Mercado

O reflexo da taxa de fecundidade no mercado

Novembro/Dezembro 2018

Carlos Alberto Pacheco

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Carlos Alberto Pacheco

Assim comea o resumo executivo da Dra. Natalia Kanem, Diretora Executiva da Unfpa, o Fundo de Populao das Naes Unidas: A escolha pode mudar o mundo. Ela pode rapidamente melhorar o bem-estar de mulheres e meninas, transformar famlias e sociedades e acelerar o desenvolvimento global.*

O relatrio traz um destaque interessante: onde as pessoas podem tomar essas decises, elas tendem a escolher famlias menores. Quando as escolhas so restritas, elas tendem a ter famlias grandes ou muito pequenas, s vezes sem nenhum filho.

Mas quando as pessoas no podem decidir sobre o tamanho de suas famlias? Quando a deciso frustrada por sistemas de sade que falham em servios essenciais, como na oferta de contraceptivos; quando as barreiras econmicas as impedem, incluindo empregos de baixa qualidade e remunerao e a ausncia de creches, que tornam quase impossvel comear ou expandir uma famlia; ou, ainda, quando persiste uma enraizada desigualdade de gnero, que nega s mulheres o poder de tomar decises fundamentais na vida. Decidir com liberdade e responsabilidade quantos fi lhos ter, o intervalo de tempo e o momento de t-los o objetivo da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentvel.

A grande questo que ainda perdura : as pessoas - homens e mulheres, em todas as localidades, em todas as categorias de renda, de todas as idades e em todos os outros grupos - esto tendo o nmero de filhos que desejam? Para bem responder pergunta, temos que entender um pouco da transformao demogrfica na corrente do tempo.

A transio global para baixas taxas de fecundidade comeou com indivduos, antes da era atual de planejamento nacional e servios de sade. A partir do final do sculo XIX, as pessoas, especialmente as mulheres europeias e depois ao redor do mundo, comearam a ver que ter menos filhos poderia levar a melhores resultados em vrias esferas da vida. Alguns governos investiram no capital humano das pessoas jovens e na expanso dos empregos e de outras oportunidades, para criar uma constelao de circunstncias econmicas e sociais que levaram a um tamanho menor de famlia. At o incio da dcada de 1930, a fecundidade em muitos pases havia cado at o nvel de reposio (ou seja, igual a 2,1, que se refere mdia do nmero de filhos de cada mulher durante seu perodo reprodutivo que manteria a populao em um tamanho constante). Mudanas nos padres de trabalho, prosperidade, melhor sade e nutrio, maiores taxas de sobrevivncia de recm-nascidos e crianas e maior acesso educao, especialmente para as mulheres, fizeram a diferena. A urbanizao tambm pode ter libertado as pessoas para tomarem suas prprias decises sobre o momento e o intervalo das gestaes.

Esta uma forma resumida de se colocar o assunto, mas os elementos essenciais esto a. Resultado? Desnecessrio dizer que impactou diretamente os nveis de fecundidade no mundo.

Antes da dcada de 1950, a taxa de fecundidade da grande maioria dos pases era extremamente alta (maior ou igual a 4,0), porm, a partir do final do sculo XIX, as diferentes velocidades das mudanas socioeconmicas entre os pases fizeram com que a hegemonia na taxa de fecundidade fosse se deslocando entre os pases. Hoje, 43 pases com populaes de pelo menos 1 milho tm fecundidade de 4,0 ou 3,0 filhos por mulher (localizados na frica); 30 tm fecundidade decrescente, mas que ainda se situa entre 2,5 e 3,9 filhos (frica e sia); em 33, a fecundidade caiu para o nvel de reposio mais recentemente (diversos); e, em 53, a fecundidade tem ficado no nvel de reposio ou abaixo disso por vrios anos (Europa).

No Brasil, a transio para baixas taxas de fecundidade teve incio na dcada de 1960. Ela saiu de 6,0, em 1960, para 1,7, em 2015. Atualmente, a fecundidade gira em torno de 1,0 filho entre as mulheres que concluram pelo menos o Ensino Mdio/secundrio e 3,0 para as menos instrudas.

O declnio da fecundidade para nveis abaixo disso apresenta novos desafios. O envelhecimento da populao, por exemplo, significa que menos jovens esto ingressando no mercado de trabalho, logo, problemas previdencirios vo fazer-se presente. A capacidade de inovao nas cincias e tecnologias tambm impactada, pois a esmagadora capacidade de inovao parte das mentes juvenis. Polticas pblicas necessariamente devem migrar de creches para planos que atendam a terceira idade.

Estamos preparados para isto? Acredito que a resposta no. No ainda, mas o tempo de maneira inexorvel ir nos preparar, de maneira no confortvel para a maioria, se no tomarmos agora as rdeas do futuro.

*Dispionvel em: https://brazil.unfpa.org/pt-br/news/situacao-da-populacao-



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