.com/en/products/product. php?id=72. Acesso em: 2/9/2016

6. C Medenwald. A cosmetics primer: 500 women talk makeup shopping, usage [survey], Field Agent 22/9/2015. Disponível em: http://blog.fieldagent.net/a-primer-on-cosmetics-500-women-talk-makeupshopping-usage-survey. Acesso em: 2/9/2016

7. Apaolaza-Ibañez, P Hartmann, S Diehl, R Terlutter. Women satisfaction with cosmetic brands: the role of dissatisfaction and hedonic brand benefits, African J Business Mgmt 5(3):792-802, 2011

8. Do we buy cosmetics because they are useful or because they make us feel good? Science Daily, 22/6/2011. Disponível em: www.sciencedaily.com/releases/2011/07/110721095846.htm. Acesso em: 2/9/2016

9. K Peiss. Hope in a jar: the making of America’s beauty culture, University of Pennsylvania Press, 2011

10. MJ Silverstein, K Sayre. The female economy, Harvard Business Review, setembro 2009. Disponível em: https://hbr.org/2009/09/the-female-economy. Acesso em: 2/9/2016

11. SH Dayan, K Cho, M Siracusa, S Gutierrez-Borst. Quantifying the impact cosmetic makeup has on age perception and the first impression projected, J Drugs Dermatol 14(4):366-74, 2015

12. ML Quinlan. Just ask a woman: cracking the code of what women want and how they buy, John Wiley & Sons, Inc., Hodoken, NJ, 2003

13. An extract rich in centcyamine in hydroglycolic solution is sold as Clotholine, Syntivia S.A.S., França

14. R Massé, C Poulin, C Dassa, J Lambert, S Bélair, A Battaglini. The structure of mental health: Higher-order confi rmatory factor analyses of psychological distress and well-being measures, Social Indicators Res 45:475-504, 1998c

15. C Franceschi, J Campisis. Chronic inflammation (inflammaging) and its potential contribution to age-associated diseases, J of Gerontology 69 Suppl1:S4-9 2014, doi: 10.1093/gerona/glu057

16. SD Sarkera, A Lairda, L Naharb. Indole alkaloids from the seeds of Centaurea cyanus (Asteraceae), Phytochemistry 57:1273–1276, 2001

17. H Kurosu et al. Suppression of aging in mice by thehormone Klotho, Science 309(5742):1829–1833, 2005 doi:10.1126/science.1112766

18. J Aldrich. Correlations genuine and spurious in Pearson and Yule, Statistical Science 10(4):364–376, 1995

19. AA Prather et al. Longevity factor Klotho and chronic psychological stress, Translational Psychiatry 5 e585, 2015

                                  Publicado originalmente em inglês, Cosmetics & Toiletries 131(8):22-34, 2016.

 

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