Tricologia

Tricologia animal

Novembro/Dezembro 2018

Valcinir Bedin

colunistas@tecnopress-editora.com.br

Valcinir Bedin

A pele dos nossos animais domsticos no tem as mesmas caractersticas que a pele dos seres humanos. Ela no histologicamente igual nas diferentes espcies animais. Muito do que se sabe sobre a morfologia da pele humana no pode ser aplicado para ces e gatos. Dessa forma, o conhecimento dos aspectos histolgicos bsicos da pele nas diferentes espcies se faz necessrio para todo profissional que pretende formular para estes seres. Alm disso, o reconhecimento das principais semelhanas e diferenas estruturais da pele em diferentes regies do corpo desses animais fundamental para o exerccio da boa formulao para pele e pelos dos nossos pets.

Ces e gatos possuem folculos pilosos compostos, formados por vrios folculos pilosos primrios e secundrios. Pelos primrios emergem em poros separados, ao contrrio dos pelos secundrios, que emergem em poros comuns.

Em mdia, h de 5 a 20 pelos secundrios para cada pelo primrio em ces e gatos. Esses pelos secundrios rodeiam os primrios. Alguns folculos pilosos compostos possuem de dois a cinco pelos primrios com um grande pelo primrio central.

Em carnvoros, excetuando-se seus filhotes, h sempre mltiplas hastes foliculares na altura do infundbulo. Isso difere dos folculos pilosos da maioria dos herbvoros e onvoros, nos quais h apenas uma haste folicular no interior do infundbulo. Os folculos primrios possuem uma glndula sudorpara apcrina, uma glndula sebcea e um msculo eretor do pelo; os folculos secundrios podem possuir apenas glndula sebcea.

Nos humanos, encontramos aproximadamente 5 milhes de folculos espalhados por todo o corpo, exceo das plantas e palmas, pequenos lbios vaginais, glande peniana e regio sub-ungueal. Nos ces e gatos, os folculos pilosos esto distribudos por quase toda a pele, menos nos coxins e no plano nasal, a quantidade e o tamanho desses folculos so muito variveis. Folculos pilosos maiores, por exemplo, so vistos na face e na extremidade distal dos membros.

Os pelos possuem trs regies distintas: a cutcula, o crtex e a medula. A cutcula uma monocamada de clulas ceratinizadas e anucleadas que se interdigitaliza com a cutcula da bainha radicular interna.

O crtex formado por vrias camadas de clulas fusiformes e ceratinizadas que contm ceratina dura. A medula formada por fileiras de clulas cuboides ou clulas achatadas, que, de acordo com a regio, podem estar separadas por varivel quantidade de ar.

A medula dos pelos secundrios mais estreita que a dos pelos primrios, e sua cutcula mais saliente. A cor do pelo dada principalmente pela quantidade e distribuio dos diferentes tipos de melanina no crtex.

Nos humanos, chamamos de pelos especializados aqueles encontrados em regies periorificiais, como os clios, por exemplo. Nos animais, so encontrados dois tipos especializados de pelos tteis na pele dos mamferos: os pelos sinusais e os pelos tilotrquios. Ambos servem como tpicos rgos de toque. Os folculos sinusais, dos quais emergem os pelos sinusais, so encontrados no focinho, nos lbios, nas plpebras e na regio crpica. Nessa ltima regio, os pelos sinusais so vistos como pequenos tufos de cinco ou seis pelos rgidos.

Com relao s partes importantes do pelo, do ponto de vista de produtos, a que mais nos interessa a cutcula. Sabemos que penteabilidade e brilho so atributos de uma cutcula ntegra. O brilho dado pela quantidade de luz refletida. Cutculas alteradas no refletem adequadamente a luz, o que nos leva a necessitar de produtos que faam essa correo.

Assim como nos humanos, os pelos dos animais tm uma funo de proteo e de ampliao da dimenso corporal, devendo, portanto, ser assim avaliados na hora dos cuidados que vamos ter com eles. O hbito de raspar os pelos, do ponto de vista cientfico, muito ruim, pois estamos tirando essas funes deles. Aparar os pelos eventualmente e usar produtos que amaciem ou deem mais brilho a eles pode e deve ser um hbito saudvel.

Como falei anteriormente, a pele dos animais, apesar das semelhanas com a dos humanos, tem caractersticas prprias, que devem ser levadas em considerao na hora da formulao.

Princpios ativos usados em produtos para humanos podem sim ser utilizados em produtos para uso animal, mas suas concentraes certamente sero distintas, e a cabe uma mxima da medicina na qual se diz que voc pode tratar um adulto como uma criana, mas nunca deve tratar uma criana como adulto! Isso vale tambm quando falamos de animais de estimao, em relao a sua pele e seus pelos. O ideal que, sempre que houver alguma dvida, o profissional consulte um veterinrio especialista no assunto para esclarecer o que ser melhor para nossos amiguinhos!



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